segunda-feira, 27 de março de 2017

O Ingresso de Jaime na Vida Adulta - O mundo de Jaime - Rejane Martins


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O Ingresso de Jaime na Vida Adulta
Rejane Martins

Jaime não suportava mais aquela fase da vida, não era nem criança, nem adulto. Como ser adolescente é chato. Ser cobrado em suas responsabilidades como adulto e no instante seguinte ser julgado como uma criança, e sendo assim não tinha direito à vontades e exigências.

Mas naquela manhã tudo mudou, Jaime foi acordado com o insistente som do interfone, irritado questionava onde estariam todos naquela casa, nem de férias podia aproveitar a cama um pouco mais de manhã.

Injustiça, injustiça, injustiça.

Alô. Bom dia Sr. Robesval. O quê? O senhor tem certeza? Sim, sim sou eu mesmo. Não, não precisa esperar pela minha mãe. Eu já estou descendo. Só um minuto

Bem vejamos, hoje não é meu aniversário, não estou esperando nenhum material do Carlinhos para acabar algum trabalho da escola, pô estamos de férias. Quem será que me enviou uma encomenda? Entrega expressa? Deve ser algo muito importante.

Opa os chinelos, me esqueci. Pronto elevador onde você está? Nãooooo, no décimo oitavo andar. Vai Dona Rosalva libera o elevador, não precisa segurá-lo enquanto conversa com a empregada.


Isso. Valeu Dona Rosalva. Não, parou no décimo andar onde está realizando aquela obra sinistra. Quer saber, vou de escadas mesmo, chego mais rápido.

E aí, Sr. Robesval o que chegou para mim. Uau, é mesmo uma encomenda via sedex 10. Deve ser bem importante o conteúdo. O que será? Meu Deus minhas mãos estão tremendo, é a minha primeira correspondência pessoal.


Por um momento Jaime sentiu-se o protagonista principal do livro “O mundo de Sofia”. Seria legal se o conteúdo fossem enigmas, que questionassem nossa existência ou o mundo em que vivemos. Foi revelador para ele se sentir como personagem de uma trama literária onde o desafio maior é desvendar os mistérios do mundo.


O Mundo de Jaime


Jaime abriu o envelope pardo e encontrou um livro velho, amarelado pelo tempo. Abriu com todo cuidado, ansioso com o conteúdo, tamanha era a ansiedade que nem percebeu suas vistas embaçarem, focar o texto naquele momento era impossível.

 Respirou fundo, se acalmou e novamente abriu com delicadeza o presente, constatou vários termos grafados, alguns em vermelho outros em azul e alguns poucos em verde. Fixou nestes termos e ficou atônito, eram hieróglifos, que piada de mau gosto é esta? Quem será o engraçadinho que está tentando deixá-lo confuso.

Percorreu, em pensamento, todos que poderiam ter feito aquilo com ele. Mas sua investigação mental era sempre interrompida com o desafio de desvendar o enigma do livro. Até que por fim o autor de tudo aquilo não mais importava para Jaime.

Confinado em seu quarto, mergulhou naqueles símbolos. Se irritava todas as vezes que alguém o trazia para a realidade ao chamar seu nome. Não tinha sede, a fome era só a do mistério, o que será que significava tudo aquilo.

Teve um lampejo, será que os símbolos estavam espelhados? Em frente ao grande espelho atrás da porta olhou para a imagem das páginas, eureca!

Ah! Não está escrito em grego antigo? Já sei, só pode ser coisa do Prof. Jarbas. Ele disse que escolheria um aluno para disseminar as ideias filosóficas estudadas naquele ano.

Bom pelo menos agora ficou fácil, é só resgatar aquele dicionário de grego antigo que ele mandou por e-mail, e traduzir o texto, pelo menos era um texto pequeno.

Em pouco tempo, o texto estava todo em português. Tratava-se de uma resenha do Ética a Nicômaco, virtudes que Aristóteles elencou para seu filho Nicômaco.

Emocionado Jaime percebeu que este presente do Prof. Jarbas, era mais que um presente para um aluno. Somente um pai presentearia um filho com as regras de conduta que o conduziriam a felicidade.


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