quinta-feira, 4 de maio de 2017

UMA NOITE NUM VAGÃO VAZIO.- Do Carmo

Resultado de imagem para desenho de moça sozinha no vagão do metro


UMA NOITE NUM VAGÃO VAZIO.
Do Carmo



Oh! Meu Deus, onde estou? Será que sonho?

Não, acabo de acordar!                

Como vim parar neste vagão vazio? Estou no metro?

Sim, agora começo a lembrar-me, mas que horas são? Ah, quatro horas e cinqüenta minutos da madrugada! Logo o metro volta a circular, começa as cinco ou seis horas?

O que vou fazer. As portas estão fechadas, também não sei onde é o terminal do trem. E o meu carro, quanto irei pagar de extra pela noite.
Que maçada! Quantas perguntas e nenhuma resposta.

Recordo que quando embarquei, o vagão estava lotado, foi um jovem que cedeu seu lugar para eu sentar-me, diga-se de passagem, um gatinho, mas muito jovem.

Estava exausta, devo ter adormecido e não percebi que todos os passageiros foram descendo, as estações chegando ao fim e eu dormindo.

Ouço vozes se aproximando, vou fingir que estou dormindo, estão mexendo no meu braço, dizendo, acorda, senhora, acorda, o dia já clareou. Vou encenar um acordar de donzela assustada. Ufa! Eles acreditaram na minha performance, foram até buscar um cafezinho para mim.

Na realidade, eu fiz mais cena de amedrontada, do que senti ao perceber-me sozinha num vagão vazio de metrô, sem saber onde estava, com pouca iluminação e escuridão total do lado de fora.

 Finalmente as luzes foram acesas, a voz misteriosa da gravação da cabine deseja bom dia a todos, que no caso, sou só eu, soa um sinal e a composição começa a mover-se.
 Respiro aliviada.




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