quinta-feira, 4 de maio de 2017

Um mapa científico de previsões - Suzana da Cunha Lima


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Um mapa científico de previsões
Suzana da Cunha Lima

Toda minha família gosta de cartomantes, videntes, horóscopos, qualquer coisa que remeta ao imponderável, à fantasia e ao não conhecido.

Não pautamos nossa vida por estas previsões,  mas é claro que  prestamos muita atenção às coisas boas: você vai fazer uma viagem, vão lhe pagar aquela dívida, seu chefe a admira, logo vem uma promoção e, por último e mais desejado, seu amor vai retornar.

As situações tratadas são sempre situações de vida, que ocorrem praticamente com qualquer um e todo bom vidente nos presenteia com uma quota razoável de fatos positivos. E com isso emitimos uma boa energia positiva, levando o Universo a conspirar com a gente.

Claro, a tal viagem pode ser ali, para Ubatuba, a dívida se referir ao adiantamento para conserto do carro de uma amiga, meu chefe pode estar me admirando por razões que nada tem a ver com competência e a promoção fazer parte do meu plano de carreira.  Não importa, notícia boa nos deixa alegre e geralmente  flutuamos de felicidade  diante da possibilidade de um antigo amor nos querer de volta, mesmo que ele tenha sido um bom malandro.

O importante nestas consultas, é sairmos alegres e com a certeza que o mundo é um lugar bacana para se viver.

Fui a muitos desses profissionais e guardo boas recordações, algumas até hilárias,  destes encontros.  Só para constar, o último era um psicólogo formado, homem sério, de uns quarenta anos, de pouco riso e nenhuma interação com seus consulentes. Mas tinha fama de alta porcentagem de acertos e resolvi experimentar. Levei uma fita para gravar a consulta e toda vez que o interrompia para perguntar algo, ele parava de gravar, meio aborrecido e respondia bem secamente.  Claro que não gostei, mas o homem era bem recomendado, eu já estava lá e tinha pago, então resolvi ficar até o fim.

Ele teve notáveis acertos sobre  minha infância e mocidade, meu temperamento e até de meu casamento. Ou eu sou um livro aberto, ou minha vida é muito comum, ou eu “ajeitava” sua fala às minhas experiências passadas, para não perder o crédito e continuar acreditando.  No final, preparou um mapa chinês ou japonês, não me lembro, me informando que aquela hora de falação estava toda ali.  Qualquer um que soubesse interpretar o mapa, diria sempre as mesmas coisas. Era científico.

Mas o que me chamou  a atenção, na verdade, foram duas coisas que ele asseverou que iam acontecer comigo:

- 1) Que eu, quando estivesse com cinquenta, sessenta anos, ia ter um “boom” na vida, ia ser reconhecida e admirada internacionalmente. Estou esperando este “boom” até agora e já passei um bocado dos sessenta.

2) - Outra coisa que soaria mal para pessoas impressionáveis:  lá pelos meus oitenta e dois anos, (com esta precisão), ele não via mais sinais de vida no meu mapa.


 Esta previsão vou ter que aguardar para conferir. Ainda falta um pouquinho.

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