quinta-feira, 27 de abril de 2017

APEGO, NÃO ! CARINHO, SIM ! Do Carmo


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APEGO, NÃO !
CARINHO, SIM !
Do Carmo

 É voz corrente ser próprio dos idosos, o conceito de apego a objetos ou lugares.

Sob meu ponto de vista, julgo muito radical essa afirmação, uma vez que eu, orgulhosamente, sinto-me desapegada  de coisas materiais, mesmo contando com os setenta e oito anos vividos, muito felizes.

Eu tenho, aqui em minha casa, três objetos que guardo com muito carinho, pois eles me foram dados um pelo meu pai e outro por minha mãe.

 Em destaque, logo na entrada social do meu apartamento, este pendurado um relógio cuco, entalhado em madeira com cachos de uvas o qual foi presente de meu pai para minha mãe, quando completaram quinze anos de casados, em mil novecentos e trinta e cinco. Eu ainda não havia nascido. Sempre ele dizia que seria meu um dia.

 Na parede oposta ao relógio, na entrada da sala, tem uma mesinha, com um camelo sobre ela, carregando uma tendinha nas costas, entalhados igualmente em madeira de lei. Mamãe ganhou como lembrança de umas amigas, nossas vizinhas, com as quais eu muito me diverti quando pequena, pois as tardes eu ia a casa delas e entre biscoitos, bolos e refresco, eu ouvia histórias, algumas lidas outras inventadas. A mais velha sempre dizia que essa mesinha com o camelo, seriam meus.


Diante disso, tenho certeza que o amor e carinho que sinto por essas três peças,  não são apegos compulsivos de idoso mas sim, uma lembrança muito querida.

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