quinta-feira, 27 de abril de 2017

MINHA AFLIÇÃO - Do Carmo


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MINHA AFLIÇÃO
Do Carmo



Finalmente encontrei o que tanto procurava: meu diário de adolescente.

Jamais poderia imaginar que estivesse em lugar tão óbvio, tão fácil de ser encontrado, tanto que hoje, casualmente o encontrei. Para minha felicidade  fui eu que encontrei, poderia ser qualquer pessoa daqui de casa. Ufa! Que sufoco!

Pensando bem, até que na estante de livros do escritório de meu marido, não seria um esconderijo seguro, mesmo nunca esses livros são consultados.

Agora, depois do mar revolto de pensamentos, que meu coração passa,  por tê-lo encontrado tão à vista, de inquieto torna-se nostálgico.

Folhei-o e a garota de dezesseis anos, toma conta desta senhora, revive momentos de floridas alegrias, românticos encontros, amorosos passeios, bem como, festas e bailes, ardentemente esperados e sonhados mesmo com as angustiantes expectativas de ver meus sonhos desmoronados, pela ausência do meu flerte.

Toc! toc! Alguém está chegando, vou colocá-lo onde estava e fingir que procuro um livro qualquer.


Arre! Deu tempo! Mas que tola sou. Não notei que os passos que ouvi vinham das patinhas do Dunga, o cãozinho do meu neto Rodrigo.

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