segunda-feira, 11 de setembro de 2017

IDADE DOURADA - Do Carmo


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IDADE DOURADA
Do Carmo


Depois de um encontro feliz com uma amiga, muito querida, que há anos - ufa, põe anos nisso! - não via, senti uma necessidade visceral de voltar e analisar minha vida passada, depois dos sessenta anos, ou seja “Idade Dourada”.

É, minha querida Do Carmo, você já passa há muito dos setenta.

E daí? Que bom, eu não sinto. Ah! sou feliz, só um pouco vagarosa para andar. Mas, e daí? Não tenho pressa!

De toda nossa conversa, que foi muito agradável e bem humorada, algumas frases ficaram em néon no painel de minha mente.

Ela comentou que os amigos da nossa juventude estavam dispersos, os convites eram frios e aguados, hoje a vida não se assemelham em nada àquela exuberante euforia dos dezoito anos.  Onde está o vigor da juventude? Chisp! Puf! Voop? Desvaneceu-se no tempo.

Olhei-me bem fundo no emaranhado dos meus sentidos e - Uau! - o que vi deixou-me num remanso celestial! Vivo tal qual uma rainha no Éden.

Notei com espanto que era ousada! Uhn! Ahn!  Não sinto tédio em minha vida, pois não deixo que os anos vividos pesem em meu humor.

 Sinto-me alegre e feliz, mesmo com alguns amigos ausentes, uma vez que tenho inúmeros outros novos e todos afins dos meus desejos, que desde sempre foram: Literatura, Escrita, Música e História.

Sou tão orgulhosa das minhas façanhas, que já me sinto ESCRITORA, a modéstia sempre me acompanha.

É natural, ponderei com ela, hoje temos um grande baú de conhecimentos e experiências, arrecadados pelos caminhos percorridos, nem sempre rosados.

Temos uma família bem estruturada, com filhos e netos que são “A Sobremesa da Vida”, como ouvi de um poeta, que não lembro o nome. Falhas etárias são aceitáveis no meu contexto, já com alguns neurônicos cansados.
          
Não pensava mais na minha introspecção quando, do labirinto colorido do passado, surge saltitante a sonora lembrança de uma ultima fala sobre o assunto:

“Sinto que, aquela de dezoito, ainda mora dentro de mim, e espera ser convocada para outra grande aventura, a velhice”.

Aiaiai! Que nostalgia! A velhice é muito saborosa, pois temos o direito de ser como somos, realmente: alegres, falantes, podemos criticar, sempre com parcimônia, realizar sonhos postergados e quase esquecidos, desfrutar com total amor o crescimento e as vitórias dos netos. Finalmente, poderosas, respeitadas e infinitamente amadas, e o que é melhor, não somos cobradas de nada, tudo é alegria e amor.
Falo de minha vida e pelo que conheço da minha amiga, não será em nada diferente. Ela transmite segurança, felicidade e plena realização.


Viva a IDADE DOURADA.!!!  

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