quinta-feira, 19 de abril de 2018

RUINDADE PROFUNDA - HENRIQUE SCHNAIDER



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RUINDADE PROFUNDA

A casa era humilde, o mínimo de mobília. Ali morava Rui, a mulher Luiza e o filho João.

Ambos, sofriam demais na mão cruel daquele homem, que os fazia passar fome, como um cão perdido nas ruas. Tratava-os como um carcereiro trata o preso mais desprezível. Não precisava de muito pretexto, lá iam mãe e filho, sofrendo o pão que o diabo amassou.

Mãe, filho, já não aguentavam mais, começaram a tramar uma vingança para se livrar de uma vez por todas de Rui, o carrasco.

Esperaram uma tarde, após o almoço quando Rui fazia a sesta no porão da casa. Rui já roncava feito um suíno, mãe e filho chegaram pé ante pé, trancaram-no no porão fétido, sem água, sem luz.

Quando acordou Rui percebeu a porta trancada. Depois de constatar que estava preso, começou a gritar chamando-os exigindo que abrissem a porta, prometendo castigá-los como nunca havia feito.

Ambos, Luiza e João, disseram-lhe que só abririam a porta se ele prometesse mudar de atitude, tratasse a família de maneira civilizada.
O canalha aproveitou-se da pureza deles, e garantiu-lhes uma vida de paz e tranquilidade. Acreditando nas promessas vãs, abriram a porta.

Tão logo Rui viu-se livre, iniciou um verdadeiro festival de maldades, castigos físicos da pior espécie. Assim a vida continuou, sem que mãe e filho, tivessem qualquer esperança de que algum dia sua vida pudesse melhorar, sair daquele inferno na terra. O biltre continuou reinando, sem o menor ressentimento, cada vez mais, parecendo gostar das ruindades que praticava.


O PERDÃO MUDA O CORAÇÃO ENPEDERNIDO

Os dias passavam, os meses, depois anos, O casal foi sentindo o peso do tempo, enquanto isso, João se tornou um jovem muito inteligente, alto, robusto, forte pelo intenso trabalho que o pai sempre lhe impôs.
Apesar da idade, João ainda obedecia seu pai, porque assim se acostumou, sempre recebendo ordens de forma estupida, as cumpria à risca sem questionar.

O jovem já começava a se interessar pela bela jovem Yara, cabelos louros de um dourado, do ouro mais puro. João encheu seu coração dos mais belos sentimentos de alegria. Logo de cara perceberam que tinham muitas coisas em comum.

Namoro iniciado, a vida do pobre rapaz, continuava, insuportável em casa, só docemente aliviado agora pelo amor, que começou a brotar de seu jovem coração.

Cada vez que se encontravam, o sentimento de ambos se tornava mais forte, tudo virava festa para eles, riam à toa, aliviando João, como um balsamo, aliviando seu sofrimento com o pai.

Rui apesar do peso dos anos, continuava cada vez mais cruel, judiando muito de Luiza, já que o filho saia para estudar. Agora o homem, ficara inventivo nas crueldades, trancava Luiza naquele porão imundo, verdadeira casa dos horrores, parecendo se deliciar como se estivesse ouvindo o som de uma linda melodia, com o choro da mulher.

Aquele senhor, já começava a sentir, que estava ficando alquebrado e o pior estava por vir, pois Rui estava com câncer, o que lhe tirava as forças, precisando ser cuidado pela mulher e pelo filho, dependendo da boa vontade e caridade de ambos.

Luiza e João, começaram a ter um sentimento dúbio, uma verdadeira dicotomia, por um lado o rancor que os levava a sentir quase que uma alegria incontida, por uma dadiva recebida pelo castigo que a vida deu a Rui, mas ao mesmo tempo um sentimento de pena e de amor por aquele pobre velho doente e acabado.

No fim prevaleceu o perdão, que tanto mãe como filho, abrandaram seus corações, esquecendo rancores, demonstraram apesar de tudo, amor e carinho por Rui, cuidando dele com muito desvelo.

O velho homem acabou tendo seu coração amolecido diante de tamanha demonstração de amor, de carinho, apesar dos males feitos. Com lágrimas escorrendo, pediu perdão por tantos anos de sofrimento, finalmente morrendo em paz.
João casou-se com Yara, dando lindos netinhos para Luiza, possibilitando a ela, nos últimos anos de vida completa felicidade.


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