quinta-feira, 1 de junho de 2017

“O SAPO E O ESCORPIÃO” - Rejane Martins


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O SAPO E O ESCORPIÃO
Rejane Martins

Era uma vez um sapinho que encontrou um bicho bem curioso, quase transparente. As duas pinças, logo definidas como patas, em conjunto com a parte frontal pareciam descansar no solo. Delimitavam um círculo quase perfeito, a primeira dedução do jovem sapo foi que ele era o guardião de uma suculenta jabuticaba, e que ainda não tinha se apercebido do roubo. Mas o que mais o intrigava no animal exótico, era a cauda que insistia ficar em riste com um intrigante badulaque na ponta.

- Olá! O que você está fazendo aqui na beira do rio?

- É que eu perdi o sono e não quis acordar meus pais, então resolvi conhecer os arredores.

- Eu sou um sapo e me chamo Krog. E você?

- Ah! Você é um sapo. Eu sou um escorpião, e meu nome é Portion. Você gostaria de brincar comigo?

- Claro, vamos lá. Quer apreender a pular, assim você chegará mais rápido aos lugares, olha só.

- Agora é minha vez, vou lhe ensinar as técnicas de karatê. Mas você precisa ficar um pouco distante. É que eu não tenho muita noção do tamanho de minha cauda e acabo machucando os outros sem querer.

Brincaram o dia todo, até ficaram com fome, cada um rumou para as suas casas, prometendo se encontrar no dia seguinte.

Em casa, desajeitado ensaiava os passos da luta, para mostrar a sua mãe o que havia aprendido.

- Quem ensinou isso a você? Perguntou Dona Sapiona.

- O meu novo amigo, o escorpião.

- Você não sabe que nesta família não tem bons elementos? Eles carregam consigo um potente veneno. Você está proibido de brincar com ele de novo. E pare com esta dança ridícula, não fica bem em você.

Já no outro lar, antes de saírem a procura de alimentos, o filhote queria mostrar para os pais a nova técnica de se movimentar mais rapidamente.

- Com quem você aprendeu isto? Indagou a Sra. Caudalosa.

- O sapo do rio, hoje tornamo-nos amigos.

- Que besteira! Você não sabe que nós nunca nos relacionamos com este tipo de família, espero não viver o bastante para ver vocês juntos. E pare de pular.

No dia seguinte cada filhote ficou no seu canto, se entreolhando e sentindo saudades da alegria da véspera. Ambos sabiam que carregariam para sempre a lembrança do único dia em que foram amigos.

Muitos anos se passaram, o então adulto Portion aproximou-se de Krog que estava na beira de um rio e lhe fez um pedido:

- Colega, você poderia me carregar até a outra margem do rio, em nome de nossa velha amizade?

- Só se eu fosse louco!

- Isso é ridículo! Nos conhecemos desde a infância. Além disso se eu o picasse, ambos afundaríamos e eu não sei nadar.

Confiando nesta lógica, o sapo concordou e permitiu que o peçonhento subisse nas costas, iniciando a travessia.

No meio do rio, o escorpião cravou o ferrão no sapo. Paralisando-o quase que de imediato. Reunindo as últimas energias disponíveis, perguntou:

- Por que você fez isto? Agora nós dois iremos morrer!

E o escorpião respondeu:

- Por que sou um escorpião, e me ensinaram a seguir a “minha natureza”.

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