segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Um amor eterno! - (Amora)


Resultado de imagem para ila foula


Um amor eterno!
(Amora)

Estamos em 1912, um pouco antes da Primeira Guerra Mundial. É uma história verídica, como tantas acontecidas no passado.

George, um jovem major do  exército inglês, tendo dado baixa em período de paz, mora em Londres, capital da Inglaterra.

Apaixonado por pintura e cavalos, aproveita o tempo de folga para se dedicar ao que gosta.

Fica sabendo por amigos, da existência de uma ilha, Foula, no litoral da Escócia, habitada por inúmeros cavalos pequenos, pôneis, em maior número do que  habitantes. Cerca de 1000 pôneis para cada morador local, que descontando os turistas, não passam de 30 famílias. Animais calmos, inteligentes, obedientes, corredores, datando uns 3000 anos antes de cristo, segundo estudiosos.

Aventureiro e audacioso, decide deixar Londres e ir visitar Foula, essa ilha famosa, parecendo-lhe mais encantada e misteriosa do que verdadeira.

Assim que chega, hospeda-se em simples pousada e sai pelos arredores, dirigindo-se aos campos que ladeiam aquele mar de águas claras e límpidas, de ondas altas que batem nas rochas e produzem um barulho contínuo e forte, semelhante a batidas de pés. Olha ao redor e percebe que cavalos também trotam, às pressas, em bandos, pela areia molhada, como se apostassem corrida.

Eram pequenos, elegantes, de pelos luzidios, crina e rabo volumosos, lindos!  George encanta-se com eles. Resolve pintá-los.

Apronta seu material na manhã seguinte, dia ensolarado embora fosse inverno, e vê se consegue apanhar pelo menos um, para modelo. Não consegue, apesar de muita correria e esforço. Escuta uma risada alta e gostosa vinda de uma cabana ali perto. Vira-se nervoso e vê uma linda moça, olhos azuis e cabelos vermelhos, encaracolados,  sorrindo para ele. Divertia-se com a sua incompetência.

Já mais calmo, dirige-se a ela, apresentando-se como um pintor, desejoso de ter um pônei, coisa rara em Londres, como modelo. A rapariga, mostrando-se amiga, diz chamar-se Mary e se propõe a ajudá-lo. Chama um dos animais pelo nome e ele corre a atendê-la. George espanta-se  com isso, achando que deveria pintá-la, segurando o pônei. O quadro ficaria mais interessante, impressionado também pela beleza da moça.

Todas as manhãs, reunia-se perto da cabana de Mary, pintando-os com todo o entusiasmo e carinho que possuía, colocando na tela a beleza do cavalinho e o amor que já estava sentindo pela delicada e bela Mary, tão diferente das raparigas que conhecia em Londres.

Foula era mesmo uma ilha encantada e paradisíaca, como lhe haviam contado. Resolve terminar o quadro, começar outros, nunca mais deixar aquele lugar. Mary parece corresponder ao seu afeto e até os pôneis, tão ariscos, sentindo talvez que ele era amigo, aproximam-se dele.

Conhece a família da moça, uma das poucas que ainda restam na região e pede-a em casamento. Estabelecem uma data para a cerimônia e declaram-se noivos desde então.

Mary não cabe em si de contente, feliz ao lado do homem que ama e cercada pelos amigos pôneis,  que nunca  pensou em abandonar.

É chegado o dia do matrimônio e o casal feliz espera permanecer na cabana em que se conheceram. O primeiro quadro pintado por George seria o enfeite principal da sala, lembrando-os dos primeiros momentos de união.

Terminada a cerimônia, ao redor de uma grande mesa, começa animada festa, em que todos os convidados falam ao mesmo tempo. Um deles, o último a chegar, abre muitas vezes a boca, mas não consegue ser ouvido. Insiste muitas vezes, até que finalmente, cansados, param e ele fala bem alto o que queria. “estourou a guerra! Todos os jovens, principalmente do exército, estão convocados”!

Os convidados emudecem. Seus semblantes alegres se modificam. A tristeza e o medo, embora estivessem longe da capital, invade  o casamento tão feliz de Mary e George. O casal retira-se imediatamente, indo Mary chorar em sua cabana, sabendo que George seria logo convocado.

Foi mesmo. Em poucos dias recebeu um comunicado que deveria apresentar-se ao exército e se alistar à luta.

Maldita guerra, pensa Mary. Nem bem casara e já ficava sem marido. A despedida foi bem triste, prometendo George escrever todos os dias e ela esperá-lo até que voltasse.

Passaram-se três anos! As cartas de George foram rareando até que não chegavam mais. Mary nem sabia se estava vivo ou morto. Consolava-se com seus pôneis e passava horas olhando os quadros que George pintara.

As notícias da guerra eram comunicadas e parecia que não iria terminar nunca! Tamanho o estrago que fizera! O povo sofrido, a comida rareando, pessoas fugindo, feridos chegando. Nada sobre George.

Num dia de desespero, já perdendo a esperança, Mary dirige-se à praia que tanto gostavam e, olhando firmemente a água sobre um penhasco, sente-se atraída por aquela imensidão calma e joga-se, num impulso repentino.

Põe fim àquela angústia que tanto a importunava.

Ao longe, um barco com bandeira inglesa aproxima-se. Dentro dele, vários feridos de guerra são deixados naquela região, inclusive George, que, mancando, dirige-se vagarosamente à cabana onde Mary deveria estar. Não a encontra e ninguém sabe dela. Atemorizado, sai também em direção à praia, encontrando seu velho lenço em cima do penhasco. Adivinha o acontecido. Mary não aguentara esperá-lo tanto tempo. Os pôneis amigos, rodeiam quietos aquele lugar. Parecem respeitar a amiga que se fora. George, olhando aquela água sente também o mesmo impulso, atirar-se e juntar-se à amada.

É imediatamente rodeado pelos pôneis inteligentes, que o impedem de realizar o mesmo ato de Mary. Permanece em Foula, solitário na cabana, pintando pôneis para turistas, olhando o quadro que fizera quando chegara, para lembrar de Mary e amenizar sua saudade, até a velhice.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Em desalinho - Ana Catarina Sant’Anna Maues

Em desalinho Ana Catarina Sant’Anna Maues    Cheio de segredos ele vivia. Era homem de ações nada claras. Pessoa fria e calcul...