quinta-feira, 23 de março de 2017

Que tarde! - Carmen Lucia Raso

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Que tarde!
Carmen Lucia Raso

De longe pude vê-lo abraçado à outra. Pareciam tão íntimos, tão antigos.

Respirei fundo, contei até cem em alguns segundos, sem sequência ou coerência.

Parada quase no meio fio,  sem que me notasse, fiquei escondida atrás de uma árvore de tronco largo e galhos fartos que me dava total cobertura e eu observava com olhos de lince e coração de presa amedrontada.

Não sabia bem o que fazer, se atacava como caçadora ou me mantinha estática para que não me encontrasse.

Os abraços entre eles me arrepiavam de raiva, eles riam muito, ele passava as mãos nos seus cabelos e seus olhos percorriam aquela moça de linda aparência, de cabelos longos, cacheados, se afastavam de mãos dadas e logo vinha mais um abraço.

Tinha a sensação de que o tempo não passava, alguns segundos, uma hora, uma eternidade? Não saberia dizer.

Fiquei triste, brava e ao mesmo tempo decepcionada pelo que via do outro lado da rua.

De repente um vento gelado me acordou daquele transe, daquele turbilhão de sentimentos em que me encontrava.

Que horror! - pensava.

Um homem que passava por ali quis saber sobre uma doceria numa rua que eu não conhecia e lá fui eu desviada da minha espreita.

Onde estão? Perdi os dois de vista! Não acredito que sumiram. Onde foram?

Atravessei a rua em busca do que me aguardava.

De repente bateram de leve em minhas costas e quando virei meus olhos encontraram os daquela moça que ha pouco se abraçava ao meu namorado e me dei conta de que ela se parecia muito com ele. Em seguida ele chega com flores estendidas para mim.

— Pra você, meu amor!

Não entendi mais nada.


   Dois presentes, as flores, e minha irmã gêmea que foi criada na Itália, por nossos avós e acaba de chegar. Como eu vinha me encontrar com você resolvi marcar nosso encontro aqui mesmo em frente a Livraria para tomarmos nosso café. Não foi aqui que marcamos?

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