A GRANDE JORNADA - CONTO COLETIVO 2023
VINGANÇA A QUALQUER CUSTO
AINDA HÁ TEMPO PARA AMAR - CONTO COLETIVO 2011
FIGURAS DE LINGUAGEM
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BIBLIOTECA - LIVROS EM PDF
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023
Vanessa Proteu
segunda-feira, 26 de dezembro de 2022
CONTOS PARA SEMPRE - ANTOLOGIA ICAL 2022 - LANÇAMENTO 10-DEZEMBRO-22
Contos para Sempre
Contos
para sempre
UMA EXPIRIÊNCIA MAIÚSCULA
Por: Ana Maruggi
Coordenadora da Oficina de Textos Criativos
A Oficina de textos criativos do ICAL
existe desde 2009, e no decorrer dos anos os participantes foram deixando
marcas literárias pelo caminho. Os rastros em páginas e páginas de livros editados:
livros infantis, livros de contos,
memorialista e de culinária afetiva. Além disso, a Revista Eixo Cultural que trouxe
muitos textos de alunos e de outros simpatizantes da ONG.
Hoje
temos mais um resultado de boas escritas, a coletânea CONTOS PARA SEMPRE, uma antologia que já causa interesse quando se
depara com a capa que traz a belíssima obra “Moça com livro” – Óleo sobre tela
- do artista plástico brasileiro José Ferraz de Almeida Júnior, e que guarda
entre as tantas páginas, 42 textos que discorrem por temas diversos: contos de ficção que narram histórias de
suspense, outros falam de amor, há poesia, há memórias...
Os
autores vindos dos mais diversos campos de atuação, hoje se dedicam à criação
de histórias. A maioria destes escritores tem nesta antologia, sua primeira
publicação. Essa incomparável viagem que aguçou o apetite criativo deles, agora
provoca o deleite de leitores como você. Esta obra é a experiência maiúscula de
pessoas que tomaram para si a “responsabilidade” de criar histórias carregadas
de valores vindos, são escritores com bagagem cultural elevada e invejável autoestima.
Eu,
como coordenadora literária deste grupo, sugiro que siga a leitura na ordem de
publicação, assim poderá perceber o estilo de cada um.
Sumário
Adelaide
Barrozo Dittmers
A escolha ..............................................................
13
A oportunidade .....................................................
39
A transformação.....................................................
45
O olhar de uma avó ...............................................
51
Sou .........................................................................
53
Alberto
Landi
Clark, o capitão......................................................
57
Freddy ...................................................................
63
Ana
Catarina Sant’Anna Maués
O dejejum ...............................................................
71
O sonho de uma árvore............................................
75
Claudionor
Dias da Costa
A roda da vida .........................................................
81
O soldado que não queria matar .............................
95
Dinah
Choichit
O vizinho falante ....................................................
105
Saudades .................................................................
107
Hélio
Fernando Salema
É a vida… ................................................................
113
Esconde-esconde.....................................................
115
O caminhoneiro........................................................
121
O último pileque.......................................................
135
Pássaros na gaiola.....................................................
153
Henrique
Schnaider
João Lorota................................................................
.. 165
O violino mágico..........................................................
171
Twist o touro campeão ...............................................
177
Um trem com alma......................................................
181
Hirtis
Lazarin
Cinquenta anos depois ...............................................
189
Feitiços da lua.............................................................
195
Foi por um triz ...........................................................
201
Inevitável.....................................................................
207
Lamento.......................................................................
211
Leon Alfonsín
Vagliengo
A vingança do computador.........................................
215
Êxtase
......................................................................... 223
Matheus, o surfista ....................................................
225
O desencontro de Arminda Rosa e João Gaspar......... 229
O vigário e seu amigo vigarista .................................
233
Vingança no Oregon — 1869.......................................
243
Maria
do Carmo
Serei eu o herói de minha própria história
ou qual[1]quer
outro tomará esse lugar ....................... 255
Morgana
Cruz
Além do seu tempo......................................................
263
Histórias de uma vida .................................................
267
Lugar secreto ..............................................................
269
Presente inesperado ...................................................
271
Suzana
da Cunha Lima
A Boa Nova..................................................................
275
Conversa na hora de dormir.......................................
281
O engodo ...................................................................
287
Prólogo ......................................................................
293
Contos para Sempre
No dia 10 de dezembro de 2022 fizemos o lançamento da
antologia Contos para Sempre, cuja, nos deu muito prazer publicar.
Estiveram presentes os autores e seus familiares. Foi uma honra conhecê-los, e sentir que fazemos parte da história de cada um.
Na mesma data comemoramos os aniversários da Dinah Choichit e
do Claudionor Dias da Costa.
Parabéns aos aniversariantes!
Abaixo temos algumas fotos enviadas pelos participantes.
Foco na escrita, pois em 2023 temos novos projetos
literários e vocês fazem parte deles.
Feliz Ano Novo!
terça-feira, 20 de dezembro de 2022
quarta-feira, 16 de novembro de 2022
Um olhar ao redor - Adelaide Dittmers
Um olhar ao redor
Adelaide
Dittmers
Olho
em volta e estremeço. Uma sala branca,
cujas paredes estão forradas de coroas de flores. Estou em um velório. De quem será? Não me lembro de ter recebido a
notícia da morte de alguém conhecido.
Tento
me mexer, mas não posso. Minhas pernas e braços estão imóveis. Meu Deus! Estou preso a um caixão. Quero levantar e não consigo. Percebo que meus olhos estão fechados, mas
estou vendo tudo ao meu redor. Estou
morto? Meu corpo se arrepia todo, mas
morto não pode se arrepiar.
Meus
olhos, ou sei lá o que estou usando para enxergar, divisam muitas pessoas no
lugar.
Minha
mulher está abraçada ao meu filho e os dois soluçam. A tristeza me invade e sinto-me impotente
diante dessa cena.
Um
grupo de amigos conversa a um canto.
Parecem discutir sobre algo, política ou negócios. Não ouço o que dizem. Falam em voz baixa.
Não
acredito! Dona Maricota também está aqui.
Como sempre não pára de tagarelar. Ah não! Está se aproximando de mim
com uma vizinha. O olhar compungido tem
uma sobra de sarcasmo. ¨Era um homem forte.
Como foi morrer assim de repente! Sabe, aqui entre nós, dizem por aí que
era um mulherengo e traía dona Clara, descaradamente¨.
Miserável!
Veio ao meu velório só para fofocar e falar mal de mim. Se eu pudesse a expulsava daqui. Se estivesse
vivo, estaria vermelho de raiva.
O
Rafael acabou de entrar. Cara de pau! Me
deve um dinheirão e não atendeu mais aos meus telefonemas. O rosto coberto de uma dor, que com certeza
não sente.
O
que o Leo está fazendo? Abraçando Clara
de um jeito suspeito e parece comê-la com os olhos. Nem esfriei ainda...Meu melhor amigo! É
difícil acreditar em tanta falsidade!
Ouço
sons de risadas, que vêm de fora. O
grupo das piadas! Não respeita o
sofrimento alheio. Porém, tenho que admitir, participei disso muitas vezes.
Que
surpresa! É a Gracinha chegando perto de mim! Linda, elegante e discreta. Vivi grandes momentos com ela. Seu rosto espelha uma grande tristeza e
lentamente deposita uma rosa vermelha em meu peito. Coloca a mão em cima das minhas, fecha os
olhos e deve estar fazendo uma oração.
Discretamente afasta-se e sai, mas o rastro de seu perfume permanece
como um bálsamo.
Fito
Clara, que está recebendo vários abraços de condolências. Graças a Deus não viu Gracinha.
Um
padre aparece a começam as orações.
Todos baixam a cabeça para acompanhá-las. Será que estão rezando por mim? Duvido. Muitos devem estar pensando no que vão fazer
depois.
Neste
momento, resolvo me entregar a Deus e ao que vier. Estou só, como nunca estive. Saímos deste mundo completamente sozinhos. Não importa quantas pessoas estejam a nossa
volta. Felizmente vivi plenamente. Não me arrependo de nada. Aceito meu desenlace como aceitei a vida.
O homem da gaita - Adelaide Dittmers
O homem da gaita
Adelaide
Dittmers
Passou
por mim um homem,
Gaita
na boca,
Tocando
indiferente,
Imerso
na melodia.
Gorro
colorido, cabelos compridos,
Passou
por mim,
Sua
música e ele,
No
seu mundo.
Nada
via ao seu redor,
O
homem e sua gaita,
Ele
e sua música
Passaram
por mim.
A
tarde de céu azul,
A
calçada florida,
Mesclavam-se
ao homem,
Eram
parte dele e sua gaita,
Passou
por mim um homem,
Tocando
indiferente,
Passou
rápido pela minha vida,
Não
passei pela dele.
A PILHA - Leon A. Vagliengo
A PILHA
Incluindo a esperança de Liberdade,
ainda que tardia.
Leon Alfonsin Vagliengo
Olho em volta de mim, tentando descobrir algo que me
inspire para escrever uma boa história. Estou em meu pequeno escritório, onde
se encontram muitos objetos apropriados para o local, como canetas, lápis,
réguas, computador, livros, impressora etc., mas nada disso me parece sugestivo
para a elaboração de algum texto interessante. Minha imaginação é uma noite
escura, nenhuma ideia a ilumina.
Finalmente, uma
porta se abriu deixando entrar a luz do pensamento, quando meu olhar pousou
sobre uma enorme pilha de papéis. Nela, documentos bem recentes, amontoados
sobre outros, antigos, alguns até muito antigos, concorrem para produzir em mim
um desalento crônico, uma impressão desagradável de que nunca me libertarei de
seu jugo cruel. Encontrei a minha estrada, passo a percorrê-la.
Alguns
desses documentos representam pagamentos inadiáveis, exigindo total prioridade;
são processados assim que chegam e imediatamente mudam de categoria,
juntando-se a outros porque trazem informações para registros contábeis e
elaboração de relatórios. Os piores, porém, são aqueles que representam
problemas que precisam ser solucionados, mas parecem não ter solução. Estes ficam,
ficam... e ficam.
Entre esses papéis, existe até uma folha com vinte selos
postais, que deverão ser utilizados para o envio de cartas pessoais que não
consegui tempo para escrever. Seriam várias, não escrevi nenhuma até agora. Um
dia ainda as escreverei, e farão parte de um interessante e simpático treino de
redação idealizado pela professora de escrita literária, com a utilização de um
recurso que hoje já se tornou arcaico, mas assume, neste contexto, uma
conotação saudosista quase poética.
Ah! A escrita literária!
Que vontade de retomar e completar cada um dos rascunhos
de histórias que tenho acumulados em arquivos de meu computador! Ou, de
escrever todos os textos semanais recomendados nas aulas! Mas não tem sido
possível, o tempo é escasso, as preocupações rotineiras desviam os meus
pensamentos, muitas vezes escravizam o meu cérebro.
Apesar de tudo, ainda tenho encontrado algum tempo para o
prazer de escrever alguns textos. Não consigo fazer muitos, mas não desisto.
Sempre sai algum, e assim vou levando.
Porém, a
grande pilha, simbolizando tantos afazeres de que não consigo dar conta,
continua sempre lá, impiedosa e ostensivamente, para que eu a veja todos os
dias.
No início, constatar o seu contínuo crescimento me
desesperava. Com o passar do tempo, porém, a habitualidade em vê-la foi criando
em mim uma espécie de calo mental, fui desenvolvendo naturalmente defesas
psicológicas que me permitem, hoje, conviver tranquilamente com as suas
pendências, sem mais pesar em minha consciência o fato de não conseguir
extingui-la.
Muitas vezes
penso nisso e fico com a sensação de que me tornei um sem-vergonha.
OBJETO COMPANHIA - Hélio Fernando Salema
OBJETO
COMPANHIA
Helio Fernando Salema
Minha garrafa d’água tem sido minha companheira há muitos
anos, desde que a recebi de presente do meu filho. Inicialmente era usada nas
viagens de carro, principalmente no verão. O conteúdo permanecia gelado durante
todo o trajeto, o que facilitava a minha hidratação sem necessidade de parar o
veículo e, melhor ainda, não ingerir água sem saber a procedência. Embora eu já
não costumava adquirir em qualquer comércio, pois sempre ficava em dúvida não
só a respeito da origem como também da qualidade.
Em casa, ela é figura permanente na minha mesa, faz parte
do meu dia a dia, sempre olhando para mim e lembrando-me de que ela tem um
presente necessário e agradável para me satisfazer.
Nos dias quentes, abastece-me de água gelada ou água de
coco enquanto assisto ao futebol pela TV. Também quando estou na varanda
apreciando a bela paisagem e o céu que muito me encanta. Às vezes, chegou a
acreditar que ela também se encanta como eu.
Nas noites frias é ela que ajuda no aquecimento do meu
corpo com chá quente preservado durante toda a madrugada, mostrando sua resistência
a oscilação da temperatura, o que me da uma tremenda força para encarar os
rigores do inverno.
Quando saboreio o seu conteúdo o som que ouço parece me
dizer:
—“Guardei com carinho só para você “
quarta-feira, 9 de novembro de 2022
AO ENCONTRO DA FELICIDADE - Henrique Schnaider
Henrique Schnaider
Décio era um senhor já nos seus cinquenta anos,
viúvo desde quando tinha quarenta. Levava uma vida pacata sem muito brilho, já
estava perto de se aposentar. Era funcionário público, trabalhava numa função
monótona, na qual sequer tinha alguma chance de se destacar. Era todo dia a
mesma coisa, verificação de papeis carimbar e despachar.
Ele tinha poucos amigos no trabalho. Já era um
sujeito de pouca conversa e assim não dava abertura para que os colegas
tentassem uma aproximação, puxar um papo e tentar saber algo de sua vida.
De segunda a sexta feira era a mesma rotina ele
sempre desanimado, saia do trabalho e passava num parque que havia a caminho de
sua casa. Era o único momento de lazer na vida dele. Caminhava pelas veredas à
sombra de enormes jequitibás e de manacás de um perfume inebriante. O canto dos
passarinhos dominava o Parque, sabiás laranjeiras com seu canto sem muita
alegria. Bem-te-vis tinham um canto forte querendo aparecer mais que todos.
Os bandos de periquitos Tuim e as maritacas, faziam
a maior arruaça encantando ao Décio, que se sentava num banco no meio de todo
aquele alvoroço. Sempre existe um dia na nossa vida que nos dá uma oportunidade
e para ele aquele dia chegou. Uma porta se abriu na vida daquele homem triste e
daquela porta sai uma bela mulher que se sentou ali ao seu lado no banco. Ele
logo reparou que ela tinha uns olhos azuis, coisas de boneca.
A mulher olhou para Décio e logo puxou conversa,
além de bonita, era comunicativa deixando-o com mil campainhas tocando no
coração. Ela perguntou a ele qual era o seu nome e ele respondeu:
— Meu nome é Décio, minha mãe adorava este nome, que
tinha sido do meu avô, eu não gosto muito do nome, prefiro ser chamado de Dé,
mas como é uma homenagem ao meu avô eu aceito. E o seu nome qual é?
— Eu me chamo Monalisa, meu pai adorava este quadro e
resolveu fazer uma homenagem ao pintor dele, Leonardo da Vinci. Eu gosto do meu
nome e acho muito bonito e charmoso.
Enquanto ela falava, Décio não cansava de olhar para
aqueles lindos olhos azuis e falou:
— Você sabe Monalisa, que tem lindos olhos azuis, me
encantei com eles. Ela corou, baixou os olhos envergonhada, tomou um folego e
respondeu:
— Obrigado pelo elogio, você também é um homem muito
atraente e eu simpatizei com você.
Décio sentiu que a eterna noite que era sua vida,
naquele momento viu que o sol estava nascendo, depois de tantos anos de viuvez
no seu coração e timidamente tomou as mãos de Monalisa e lhe disse:
— Acho que os anjos enviaram você aqui hoje para
mudar minha vida para sempre.
E Monalisa se aproximou de Décio ficando bem próxima
a ele e assim permaneceram por horas aproveitando aquele momento que era só
deles.
Os dois não perderam tempo, descompromissados que
eram, depois de pouco tempo foram viver juntos, pois sentiram que foram feitos
um para o outro e iriam ser felizes por muitos e muitos anos.
A PORTA - Adelaide Dittmers
A PORTA
Adelaide
Dittmers
Diante
de mim há uma porta. Há uma porta diante
de mim.
Para
onde me levará? Tenho que abri-la para descobrir.
O
medo me avassala.
E se
abrir para uma noite escura? Onde sombras assustadoras aparecerão...
Ou
ao abrir me deparar com um dia ensolarado e céu azul...
O
que me espera do outro lado, afinal?
Tenho
que ter coragem. Faz parte da caminhada.
Seja
o que for que encontrarei, tenho que enfrentar ou me comprazer.
Empurro
a porta abre devagar. O espanto me
paralisa. Diante de mim há caminhos
entrelaçados e tortuosos. Passo a passo,
sigo lentamente. Atordoada, percebo que
têm forma de neurônios e se ligam uns aos outros em grande velocidade.
De
súbito, uma espécie de nuvem afeta minha visão e sinto um vento forte me
carregando. Surpreendida avisto uma bela paisagem, que surge aos poucos no meio
da névoa. Meus pulmões enchem-se de ar
puro. Um sentimento de gratidão inunda
meus sentidos. Mais abaixo, um mar verde e límpido lambe a areia branca. Corro para ele. Mas nesse momento sou arrancada
dali e me deparo com homens caçando, vestidos de peles de animais. Os rostos
têm feições rudes, as mãos grossas carregam machados feitos de pedra.
Levada
outra vez por aquela força estranha, vou parar em outros tempos e lugares. À minha frente, homens com lanças lutam com
ferocidade. Tento fugir dali. O sangue
de um guerreiro espirra em meu rosto.
Desfaleço de susto e volto a mim em uma estreita estrada de terra, onde
um homem sentado em uma pedra, fala sobre amor e respeito ao próximo para doze embevecidos
ouvintes. A paz aninha-se em minha
alma. Fecho os olhos para absorver
aquele momento. Quando volto a abri-los,
estou em um prédio escuro, com paredes de pedra, onde homens confabulam sob uma
tocha, que mal ilumina o aposento. Olhos
ferinos me dizem que lá ódio e não compaixão.
É um lugar lúgubre e amedrontador.
Esforço-me em sair.
Sou
jogada em uma praça e ao levantar os olhos, fico horrorizada ao ver pessoas
sendo queimadas em fogueiras. Tampo os
ouvidos para não ouvir seus gritos lancinantes.
Sou
de novo transportada, impotente que estou de sair desse caleidoscópio de
lugares e épocas. Um campo está sendo
lavrado por pessoas pobremente vestidas.
Uma mulher está à sombra de uma árvore amamentando uma criança. O olhar perdido demonstra desesperança. Ao longe, um grande castelo ergue-se
majestoso.
Novamente,
aquela força inexplicável me deposita em um ambiente claro e quando tento
entender onde estou, tampo a boca para não gritar de espanto. Diante de mim, nascendo da pedra bruta,
translúcida e pura do mármore, está uma mãe segurando o filho morto. Fico extasiada! Sento-me no chão frio e
admiro comovida o grande mestre executar sua obra. Quis permanecer ali por mais
tempo, mas nessa louca viagem não sou dona da minha vontade.
Uma
rua estreita e imunda, cercada de pequenas casas é minha próxima parada. No chão de pedras irrregulares jazem pessoas,
cujos corpos estão cobertos de enormes bolhas.
A peste negra. Dou um passo para
trás. O terror se apodera de mim.
E
continuo nesse caminho insano. Passo por
muitas batalhas. Homens com poderes
absolutos, revoluções, mulheres oprimidas, escravos açoitados sem piedade
desfilam sob os meus aturdidos olhos.
De repente, estou em um lugar hostil. Homens e crianças magérrimos estão sendo
empurrados com violência para uma sala totalmente vedada. Um arrepio percorre-me inteira. Sinto-me exausta. Viro a cabeça. Quero sair dali. O arrependimento de ter aberto aquela porta
toma todos os meus sentidos.
Para
minha surpresa, vejo-me então em um hospital.
Olho em volta. Uma mulher geme ao
se esforçar em dar vida a um novo ser.
Aproximo-me dela. Paro estática.
È minha mãe. Quero chegar mais perto, mas não consigo. O choro de uma criança ecoa na sala. ¨Uma
menina¨, diz o médico sorrindo. Atônita,
percebo que sou eu, que estou nascendo. Viro-me,
e à minha frente está a mesma porta. Respiro fundo e baixando a maçaneta,
entro...
A flecha de Bernini - Alberto Landi
A flecha de Bernini Alberto Landi Quando entrou na Capela Cornaro, em Roma, Helena não sabia exatamente o que procurava. Talvez procurass...
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O segredo Adelaide Dittmers Rogério atendeu ao telefone no escritório. A expressão de seu rosto tornou-se dura e contrariada. De...
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BIBLIOTECA VIRTUAL DO ICAL O Seu Portal de Leituras Clássicas A leitura é a porta de entrada para o conhecimento, e os clássicos são as cha...
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As Crianças e o gnomo do bosque Adelaide Dittmers Beto, João, Roberta e Lena adoravam brincar no bosque perto de suas casas....

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