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quarta-feira, 1 de abril de 2026

ARNALDO, O DONO DO BRECHÓ - Henrique Schnaider

 



ARNALDO, O DONO DO BRECHÓ

Henrique Schnaider

 

Arnaldo era uma pessoa um tanto quanto curiosa, e devido a esta característica de sua personalidade, frequentava lugares onde podia matar sua vontade de conhecer coisas desconhecidas e misteriosas.

Por causa disso, possuía em sua casa, como colecionador, quadros com pinturas as mais estranhas, objetos os quais ninguém dava o menor valor.

A esposa tolerava essas manias do marido, tinha uma paciência de Jó e procurava organizar as coisas em casa. Haja paciência||||

E assim a vida ia do jeito que Arnaldo queria, já estava aposentado e resolveu abrir um brechó, e assim em vez dele ir atrás das coisas, elas que vinham ao seu encontro, bastava esperar que aparecesse alguém na sua loja, vendendo uma velha relíquia e Arnaldo regateava, pagava baratinho.

Um dia, apareceu uma pessoa vendendo um móvel muito antigo, um guarda-roupa, uma cristaleira, cadeiras tipo Luiz XV, colchões de molas do tempo antigo, e a loja foi pegando fama e cada vez mais aparecendo gente vendendo suas velharias.

A esposa do Arnaldo resolveu ajudar o marido e assim passava uma boa parte do tempo, com o marido, na loja.

De vez em quando, Arnaldo saía da loja para participar de leilões. Certa vez, ele soube que haveria um leilão da Lusitana e a empresa de mudanças ia guardando, alugando espaço para guardar toda uma mudança de uma casa e a pessoa deixava de pagar o aluguel e automaticamente perdia todos aqueles móveis para a Lusitana.

Lá foi o Arnaldo participar do leilão lá no Bairro de Santana, e não havia muitas pessoas, e assim Arnaldo achou que seria fácil arrematar muita coisa por um valor irrisório, e a sua loja era grande o suficiente para guardar tudo o que ele comprasse no leilão.

Tem início o leilão, o leiloeiro a oferecer os lotes e Arnaldo atento, de olho vivo, para ver o que havia de coisas interessantes para ele dar um lance, e assim o leiloeiro ia quase gritando “quem dá mais?” Aquele senhor ofereceu 200 reais e esse lote vale muito mais por ter coisas muito interessantes.

E com essas e mais outras, Arnaldo já havia arrematado quatro lotes e ficou imaginando que ia encher a sua loja de antiguidades. O leiloeiro gritou em altos brados que o próximo lote era o mais importante de todos até aquele momento, pois tinha móveis finos, quadros, uma mobília inteira.

Arnaldo pensou: “Este lote não vou deixar escapar” e de cara ofereceu um lance imbatível de mil reais, e pensou que não ia ter concorrente, mas não é que um senhor ao seu lado ofereceu mil e duzentos reais. O leiloeiro vibrou e disse que este senhor está com a mão no lote. “Quem dá mais?”

Arnaldo não titubeou e ofereceu mil e quinhentos reais. O leiloeiro foi às nuvens e disse: “O lote voltou para o Senhor Arnaldo.”

O leiloeiro, emocionado, gritou: “Quem dá mais, quem dá mais?”

Ele aguardou e gritou novamente: “Quem dá mais?

Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três. “O melhor lote acabou de ser arrematado pelo Senhor Arnaldo.” Tinha de tudo nesse lote e ele não cabia em si de felicidade.

O dono do brechó encheu a loja de 50 metros de todo tipo de móveis e outras coisas. Com certeza, iria ganhar umas cem vezes mais do que o valor que pagou.

E assim Arnaldo, o dono do Brechó, foi levando a vida, com sua esposa, feliz e realizado com aquilo que fazia e do objetivo que decidiu fazer na sua vida.

 

O Som do Vazio - Hirtis Lazarin

 




O Som do Vazio

Hirtis Lazarin

 

“Quando o sino da igreja bateu, como bate às 18 horas, todos os dias, desde que nasci, notei que a sonoridade estava mais frágil…”



  • “O bronze da igrejinha derramava sobre a vila a mesma nota, exausta de tanto repetir-se.”

As badaladas do sino da igrejinha de Santo Antônio, sempre metódicas e idênticas, expandiam-se pelas ruas, pela praça e entravam em todas as casas. Hoje, porém, ouvi um chiado metálico ao final, como se algo estivesse raspando no bronze. Ou pior, como se o sino estivesse tentando pronunciar uma sílaba. Estariam as badaladas exaustas de tanto se repetir?

Desci os degraus da varanda — eram muitos — e não esperei o jantar, como eu fazia há dezoito anos. Caminhei em direção à torre, sentindo que aquele som não era um chamado para a oração. Seria um pedido de socorro? 

Caminhei até a praça e sentei-me  num  banco de madeira descascada, exatamente de frente pra torre de pedra. Olhei primeiro para o alto e o sino estava lá, tranquilo; depois olhei pra  todos os lados e era um vazio de gente. Apenas um pequeno pardal ciscava a grama a poucos passos de mim, alheio ao peso do que eu acabara de sentir.

Olhei pras minhas mãos vazias e depois para o pássaro. Ele buscava o sustento na terra seca — há meses não chovia — indiferente a mim e à engrenagem que havia acabado de desafinar. Invejei sua inocência. Pra ele, o som do sino era apenas um ruído de fundo, tal qual um vento leve que passa imperceptível e só balança a ponta das folhas.

Aquele semitom abaixo do tom me  atingiu como um diagnóstico: senti um nó no estômago. Ninguém estranhou  nem apareceu nas janelas; e o cheiro do café forte continuou, indiferente, subindo das cozinhas. Mas, para mim, aquele som desafinado era o sinal de que a fachada de perfeição da nossa vila havia rachado. O sino sabia de algo que eu ainda não tinha coragem de admitir. 

Durante toda a minha vida, eu fui como aquele bronze: um objeto para cumprir uma função, apática ao tempo que passava. O sino batia porque era  sino; eu acordava, trabalhava e voltava pra casa porque era o que se esperava de mim. Mas hoje, ao ouvir aquela nota imperfeita, percebi que a minha própria ressonância também havia mudado. Eu não era mais o eco limpo das expectativas dos meus pais. Havia um desgaste, uma rachadura interna que eu vinha ignorando, mas que o sino acabara de denunciar para quem quisesse ouvir. Aquele som não era apenas um erro na torre; era o aviso de que a minha armadura de rotina tinha finalmente trincado.

Levantei-me do banco, deixando o passarinho pra trás, e caminhei até o portal de carvalho desbotado. A madeira estava fria sob meus dedos, uma frieza que contrastava com o mormaço da tarde. Ao empurrar a porta, o rangido das dobradiças ecoou pelo vão da nave vazia, soando como um protesto.

Lá dentro, o cheiro de parafina escorrida nas velas apagadas e do incenso antigo parecia parado no tempo, exatamente como a minha vida. Enquanto eu avançava pelo corredor central, meus olhos não buscavam o altar principal, nem as imagens familiares, nem a capelinha do meu santo preferido. Eles se voltaram para a corda que ainda balançava levemente no fundo da torre, como se a mão que a soltou tivesse acabado de desaparecer na sombra.

Meus passos ecoavam no mármore frio e cada batida do meu sapato soava como um julgamento naquele silêncio absoluto. Aproximei-me do canto escuro onde a corda do sino pendia do teto, ainda oscilando num balanço preguiçoso. Foi quando meus olhos captaram um brilho opaco no chão de pedra. Inclinei-me e  uma pena negra, longa e perfeitamente preservada, jazia exatamente onde o sineiro deveria estar. Ela não parecia ter caído de um pássaro comum que entrou por acaso; era pesada, com um reflexo furta-cor que lembrava óleo sobre a água.  Lembrei-me, então, da minha nona Josefina que acendia uma lamparina — ela  misturava água com óleo — pra iluminar o nicho de Nossa Senhora de Fátima. 

Ao tocá-la, senti um calafrio que não vinha das paredes de pedra da igreja. Aquela pena seria o “defeito” no som do sino? Senti que, ao pegá-la, eu não estava apenas encontrando um objeto, mas aceitando um convite para um mundo que passei a vida inteira fingindo que não existia.

Guardei-a no bolso e, automaticamente, meus olhos se voltaram pra abertura estreita na base da torre, onde a escada em caracol se perdia na escuridão. Eu pressentia que, se subisse aquele primeiro degrau, a rotina dos meus últimos  dezoito anos morreria ali, no mesmo chão da nave.

Aceitei o desafio.

Coloquei a mão na parede fria e áspera. A escada era tão apertada que o ar parecia mais denso a cada volta. O som dos meus passos não era mais o eco limpo da igreja; agora era um baque abafado, sufocado pelo espaço exíguo. Enquanto eu subia, o cheiro de incenso era substituído pelo odor de metal frio e algo mais… um cheiro de céu antes da tempestade.

Olhei no relógio e já havia passado das vinte horas; a luz da pracinha lá fora diminuía a cada curva da espiral e eu sentia, que a vibração do sino nos meus dentes ficava mais forte. Eu não estava apenas subindo uma torre; eu estava escalando o meu próprio medo pra ver o que, afinal, tinha a audácia de desafinar o meu mundo.

Cheguei  ao topo da torre, mas o que encontrei ali foi um vazio impossível. Não havia mãos, não havia cordas sendo puxadas, não havia nada. Apenas o grande sino oscilando num ritmo imaginário, como se o próprio ar estivesse empurrando o metal.

Aproximei-me do sino. Deduzi que o som diferente que ouvi lá embaixo era o sino tentando se libertar de sua função de marcar as “seis horas da tarde”.  Ele não queria mais avisar o tempo da cidade. Peguei a pena negra do meu bolso, apertei-a e senti o seu calor pulsar contra a palma da minha mão. Olhei à minha volta.  Eu estava ali sozinho, mas nunca me senti tão observado.

Uma janela estreita e sem vidro estava aberta. Por ela entrava um vento frio e cortante, um sopro de inverno em contraste com o verão que existia lá embaixo. Debrucei sobre o parapeito de pedra e  a cidade que eu conhecia parecia uma maquete esquecida, pequena demais comparada ao  tamanho do que eu sentia agora. O sino continuava seu balanço fantasmagórico às minhas costas, mas o ruído não me incomodava mais. Apertei a pena negra e senti seu calor pulsar contra a palma da minha mão. Procurei… Procurei… lá embaixo e  não  enxerguei o pardalzinho.

O silêncio da praça vazia e o vazio impossível desta torre, com certeza, ofereciam-me um presente: a possibilidade de enfrentar desafios. Minha vida, antiga e previsível como “as badaladas das seis da tarde”, estava ficando por  ali.   Respirei fundo e, pela primeira vez, não esperei pelo próximo badalo. Eu não precisava mais que o ferro me dissesse quem eu era. Eu era o vento, a pena e o caminho que se abria além daqueles muros de pedra. O sino podia tocar do jeito que ele quisesse e eu, finalmente, descobri que  poderia  ouvir o meu próprio som.

Por dezoito anos, eu fui o eco do que não queria ser. Eu não serei mais o operário do tempo, o escravo das seis da tarde. Sei que a mudança  será lenta e barulhenta, mas terei todo o tempo do mundo. A vida diferente que me espera não terá horários, nem badaladas; ela terá o som dos passos que escolhem o próprio rumo.

Guardei a pena, dei as costas ao sino e desci os degraus, sabendo que, lá embaixo, a praça continuava vazia, mas eu estaria, pela primeira vez, plenamente ocupado comigo mesmo.

Procurei o pardalzinho por todos os lados… Ele não estava mais ali e senti a sua falta.


Inclinei-me e, entre as sombras, vi o que o sino tentara me dizer: uma pena negra, longa e perfeitamente preservada, jazia exatamente onde o sineiro deveria estar. Ela não parecia ter caído de um pássaro comum que entrou por acaso; era pesada, com um reflexo furta-cor que lembrava óleo sobre a água.

Ao tocá-la, senti um calafrio que não vinha das paredes de pedra da igreja. Aquela pena era o 'defeito' no som do sino. Ela era o intruso. Senti que, ao pegá-la, eu não estava apenas encontrando um objeto, mas aceitando um convite para um mundo que passei a vida inteira fingindo que não existia.”

Dicas para a “Previsão” (Antecipação):

Para o seu narrador se antecipar ao que vai acontecer, você pode utilizar os sentidos dele:

  • O Tato: Quando ele toca a pena, ele sente um calor ou uma vibração? Isso indicaria que o mistério é “vivo”.
  • O Olhar: Ele olha para cima, para o buraco por onde a corda sobe para a torre, e percebe que o silêncio lá em cima é “diferente”?
  • A Intuição: Ele sente que, se sair da igreja agora, sua vida nunca mais voltará ao som “normal” de antes.

Como você quer que ele reaja? Ele guarda a pena no bolso e foge, ou ele decide subir a escada em caracol para ver de onde aquela pena caiu?

 

A TEMPESTADE - Adelaide Dittmers

 



 

 

A TEMPESTADE 

Adelaide Dittmers

 

Ondas imensas se jogavam nos rochedos da costa.  A tempestade desabou, empurrada por fortes ventos. O pequeno e indefeso barco de pescadores tentava se equilibrar no sobe-desce das vagas violentas. Os homens agarraram-se a um mastro. Os rostos contraídos espelharam o pavor de serem engolidos pelas águas revoltosas da tormenta. Um deles levantou o olhar para o céu escuro e uma prece  trêmula de medo foi sendo levada pelos ventos suaves da fé.

Um raio riscou o firmamento com seu poder devastador. Os pobres pescadores estremeceram.  A voz poderosa do trovão soou ameaçadora. Os homens se entreolharam. O que seria de suas famílias? Será que seriam engolidos pela fúria das águas? Ajoelharam-se abraçados ao mastro para não serem jogados à escuridão daquele mar embravecido.

Quando estavam se conformando de que a trajetória pela vida estava terminando. Os ventos foram calando e o mar foi se aquietando devagar. Os valentes pescadores soltaram o mastro e abraçaram-se. Mais uma vez conseguiram vencer e sobreviver à fúria desse grande gigante da natureza.

O azul do céu foi suavemente vencendo a escuridão. As nuvens foram se afastando e um sol tímido iluminou as águas cansadas de lutar contra a força da tormenta.

O frágil barco começou a se movimentar com muito cuidado para não bater em alguma rocha submersa.

Vencera novamente o gigante, que agora se abrandava para percorrer seu eterno caminho pelos quatro cantos do mundo.



Saudade - Pedro Henrique

 


Saudade

Pedro Henrique

 

A pena encontra a superfície frágil da água, que não demora muito para denotar o quão singelo foi aquele toque: projeta seus arcos por uma ínfima extensão e se finda. 

Miguel admira aquele fenômeno, depois corre. Seu irmão o segue e ambos despontam no gramado macio do sítio, felizes por tudo ainda ter a magia da ingenuidade. 

 Assim que chegam à cozinha, vão eufóricos e com a boca salivando em direção ao fogão. 

Dona Rita precisa bradar da sala de estar: “Meninos, vão lavar as mãos.” 

E lá vão resmungando. 

A matriarca toma para si todo o sofá, de modo que os filhos precisam sentar-se no chão para desfrutarem do almoço. 

Não demora muito para Sebastião, o pai, também se juntar a eles. 

Miguel, enquanto come, olha para a família e, por um instante, agradece a Deus por vir ao mundo. 

Os dias no sítio são de labor. Há tanto a ser feito: começa colocando as galinhas para fora do galinheiro e deixando-as bicando a primeira coisa verde que encontram no caminho; depois vai à limpeza dos currais e chiqueiros e as irmãs do garoto se atêm à faxina da casa e à feitura, junto à mãe, da comida. 

Não há nada de novo por aqui. É uma família comum. Com suas dores e delícias. 

E, para Miguel, é uma delícia ser abraçado pelas águas do lago depois do almoço. Ficar lá, inerte na água, deixando-a invadir seus pensamentos. Quem sabe elas não levam embora aqueles que reivindicam mais ambição na vida. 

O garoto quer mais. Mais de si, mais do mundo. Quer fazer dessa terra uma verdadeira mina de dinheiro, porém…

Seus pais não são ricos. Às vezes, quando olha para o céu e vê um ponto ínfimo chamado avião, pensa que seria legal estar lá e saber como é vislumbrar a vida do alto, do topo.  

Todavia, quer fazer isso aqui do rio, aqui de sua casa. Não pensa em deixar toda essa belezura para ir atrás de suas metas, porém tem ciência de que terá de ir. Terá de dizer o tão temido “tchau”. 

E como conseguiria? Como galgar os lugares de prestígio? Soube que seria por meio dos estudos. 

Certa feita, na escola do vilarejo, uma professora de português disse aos alunos que, em algum momento, se eles desejassem mudar sua história ou a de sua família, eles teriam de olhar para os livros e encontrar ali suas cartas de alforria, a chave de suas liberdades, o feitiço de realização do impossível. 

Os alunos ficaram perplexos, abismados com aquela afirmação. Miguel, desde que ouvira essas palavras, nunca permitira obliterá-las de sua memória, pois sabia que aquilo era uma das poucas verdades que lhe contaram. 

Contudo, ou melhor: como tudo, não foi fácil. Demorou um pouco, pouco não, anos.

Quando completou 19 anos, o rapaz foi cursar engenharia na Federal do Rio de Janeiro. 

Dona Rita quase teve um derrame. Não queria deixar o passarinho ir embora do ninho, entretanto também sabia que essa era a única opção do filho conseguir algo melhor para ele, para eles. 

Portanto, aquele garoto que vivia pendurado nas árvores, que corria atrás dos porcos e galinhas, agora tinha de doar-se por inteiro aos cálculos que lhe exigiam muito foco. 

A vida começou a ser escrita por suas próprias mãos. Não havia mais o colo de Rita, a orientação de Sebastião, muito menos as belezas do antigo sítio que, em tão pouco tempo, ficou distante desse novo mundo que começava a ser forjado.

Havia somente o si próprio agora, e é exatamente ele quem Miguel precisa evocar para não chegar atrasado à aula. 

Quando ele ouve o sino tocar pela segunda vez, deixa escapar entre os lábios um palavrão na tentativa de dissolver todo o estresse que corre faminto por suas veias. 

No entanto, antes de adentrar à sala, ele sente uma força maior o chamar; sendo assim, olha para a janela, vê uma galinha correndo e estudantes atrás dela. É ininteligível para ele o porquê de toda aquela balbúrdia para pegar uma galinha; teria feito isso de letra. 

Então, abruptamente, a pena encosta na superfície frágil da água e projeta uma reverberação. 

No mesmo instante, a vida sussurra uma palavra ao ouvido de Miguel que submete seus olhos ao marejo.

 

 


NO BRECHÓ, ENCONTRAMOS MUITOS AMIGOS

 ENCONTROS NO BRECHÓ Uma pausa da escrita para que nossos olhares não recaiam apenas em letras, mas em traços, semblantes, trejeitos e emoçõ...