A GRANDE JORNADA - CONTO COLETIVO 2023

AINDA HÁ TEMPO PARA AMAR - CONTO COLETIVO 2011

FIGURAS DE LINGUAGEM

DISPOSITIVOS LITERÁRIOS

FERRAMENTAS LITERÁRIAS

BIBLIOTECA - LIVROS EM PDF

quarta-feira, 25 de março de 2026

ANITA MAIS FAMOSA COZINHEIRA DO PAÍS - Henrique Schnaider

 


ANITA MAIS FAMOSA COZINHEIRA DO PAÍS

Henrique Schnaider


Anita era uma cozinheira respeitada pelo sucesso dos seus preparos. Essa virtude vinha de mãe para filha, mas antes de chegar a este ponto de ser uma cozinheira renomada, ela passou por situações de fragilidades.

Aos cinco anos, perdeu o pai e os avós paternos num acidente de automóvel, quando estavam no trajeto para o sítio dos avós.

A estrada sinuosa banhada pelo sol morno da serra, era toda rodeada por árvores frondosas que jogavam os feixes de sombra aqui e ali tornando a viagem mais agradável. A menina no banco traseiro, deslumbrada, apreciava o movimento das sombras que se deslocavam conforme o automóvel se movia.

Eis que, de repente, um Scania carregado se desgovernou na pista contrária, tombou, e veio arrastando a carroceria no asfalto até colidir de modo brutal com o automóvel da família.

Os avós e o pai morreram na hora.  Anita, muito ferida, foi socorrida e levada para o hospital da cidade de Analândia.  A pobre menina necessitou de várias intervenções e um severo tratamento hospitalar. Felizmente, ela se recuperou. Vera, sua mãe, mesmo em estado de choque pela perda do esposo e sogros, manteve-se ao lado da filha dia e noite.

  

Quando recebeu alta, continuou a recuperação em casa.

Nesse período, Vera cozinhava para sua pequena Anita, todos os quitutes e pratos que agradavam a menina.

Anita sempre acompanhou as receitas, experimentou os temperos, saboreou os pratos. Mesmo quando a filha já estava totalmente recuperada, e a vida normalizada, as duas se reuniam na cozinha enquanto Vera cozinhava.

E assim foi por muitos anos, mãe e filha unidas neste amor materno envolvidas pela culinária afetiva.  

Tanto Anita se interessou pela Gastronomia que ao atingir os dezoito anos, entrou para o curso do mundo da culinária.

Formou-se com o mérito de primeira aluna recebendo muitas homenagens. Anita foi se aprimorar na França, com as economias que conseguiu juntar. O curso de Pós-Graduação não foi fácil, a jovem não dominada o idioma, mas dominava a gastronomia, e isso fez com que ela se projetasse na cozinha francesa. E foi lá que ela se tornou uma renomada Chef.  

 Depois de sua volta da França continuou fazendo experiências culinárias, agora na cozinha de sua casa, e com o tempo investiu no seu próprio restaurante.

Chegou a lançar novos pratos para diversificar o menu,e isso atraía muitos clientes. Já famoso, o restaurante vivia sempre lotado de pessoas convocadas pelo boca-a-boca.  

A vida só prosperava. E, Anita acabou se casando com um dos maiores culinaristas franceses.

 

Quando estava em casa cozinhando com especiarias que se tornariam famosas, Anita gostava do silêncio, de sentir os ruídos do cozimento, o chiado das panelas, e o cheiro quente que a envolvia. Preferia ficar sozinha, não queria ninguém por perto, nem mesmo o amado marido.

No fim das contas, a fama da Anita só cresceu e agora a fila de espera para uma reserva era de quase um mês.

Anita tornou-se a mais famosa Chef do Brasil, requisitada para eventos mais concorridos de grande repercussão.

Poxa, me deu vontade de conhecer as guloseimas da Anita.

 

Medo de quê? - Elidamares Bianchi Rosa

 

 



Medo de quê?

Elidamares Bianchi Rosa

 

Felipe era um garoto destemido, adorava ler histórias de mistério e desvendar charadas. Gostava de conhecer lugares e coisas novas. Sempre com a curiosidade aguçada, perguntava muito e investigava tudo. Dizia sempre que queria ser detetive ou policial investigador.

Certa vez, pelo seu aniversário, os pais resolveram alugar uma casa num sítio, onde passariam o fim de semana com a família e amigos.

Logo que chegaram, no entardecer da sexta-feira, Felipe correu a levar a mochila para o quarto em que dormiria com seus primos. Saíram  no mesmo instante para conhecer o mato ao redor. Tudo era novidade: o latido dos cães, os cantos dos pássaros, os sons, o silêncio, as cores do anoitecer. Tudo lindo e misterioso, mas ele ainda não sabia que o mistério maior iria acontecer no seu quarto.

Depois dos lanches e das conversas da noite, todos se prepararam para o merecido descanso. Luzes apagadas, a casa mergulhou no silêncio da noite no campo.

O quarto dos meninos tinha duas beliches e Felipe logo escolheu dormir no alto. Os gêmeos ficaram com a outra beliche. Empolgado, Felipe não conseguiu dormir logo e, acordado, começou a ouvir o ressonar dos primos que já tinham adormecido… De olhos abertos, olhava para a escuridão.

De repente,  uma luz brilhante aparece pertinho da sua cama. O  seu coração disparou. O que seria aquilo? Há pouco tempo, havia lido sobre fogo-fátuo. Seria ali um local de decomposição de ossos? Esfregou os olhos, fechou e abriu novamente, a luz havia desaparecido. Virou para o lado para dormir e avistou a luz em outro lugar. Ficou olhando fixamente, a luz sumiu, para em seguida surgir perto da janela. Assim foi se sucedendo. Cada instante a luz estava em um lugar e agora eram mais de uma, que agiam como pisca-pisca.

O garoto estava confuso, não sentia medo, mas  se  perguntava: por que não trouxera a sua lanterna, para desvendar o mistério? Não queria acordar  os primos, nem chamar os pais, afinal já estava  completando doze anos, precisava ser corajoso e profissional. E assim ficou: ora fechava os olhos, ora abria, ora cobria a cabeça com o lençol, ora descobria e procurava a luz, que se alternava no brilho e nos lugares, até que o sono o venceu.

Na manhã seguinte, começou a investigar no quarto o que poderia ser o mistério da noite. A mãe curiosa perguntou o que ele estava procurando e riu ao saber. Ajudou-o a procurar e, em um canto do quarto, acharam um vaga-lume   caído, os outros deviam ter conseguido sair. O mistério  estava desvendado e vieram boas risadas.

Felipe, enfim, juntou aos seus conhecimentos de investigador uma nova luz. 

 

O JOVEM ALTAIR - HENRIQUE SCHNAIDER

 



O JOVEM ALTAIR

HENRIQUE SCHNAIDER

 

O jovem Altair sempre foi diferente dos seus colegas, geralmente não brincava aquelas brincadeiras infantis que toda criança adora, seus interesses eram outros, era tremendamente curioso e ia atrás de coisas diferentes e misteriosas.

Ao que tudo indica, puxou a personalidade de seu pai, que também era dado a investigações de mistério. Tal pai, tal filho, o fruto nunca cai longe do pé.

O quarto de Altair era cheio de coisas que impressionavam: bonecos com aparência um tanto estranha e, na verdade, só o menino entendia o significado daqueles bonecos um tanto quanto sombrios e assustadores. Havia também certos bichos que Altair caçava e mumificava. Os bichinhos pareciam ter vida.

A mãe dele reclamava muito da bagunça que sempre estava naquele quarto. Mal podia ela entrar naquele circo de horrores, e às vezes ralhava com ele para ver se as coisas melhoravam, mas em vão, não conseguia sucesso na tentativa de mudar as coisas no quarto do filho.

Todo santo e sagrado dia, lá ia Altair fazer uma caça às bruxas com a finalidade de levar algo novo para seu circo de horrores.

Determinado dia, sedento de novidades, entrou mata adentro que existia ao lado de sua casa. A mata era bem cerrada, mas o menino era corajoso e ia em frente com o coração batendo aos pulos, não por medo, mas sim na emoção do que iria achar para seu zoológico uma ou duas ou mais coisas interessantes para pegar e levar.

Em determinado ponto da procura, Altair, para estático praticamente emocionado, havia avistado um bicho, completamente diferente dos tantos que já pegara. Tinha um corpo estranho, um olho só, tinha o tamanho de um coelho pequeno, andava só com três patinhas e era muito peludo. A sua aparência assustava um pouco, mas o menino não desistiu e, com um puçá, pegou o bicho que não se debateu muito.

Altair se deu por satisfeito com seu achado e resolveu voltar para casa, já que, com sua descoberta, ficou satisfeito por esse dia.

Voltou para casa e, como todo menino sapeca, tentou esconder da mãe o que estava trazendo. Arrumou uma gaiolinha e colocou o bicho dentro, que estava imóvel, parecendo sem vida. Altair ficou ali a observar a criatura por muito tempo.

Depois saiu para a cozinha da casa atraído pelo aroma muito gostoso da comida que sua mãe estava fazendo. Ele adorava tudo o que a mãe fazia, já que ela era excelente cozinheira de doces e salgados.

Almoçou e, no final, “lambeu os beiços” e saiu para o quintal da casa de seus pais, que era muito grande, cheio de árvores com frutas e lindas flores. Assim o dia passou para Altair, alegre e satisfeito.

A noite se recolheu cedo para o seu quarto, para observar os seres estranhos que lá existiam. E mais curioso ainda com a novidade que era o bichinho que pegou naquele dia, quando de repente parou estático e se arrepiou todo, pois a gaiolinha estava com a porta aberta e o bicho saiu e o menino ficou todo arrepiado. O que aconteceu?  Onde ele está? Começou a procurar, amedrontado, tentando achar o danadinho do bichinho.

Com o corpo trêmulo, começou a procurar onde estava o fujão. De repente, sai debaixo da cama o procurado. Todo se balançando, inclusive o pequeno rabinho, chegou próximo de Altair, lambendo suas pernas num gesto de carinho.

Altair se emocionou com a atitude do animalzinho, que o pegou no colo e o acarinhou, logo lhe deu o nome de Peludo. Essa amizade cresceu e onde Altair estava, lá estava o Peludo ao dele pedindo colo. Os pais, a princípio, ficaram incomodados com aquela situação, mas com o tempo aceitaram e até passaram a gostar do Peludo, que se tornou um membro da família.

E assim viveram felizes por muito tempo Altair, Peludo e seus pais.

ANITA MAIS FAMOSA COZINHEIRA DO PAÍS - Henrique Schnaider

  ANITA MAIS FAMOSA COZINHEIRA DO PAÍS Henrique Schnaider Anita era uma cozinheira respeitada pelo sucesso dos seus preparos. Essa vir...