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quarta-feira, 8 de abril de 2026

UMA AVENTURA NA SERRA DO MAR - Henrique Schnaider





UMA AVENTURA NA SERRA DO MAR
Henrique Schnaider


Certo dia, combinei com mais três amigos de infância, um deles cego, de sairmos bem cedinho para fazer uma trilha na Floresta da Serra do Mar. Sabíamos que não seria fácil, mas, ao mesmo tempo, seria maravilhoso ver tudo o que os nossos olhos poderiam alcançar.

Logo cedo, saímos ansiosos para descobrir o que teríamos pela frente. Com certeza, seria algo deslumbrante e emocionante, pois havíamos pesquisado tudo sobre o percurso e sabíamos que valeria a pena todo o esforço que iríamos fazer.

E lá fomos nós, às seis horas de uma manhã fria, o que tornaria a caminhada ainda mais difícil. Logo no início da aventura, demos de cara com uma floresta rica, de enormes árvores e muita cantoria dos pássaros que ali habitavam, formando um coro maravilhoso.

O trecho era íngreme, mas enfrentamos as dificuldades com coragem, dando todo apoio ao nosso colega cego.

A mata foi se estreitando e a trilha ficando cada vez mais difícil. De repente, surgiu diante de nós, deslumbrante, uma cachoeira forte e poderosa.

Emocionados, achamos que já tinha valido todo o esforço feito até ali, diante da visão inesquecível com que nos deparamos.

Ficamos ali por um bom tempo, apreciando aquela beleza da natureza e descrevendo detalhadamente ao nosso amigo Tiago toda aquela maravilha, que explodia em força e beleza à nossa frente. O som da cachoeira era como o rugido de uma fera poderosa.

Falamos para ele, com toda a emoção, sobre aquela visão esplendorosa, para que Tiago pudesse sentir intensamente a força da cachoeira, uma verdadeira obra de Deus. Tiago chorou de emoção e todos nós acabamos chorando junto.

Resolvemos acampar ali e passar a noite diante daquela fera da natureza, a uma distância segura, para não haver perigo, enquanto permanecíamos deslumbrados.

Aquele momento da nossa caminhada foi, para todos nós, inclusive para o nosso amigo Tiago, algo que jamais esqueceríamos. Sentíamos que todo o esforço para chegar até ali tinha valido a pena.

Passamos a noite acampados, mas, com aquele enorme rugido da natureza, mal conseguimos dormir. Ainda assim, achamos que tinha valido a pena passar a noite naquele lugar.

No dia seguinte, iniciamos a volta para casa, ansiosos para contar às nossas famílias a emoção que havíamos vivido naquele lugar e tudo o que sentimos diante da inesquecível cachoeira na Serra do Mar, verdadeira obra com que Deus nos presenteou.

 

ACHADO NO BRECHÓ - Henrique Schnaider

 






ACHADO NO BRECHÓ
Henrique Schnaider


Rui era uma pessoa tranquila e, por isso, levava uma vida típica de uma família de classe média. Tinha a companhia da esposa, Natalia, e ambos aproveitavam essa tranquilidade: saíam sempre para desfrutar de todas as oportunidades que a cidade de São Paulo oferecia.

Enquanto Natalia ia diariamente ao clube social do qual eram sócios, para aulas com professores de educação física, Rui, já aposentado, tinha todo o tempo disponível e, como tinha certa preguiça de acompanhar a esposa ao clube, saía logo cedo para uma longa caminhada, aproveitando para, no caminho, procurar novidades.

Durante o percurso, ia parando nas lojas, principalmente naquelas do tipo brechó, pois Rui gostava de colecionar documentos antigos. Assim, parava nas lojas que tinham esse tipo de coisa, que ele apreciava, apesar das queixas da esposa sobre a “bagunça” que acabava deixando em casa, já que sua coleção parecia não ter fim.

O dono do brechó já conhecia esse hábito de Rui e sempre telefonava para ele, pedindo que viesse à loja para ver as novidades que poderia adquirir.

Rui começou a olhar detalhadamente tudo o que havia na loja, coisas novas que ainda não tinha visto. O nosso herói se deliciava com tudo o que estava diante dele. Havia inúmeros documentos antigos, verdadeiros tesouros à espera de serem explorados.

De repente, arregalou os olhos ao ver uma caixa toda trabalhada, com detalhes dourados, pela qual se encantou imediatamente. O senhor Viriato, porém, olhou sorridente para Rui e lhe disse, marotamente, que ele só poderia ver o que aquela caixa escondia se lhe pagasse antecipadamente a quantia de dois mil reais.

Rui ficou numa dúvida atroz: pagar aquela quantia, sem saber o que havia dentro, parecia um risco enorme. E se não houvesse nada de especial e ele gastasse seu dinheiro à toa, como num jogo de cassino?

Mas a curiosidade de Rui era tão grande que chegava a lhe dar comichão. Ele não resistiu e fez sua proposta:

— Pago mil e quinhentos reais.

E aguardou, ansioso, a resposta do proprietário da loja.

O senhor Viriato fez cara de quem pensava seriamente na proposta e passou uns cinco minutos criando um suspense enorme. Finalmente, disse ao cliente ansioso que fechariam o negócio por mil e oitocentos reais.

Rui não resistiu e aceitou a compra da caixa. Entregou o cartão de crédito ao senhor Viriato, pagou pela peça e, explodindo de emoção, apoderou-se do tesouro conquistado, como se fosse o maior achado de sua vida.

Não perdeu tempo. Abriu a desejada caixa, curioso para ver o que havia dentro e se tinha valido a pena gastar tanto dinheiro para satisfazer seu desejo.

Dentro havia, já embolorado pelo tempo, um documento escrito à mão, que devia ter muitos anos. Rui, emocionado, começou a ler o que estava escrito naquele documento histórico.

Entrou em estado de choque ao perceber que o documento dava detalhes de um verdadeiro tesouro enterrado. Descrevia uma grande fortuna: dinheiro antigo, joias e barras de ouro.

Qual não foi a surpresa de Rui ao ver que o documento estava assinado por seu avô. Nele, o avô explicava onde o tesouro estava enterrado e, para espanto ainda maior, o local era o quintal da casa onde Rui morava, imóvel que havia herdado justamente dele.

Rui voltou para casa e, como o avô havia descrito com precisão o lugar onde enterrara a caixa com toda aquela fortuna, não foi difícil encontrá-la.

Com certeza, depois desse acontecimento, a vida do nosso herói mudou completamente. Rui aproveitou toda aquela fortuna para viver, ao lado da esposa, uma vida repleta de alegrias.

 

Papel e Alma - Hirtis Lazarin

 



Papel e Alma  

Hirtis Lazarin

 

 "O que você faria se descobrisse que, na pressa de mudar de vida, jogou toda a sua história no lixo?"       

 

O eco dos meus passos no assoalho vazio era o sinal mais claro de que eu já não pertencia mais àquele lugar.  Entre pilhas de caixas de papelão e o cheiro acre de fita adesiva, eu fazia uma triagem impiedosa. O que antes era essencial, agora parecia apenas peso. Joguei fora papéis amarelados, utensílios que nunca funcionaram e recordações que, pelo caminho, perderam o sentido. Cada saco de lixo que eu levava para fora era um quilo a menos na bagagem emocional que eu levaria pra nova cidade.

 

As últimas coisas a serem descartadas estavam no meu quarto:  algumas peças de roupas fora de moda — acumulei vestidos desde quando era solteira — e uma mala velha de couro, com o zíper quebrado e as alças esgarçadas. Ela já havia percorrido muitos quilômetros comigo, mas estava cansada demais para essa nova jornada. Ao descartá-la senti um misto de ingratidão e alívio. Algumas coisas não foram feitas pra serem consertadas, apenas deixadas pra trás. Fechei a última caixa com um golpe seco de fita, selando, não apenas meus pertences pra descarte, mas um capítulo extenso da vida que eu levara ali.

 

Eu não estava apenas mudando de cidade, estava tentando salvar um projeto de vida. Com uma filha de dois anos, as decisões ganham um peso diferente.  Olhava pra ela enfeitiçada com aquela bagunça e me enchia de esperança. Eu voltava pra cidade onde a família do meu marido fincou raízes, esperando que o solo de lá fosse mais fértil do que o daqui. 

 

O som do caminhão de mudança, manobrando na calçada, interrompeu a expectativa  da manhã. Ver aquele baú enorme engolir nossos móveis, nossas caixas e o berço desmontado da minha filha era como ver a nossa história sendo compactada para caber em um espaço de metal. Cada móvel que os carregadores levavam deixava um quadrado de poeira e uma marca no chão, revelando o quanto tínhamos ocupado aquele lugar.

 

Enquanto o caminhão se enchia, eu olhava para a mala velha, agora, cercada pelo lixo que eu decidira não levar e ela parecia pequena e patética perto da imensidão do caminhão.. Com a pequena no colo, sentindo o peso do seu corpo adormecido e o cheiro suave de bebê,  observei a última porta do baú ser trancada com um cadeado pesado. Tudo o que restava do nosso passado estava agora sobre rodas, pronto para percorrer os quilômetros que nos separavam da cidade dos familiares do meu marido.

 

Cada quilômetro percorrido parecia filtrar o que restava do meu casamento e da minha identidade. Eu estava me desfazendo da versão de mim que não tinha dado certo. Com o balanço do carro e o sono tranquilo da minha filha na cadeirinha ao lado, o aperto no peito foi, aos poucos, sendo substituído por pensamentos positivos “Tudo vai dar certo”.

 

A adaptação à nova cidade aconteceu com uma fluidez que eu sequer ousava esperar. Em poucos meses, as ruas antes estranhas tornaram-se familiares e o sotaque local já não me soava esquisito. A família do meu marido me acolheu com generosidade e a cada café tomado na varanda da nossa casa confirmava que a mudança havia sido a escolha certa. Eu estava tomada  por uma serenidade que me fazia acreditar que a vida, enfim, estava em ordem.

 

A poeira da mudança já tinha baixado e a casa nova exalava o cheiro do lar organizado; e Helena brincava feliz no quintal.  Faltava apenas organizar nossos  livros e documentos nas estantes do escritório que acabara de ser montado. Eu buscava uma pasta plástica onde estavam guardadas as fotos da minha infância e adolescência e o álbum de casamento dos meus pais. Muitas fotos de uma época em que os momentos mais importantes não ficavam armazenados num celular que nem existia.  

 

A cada caixa aberta,  meu coração acelerava mais. No instante em que meus dedos tocaram o fundo liso e vazio da última caixa, um soluço rasgado escapou da minha garganta. “As fotos…” eu tentei dizer, mas a voz sumia no peito apertado. Minha sogra, confusa e apavorada,  deu um passo atrás,  e eu já estava de joelhos no chão, as mãos enterradas no rosto, enquanto as lágrimas inundavam tudo. 

 

Era um choro de pânico, um desespero. Foi então que a memória me atingiu com um soco e, num flash cruel, surgiu à minha frente, a imagem daquela mala rasgada, com o zíper quebrado, desprezada na calçada, sob sol forte,  esperando pelo caminhão do lixo.   Revivi a cena de mim mesma, exausta e decidida, abandonando-a. Eu não tinha descartado só papel e tinta, mas os únicos pedaços de papel que provavam quem eu era, num passado distante.

 

O suor frio escorreu pela minha nuca  ao entender que, na minha pressa desesperada de me livrar do velho pra abraçar o novo, eu não tinha descartado só um objeto quebrado; eu tinha jogado no lixo o rosto da minha mãe jovem, o meu sorriso de noiva e as únicas provas palpáveis de quem eu era antes de ser esposa e mãe.

 

O recomeço, que estava tão bom, desfolhou-se como  as rosas amarelecidas do vaso.  Senti  um vazio na minha alma. Os dias que se seguiram foram nublados pelo arrependimento: “Por que eu não abri a mala”? Como  não percebi que ela estava pesada”? 

 

Os dias que se seguiram foram marcados por um silêncio pesado, onde cada canto da casa —- tão limpa e organizada —- parecia gritar a minha imprudência. Eu caminhava pelos cômodos assombrada pela imagem daquela calçada onde deixei meu passado entregue à sorte. O brilho da mudança apagou-se; a alegria de decorar cada cantinho  deu lugar a um nó constante na garganta, pois os rostos que deveriam habitar os porta-retratos estavam perdidos. Cada vez que o caminhão de lixo passava, o barulho do motor possante anunciava a chegada do fantasma da mala correndo pela minha casa. Eu me encolhia no sofá, mergulhada num luto solitário.

 

Mas a paciência do meu marido era o único sol que entrava pelas janelas da casa nova. Ele não me cobrou nem me julgou. Apenas me envolvia em abraços silenciosos, enquanto eu chorava o luto da mala de couro. Ele não descansava e, à noite, depois do jantar,  mergulhava em grupos de moradores da nossa antiga cidade, postando fotos da nossa casa e perguntando se alguém tinha visto aquela mala ou se conhecia o pessoal da limpeza. Ele, na verdade, buscava um milagre digital, um rastro que pudesse trazer de volta os papéis que, num momento de correria, eu entreguei ao esquecimento.

 

Essa busca não foi um estalo de sorte, mas uma verdadeira jornada de persistência que se arrastou por semanas e semanas de incerteza. Eu já tinha perdido as esperanças, mas ele se transformou num detetive digital, atravessando noites em claro. Mergulhou em grupos de “Bota-fora”, páginas de achados e perdidos e até em comunidades de bairros vizinhos. As mensagens se perdiam entre anúncios de móveis usados e reclamações cotidianas, mas ele não desistia. Cada notificação que chegava terminava com  “Que pena, eu não vi” ou a pista era falsa. Mas ele não desistia…

 

 A resposta veio de um perfil discreto, sem foto de capa, mas com uma mensagem que me fez perder o fôlego:

 

                   "Eu não podia deixar que esses olhares se perdessem no lixo”.

 

O senhor que resgatou a mala não era um passante qualquer; era o Seu Arnaldo, um fotógrafo que passou a vida capturando instantes, mas que nunca encontrou o palco das grandes galerias. Para ele, as fotos não eram apenas papel velho; eram composições, memórias vivas que ele considerava um tesouro. 

 

Na verdade, quando passou na rua, se interessou pela mala; precisava dela pra guardar muitos documentos que há tempos estavam esparramados pela casa.  

 

Enquanto eu via a mala como um objeto estragado, ele via-a como um objeto útil. E, ao abrí-la, descobriu um museu particular. Saber que minha história passou meses e meses sendo velada por alguém que amava a fotografia, trouxe-me tanta gratidão que nem cabia dentro de mim.

 

O nosso encontro com o Seu Arnaldo não aconteceu numa calçada fria, mas sob as luzes de uma pequena galeria improvisada, onde o cheiro de papel antigo misturava-se ao cheiro de café forte. Quando atravessei a porta, meu coração tropeçou: ali entre molduras de madeira conservadas e registros em preto e branco que o fotógrafo guardara por décadas, estavam os meus próprios fragmentos. O bigode espesso do meu pai, o rosto jovem da minha mãe, o momento em que entrei na igreja,  meu bouquet de noiva…  não eram papel e tinta descartados, mas protagonistas de uma exposição sobre a perspectiva da memória. Os visitantes é que determinariam a duração do evento.

 

Ao conhecer o homem responsável pelo resgate, vi em seus olhos o brilho do fotógrafo que o destino escolheu pra ser o guardião das minhas jóias. É isso mesmo…  Minhas jóias… Ele resgatou  meus rubis e diamantes.. 

 

Ao final da noite, antes de deixarmos o espaço, ele  prometeu nos fazer uma visita e despachar as fotos, organizadas na cronologia do tempo.

 

Caminhei  na calçada até onde estava  o carro e senti-me inteira outra vez. Olhar para aquelas fotos na parede, resgatadas  pela sensibilidade de um estranho me fez sentir inteira outra vez.

 

Finalmente as fotos estavam em minhas mãos. Retirei do envelope de seda a primeira delas: o registro do casamento da minha mãe, a mesma imagem que Seu Arnaldo havia destacado na exposição. Ao deslizar o papel antigo pra dentro do porta-retrato que reservei para o aparador da sala — foi inacreditável— encaixe perfeito. Olhei para o sorriso dela e depois para o meu marido e minha filha que brincavam no jardim, visíveis pela janela. Depois de colocar o retrato no devido lugar, respirei profundamente: tinha certeza de que o fantasma da mala deixaria de correr dentro de mim. 

 

Rock no brechó - Elidamares Bianchi Rosa

 



Rock no brechó

Elidamares Bianchi Rosa

 

Era uma viagem normal, igual tantas outras que já fizera com meus pais, mas naquele dia, logo de saída, pegamos um congestionamento gigantesco, que nos custou muitas horas parados na rodovia. Já passava das dez horas e minha mãe decidiu que era melhor pararmos, dormirmos e depois continuaríamos a viagem.

Paramos na próxima cidadezinha que chegamos e encontramos local para dormir em um pequeno hotel no centro. Na manhã seguinte, enquanto meus pais tomavam café, saí para espiar a redondeza. Ao lado do hotel, encontrei um brechó. Entrei.  O cheiro de coisas antigas e guardadas atingiram minhas narinas e espirrei. Sabia que tinha despertado minha alergia, mas a curiosidade pelos itens ali expostos era mais forte que o incômodo da rinite. Espirrando e me desculpando, fui entrando e olhando. De repente, vi uma jaqueta de couro por um preço ínfimo. Voltei correndo para onde estavam os meus pais e fui falando do meu achado. Minha mãe, que se assustou, inicialmente, com a minha chegada efusiva, foi comigo e compramos a jaqueta. Saí todo feliz com a minha aquisição.

Antes de retomarmos a viagem, eu já queria vestir a jaqueta, mas os cuidados de mãe me impediram: “Primeiro precisa higienizar”. No carro, ela me passou um lencinho higiênico e comecei ao chato trabalho de limpeza supervisionada.

A surpresa maior, porém, veio quando ao revistar a peça, encontrei no bolsinho interior um papel. Ao desdobrá-lo para examinar do que se tratava, imaginem só: era a entrada para o Rock in Rio, de 1991.

A empolgação chegou ao ápice. Parecia que estava recebendo uma epifania.

Deixem-me explicar:  eu estava com quinze anos, e desde os nove anos eu toquei violino na orquestra, mas também estava estudando violão e guitarra. E agora, no colegial, tinha montado com alguns amigos uma banda de punk rock, para desgosto do meu pai.

Era uma banda autoral e cover dos Ramones. Encontrar aquela entrada de show de rock era prenúncio de sucesso... A jaqueta passou a representar um talismã. E eu passei a assíduo frequentador de brechós, garimpando bottons e afins que, afixados no amuleto, valorizavam meu style.

Todas as vezes que íamos participar de algum show, usava a jaqueta com a riqueza do achado no bolsinho interno. Ela estava comigo quando toquei em shows underground de rock punk, ou com grupos covers dos Ramones, e até quando toquei guitarra com o baterista Richie Ramone. Felizmente, nunca engordei e a jaqueta do século passado  continuou a  fazer parte das minhas vestimentas artísticas-musicais, até começar a se  colapsar naturalmente, sem chances de vender em outro brechó para iluminar a imaginação de outro menino sonhador.

UM DIA DIFERENTE! - Dinah Ribeiro de Amorim

 



UM DIA DIFERENTE!

Dinah Ribeiro de Amorim

 

O dia hoje amanhece diferente, para Lana.

Sente-se ais alerta, seus sentidos restantes, mais atentos.

Escuta com maior intensidade as combinações de sua mãe com a tia Irma.

Irão levá-la à praia, para conhecer o mar.

Escutou tantas vezes esse planejamento que até se esqueceu do medo que isso poderá lhe causar.

Sabe que é feito de água salgada, de tamanho imenso, produz movimentos ou ondulações que poderão derrubá-la e, as crianças, amam brincar nele.

É chegada a hora.

O passeio é feito. Irá conhecê-lo ou senti-lo, pela primeira vez.

Colocam-na sentada na água, com areia em baixo, chamada rasinho.

Sente-se gelada, água fria.

Se não se firmar bem no assento, essa água a empurra, tem ondulações, movimentos que vão e vem.

Pede a mãe para ficar junto, certo medo desse vaivém a assusta.

De repente, uma espuma mais alta, mais rápida, bate-lhe no rosto e quebra, voltando-se rápida.

Parece querer brincar. Ouve risadas de crianças ao lado e percebe que não querem lhe fazer mal, só brincar e fazer rir.

Sente o rosto todo molhado de água salgada!

Que experiência diferente! Conhecer o mar pela primeira vez, tão comentado e lido nos seus volumes especiais.

Precisa descrever suas experiências sobre isso.

Lana, cega de nascença, conhece o mar pela primeira vez.

 

 

UMA AVENTURA NA SERRA DO MAR - Henrique Schnaider

UMA AVENTURA NA SERRA DO MAR Henrique Schnaider Certo dia, combinei com mais três amigos de infância, um deles cego, de sairmos bem cedinho...