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quarta-feira, 25 de março de 2026

ANITA MAIS FAMOSA COZINHEIRA DO PAÍS - Henrique Schnaider

 


ANITA MAIS FAMOSA COZINHEIRA DO PAÍS

Henrique Schnaider


Anita era uma cozinheira respeitada pelo sucesso dos seus preparos. Essa virtude vinha de mãe para filha, mas antes de chegar a este ponto de ser uma cozinheira renomada, ela passou por situações de fragilidades.

Aos cinco anos, perdeu o pai e os avós paternos num acidente de automóvel, quando estavam no trajeto para o sítio dos avós.

A estrada sinuosa banhada pelo sol morno da serra, era toda rodeada por árvores frondosas que jogavam os feixes de sombra aqui e ali tornando a viagem mais agradável. A menina no banco traseiro, deslumbrada, apreciava o movimento das sombras que se deslocavam conforme o automóvel se movia.

Eis que, de repente, um Scania carregado se desgovernou na pista contrária, tombou, e veio arrastando a carroceria no asfalto até colidir de modo brutal com o automóvel da família.

Os avós e o pai morreram na hora.  Anita, muito ferida, foi socorrida e levada para o hospital da cidade de Analândia.  A pobre menina necessitou de várias intervenções e um severo tratamento hospitalar. Felizmente, ela se recuperou. Vera, sua mãe, mesmo em estado de choque pela perda do esposo e sogros, manteve-se ao lado da filha dia e noite.

  

Quando recebeu alta, continuou a recuperação em casa.

Nesse período, Vera cozinhava para sua pequena Anita, todos os quitutes e pratos que agradavam a menina.

Anita sempre acompanhou as receitas, experimentou os temperos, saboreou os pratos. Mesmo quando a filha já estava totalmente recuperada, e a vida normalizada, as duas se reuniam na cozinha enquanto Vera cozinhava.

E assim foi por muitos anos, mãe e filha unidas neste amor materno envolvidas pela culinária afetiva.  

Tanto Anita se interessou pela Gastronomia que ao atingir os dezoito anos, entrou para o curso do mundo da culinária.

Formou-se com o mérito de primeira aluna recebendo muitas homenagens. Anita foi se aprimorar na França, com as economias que conseguiu juntar. O curso de Pós-Graduação não foi fácil, a jovem não dominada o idioma, mas dominava a gastronomia, e isso fez com que ela se projetasse na cozinha francesa. E foi lá que ela se tornou uma renomada Chef.  

 Depois de sua volta da França continuou fazendo experiências culinárias, agora na cozinha de sua casa, e com o tempo investiu no seu próprio restaurante.

Chegou a lançar novos pratos para diversificar o menu,e isso atraía muitos clientes. Já famoso, o restaurante vivia sempre lotado de pessoas convocadas pelo boca-a-boca.  

A vida só prosperava. E, Anita acabou se casando com um dos maiores culinaristas franceses.

 

Quando estava em casa cozinhando com especiarias que se tornariam famosas, Anita gostava do silêncio, de sentir os ruídos do cozimento, o chiado das panelas, e o cheiro quente que a envolvia. Preferia ficar sozinha, não queria ninguém por perto, nem mesmo o amado marido.

No fim das contas, a fama da Anita só cresceu e agora a fila de espera para uma reserva era de quase um mês.

Anita tornou-se a mais famosa Chef do Brasil, requisitada para eventos mais concorridos de grande repercussão.

Poxa, me deu vontade de conhecer as guloseimas da Anita.

 

Medo de quê? - Elidamares Bianchi Rosa

 

 



Medo de quê?

Elidamares Bianchi Rosa

 

Felipe era um garoto destemido, adorava ler histórias de mistério e desvendar charadas. Gostava de conhecer lugares e coisas novas. Sempre com a curiosidade aguçada, perguntava muito e investigava tudo. Dizia sempre que queria ser detetive ou policial investigador.

Certa vez, pelo seu aniversário, os pais resolveram alugar uma casa num sítio, onde passariam o fim de semana com a família e amigos.

Logo que chegaram, no entardecer da sexta-feira, Felipe correu a levar a mochila para o quarto em que dormiria com seus primos. Saíram  no mesmo instante para conhecer o mato ao redor. Tudo era novidade: o latido dos cães, os cantos dos pássaros, os sons, o silêncio, as cores do anoitecer. Tudo lindo e misterioso, mas ele ainda não sabia que o mistério maior iria acontecer no seu quarto.

Depois dos lanches e das conversas da noite, todos se prepararam para o merecido descanso. Luzes apagadas, a casa mergulhou no silêncio da noite no campo.

O quarto dos meninos tinha duas beliches e Felipe logo escolheu dormir no alto. Os gêmeos ficaram com a outra beliche. Empolgado, Felipe não conseguiu dormir logo e, acordado, começou a ouvir o ressonar dos primos que já tinham adormecido… De olhos abertos, olhava para a escuridão.

De repente,  uma luz brilhante aparece pertinho da sua cama. O  seu coração disparou. O que seria aquilo? Há pouco tempo, havia lido sobre fogo-fátuo. Seria ali um local de decomposição de ossos? Esfregou os olhos, fechou e abriu novamente, a luz havia desaparecido. Virou para o lado para dormir e avistou a luz em outro lugar. Ficou olhando fixamente, a luz sumiu, para em seguida surgir perto da janela. Assim foi se sucedendo. Cada instante a luz estava em um lugar e agora eram mais de uma, que agiam como pisca-pisca.

O garoto estava confuso, não sentia medo, mas  se  perguntava: por que não trouxera a sua lanterna, para desvendar o mistério? Não queria acordar  os primos, nem chamar os pais, afinal já estava  completando doze anos, precisava ser corajoso e profissional. E assim ficou: ora fechava os olhos, ora abria, ora cobria a cabeça com o lençol, ora descobria e procurava a luz, que se alternava no brilho e nos lugares, até que o sono o venceu.

Na manhã seguinte, começou a investigar no quarto o que poderia ser o mistério da noite. A mãe curiosa perguntou o que ele estava procurando e riu ao saber. Ajudou-o a procurar e, em um canto do quarto, acharam um vaga-lume   caído, os outros deviam ter conseguido sair. O mistério  estava desvendado e vieram boas risadas.

Felipe, enfim, juntou aos seus conhecimentos de investigador uma nova luz. 

 

O JOVEM ALTAIR - HENRIQUE SCHNAIDER

 



O JOVEM ALTAIR

HENRIQUE SCHNAIDER

 

O jovem Altair sempre foi diferente dos seus colegas, geralmente não brincava aquelas brincadeiras infantis que toda criança adora, seus interesses eram outros, era tremendamente curioso e ia atrás de coisas diferentes e misteriosas.

Ao que tudo indica, puxou a personalidade de seu pai, que também era dado a investigações de mistério. Tal pai, tal filho, o fruto nunca cai longe do pé.

O quarto de Altair era cheio de coisas que impressionavam: bonecos com aparência um tanto estranha e, na verdade, só o menino entendia o significado daqueles bonecos um tanto quanto sombrios e assustadores. Havia também certos bichos que Altair caçava e mumificava. Os bichinhos pareciam ter vida.

A mãe dele reclamava muito da bagunça que sempre estava naquele quarto. Mal podia ela entrar naquele circo de horrores, e às vezes ralhava com ele para ver se as coisas melhoravam, mas em vão, não conseguia sucesso na tentativa de mudar as coisas no quarto do filho.

Todo santo e sagrado dia, lá ia Altair fazer uma caça às bruxas com a finalidade de levar algo novo para seu circo de horrores.

Determinado dia, sedento de novidades, entrou mata adentro que existia ao lado de sua casa. A mata era bem cerrada, mas o menino era corajoso e ia em frente com o coração batendo aos pulos, não por medo, mas sim na emoção do que iria achar para seu zoológico uma ou duas ou mais coisas interessantes para pegar e levar.

Em determinado ponto da procura, Altair, para estático praticamente emocionado, havia avistado um bicho, completamente diferente dos tantos que já pegara. Tinha um corpo estranho, um olho só, tinha o tamanho de um coelho pequeno, andava só com três patinhas e era muito peludo. A sua aparência assustava um pouco, mas o menino não desistiu e, com um puçá, pegou o bicho que não se debateu muito.

Altair se deu por satisfeito com seu achado e resolveu voltar para casa, já que, com sua descoberta, ficou satisfeito por esse dia.

Voltou para casa e, como todo menino sapeca, tentou esconder da mãe o que estava trazendo. Arrumou uma gaiolinha e colocou o bicho dentro, que estava imóvel, parecendo sem vida. Altair ficou ali a observar a criatura por muito tempo.

Depois saiu para a cozinha da casa atraído pelo aroma muito gostoso da comida que sua mãe estava fazendo. Ele adorava tudo o que a mãe fazia, já que ela era excelente cozinheira de doces e salgados.

Almoçou e, no final, “lambeu os beiços” e saiu para o quintal da casa de seus pais, que era muito grande, cheio de árvores com frutas e lindas flores. Assim o dia passou para Altair, alegre e satisfeito.

A noite se recolheu cedo para o seu quarto, para observar os seres estranhos que lá existiam. E mais curioso ainda com a novidade que era o bichinho que pegou naquele dia, quando de repente parou estático e se arrepiou todo, pois a gaiolinha estava com a porta aberta e o bicho saiu e o menino ficou todo arrepiado. O que aconteceu?  Onde ele está? Começou a procurar, amedrontado, tentando achar o danadinho do bichinho.

Com o corpo trêmulo, começou a procurar onde estava o fujão. De repente, sai debaixo da cama o procurado. Todo se balançando, inclusive o pequeno rabinho, chegou próximo de Altair, lambendo suas pernas num gesto de carinho.

Altair se emocionou com a atitude do animalzinho, que o pegou no colo e o acarinhou, logo lhe deu o nome de Peludo. Essa amizade cresceu e onde Altair estava, lá estava o Peludo ao dele pedindo colo. Os pais, a princípio, ficaram incomodados com aquela situação, mas com o tempo aceitaram e até passaram a gostar do Peludo, que se tornou um membro da família.

E assim viveram felizes por muito tempo Altair, Peludo e seus pais.

quarta-feira, 18 de março de 2026

O garoto que enxergava pelas frestas - Hirtis Lazarin




O Garoto que Enxergava pelas Frestas

Hirtis Lazarin


Alguns garotos brincam no quintal. Outros encontram pistas em lugares onde ninguém pensaria em procurar. Ele era assim — sempre atento, sempre curioso. E foi por isso que percebeu algo estranho antes de todo mundo. O grupo de viagem da escola estava eufórico: era a primeira vez que viajavam pro exterior. Enquanto alguns garotos tentavam captar sinal pra postar uma story, ou trocavam  fotos e mensagens pelo WhatsApp,  Pedro não participava. Tinha o celular guardado na mochila e observava o comportamento irritadiço, agastado do motorista do transfer que os levava do aeroporto ao hotel em Roma.... Havia algo estranho ali.

A primeira coisa estranha que Pedro notou foi o bloqueio de saída: o motorista acionou a trava de segurança infantil nas portas traseiras, assim que todos entram, algo incomum para um transfer de adolescentes.

Sentado logo atrás do banco do motorista, Pedro não se descuida e mantém os olhos fixos na sua nuca. O homem está inquieto, incomodado e não para de se ajeitar no banco.  As mãos grandes e apertadas no volante de couro revelam nós em seus dedos compridos e grossos. É um homem forte.

Ele finge ignorar as piadas e a barulheira dos garotos, mas  Pedro percebe que ele presta atenção em tudo. Constantemente ajusta o retrovisor.

O volume do rádio estava zerado, mas o menino podia ver a luz do visor oscilando, conforme alguém falava do outro lado. Ele não respondia, mas assentia com a cabeça como se estivesse recebendo ordens que os garotos não deviam ouvir.

Apesar do trânsito fluir normalmente, ele sai da via principal e entra em ruelas estreitas e desertas com os olhos cravados no retrovisor pra ver se algum carro os seguia.  Quando questionado, mal humorado, responde em italiano. 

Mas o sangue de Pedro gelou quando a tela do celular dele, jogado no console central, brilhou. Pedro se levantou, deu dois passos à frente como se estivesse se espreguiçando e esticou o pescoço como um avestruz em alerta. Conseguiu ver na tela a foto do colégio onde eles estudam e uma única palavra: “Presi”.

Nesse momento, uma criança surge do nada e atravessa a rua bem na frente do ônibus. O motorista pisa no freio com tudo e os pneus cantam no asfalto. Lá dentro, o impacto foi imediato: a molecada é  arremessada pra frente num bolo só; celulares e mochilas voam. A  meninada abriu um berreiro  comprido. Imagina o choque de quem pensa que a vida acabaria aí.  Mas, como eram adolescentes, o susto durou menos que a freada e logo veio o primeiro grito: “Ei motorista, quer matar a gente”? O gelo foi quebrado e o ônibus explodiu em gargalhadas, zoação e gente se empurrando de volta aos bancos como se nada tivesse acontecido.

Algo chama a atenção do garoto: na confusão, o paletó  do motorista se movimenta e Pedro vê o brilho metálico de uma arma presa firmemente entre o cinto e o cós da sua  calça.

E cada vez que o motorista fazia uma curva mais brusca ou se inclinava para conferir o retrovisor, o paletó se abria  e mostrava o cabo da arma. O motorista, desconfortável, ajusta o objeto o tempo todo como se estivesse pronto para sacá-lo a qualquer segundo, algo totalmente incompatível com um simples guia de excursão escolar.

Reinava dentro do ônibus um contraste brutal: de um lado, seus amigos dividiam pacotes  de biscoito, trocavam fones de ouvido, batucavam no banco de trás acompanhando uma música que tocava em algum celular;  do outro lado, o perigo da morte escondida  no avesso do paletó do motorista. 

Pedro não disse uma única palavra, engoliu em seco, sentindo o gosto metálico do medo na boca; encolheu-se no banco com a mochila agarrada ao peito como um escudo improvisado.  Tenta desviar o olhar para não ser descoberto, mas seus olhos voltam magneticamente para aquele volume rígido sob o avesso do paletó; a percepção de que todos ali estão em perigo iminente cria um nó insuportável na sua garganta, uma náusea súbita o domina, misturando o cheiro de diesel do ônibus com o  terror paralisante de estar preso em uma armadilha em movimento.

— “O motorista do ônibus está armado. Socorro!” — Torcia para que o sinal de internet fosse mais rápido que qualquer movimento estranho. Com as mãos tremendo por baixo da mochila, ele desbloqueia o celular. Digita rápido, quase sem olhar pra tela, a mensagem enviada ao grupo de monitores da escola que os aguardava no hotel. 

Enquanto os adolescentes, apinhados às janelas do lado direito do ônibus, apontam para o Coliseu, a mensagem de Pedro disparou um alerta imediato no grupo de monitores. Em contato direto com a Polizia di Stato, orientaram Pedro: 'Fique calmo. Não olhe para ele. Falta pouco”.

Quando o ônibus finalmente manobrou na frente do hotel, a cena parecia saída de um filme. Antes mesmo que o motorista percebesse o que estava acontecendo, três viaturas discretas cercaram o coletivo. Policiais à paisana, que já aguardavam na calçada fingindo ser turistas, entraram com armas em punho e cercaram a cabine com uma precisão cirúrgica. — “Mani in alto”! — a ordem era firme. O motorista foi imobilizado e algemado, com cara de quem não sabia o que estava acontecendo.

O pânico foi geral. Os estudantes que, segundos antes, estavam brincando, mergulharam entre os bancos. O som da batucada deu lugar a um silêncio aterrorizante. Ninguém entendia por que a polícia italiana fazia  ali. O ônibus virou uma bolha de tensão e de rostos emoldurados com pontos de interrogação.

Mas  o clima mudou instantaneamente, assim que um dos monitores subiu no veículo e explicou, ainda ofegante: — 'Gente, está tudo bem... O Pedro viu que o motorista estava armado e avisou a gente pelo WhatsApp. 

O medo evaporou como se nunca tivesse existido — 'NÃO ACREDITO! O CARA TAVA ARMADO?!' — gritou um, já com o celular na mão gravando a cena. — 'PEDRO, TU É UM MITO!' — berrou outro, puxando uma salva de palmas.

Todos vibravam com a prisão como se estivessem participando de um filme de ação; o que até então era um trauma em potencial virou o evento épico da viagem.  Entre gritos de comemoração e assobios, desceram do ônibus, não como vítimas, mas como protagonistas de uma história que renderia meses de postagens.


A  adrenalina  estava no teto. O medo tinha virado euforia pura. —  “Mano, olha o tamanho dessa metralhadora! Deixa eu tirar uma foto aqui!”! — gritou um dos meninos, já esticando o braço com o celular em modo selfie na direção de um dos agentes da Polizia di Stato. Mas a recepção não foi a que eles esperavam. Os policiais italianos, com seus uniformes impecáveis e rostos de pedra, nem piscaram. Um deles apenas levantou a palma da mão, um gesto seco e autoritário que paralisou o grupo na hora.

—”'No foto” — ordenou o agente, com uma voz grossa que não aceitava réplica.

A molecada que já imaginava o post perfeito com a legenda “Sobrevivi a um motorista armado em Roma”, deu um passo atrás, sem jeito. Os policiais, imperturbáveis, mantinham o perímetro isolado, ignorando sorrisos e câmeras. Para eles era uma operação de risco; para os meninos, um conteúdo de redes sociais que acabava de ser censurado pela autoridade européia.

— “Nossa, os caras são brutos mesmo…” — sussurrou Lucas, guardando o celular no bolso com um sorriso amarelo.

Enquanto o motorista era jogado no banco de trás da viatura e as sirenes voltavam a ecoar pelas ruas de paralelepípedos, os estudantes finalmente seguiram para o hotel.

O herói era o Pedro, as fotos com a polícia não rolaram, mas a história que eles teriam pra contar no jantar  —- e pelo resto da vida — já estava garantida..

 


O JOVEM ALTAIR - HENRIQUE

 O JOVEM ALTAIR

HENRIQUE



O Jovem Altair sempre foi diferente dos seus colegas, geralmente não brincava aquelas brincadeiras infantis que toda criança adora, seus interesses eram outros, era tremendamente curioso e ia atrás de coisas diferentes e misteriosas.

Ao que tudo indica puxou a personalidade de seu pai, que também era dado a investigações de mistério, tal pai tal filho, o fruto nunca cai longe do pé.

O quarto de Altair era cheio de coisas que impressionavam: bonecos com aparência um tanto estranha e na verdade, só o menino entendia o significado daqueles bonecos um tanto quanto sombrios e assustadores. Havia também certo bichos que Altair cassava e mumificava” os bichinhos pareciam ter vida”.

A mãe dele reclamava muito da bagunça que sempre estava naquele quarto. Mal podia ela entrar naquele circo de horrores, e as vezes ralhava com ele para ver se as coisas melhoravam, mas em vão, não conseguia sucesso na tentativa de mudar as coisas no quarto do filho.

Todo santo e sagrado dia lá ia Altair fazer uma caça as bruxas com a finalidade de levar algo novo para seu circo de horrores.

Determinado dia sedento de novidades, entrou mata adentro que existia ao lado de sua casa. A mata era bem cerrada, mas o menino era corajoso e ia em frente com o coração batendo aos pulos, não por medo, mas sim na emoção doque iria achar para seu zoológico uma ou duas ou mais coisas interessantes para pegar e levar.

Em determinado ponto da procura Altair para estático praticamente emocionado, tinha avistado um bicho, completamente diferente dos tantos que já pegara. Tinha um corpo estranho, um olho só, tinha o tamanho de um coelho pequeno, andava só com três patinhas e era muito peludo. A sua aparência assustava um pouco, mas o menino não desistiu e com um puçá pegou o bicho que não se debateu muito.

Altair se deu por satisfeito com seu achado e resolveu voltar para casa já que com sua descoberta, ficou satisfeito por esse dia.

Voltou para casa e como todo menino sapeca tentou esconder da mãe oque estava trazendo. Arrumou uma gaiolinha e colocou o bicho dentro que estava imóvel parecendo sem vida. Altair ficou ali a observar a criatura por muito tempo.

Depois saiu para a cozinha da casa atraído pelo aroma muito gostoso da comida que sua mãe estava fazendo, ele adorava tudo o que a mãe fazia, já que ela era excelente cozinheira de doces e salgados.

Almoçou e no final “lambeu os beiços” e saiu para o quintal da casa de seus pais que era muito grande, cheio de arvores com frutas e lindas flores. Assim o dia passou para Altair alegre e satisfeito.

A noite se recolheu cedo para o seu quarto, para observar os seres estranhos que lá existiam. E mais curioso ainda com a novidade que era o bichinho que pegou naquele dia, quando de repente para estático e se arrepiando todo, pois a gaiolinha estava com a porta aberta e bicho saiu e o menino ficou todo arrepiado. O que aconteceu?  Onde ele está? Começou a procurar amedrontado, tentando achar o danadinho do bichinho.

Com o corpo tremulo, começou a procurar no quarto grande, onde estava o fujão. De repente sai debaixo da cama o procurado. Todo se balançando, inclusive o pequeno rabinho e chegou próximo de Altair, lambendo suas pernas num gesto de carinho.

Altair se emocionou com a atitude do animalzinho, que o pegou no colo e o acarinhou, logo lhe deu o nome de Peludo. Essa amizade cresceu e onde Altair estava, lá estava o Peludo ao dele pedindo colo. Os pais a princípio ficaram incomodados com aquela situação, mas com o tempo aceitaram e até passaram a gostar do Peludo que se tornou um membro da família.

E assim viveram felizes por muito tempo Altair, Peludo e seus pais.

 

 

Uma família - Elidamares Bianchi Rosa

 




Uma família

Elidamares Bianchi Rosa

 

No final da minha rua, havia uma família estranha. Todas as tardes, saíam de casa, andavam sempre juntos, as três meninas na frente, a mãe e o pai de mãos dadas atrás. Quase não olhavam para as outras pessoas ou para trás. Raramente se falavam. Caminhavam firmes, com determinação, e desapareciam na esquina.

Observando bem, percebia-se haver muito amor envolvido, mas havia medo. Caminhavam como se o lugar para onde iam fosse o único refúgio além da casa onde moravam, no final da rua.

Sei que voltavam tarde, depois que já havia escurecido bastante. Nunca soube para onde iam, poucas vezes os vi voltando, sempre com a mesma sensação de cuidado e medo.

Por longo tempo observei essa rotina cotidiana, até que certo dia, depois de perceber que não passavam mais, soube que mudaram, partiram para outro lugar que ignoro, desapareceram do meu mapa.

 



A Fadinha Pop - Hirtis Lazarin

 




A Fadinha Pop

Hirtis Lazarin

 

A fada Lily vivia no “Reino das Asas Brilhantes”. Ela não era famosa pelo seu brilho ou pelas mágicas surpreendentes que fazia com a varinha mágica.

 

Enquanto as outras fadas pousavam graciosamente nas pétalas de rosa e nos lírios brancos, Lily, toda desajeitada, enterrava o nariz na toca do Jaime, o esquilo mais agitado e impaciente da floresta; ou então, quando voava mais alto, lá onde o vento sopra mais forte, ela perdia o controle de suas asas e acabava num verdadeiro pesadelo:  presa nas teias de aranha. O toque pegajoso dos fios de seda prendendo seus pés e o medo de ser picada por uma aranha eram apavorantes. Cada movimento deixava-a ainda mais presa naquela armadilha invisível. Numa hora dessas, só restava uma saída: acalmar-se, ficar paradinha no ar pra que nada desse errado e acionar a varinha mágica.

 

Era de manhãzinha e sua missão naquele dia era simples: transformar o orvalho matinal em diamantes coloridos, mas após um espirro exagerado, esqueceu de acionar o freio das botas mágicas e transformou o rabo do gato Grandalf num enorme algodão-doce azul.

 

Dona Mel, a fada-chefe que usa os óculos na pontinha do nariz, toda paciente, nunca dá broncas em Lily e sempre repete: “Oh, querida! Acho que precisamos calibrar novamente a sua varinha. Ela está com algum parafuso solto. Acho que, solto está um parafuso na cabecinha da fada.

 

E, mesmo quando ela deveria se aquietar na biblioteca estudando mágicas, o livro que, aberto em suas mãos, ficava estacionado o tempo todo numa página só.

 

E onde estava a sua cabecinha?

 

Viajando num flashback, revivendo, em câmara lenta, cenas de suas trapalhadas.

 

Vamos lembrar juntos:

 

Lily passava perto de um formigueiro e sentiu um cheirinho desagradável — “Vou dar um jeito nisso” — e, ao tentar perfumar o local, ela apertou um botão errado e a varinha disparou um jato de glitter colante, transformando o exército de operárias em minúsculos pontos de luz.

 

As formigas, antes de cor marrom e discretas no vai-e-vem monótono de carregar folhas, decidiram aproveitar o novo visual: organizaram uma festa numa competição com a luz cheia da lua.   Descobriram que, com aquele brilho todo, nenhum tamanduá teria coragem de chegar perto. Afinal, quem comeria um lanche que brilha mais que um poste?

 

E o vexame das xícaras saltitantes? 

 

Lily foi incumbida de separar xícaras para o chá da tarde. Distraída com um bando de borboletas amarelas, trocou as palavras mágicas e deu “pernas de grilo” para a louça de porcelana. Sentindo-se livres e eufóricas --- sozinhas, nunca haviam saído do mesmo lugar ---- pularam a janela da cozinha e correram para o jardim. O resultado foi uma perseguição digna de cinema. A fada corria desesperada na tentativa de consertar a trapalhada e as xícaras, numa sequência de “poc-poc-poc”, saltavam por cima das margaridas e dos girassóis. Algumas ficaram arrebentadas e acabaram no lixo.

 

Num outro momento, Lily resolveu que as margaridas do jardim estavam muito pálidas e precisavam de uma cor toda especial. Sacudiu a varinha com elegância, mas bem na hora do feitiço, um beija-flor passou zunindo no seu ouvido.

 

O resultado? Em vez de dar um brilho perolado às pétalas brancas, transformou-as em pipocas gigantes que, ao calor do sol, saltitavam enlouquecidas. O gato Grandalf, que tirava uma soneca todo esparramado sob o sol, deu um mortal pra trás e uma flor-pipoca estourou na ponta do seu nariz. Outra, ah! Outra gigante! Grudou e tapou seu ouvido. Indignado e com seus pelos arrepiados, miou tão forte que mais parecia o rugido de um leão em miniatura.

 

Lily, paralisada e com a varinha na mão, não sabia se pedia desculpas ou se saía correndo antes que o felino resolvesse que ela seria a próxima coisa que ele iria caçar.

 

Bem nessa hora, a dona Mel surgiu flutuando, calma que só ela só. Não gritou nem se desesperou com o cenário de cinema montado no jardim. Tirou do bolso um saquinho de “biscoitos de erva-de-gato” e estendeu a mão. “Ora, ora, meu grande guerreiro, acalme-se. É apenas a Lily sendo a Lily”. Ele cheirou o petisco, disfarçou uma cara de mal e...  Não é que ele gostou?

 

Dona Mel, olhando por cima dos óculos de cristal, encontrou Lily escondida atrás da samambaia-de-metro.

 

Dessa vez, Dona Mel olhou firme pra Lily e deu seu veredicto: “Querida, já que você transformou nosso jardim nessa confusão, sua missão será organizar o primeiro “Festival de Pipoca Alada” do Reino. Vai guiar o gato Grandalf e as formigas brilhantes pra colherem todas as flores-pipocas antes que elas estourem. Vai também pentear cada fio do bigode do gato até ele recuperar sua dignidade real”.

 

A fadinha deu pulinhos de alegria por não estar de castigo, mas, logo à frente, tropeçou nos próprios pés, enquanto tentava convencer o esquilo de rabo azul de que ser colhedor de pipoca era a profissão mais importante do mundo.

 

No final do dia, o jardim estava calmo, exalando um cheirinho doce de milho que atraía fadas de todos os cantos. Lily, exausta e com glitter nas bochechas, sentiu-se orgulhosa por cumprir a missão.

 

Percebeu que, apesar de suas mágicas nunca saírem como planejado, elas acabavam criando histórias muito mais coloridas e divertidas do que qualquer feitiço perfeito.

 

Satisfeita da vida, a fadinha atrapalhada fechou os olhos, torcendo para que, no dia seguinte, sua varinha criasse juízo. Mas lá no fundinho sabia que com ela por perto, o “Reino das Asas Brilhantes” nunca teria um dia monótono.

 

Moral da História: Às vezes, um erro atrapalhado e barulhento é muito mais divertido do que um acerto silencioso e perfeito.

 

 

 

ANITA MAIS FAMOSA COZINHEIRA DO PAÍS - Henrique Schnaider

  ANITA MAIS FAMOSA COZINHEIRA DO PAÍS Henrique Schnaider Anita era uma cozinheira respeitada pelo sucesso dos seus preparos. Essa vir...