A GRANDE JORNADA - CONTO COLETIVO 2023
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segunda-feira, 4 de maio de 2015
quinta-feira, 30 de abril de 2015
A primeira vez - Suzana da Cunha Lima
A PRIMEIRA VEZ
Suzana
da Cunha Lima
Moro
numa rua arborizada com ipês amarelos que suspiram à menor brisa, espalhando seu delicado perfume sem
parcimônia. Voltado para o oeste, nosso
bairro tem o mais esplendoroso pôr do sol de São Paulo, que não canso de
assistir à minha janela. Só me falta
bater palmas, como o pessoal do Rio de Janeiro faz, assistindo a outro pôr do
sol notável, na praia do Arpoador.
Cheguei do Rio há trinta e cinco anos e o que me vem sempre à memória, são estas
imagens floridas e os jardins bem
cuidados, explodindo em azaleias rubras e brancas. Naquela época, São Paulo
pareceu-me um lugar encantador para se morar.
E
até hoje, eu tenho a mesma opinião. Foi
aqui que meus filhos passaram sua meninice brincando, jogando bola, andando de
bicicleta e festejando São João com fogueiras na rua, numa vizinhança alegre e acolhedora. Foi aqui que eles se
formaram e casaram e nasceram meus primeiros netos.
Foi aqui que me formei e consegui o primeiro
trabalho como profissional, que comecei a lidar com a infância carente e
empobrecida, e conheci tantas almas boas que me ajudaram neste espinhoso caminho
social. Até hoje, o desrespeito com as crianças me aflige tanto quanto minha
impotência para minimizar este imenso problema sempre esquecido nas políticas
sociais deste país.
E
foi aqui que segui meu caminho, como
tantas mulheres, entre casa e trabalho,
marido, filhos, amigos, obrigações e
lazer, risos e lágrimas, alegrias e
decepções, como é a vida, este cadinho de sentimentos e vivências que nos
tornam tão humanos.
Quando,
16 anos atrás, o falecimento de meu marido, após quarenta anos juntos, me
deixou só. De uma hora para outra, vi-me senhora de meu destino, num tipo de
liberdade inusitada e até assustadora.
Mas foi também meu divisor de
águas, porque resolvi que ia reconstruir minha vida outra vez, desta vez à
minha maneira.
Além do trabalho, a quem me dediquei muito
apaixonadamente, joguei vôlei pelo
Brasil afora, também apaixonadamente. E me aventurei a andar de balão e de
tirolesa, até andar em corredeiras e
fazer rapel. Viajei bastante por este
mundão, conheci muitas pessoas interessantes, vivi encontros e desencontros.
Enfim, parodiando Roberto Carlos, se
chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu senti. E, de certo modo,
estas vivências me prepararam para o que veio a seguir.
Pois
naquela noite especial, linda e fresca,
tudo isso me veio a mente, num
caleidoscópio fantástico, de imagens, sons, cores e aromas. Enquanto no céu, a
lua, curiosa e bela, parecia espreitar o encontro que ia acontecer.
E
seria um encontro que mudaria minha vida outra vez, uma guinada para outro futuro
que eu mal pressentia, e estava prestes
a acontecer.
O
lugar era perto de casa, um restaurante cercado de árvores, sem edifícios que
impedissem a visão daquele luar encomendado para esta primeira vez.
Primeira
vez de tudo é algo muito especial... Pode ser muito além ou muito aquém de
nossas expectativas, mas certamente é algo que nunca se esquece, muitas vezes
marca para sempre uma experiência, um desejo, um sonho, a própria existência.
E
esta foi a nossa primeira vez, nosso primeiro encontro. Eu o vi, no alto da
escadaria, a me esperar, sorrindo, de um jeito que até hoje me encanta. E este sorriso me abraçou enquanto eu subia e
ele descia, até nos encontrarmos exatamente no meio, como a marcar que, se até então, caminhávamos
sozinhos na vida, dali por diante,
estaríamos juntos, qualquer que fosse o caminho.
Isso
soubemos imediatamente quando nossas
mãos se uniram e nossos olhos se
fundiram numa única certeza. Nossa busca havia terminado.
A Fada e o Acauã - Jany Patricio

A
Fada e o Acauã
Jany Patricio
Maria caminhava lenta. Pés
descalços, cabelos desalinhados. Na cabeça, lata d’água vazia. Flor, sua filha,
a acompanhava a passos mansos. Seus olhos vivos, cor de mel, seguiam curiosos o
voo do Acauã.
A mãe procurava o riacho
que passava perto da pedra, onde o pássaro pousara. Uma lágrima saiu do canto
do olho, escorregou pela maçã do seu rosto e molhou a terra seca.
Acauã levantou voo e sumiu
no céu sem revelar seu canto.
Voltaram para o rancho na
boca da noite. Maria entrou, enquanto Flor encostou-se no pé da cerca para
admirar o espetáculo do céu, carregado de estrelas.
Quando de repente:
Sssssss! Sssssss! – Sorrateira, uma cobra se aproximava.
Va-voom! – Surgiu do céu o
Acauã. Pegou o réptil e voou para uma aroeira.
Flor observou o pássaro,
que satisfeito lançou um olhar para Luzibel, uma fada de asas verdes e vestido
azul que caia do céu, meio desengonçada.
Trash! Trá! Prá! -
derrubou as cuias secas sobre a cabeça da menina.
— Desculpe! O que posso
fazer para me redimir?
— Precisamos de água. O rio
está seco e minha mãe chora.
— Bom... minhas asas não
me obedecem. Já sei! Aquele Acauã vai nos levar até o rio. Vamos! Suba!
Voaram alto e chegaram.
— Agora vou usar minha
varinha mágica...Huuum...Acho que a perdi. Não faz mal. Que planta é aquela?
— É um mandacaru. – disse
a menina.
— Então vá até lá e
arranque um espinho. Vai ser minha nova varinha!
Diante da expressão de
receio no rosto da garota, por medo de espetar o dedo, a fada disse:
— Bah! Está bem, está bem!
Pegue aquele galho seco mesmo! Quem não tem cão caça com gato! – falou Luzibel,
enchendo as bochechas e franzindo a testa, com cara de enfezada.
O rio, achando engraçado o
jeito da fadinha, começou a rir. Mas riu, riu tanto que passou a chorar de rir.
As lágrimas eram tão grande quantidade, que começaram a inundar o leito e
subir, subir até as margens. E mais, fizeram brotar as minas lá no rancho da
Maria, que agora ria, ria, ria.
Após deixar a Maria e a
Flor felizes, a fadinha despediu-se e voltou para as estrelas levada pelo
Acauã, que finalmente liberou seu canto!
— Acauã, Acauã, Acauã...
A Sabedoria contra a Esperteza! - Dinah Ribeiro de Amorim
A SABEDORIA CONTRA A ESPERTEZA!
Dinah Ribeiro de Amorim
O coelho andava todo
prosa, sabendo que, dos animais pequenos, era o mais rápido. Ninguém o vencia,
nem mesmo as emas e avestruzes,
conseguiam competir com ele.
Adorava comer cenouras,
muitas cenouras, antes de qualquer partida. Eram o seu ponto fraco ou a sua
tentação, levando horas mastigando com prazer.
Uma tartaruga muito idosa,
mas de grande sabedoria, espalhou a notícia na floresta que conseguiria
vencê-lo.
“Como! Perguntavam todos, dando gargalhadas - Lenta,
velha, pesada, ganhar de um coelho rápido e corredor, é muito difícil.“
A tartaruga, conhecendo o
percurso a ser feito, espalha cenouras no trajeto, colocando-as em lugares
estratégicos, favoráveis a descanso e sonecas.
No dia da partida, dada a
largada, os dois animais saem.
O coelho, muito rápido,
encontra a primeira cenoura. Mastiga-a saborosamente e tira um cochilo.
A tartaruga, calma, segue
lentamente.
Alcança a primeira parada
do coelho, acordando-o rápido e saindo
em disparada à sua frente.
Logo encontra uma segunda
cenoura, muito gorda e atraente, parando para degustá-la.
A tartaruga lenta
encontra-o novamente, desta vez com mais sono e menos vontade de correr.
Ultrapassa-o sem acordá-lo
e, ele, logo desperta, disparando outra vez à sua frente, não entendendo como
ela conseguira alcançá-lo.
Uma terceira cenoura, mais
atraente que as outras, aparece novamente no caminho do coelho que, antecipando
a vitória, detém-se para comê-la. Adormece profundamente, sendo ultrapassado
pela tartaruga que, sorridente, chega ao final da corrida.
É aplaudida
vitoriosamente, deixando uma interrogação no ar. “Como conseguira tal proeza?”
“Quase sempre a esperteza
e a vaidade perdem para a sabedoria e inteligência dos mais velhos”, responde
tranquila a tartaruga.
Como Araras Azuis, uma jararaca e o Acauã - Jany Patricio
As
Araras azuis, a Jararaca e o Acauã
Jany Patricio
Um casal de araras azuis
sobrevoava o relevo avermelhado da
Chapada dos Guimarães. O olhar esperto dos bichos avistou uma fonte de águas
cristalinas atrás de rochas musgosas. Desceram
num mergulho, mas foram surpreendidas com a presença de uma jararaca que
repousava sobre as pedras, aquecendo-se ao sol.
Por sorte encontraram o
réptil desprevenido que, sendo pego de surpresa, fugiu, indo se esconder.
Um Acauã observava a cena pousado nos galhos de
um buriti.
— Não confiem nesta
jararaca, ela pode voltar e dar o bote. – disse ele.
As aves seguiram o conselho e alçaram voo.
O prevenido morreu de
velho, e o desconfiado ainda hoje é vivo.
quarta-feira, 22 de abril de 2015
terça-feira, 7 de abril de 2015
sábado, 14 de fevereiro de 2015
CONCURSOS LITERÁRIOS 2015 - PARTICIPEM !
PREMIO SESC DE LITERATURA 2015
Até 1 de março 2015
Aos autores iniciantes, que ainda não tiveram chance de mostrar ao público suas ideias e sua criação, este é o caminho. As inscrições para o Prêmio Sesc de Literatura são gratuitas e aceitas em todo o Brasil. Basta preencher o formulário disponível neste link. Cada concorrente poderá participar com apenas uma obra por categoria (Contos ou Romance). O livro deve ser inédito, não valem os já publicados, mesmo que apenas na internet. O vencedor terá seu livro publicado e distribuído pela editora Record. Participe! Esta pode ser a chance de sua obra chegar às principais livrarias do país.
Veja o Edital: http://www.sesc.com.br/premiosesc/docs/edital2015.pdf
____________
Veja abaixo outros Concursos para os quais você poderia enviar seus textos:
___________
REGULAMENTO DO CONCURSO CULTURAL INSTITUTO ANN SULLIVAN E VOCÊ
Até 1 de março 2015
Aos autores iniciantes, que ainda não tiveram chance de mostrar ao público suas ideias e sua criação, este é o caminho. As inscrições para o Prêmio Sesc de Literatura são gratuitas e aceitas em todo o Brasil. Basta preencher o formulário disponível neste link. Cada concorrente poderá participar com apenas uma obra por categoria (Contos ou Romance). O livro deve ser inédito, não valem os já publicados, mesmo que apenas na internet. O vencedor terá seu livro publicado e distribuído pela editora Record. Participe! Esta pode ser a chance de sua obra chegar às principais livrarias do país.
Veja o Edital: http://www.sesc.com.br/premiosesc/docs/edital2015.pdf
____________
Veja abaixo outros Concursos para os quais você poderia enviar seus textos:
___________
REGULAMENTO DO CONCURSO CULTURAL INSTITUTO ANN SULLIVAN E VOCÊ
POR UM
MUNDO DE DIFERENÇAS
CONCURSO DE CONTOS NA CIDADE DE ARAÇATUBA / SP
CONCURSO PARA ROTEIRO - PORTUGAL
ATÉ 31 DE MARÇO 2015:
Prémio dedica-se exclusivamente à modalidade do
roteiro escrito, subordinado ao tema "Dê Lugar ao
Amor".
CONCURSO DE CONTOS NO ESPÍRITO SANTO
ATÉ 30 DE MARÇO DE 2015
CONCURSO DE POESIA -IDIOMA: ESPANHOL
ATÉ 28 DE FEVEREIRO DE 2015
IV Certamen Poético Internacional - Rima Jotabé 28/Fev
E MUITOS OUTROS CONCURSOS LITERÁRIOS PARA ESTE ANO DE 2015:
CONCURSO DE POESIA - INSCRIÇÕES ATÉ 30 DE MARÇO DE 2015
III CONCURSO DE POESIA “NARCISO ARAÚJO”
Organização: Academia Marataizense de Letras.
Inscrições: de 12 de novembro de 2014 a 30 de março de 2015.
Premiação: Medalhas,certificados e participação na V Antologia Poemas da Pérola Capixaba.
Inscrições: de 12 de novembro de 2014 a 30 de março de 2015.
Premiação: Medalhas,certificados e participação na V Antologia Poemas da Pérola Capixaba.
REGULAMENTO:
1. DA INSCRIÇÃO – As inscrições se iniciam em 12 de novembro de 2014 e se encerram, impreterivelmente, em 30 de março de 2015, valendo, para registro, a data da postagem nos Correios.
1.1. Podem participar do concurso todos os cidadãos brasileiros, maiores de dezoito anos, residentes em território nacional.
1.2. O tema do concurso é livre. Cada participante pode concorrer com apenas 01 (um) poema INÉDITO, escrito obrigatoriamente em Língua Portuguesa.
2. DO ENVIO (SISTEMA DE ENVELOPES) – O trabalho deve ser digitado em 01 (uma) só face da folha, em fonte ‘arial’ ou ‘times new roman’, tamanho 12; com o máximo de 02 (duas) páginas, numeradas no canto superior direito; constando apenas o título do poema, o pseudônimo do autor, e o poema concorrente.
2.1. O trabalho deverá ser remetido em 4 (quatro) vias, em envelope grande; o qual trará também, em seu interior, outro envelope menor, contendo sobrecarta fechada, com a identificação do candidato: título do poema; pseudônimo do autor; nome completo do autor; endereço completo; telefones com DDD; e-mail e breve biografia (no máximo, 5 linhas). Na parte externa do envelope menor, deverá constar apenas o título do poema e o pseudônimo do autor. Na parte externa do envelope maior deverá constar o seguinte endereço do ‘destinatário’:
ACADEMIA MARATAIZENSE DE LETRAS.
III CONCURSO DE POESIAS ‘NARCISO ARAÚJO’.
SISMAPKI-Sindicato dos Servidores Públicos de Marataízes
Rua Jacinto Romão da Silva, Nº 190.
Bairro Acapulco– Marataízes (ES) – CEP: 29.345-000.
III CONCURSO DE POESIAS ‘NARCISO ARAÚJO’.
SISMAPKI-Sindicato dos Servidores Públicos de Marataízes
Rua Jacinto Romão da Silva, Nº 190.
Bairro Acapulco– Marataízes (ES) – CEP: 29.345-000.
SAIBA MAIS:
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
O VALE PRESENTE -M.luiza de C.Malina
O VALE PRESENTE
M.luiza
de C.Malina
Lá
estava eu com o presente dos meus sonhos nas mãos.
Não
o abri, apertei-o bem junto de mim e corri para o meu quarto. “Minha mãe me deu
dinheiro e disse que eu poderia comprar o que eu quisesse. A festa continuava.
Eu fiquei escondidinho no meu quarto, sentado no chão pensando no que vou
comprar...
Vou
comprar uma passagem para a terra do He-Man. Vou conhecer a irmã dele, a
princesa She-Ra. Vou lutar e vencer, mostrar que também sou valente tanto
quanto ele e, ela vai se apaixonar por mim e vem morar no meu quarto. Ninguém
vai acreditar!
—
Felipe, Felipe, onde você está? Venha
jantar! - Chama a mãe. Felipe nada responde.
A
mãe abre a porta do quarto e vê que ele dorme sobre as almofadas no chão, com o
envelope sobre o peito.
Comovida
ela sussurra na tentativa de acordá-lo:
—
Felipe, querido, venha vamos jantar!
Felipe,
sonolento balbucia:
—
She-Ra, princesa do poder! Vamos fugir,
venha! Tenho um castelo de Grayskull em meu quarto. Bem grande! Cheio de brinquedos, eu deixo você brincar
com eles...
A
mãe percebe que ele está enlevado em seus sonhos. Descobre o primeiro amor de
Felipe. A mãe o beija na testa. Deixa-o junto a sua She-Ra.
Felipe
sorri, vira-se e continua a sonhar na certeza de seu beijo.
MEU PRESENTE PREDILETO! Dinah Ribeiro de Amorim
MEU
PRESENTE PREDILETO!
Dinah Ribeiro de
Amorim
Papai faleceu muito cedo, deixando sozinhos,
eu, mamãe e minha irmã, além de certas dificuldades financeiras. Como aprendera costura desde mocinha, mamãe começou a costurar para
fora, ganhando confiança e aumentando freguesia em pouco tempo. Fazia de tudo
um pouco. Seu sonho era ir aperfeiçoando material e máquinas para confecção.
Cada dinheirinho ganho, empregava-o em alguma coisa.
Não sobrava muito para nós, que namorávamos
brinquedos modernos e atraentes só nas vitrines. Nossos coleguinhas possuíam
quase todos, e aproveitávamos para usar os deles. Não era a mesma coisa, claro,
mas era o que tínhamos.
Sabíamos que seu sonho, agora, era comprar
uma máquina de overloque, adiantando muito seu trabalho, mas levaria certo
tempo para economizar o dinheiro. Torcíamos
muito para que isso acontecesse!
Qual não foi seu espanto quando soube por
Maneco, meu amigo predileto, que eu também tinha sonhos: comprar uma bicicleta
azul, igualzinha a do Francisquinho, nosso vizinho da casa ao lado. O menino
era chatinho e, quando estava de boa,
deixava-me dar uma volta.
Pegou suas pequenas economias e deu-me de
presente. A quantia exata para comprar uma bicicleta. Fiquei muito contente e
corri para a loja, mas, no caminho, havia outra loja: máquinas para costura e
confecção. Fiquei super indeciso e confuso: comprar para ela a máquina tão
desejada, ou a minha bicicleta tão sonhada!
Situação delicada,
envolvendo sentimento de filho, esforço de mãe... Fiquei mesmo sem saber o que
fazer!
Finalmente, o amor e
a dedicação de minha mãe venceram! Comprei sua tão necessária máquina!
Valeu a pena ver sua alegria e agradecimento
pela minha ação! Dera de coração e não esperava que eu fizesse isso. “Eu estava
sendo a recompensa da educação que me dera”. Abrir mão do que é meu para pensar
primeiro na necessidade do outro!
Com o tempo, nossas necessidades foram
diminuindo e o trabalho de mamãe rendendo mais frutos. Compreendi que fizera
mesmo uma boa ação em todos os sentidos, pois não demorou muito, ganhei de
aniversário a minha bicicleta azul.
Agora, somos dois, Francisquinho e eu,
apostando corridas pelo bairro!
A JOANINHA E A IGUANA - M.luiza de C.Malina
A JOANINHA E A IGUANA
M.luiza de
C.Malina
“Outro dia
escutei uma conversa do meu pai com a minha mãe. Eu não queria escutar, mas
eles pensaram que eu estava dormindo. Meu pai disse que...”
— Marta, por
favor, Paulo é muito diferente de Alice, isso não vai dar certo – sua voz era
calma e muito preocupada, e mamãe respondeu mais agitada:
— E daí, eles cresceram juntos, já se conhecem
muito bem.
Entendi tudo,
estavam falando do meu irmão mais velho. Desde pequeno, eu conheci Paulo numa
cadeira de rodas e andava de muletas. Para mim, ele era um super- herói dos
filmes da TV, ele é forte e muito bem humorado, vive rodeado de amigas da
faculdade.
Alice combina
com ele sim, é mais alta do que ele, uma ruiva de longos cabelos que lembra a
Rapunzel.
Mas, fiquei triste ao lembrar da
Iguana. Ela come os
insetos no aquário. Só um ela não come. É
a Joaninha toda enfeitada de vermelho e bolinhas pretas. Ela sobe na língua comprida e a Iguana a joga
na sua cabeça. Elas passeiam alegres e felizes pelo aquário. Acho que a
Joaninha faz “cosquinhas” nas suas costas.
Numa certa hora
ela voa. A Iguana a procura parada por toda a parte, vira a cabeça prá cá e prá
lá, fica parada até encontrá-la.
Um dia
pensei que era o fim. Que susto! Quase foi engolida. Mas que nada! A Iguana deixou que ela passeasse
pela língua e num vap-vup já estava nas costas e, os olhinhos da Iguana felizes
rebolavam igual ao seu rabo no aquário.
Elas são
diferentes, cada uma come o que precisa, vivem em seus ninhos diferentes, mas
estão sempre juntas e felizes.
Pedro e
Alice, amanhã vou contar isto para o papai.
Para a
Alice, vou falar para ela colocar uma roupa vermelha de bolinhas pretas. Vai
ficar mais bonita ainda e vai combinar com seus cabelos.
SAUDADE! - EDGARD RIBEIRO DE AMORIM
SAUDADE!
EDGARD RIBEIRO DE
AMORIM
Quando
findou
É
que surpreende
Como
o trivial
Foi
essencial.
Um
beijo de Mãe,
Uma
brincadeira,
Um
lar,
Um
Natal, uma amizade,
Uma
alegria escolar.
São
honrosos
Os
sucessos
Profissionais.
Porém,
os pequenos gestos,
Os
sorrisos, os carinhos,
À
memória
Parecem
valer mais!
-Edgard Amorim é irmão Dinah Ribeiro de Amorim-
PERDI O SONO - M.luiza de C.Malina

PERDI
O SONO
M.luiza de C.Malina
Uma noite eu não conseguia
dormir.
Girava e desvirava. Acabei levantando.
“Vou fazer como minha
irmã. Saio da cama e tiro o pijama. Desço a escada, abro a porta e já estou
fora de casa”- pensei
Lá fui eu! A rua estava meio escura. Fui até a esquina, como quando a gente
passeia com o Tutu, nosso cachorrinho. Não
passava nenhum carro na rua.
“Opa, onde estou?”
Achei melhor perguntar
para um homem de capa preta.
— Moço, o senhor sabe onde
eu moro? É que eu não sei.
— Ah! Menino, eu sei sim.
Vou te levar pra casa. O que você está fazendo aqui fora pelado?
— Eu acordei, tirei o
pijama e vim passear. A gente não passeia de pijama, não é?
— Sua mãe vai levar um
susto muito grande!
O vigia da rua olha as
horas. São 3:00 da manhã, mas precisa tocar a campainha.
A correria da campainha se
tornou um alvoroço maior com a surpresa do “malandrinho” correndo para os
braços da mãe, justificando muito feliz:
— Fui passear e o Tutu não
foi comigo!
— Dona! Olhe, o seu filho saiu para a rua a esta hora da madrugada, e saiu assim, pelado! Eu estava quase
cochilando na guarita quando senti uma coisinha se mexendo no outro lado da
calçada, pensei que estava sonhando. Firmei bem os olhos e vi que era seu
filho, saí correndo e o trouxe. Agora, se ele virasse a esquina, nunca mais a
gente iria encontrá-lo!
— Fui passear mamãe, e o Tutu
não foi comigo! - repeti.
Tudo em ordem. O guarda
aconselha:
—Dona, sua casa
precisa de muro e portão. Vai que eu
durmo numa noite destas!
À PROCURA DO NOSSO CRAQUE! - Dinah Ribeiro de Amorim
À
PROCURA DO NOSSO CRAQUE!
Dinah Ribeiro de
Amorim
Estudo em uma escola estadual conhecida por
ter o melhor time de futebol da região. Estamos ficando famosos, o que nos
orgulha e envaidece, embora tenhamos relaxado um pouco nos estudos. Às vezes,
levamos umas broncas dos professores e de nossos pais, mas, quando o time
“Campeões” entra em ação, todos se esquecem e torcem com a gente.
Somos mesmo fortes, sendo o nosso goleiro
Gustavo, o melhor jogador de todos, nunca perdendo uma bola! Já o elegemos
nosso capitão! Verdadeiro representante. Segundo os treinadores mais velhos,
promete muito...
Treinamos às sextas e sábados, quando não há
partidas. Estranhamos que nos últimos treinos, Gustavo não apareceu. Foi
difícil substituí-lo e logo pensamos em viagem ou doença. Não costuma faltar.
Na semana seguinte, tive uma forte dor de
dente, fazendo com que mamãe, preocupada, levasse-me até o dentista. Enquanto
esperava minha hora, folheei algumas revistas, principalmente de esportes, mas,
outra, logo chamou atenção: menino desaparecido de casa há uma semana, chamado
Gustavo. Fiquei super impressionado quando deparei com sua foto sorridente e
amiga, numa manchete daquelas! Esqueci-me da dor de dente e quis sair
imediatamente, ouvindo zanga de mamãe: “Está louco, filho! Já está chegando sua
vez. Pode até dar uma infecção sem tratamento!” Não queria ouvir, só pensava no
meu amigo, desaparecido; por isso, não tinha ido aos treinos.
Fui correndo para a escola, reunir a turma.
Tínhamos que fazer alguma coisa! Ver com a família quais foram seus últimos
passos, se avisaram a polícia, que providências já tinham sido tomadas...
Na sua casa, disseram que sua última saída
fora numa sexta-feira, cedo, para ir ao ginásio, treinar. Não foi, não voltou,
nem sabiam mais de nada.
Conhecíamos times de outras escolas de olho
em nós, com inveja de nossas vitórias, mas sempre achamos que não
chegariam a tanto. O espírito esportivo
havia no meio estudantil. Pelo menos, achávamos!
Pergunta daqui, escuta de lá, fizemos grande
interrogatório em todo o bairro. Se a polícia estava agindo, nós também
ajudaríamos. Ficamos sabendo de um tal Tonhão, meio perigoso, que costumava
fazer apostas durante as partidas de futebol dentro dos colégios. Era o seu ganha-pão! Não foi muito fácil encontrá-lo!
Ele escorregava dos lugares como bolas de sabão. Sumia no ar. Finalmente,
encontramo-nos com ele num boteco afastado, namorando uma menina, e, após muita
insistência e ameaças, concordou em falar conosco. Primeiro respondeu que nem
sabia quem era Gustavo. Demos uma prensa, e ele disse que tinha um outro time,
“Os Enquadrados”, de outra escola, que andava comentando que ele deveria ser
afastado. Era bom demais e atrapalhava os outros times, que sempre acabavam
derrotados. Isso não os estava agradando!
Sem comentar muito, chegamos ao local que “Os
Enquadrados” se reuniam para treino. Local bem afastado, preparando-se para uma
partida de final de ano, importante. Ficamos sentados, assistindo ao treino,
fingindo nem sermos jogadores de futebol. Nosso colega “Figura”, assim chamado
por acabar observando tudo, sem que notássemos, descobriu um galpão, no fundo
do terreno, bastante fechado. Achou que deveríamos dar uma olhada lá, meio
disfarçados, pois poderia chamar a atenção e deveria ser local onde guardavam seus
uniformes, bolas, etc... Figura foi andando, sozinho, à frente, no auge do
treino, enquanto todos torciam. Reparou que tinha uma porta fortemente
trancada, com uma pequena janela, meio escondida, mas semiaberta.
Espiou através dela e quase não viu nada.
Desconfiado, chamou por Gustavo e ouviu um barulho lá dentro. Chamou de novo e
o barulho repetiu. Cauteloso, voltou para o resto da turma e disse que havia
alguém preso lá. Fomos todos para lá e tentamos arrombar a porta. Figura,
sabendo que os inimigos eram perigosos, chamou antes, a polícia. Fizemos tamanho
barulho que o time parou de jogar e avançou em cima da gente. Foi um rolo de
meninos se debatendo, esmurrando, empurrando pra valer, mas “Os campeões”
venceram mais uma vez. Achamos Gustavo preso a uma cadeira, quase desfalecido,
com a boca fechada por um pano.
Pegamos o amigo, com cuidado, enquanto os
sequestradores maldosos fugiam cada um para seu lado. A polícia chegou e
pegou-os em flagrante. Não escapou nenhum!
Gustavo, feliz por ter sido encontrado,
abraçou seus amigos e voltou para casa, recuperando-se logo do trauma e
voltando ao seu time do coração. Resolvemos todos andar sempre juntos, para
maior proteção.
Quanto aos Enquadrados por serem menores de
idade e primários, iriam responder em liberdade, mas, proibidos de jogarem por
muito tempo, e sob observação da polícia.
Foi um choque para o colégio de ambos os
times, que não esperavam que a violência estivesse assim tão alastrada no meio
estudantil. Resolveram trabalhar mais nesse sentido.
Resistir essa saudade - Jorge da Paixão
Resistir essa
saudade
Jorge da Paixão
Quem gosta de fazer trovas,
se considere poeta....
que a rima é uma prova,
que a poesia está certa...
A vida é uma canção,
para quem sabe amar...
E expulsar a solidão,
para a esperança chegar...
Uma flor lá na janela,
à Natureza a enfeitar....
A vida é sempre bela,
para quem sabe amar...
Resistir essa saudade,
meu coração tem que fazer...
Hoje aqui nesta cidade,
não me esqueço de você...
Um amor tão diferente,
é que sinto por São Paulo,,,
Cidade apinhada de gente,
dedicada ao trabalho...
UM GRITO DE SOCORRO! - Dinah Ribeiro de Amorim
UM
GRITO DE SOCORRO!
Dinah Ribeiro de
Amorim
Gosto muito de circo! É a maior atração de
nossa pequena cidade. Quando chega, o povo fica alvoroçado, escolhendo os
melhores lugares, disputando cadeiras e dias melhores.
Na verdade, eu e minhas amigas gostamos das
exibições, mas mais da movimentação de pessoas, principalmente dos rapazes que
costumamos paquerar!
Nesse ano, prometiam grandes atrações como
peças de teatro, malabaristas, motocicletas que se cruzavam, bailarinas famosas
e, como sempre, engraçados palhaços.
Chegou o dia da apresentação e o circo logo
ficou cheio de convidados. Eu e Marita, minha melhor amiga, procuramos lugares
meio no fundão, de onde veríamos melhor a apresentação e, também, os frequentadores.
Estávamos loucas para arrumar namorado! Já tínhamos catorze anos.
Quando as luzes se apagaram, o palco
iluminou-se e o dono do circo, todo paramentado, com um belo casaco vermelho de
lantejoulas, ia dizendo: “Respeitável
público! Muito boa noite! Teremos hoje...Não chegou a terminar. Ouviu-se um
grito estridente, pavoroso, vindo de alguém da platéia.
As luzes se acenderam imediatamente e as
pessoas se levantaram, rápidas, para ver o acontecido.
Os empregados do circo vieram num corre-corre
danado e examinaram tudo. Não conseguiram descobrir nada! Até que apareceu uma
mulher, vestida com folhas, de longos cabelos vermelhos, pintura exagerada, chamando pelo nome a sua bichinha de
estimação, que havia escapado: “Maninha!”. Fazia parte do seu número. Surgiu de
baixo de umas cadeiras, roçando nos pés das pessoas, uma horrorosa e amedrontadora
cobra verde, muito comprida, que tinha escapado do seu viveiro e só obedecia à
sua dona. O pânico dominou os presentes que começaram a sair, desistindo
daquele circo.
Eu e Marita, aborrecidas com o acontecido,
principalmente pelo fato de não termos conhecido ninguém, saímos resmungando e
lamentando o azar que tivemos.
O circo ainda ficou alguns dias na cidade,
mas com poucos frequentadores. Só os mais corajosos, munidos de lanternas e
facões. Os artistas e seu apresentador, diante disso, perderam também o
entusiasmo e foram rápido para bem longe, onde ninguém tivesse ouvido falar
nessa história. O medo de ir ao circo logo se instalou na região!
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