Capela Sistina
Alberto Landi
Antes de se tornar famosa pelo teto de Michelangelo, a Capela Sistina era apenas um espaço que ainda não conhecia o próprio destino.
Nasceu no coração do Vaticano, sob o pontificado de Sisto IV, o papa que lhe daria o nome.
Pedras foram colocadas umas sobre as outras, paredes erguidas, janelas abertas para deixar entrar a luz de Roma.
Ninguém podia imaginar que, um dia, aquele recinto guardaria uma das mais extraordinárias histórias da humanidade.
Primeiro vieram os pintores, Perugino, Botticelli, Ghirlandaio, Rosselli e outros mestres. Em suas paredes, começaram a conversar duas grandes histórias: de um lado, a vida de Moisés, do outro, a vida de Cristo. A antiga lei e a nova. Moisés e Jesus, promessa e cumprimento.
Durante anos, a Capela viveu assim, cercada por histórias. Suas paredes falavam, mas o teto permanecia em silêncio.
Era um silêncio branco e imenso, até chegar Michelangelo.
Ele não queria pintar, era escultor. Pensava o mundo em mármore, via na pedra as figuras que esperavam ser libertadas.
Mas o papa Júlio II tinha outros planos. Michelangelo olhou para o alto.
Talvez não soubesse, naquele instante, que pisaria num território onde nenhum artista havia estado antes.
Subiu aos andaimes e começou.
No princípio, pintou a separação da luz e das trevas, depois vieram o Sol, a Lua, as águas, a terra, os animais.
E finalmente o homem. Um dedo se aproximou de outro.
E entre os dois permaneceu uma distância tão pequena que cabia nela todo o mistério da humanidade.
Adão recebeu a vida, ao redor dele surgiram profetas e sibilas, homens e mulheres que haviam esperado, sonhado ou anunciado o futuro. E, entre eles, jovens de beleza impossível sustentavam guirlandas, medalhões e a própria energia da Criação.
A capela já não era a mesma, suas paredes continuavam contando histórias, mas agora o teto contava o universo.
Os anos passaram, os papas morreram, outros ocuparam o trono de São Pedro, Michelangelo envelheceu.
Então ele voltou. Diante dele estava a parede do altar. Mais uma vez, ele levantou os olhos, mas já não era o jovem que havia pintado a Criação.
Agora conhecia a guerra, a morte, a perda, a solidão e o peso dos anos.
E, diante daquela parede, não pintou o começo, mas, sim, o fim.
O Cristo do Juízo Final apareceu no centro da Capela como uma força que colocava o universo em movimento.
Os mortos se levantavam, os salvos subiam, os condenados caíam. Os santos mostravam os instrumentos de seus martírios.
E, em algum lugar daquela multidão de corpos, estava o próprio mestre, como se também perguntasse o que aconteceria com um homem depois que sua última obra estivesse terminada.
Então a Capela ficou completa.
Nas paredes, a história da humanidade antes e depois de Cristo; no teto, a Criação; no altar, o Juízo.
O começo, o caminho e o fim.
Talvez seja esse o grande segredo da Capela.
Ela não é apenas um lugar onde se encontram algumas das principais pinturas do mundo, ela é uma viagem.
Entramos por um lado da história e, pouco a pouco, somos levados para outro.
O homem nasce, recebe a liberdade, erra, sofre, espera.
E um dia, o homem se encontra diante do mistério final.
Ele pintou Deus dando vida a Adão.
Depois, muitos anos mais tarde, pintou Cristo julgando os filhos de Adão.
Entre o dedo de Deus e os olhos de Cristo, estava toda a história da humanidade.
E a Capela, silenciosa, permaneceu ali, guardando para sempre o universo que os homens haviam pintado em suas paredes.
Entrei na Capela Sistina, mas saí atravessando a história da humanidade!
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