Encontro misterioso
Alberto Landi
A nave da Catedral de Chartres era ampla e alta; colunas robustas sustentavam os arcos que pareciam subir até o céu.
A luz colorida dos vitrais atravessava o espaço e pintava o chão de vermelho, azul e dourado.
No centro, o labirinto se espalhava pelas pedras como um caminho misterioso, convidando os visitantes a seguir suas curvas.
Pierre chegou a Chartres numa tarde fria e chuvosa, carregando apenas uma maleta e uma bengala de madeira escura. Caminhava devagar pelas ruas bem antigas, como se cada pedra conhecesse um segredo que ele ainda não estava pronto para ouvir.
Havia trinta anos que não retornava à cidade.
Na juventude, ele trabalhava como aprendiz de restaurador de afrescos e esculturas na catedral de Chartres.
Foi nesse local que conheceu Jade, uma moça que vendia flores próximas da entrada norte da catedral.
Eles se apaixonaram e planejavam casar, mas Pierre teve receio. Numa noite chuvosa, desapareceu sem se despedir de Jade.
Agora, com certa idade, ele retornava para devolver uma coisa que guardara durante toda a vida: um pequeno medalhão azul que ela havia perdido no interior da catedral.
Ele entrou pelo portal principal; a luz colorida dos vitrais caiu sobre sua face, e ele sentiu o peso dos anos. Caminhou até o labirinto desenhado no chão, onde os peregrinos costumavam andar em silêncio.
Foi então que ouviu uma voz.
— Você demorou!
Ele se virou; Jade estava ali, exatamente como ele se lembrava, com os cabelos presos e um ramo de flores nas mãos.
— Jade, que surpresa! Continua bela e viva!
Ela sorriu, mas seus olhos pareciam pertencer a outro tempo. Para alguns, o tempo passa; para outros, ele apenas espera.
Ele apertou o medalhão, dizendo:
— Vim devolver isto.
— Não é o medalhão que você precisa devolver. É a verdade!
As portas da catedral se fecharam atrás dele, o vento desapareceu, e até os sinos ficaram mudos.
Ela apontou para um beco estreito entre duas colunas.
Ele nunca havia percebido aquela passagem; com dificuldade, apoiou-se na bengala e entrou.
No fim do beco havia uma pequena sala iluminada por uma única vela e, sobre a mesa, encontrava-se uma carta amarelada pelo tempo, cuja letra ele reconheceu. Abriu o envelope com mãos trêmulas.
“Pierre, esperei por você naquela noite. Depois descobri que você partira porque acreditava que não o amava o suficiente para casarmos. Meus pais ficaram indignados com sua atitude, quiseram até ameaçá-lo, mas pedi que o deixassem ir. Todos acreditaram que você me abandonou.”
Ele sentiu as pernas fraquejarem.
— Por que nunca me contou?
Ela apareceu atrás dele, dizendo:
— Porque você nunca voltou para perguntar e nem sequer uma carta ao longo de todos esses anos.
Lágrimas escorreram pelo rosto de Pierre.
Durante décadas, ele havia carregado a culpa como quem leva uma pedra sobre os ombros. Agora percebia que sua vida inteira fora construída sobre um grande mal-entendido.
— Sinto muito — sussurrou.
Ela tocou o medalhão, dizendo:
— Então devolva-o ao lugar onde tudo começou.
Eles voltaram ao labirinto, colocaram o medalhão sobre uma pequena marca no centro do desenho e cerrou os olhos. No mesmo instante, os vitrais se iluminaram novamente.
Os sinos tocaram.
Quando ele tornou a abri-los, estava sozinho; ela havia desaparecido, deixando no chão apenas uma flor branca.
Na manhã seguinte, os frequentadores o encontraram no interior da catedral, sentado próximo ao beco, com a bengala ao lado e um sorriso nervoso na face.
Finalmente havia encontrado o caminho para sair daquele lugar.
E, pela primeira vez em trinta anos, sentiu que poderia seguir em frente.
Depois daquela noite, Jade nunca mais apareceu como fantasma. Ela havia permanecido ligada à catedral porque esperava que um dia ele voltasse para descobrir a verdade e devolver o medalhão.
Ao amanhecer, os primeiros raios de sol atravessaram os vitrais e iluminaram o medalhão no centro do labirinto. Ele sorriu, pois sabia que “ela finalmente estava em paz”
Dizem que, desde então, uma flor branca surge todos os anos no centro do labirinto, sempre no mesmo dia. Ele acreditava que era ela se despedindo.
E, quando o sino da catedral tocava ao entardecer, ele sabia que, em algum lugar além do tempo, ela finalmente estava em paz!
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