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quinta-feira, 1 de junho de 2017

“QUEM DUVIDA?” - Rejane Martins

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“QUEM DUVIDA?”
Rejane Martins

Solveig um sueco audacioso, adorava explorar novos lugares, viagens para ele eram mais que frequentar lugares turísticos, onde os badulaques e passeios vendidos a preços exorbitantes eram rotina. Procurava por hospedarias adaptadas em casas de habitantes que representavam o verdadeiro folclore do lugar.

Ainda na área do aeroporto de Recife, procurava uma daquelas banca de jornal metida a besta, aquela que todo aeroporto tem, comprou um guia que o subsidiasse na escolha da cidadezinha mais atraente.

Passou os olhos pelas folhas, e dentro das condições analisou as possibilidades. Um local na Paraíba chamou a atenção, a bucólica Tuparitama. Contratou ali mesmo uma corrida de taxi e sem perder tempo seguiu viagem.

Assim que chegou foi orientado a procurar a casa do Seu Manezinho e Dona Quitéria. Era uníssono os elogios com a limpeza, e as iguarias servidas eram de lamber os beiços.

À noite, refastelado na rede armada na varanda, ouvia atentamente Dona Quitéria adverti-lo não se aventurar pela mata depois que escurecesse. Sob o luar ela tinha dono, um animal fogoso que a considerava propriedade exclusiva, ficava irado com invasões. Perdia literalmente a cabeça, inicia-se a combustão pelos olhos que rapidamente se alastrava, tomando todo o crânio.

Seu Manezinho, apressou-se em completar a informação de que até então, ninguém sobreviveu a visão para contar como o evento se desenrolava realmente.

O jovem hóspede europeu, com real interesse na história prometeu a si mesmo que no dia seguinte começaria a investigação fantasiosa. Por hoje ele dispensava, estava muito cansado da longa viagem, ele era merecedor de uma boa-noite de sono, precisava repor as energias antes de se aventurar por aí.

Assim ao cair da segunda noite, saiu nas pontas dos pés, a justificativa polida era para não incomodar o casal. A extraoficial era o temor que os velhinhos o tentassem dissuadi-lo da saída. Começou a trilha, iluminava o terreno com uma potente lanterna antes de pisar, tomou o cuidado de marcar o caminho de volta, sentiu-se o verdadeiro protagonista da história dos irmãos Grimm.

Depois de algum tempo, muito cansado mais por causa do calor e da umidade do que pelo esforço físico, decidiu retornar e ter o repouso dos justos, sem ter ideia de que a decisão foi tomada aquele era o momento exato. Mais um passo despencaria em um abismo bem a frente, desequilibrou-se e por sorte só deixou cair a lanterna antes de firmar os pés em terra firme.

Sem muita visão foi tateando o caminho de volta, na esperança de encontrar os marcos deixados na ida. Logo sentiu uma fungada quente no pescoço, arrepiou-se inteiro. Virou-se cuidadosamente e avistou um belo alazão, iniciando o processo de queima pelos olhos que logo se completou.


Calmamente o animal passou pelo turista curioso, e com o movimento do rabo, deixou claro que ele deveria segurá-lo firme. O animal iluminando o caminho, conduziu Soveig até a hospedaria são e salvo.     

TRAIÇÃO SOFRIDA - Do Carmo

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TRAIÇÃO SOFRIDA
Do Carmo



Rebeca, estudante universitária, por conta de sua personalidade descontraída e muito inteligente, despertou inveja em uma das colegas de classe, não aceitava sua popularidade. Sem nenhum escrúpulo, Wilma difamou-a perante os colegas e tentou roubar-lhe o namorado.

A decepção e mágoa de Rebeca foram imensas, pois tinha em Wilma uma verdadeira amiga.

Triste e inconformada com a situação, esquivava-se do convívio dos colegas, até que uma das meninas, Maria Vitória, perguntou o que estava acontecendo, pois, a tristeza estampada em seu rosto sempre alegre, não era uma característica seu temperamento.

Em lágrimas Rebeca conta que tinha sofrido uma difamação por parte da Wilma e que até seu namorado ela tentou roubar.

— Ora, bobinha, você não percebeu que ninguém tomou conhecimento do que foi espalhado, mesmo os colegas que pouco se relacionavam com você, creram. É por esse motivo que todos os seus reais amigos e admiradores, oferecem um jantar para você e seu namorado, na próxima sexta feira, sendo o convite feito em classe, em alto e bom som.


Vamos esperar que essa nossa atitude faça com que abra a consciência e o coração da invejosa, traidora e má colega.

Sonho Dourado - Rejane Martins


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Sonho Dourado
Rejane Martins

Karina, jovem pernambucana de origem humilde, sonhava em conquistar uma vida mais glamorosa, com muito luxo e como não podia faltar um amor incondicional que a acalentasse todos os segundos de sua existência.

Domingo ensolarado, acorda cedo para não perder nem um minuto do único prazer que a sua condição lhe oferece. Prepara-se rapidamente e ruma para a praia da Boa Viagem.

Para não contradizer a mesmice do local, foi necessário garimpar um espaçozinho na areia. Acomodou-se e só então se permitiu olhar para os lados e avaliar as possibilidades disponíveis no dia.

Na primeira varredura, detectou à sua esquerda, isto é algo premonitório o mesmo lado do coração, um deus grego imponente e majestoso.

Daniel lia um enorme livro em francês, envergonhada confessou para si mesma que o artefato cultural a impressionou mais que o próprio leitor.

Conversa vai, conversa vem, decidiram marcar o primeiro encontro para aquela mesma noite. Muitos outros se sucederam até o momento crucial se tornar cruel. Chegara o momento de Dany retornar ao Canadá, em meio a um turbilhão de sofrimentos surgiu a proposta de casamento e a possibilidade de fixar residência em um país de primeiro mundo. Sem muito pensar e banhada em lágrimas aceitou. Os trâmites foram apressados e a lua-de-mel seria a ida para sua nova casa.

Assim que o avião pousou em Montreal, Karina se sentia a protagonista de um sonho, tudo era deslumbrante, se inebriava com a paisagem, com ar, com a nova condição de princesa que acabava de conquistar.

Em casa a mãe de Dany os esperava com uma refeição recém elaborada. Porém o cansaço da viagem, as fortes emoções vividas obrigaram Karina a se recolher. Amy apressou-se em mostrar o porão da casa devidamente arrumado para ela.

A decepção estampou-se no rosto da jovem que logo procurou pelos olhos do amado suplicando proteção. O marido sentindo-se requisitado, logo esclarece ser um costume local e que o porão é um cômodo tão bom quanto qualquer outro da casa.

Muito contrariada mas também cansada demais para discutir, desceu as escadas e se acomodou junto com Daniel na alcova. Abraçam-se com ternura e logo adormecem.

Durante a madrugada Karina acorda subitamente e nota que está sozinha, tateando pelo espaço escuro procura pela porta, ao encontra-la constata que a está trancada. Bate por diversas vezes, vasculha o carpete da escada com a esperança de achar a chave que a libertará, mas tudo em vão.

Passa o resto da noite acordada, analisando todos os acontecimentos, o medo e a dúvida começam a tomar conta da mente. Como procurar a embaixada brasileira, não sabe se comunicar naquele idioma e nem tem dinheiro sequer para pegar um ônibus. O que esperar dos donos da casa? Mesmo envolta em pensamentos confusos e tumultuados, identifica o destrancar da porta, e um salto sobe rapidamente as escadas disposta a iniciar a sua primeira briga séria com o marido, mas assim que chega na sala percebe que Daniel já havia saído para o trabalho, só encontra a sogra que sem perda de tempo mostra-lhe a louça acumulada na cozinha e que deve ser limpa o quanto antes.


E foi assim que Karina conheceu o Canadá, um quadro pintado na janela da cozinha do homem idealizado como um sonho, iluminado pelo sol tropical.    

UMA VIZINHA SALVADORA - Do Carmo


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UMA VIZINHA SALVADORA
Do Carmo


Na varanda de um décimo andar, uma moça vê um belo rapaz tentando pular.

Apressadamente a vizinha comunica ao zelador e ambos entram no apartamento dele, e ela consegue, com muito carinho e meiguice, fazê-lo contar o motivo daquele ato insano e descer do parapeito.

Entre lágrimas abraçam-se enquanto ele desabafa e confessa estar arrependido e sentindo remorso da tentativa do um ato horrendo.


Tornaram-se bons amigos, confidentes e íntimos, propiciando uma passagem de amizade para um sincero amor.

“O SAPO E O ESCORPIÃO” - Rejane Martins


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O SAPO E O ESCORPIÃO
Rejane Martins

Era uma vez um sapinho que encontrou um bicho bem curioso, quase transparente. As duas pinças, logo definidas como patas, em conjunto com a parte frontal pareciam descansar no solo. Delimitavam um círculo quase perfeito, a primeira dedução do jovem sapo foi que ele era o guardião de uma suculenta jabuticaba, e que ainda não tinha se apercebido do roubo. Mas o que mais o intrigava no animal exótico, era a cauda que insistia ficar em riste com um intrigante badulaque na ponta.

- Olá! O que você está fazendo aqui na beira do rio?

- É que eu perdi o sono e não quis acordar meus pais, então resolvi conhecer os arredores.

- Eu sou um sapo e me chamo Krog. E você?

- Ah! Você é um sapo. Eu sou um escorpião, e meu nome é Portion. Você gostaria de brincar comigo?

- Claro, vamos lá. Quer apreender a pular, assim você chegará mais rápido aos lugares, olha só.

- Agora é minha vez, vou lhe ensinar as técnicas de karatê. Mas você precisa ficar um pouco distante. É que eu não tenho muita noção do tamanho de minha cauda e acabo machucando os outros sem querer.

Brincaram o dia todo, até ficaram com fome, cada um rumou para as suas casas, prometendo se encontrar no dia seguinte.

Em casa, desajeitado ensaiava os passos da luta, para mostrar a sua mãe o que havia aprendido.

- Quem ensinou isso a você? Perguntou Dona Sapiona.

- O meu novo amigo, o escorpião.

- Você não sabe que nesta família não tem bons elementos? Eles carregam consigo um potente veneno. Você está proibido de brincar com ele de novo. E pare com esta dança ridícula, não fica bem em você.

Já no outro lar, antes de saírem a procura de alimentos, o filhote queria mostrar para os pais a nova técnica de se movimentar mais rapidamente.

- Com quem você aprendeu isto? Indagou a Sra. Caudalosa.

- O sapo do rio, hoje tornamo-nos amigos.

- Que besteira! Você não sabe que nós nunca nos relacionamos com este tipo de família, espero não viver o bastante para ver vocês juntos. E pare de pular.

No dia seguinte cada filhote ficou no seu canto, se entreolhando e sentindo saudades da alegria da véspera. Ambos sabiam que carregariam para sempre a lembrança do único dia em que foram amigos.

Muitos anos se passaram, o então adulto Portion aproximou-se de Krog que estava na beira de um rio e lhe fez um pedido:

- Colega, você poderia me carregar até a outra margem do rio, em nome de nossa velha amizade?

- Só se eu fosse louco!

- Isso é ridículo! Nos conhecemos desde a infância. Além disso se eu o picasse, ambos afundaríamos e eu não sei nadar.

Confiando nesta lógica, o sapo concordou e permitiu que o peçonhento subisse nas costas, iniciando a travessia.

No meio do rio, o escorpião cravou o ferrão no sapo. Paralisando-o quase que de imediato. Reunindo as últimas energias disponíveis, perguntou:

- Por que você fez isto? Agora nós dois iremos morrer!

E o escorpião respondeu:

- Por que sou um escorpião, e me ensinaram a seguir a “minha natureza”.

Conflito de sentimentos - Henrique Schnaider


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Conflito de sentimentos
Henrique Schnaider

Moacir nasceu em uma família em família tradicional na cidade de São Paulo, católicos praticantes e ativos na vida comunitária da Igreja que frequentavam.

Sua infância, pode ser considerada feliz junto com seus três irmãos, brincadeira na rua de terra junto com os amigos e a ida às missas e atividades na Igreja.

Como era um menino inteligente e estudioso, Moacir não teve dificuldades nos estudos, e rapidamente concluiu os estudos preliminares. Fez cursinho de preparação para os estudos de Engenharia.

Eis que Moacir sente um frio na espinha e um abalo no coração, quando observou Barbara, uma menina linda de corpo perfeito, muito bem-comportada, diferente das outras jovens. Vestia-se com jovial elegância inteligente e se destacava facilmente nos estudos em relação as outras jovens.

O rapaz ficou encantado e não conseguia mais tirar os olhos daquele encanto de garota. Percebeu que ela notou aquele olhar insistente, mas dava todos os sinais de quem estava gostando da situação. Moacir não resistiu. Esperou Barbara ao final da aula e puxou conversa, perguntado sobre a prova matemática que tinham acabado de fazer, e conversa vai conversa vem, acabaram por marcar um encontro num barzinho não muito longe dali para aquela noite.

Ele preparou-se em casa, vestiu a sua melhor roupa, usou seu melhor perfume e foi para o encontro com o coração batendo forte, pensando quando poderia seu primeiro beijo em Barbara. Só de pensar nisso se derretia todo.

Encontraram-se, e a noite foi maravilhosa, melhor até do que Moacir havia imaginado em seus devaneios. Beijaram-se muito e a situação ficou quente.

O namoro foi de vento em popa e rapidamente, ficaram noivos e marcaram casamento para muito breve. Dali a dois meses para alegria de ambas as famílias.

O casamento e a festa foi algo de sonho, Moacir e Barbara estavam felizes e conseguiam passar este sentimento para as pessoas presentes.

Partiram para a lua de mel tão esperada,  em uma ilha tropical, ambos apaixonadíssimos, achando que a relação era o inicio de uma feliz que duraria para sempre.

Voltaram para São Paulo e começaram a vida em comum, num lindo apartamento e o casal de pombinhos estavam que era pura felicidade.

Iniciaram na vida profissional e não tinham problemas financeiros. Assim foram vivendo nesta vida feliz por dois anos e resolveram ter uma criança no lar para que sua felicidade fosse completa.

No começo tudo parecia perfeito.  Mas, tentavam de tudo para que Barbara engravidasse, sem sucesso.  Procuraram o médico que recomendou que procurassem um especialista de fertilização artificial.

Os fracassos se sucediam e nada de Barbara engravidar, e ainda para complicar mais as coisas, descobriram que a jovem estava com diabetes de alto grau devido a grande ansiedade e tristeza causando problemas emocionais.

Barbara necessitava de altas doses de insulina e Moacir começou a ter um sentimento duplo de amor e ódio já que inconscientemente, culpava a jovem por aquela situação e não a perdoava. Este sentimento de ódio ficou tão grande que matou o amor de Moacir por Barbara.

O marido começa a ter ideias malucas sobre se livrar da esposa, já que não podia ter um filho.

Engendrou um plano tenebroso, e começou a mudar a dosagem da insulina que Barbara consumia. Aos poucos ela começou a sentir os efeitos da barbaridade que Moacir estava cometendo, até que um dia Barbara acabou falecendo.

A policia desconfiou que alguma coisa estava errada e no exame pericial descobriram que ela tinha estava tomando alta dosagem de insulina e começaram a apertar Moacir que acabou confessando o crime.


Moacir foi julgado e condenado a trinta anos de prisão, estava cumprindo pena de prisão na Penitenciaria de Tremembé, mas aguentou nem ele mesmo conviver com seu erro, acabou pondo fim a própria vida.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Qual o bem maior? - Ana Catarina SantAnna Maues

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Qual o bem maior?
Ana Catarina SantAnna Maues

       Helena fazia mestrado em  Antropologia. Quando  debruçava-se nas pesquisas não  percebia as horas passarem.  Já muito havia lido sobre estranhas civilizações com hábitos curiosos, mas a leitura que agora fazia da comunidade  Kuruguá,  chamou-lhe  atenção,  devido eles considerarem a fertilidade como bem maior,  valorizando-a de forma  rígida. Antigos nômades que eram, caminhavam procurando  terras para coleta, caça, pesca,  e a proliferação dos membros da comunidade.  Quando encontravam uma bela planície fixavam-se, aspirando que fossem férteis. As mulheres tinham como única função a reprodução, e assim como a terra, caso  não produzissem, eram exterminadas. Elas necessariamente tinham que mostrar seu rebento dentro de um ano após o acasalamento com os machos reprodutores.  Mulheres e terra deveriam ser fartas. O ritual de aniquilamento,  era semelhante, realizado minutos antes da comunidade partir em busca de um novo lugar para fixarem-se.  Eles reuniam-se  e jogavam em toda aquela terra uma substância avermelhada, a mesma que as mulheres inférteis deveriam  beber, estando amarradas ao tronco de uma árvore sem fruto. Depois de alguns instantes, iniciava um calor abrasador por todo o local umedecido com o tal líquido, e tudo começava a queimar. Da terra incandescente apareciam labaredas. Os corpos das mulheres  iniciavam a queima  de dentro para fora, seus gritos podiam ser ouvidos a distancia.  Mulheres e terra ardiam e consumiam-se num fogo reparador, assim pensavam.


Homens, mulheres e as crianças, deixavam o local sem olhar para trás. Quando encontravam água banhavam-se, julgando estarem libertando-se de toda infertilidade do antigo lugar.  Bem longe dali iriam por certo encontrar outra planície para assentar.

O furação - Henrique Schnaider

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O furação
Henrique Schnaider

Era o final das férias de Ana, benefício pelo qual lutara tanto nos últimos anos, mas que pelo excesso de trabalho, tantas vezes fora adiado.

Ainda lhe restariam alguns dias diante daquela beleza natural. De um lado a mata virgem provendo o espaço de ar puro e muitos pássaros, de outro, o mar que lhe oferecia oportunidade de manter os pés na areia, e aquele horizonte sem fim onde se encontram céu e mar.

A antiga casa dos pais, nessa praia quase deserta com grande extensão de orla para caminhar pelas manhãs, tem sido seu refúgio sempre que consegue folga.

A jovem Ana estava sozinha na praia quando soube que se aproximava um furacão.

Ana sentiu certo pavor e por alguns momentos manteve-se estática, sem reação. Depois, os pensamentos já se embolavam na mente e a situação já era de verdadeiro desespero  e aflição...

Ana lembrava-se de quantas vezes, esteve naquela casa, junto com seus pais e irmãos, desde os seus cinco anos de idade, ela passava suas férias de verão e ainda tão jovem, conheceu Paulo, amigo de seu irmão e com o passar do tempo acabaram se apaixonando e namorando.

Como são todos os jovens, pouco precavidos, Ana acabou engravidando, mas ambas as famílias foram compreensivas e curtiram muito a gravidez e finalmente nasceu Aníbal, criança linda, que deu muita alegria a todos.

Os jovens Ana e Álvaro casaram-se e acabaram formando uma família linda.

Ela acabou se formando engenheira,  e Álvaro formou-se em Medicina. Ambos  alcançaram sucesso  nas profissões e conseguiram ficar bem financeiramente .

Na segunda gravidez foi uma felicidade geral e ela conseguiu uma licença maior, e foi curtir a sua maternidade na velha casa de pais na praia, o marido descia para encontra-la nos finais de semana.

Passados alguns dias o noticiário da televisão comunicou  que se aproximava um furacão naquela região. Subitamente, houve queda de energia e o sinal telefônico foi a zero, interrompendo todas as possibilidades de comunicação. A jovem engenheira passou rapidamente os olhos pelas colunas da velha construção,  tentava avaliar se a sua casa antiga resistiria à fúria dos elementos.

Lembrou-se do porão, lugar de esconderijo das crianças nas férias. Resolveu se esconder lá, pois lhe parecia mais seguro naquele momento E lá naquele subsolo escuro e abafado manteve-se trêmula aguardando a passagem da tempestade.

A hora não passava.  Tateava na escuridão a estrutura, e a casa muito bem construída, resistia bravamente.  Os pensamentos iam e vinham os dois filhos, o casamento tão bem afinado, a carreira de engenharia tão desafiadora, a infância que agora brotava no breu do porão com irmãos e primos se escondendo ou brincando com as ferramentas e redes do pai. Muitos planos ainda por realizar, e outros tantos que lhe brotavam.


Lá fora os ruídos iam aos poucos reduzindo. Sentiu que o tremor da construção estancou. Finalmente o furacão, transformou-se em apenas uma tempestade tropical. Ela subiu vagarosamente a pequena escada de madeira e viu-se no quintal arrasado  pela ventania. A pequena jaqueira resistiu firme guardando seus segredos de menina. Ela sorriu aliviada. Tratou de correr ao telefone e conseguiu comunicar-se com o marido. Naquele momento sentiu  que ainda teria um futuro brilhante pela frente.

Vida de Rei - Henrique Schnaider

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Vida de Rei
Henrique Schnaider

Desde filhotinho o leão Hercules aprendera que a vida era dura para ele, e através dos ensinamentos da  leoa Dinda, sua mãe aprendera a sobreviver juntamente com seus três irmãos .

Ele aprendeu a localizar, perseguir e finalmente abater  a presa. Mas, já na fase adulta ele teria que seguir seu caminho sozinho,  e exatamente foi o que fez, procurando uma fêmea para também formar um novo bando. Em sua procura persistente, finalmente encontrou uma bela leoa, Antígona e depois de muita insistência a leoa cedeu aos seus encantos e deu sequência à natureza e formando um novo bando com quatro filhotes do qual era o garboso chefe alfa.

Mas, esta posição na hierarquia  do seu grupo, exigia muitos esforços de sua parte, para defender seu território de possíveis rivais que constantemente o desafiavam, tentando tomar sua posição de chefe alfa.

Havia uma procura incessante por alimentos, obrigando-o a caçar de forma intensa. Hercules estava desesperado de fome e procurava algo para suprir seu bando. Andava no meio da selva africana quando finalmente abateu um gnu, só que o que ele mais temia aconteceu, e um bando enorme de hienas aproximou-se, famosas por sua ferocidade e apetite,  acabaram entrando numa luta feroz com o felino em uma disputa sobre a carcaça abatida do animal.

Finalmente Hercules, inferiorizado e levando nítida desvantagem, na luta quando já pressentia sua eminente derrota, resolve por instinto de sobrevivência, se afastar e bate em retirada, o garboso leão abandona o gnu abatido e resolve se embrenhar na mata para recomeçar a eterna procura de alimento para a sua família.


Conforme andava percebeu próximo, a sua fêmea e seus filhotes que o seguiam e neste momento sentiu sua responsabilidade, pois todas aquelas vidas dependiam da sua grande capacidade de conseguir alimento para que sobrevivessem.


O ego de rei da selva se elevou dentro dele, o peito inflou, e o instinto caçador se evidenciou em Hercules. Logo teriam com o que se alimentar.

A sogra - Ana Catarina SantAnna Maues


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A sogra
Ana Catarina SantAnna Maues

       Eles queriam casar, mas precisavam de uma ajudinha. A sogra de Laura dizia sempre que podiam contar com ela, mas a ajuda financeira não vinha nunca, e os preparativos não tinham início,  até que desistiram de esperar e com economia própria casaram.

      Na humilde casa alugada podia não ter nada, mas o clima de amor, companheirismo e união entre o casal era visível, o que despertava ódio mortal na mãe de Fábio, que arquitetou um plano para causar discórdia entre eles.  Passou a  ir todas as tardes, ter um dedinho de prosa com a nora. Nas visitas, as duas conversavam, tomavam chá, assistiam  tv, mas ela sempre  ia embora antes do filho chegar do trabalho.   Quando o marido chegava,  Laura dizia:

— Sua mãe esteve aqui!

E ele estranhava por não tê-lo esperado. Com o tempo, este  fato  o incomodou, e ele foi ter com a mãe, indagar sobre a conduta, que ela aproveitou e inventou diversas mentiras a respeito da nora,  dizendo que  visitava para demonstrar amizade, mas ela a deixava sozinha na sala; que as vezes chegava e  sabia que  estava em casa, mas não lhe abria a porta; noutras ela até entrava, mas a nora logo a enxotava dizendo estar ocupada. Ele acreditou na mãe e indignado, chegando em casa brigou com a esposa, que perplexa chorou muito, sofrendo sem entender porque que  havia inventado coisas tão terríveis. Laura foi criada em orfanato, por isto transferiu para a sogra o amor filial que guardava. Em profundo abatimento calou-se. Não abriu a boca em defesa própria. Em sua confusão mental  estaria agredindo a mãe biológica que não conheceu.

      No dia seguinte, a sogra foi à casa deles no horário de costume, e  mal a porta abriu, falou rispidamente:

— Você não vai roubar meu filho!

      Laura tímida, com autoimagem fragilizada, estava confusa diante daquela pessoa tão significativa, que de uma hora pra outra  mostrava-se  perversa, dissimulada,  e pior, com poder de fazê-la perder o único bem de toda sua vida, Fábio.

     — Se quer continuar casada, disse a sogra,  vai ter que fazer tudo o que eu mandar. Amanhã cedo você vai à minha casa, assim que meu filho sair pro trabalho,  limpa-la, depois cozinhar, lavar e passar minhas roupas, só depois vem cuidar da sua, se der tempo! E caiu na gargalhada.

          E assim passou a ser a rotina de Laura. À duras penas dava conta das duas casas, sem nada revelar ao marido. Essa situação a deixava exausta. Nos domingos não tinha  ânimo para nada, o marido reclamava de sua apatia, mas a amava tanto que logo arrependia-se de ter reclamado. Ela respondia com silêncio. E o domingo passava insípido e sem graça.


         Os dias  passavam e nada mudava. Laura cada vez mais fraca, muito pálida e abatida, começou a emagrecer e acabou doente. Até que um dia caiu na rua e foi hospitalizada. O  médico chamou os familiares e avisou  que ela estava no último estágio de leucemia. Fábio ficou louco com a notícia. Inconsolado abraçava a mãe no hospital e pedia que rezasse por Laura,  pois se morresse, ele também morreria. Infelizmente nada mais podia ser feito, Laura depois de alguns dias  morre e com a notícia, em ato desesperado, Fábio se suicida.

Quando o amor nos move - Henrique Schnaider


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Quando o amor nos move
Henrique Schnaider

John era um rapaz tranquilo que viveu a infância e adolescência nos subúrbios de Londres.

Tinha  todos os sonhos de um jovem de classe media londrino indo morar no centro da cidade.  Durante seus estudos,  como gostasse muito de jogar futebol, e por sinal jogasse muito bem, resolveu fazer uns testes no Clube mais famoso da cidade, o Manchester United.

O técnico viu naquele jovem brilhante, um futuro promissor e o convidou para fazer parte do time.

John teve uma carreira meteórica e em pouco tempo, era muito festejado pela torcida. Já era muito famoso quando conheceu Elaine. Tiveram um romance tórrido e decidiram morar juntos.

Tudo ia muito bem entre os dois, porém devido a sua fama, era muito assediado e acabou não resistindo aos encantos de Alice, mulher linda, dotada de um corpo escultural.

John levou por um tempo aquela situação dupla, até que um dia Elaine descobriu no celular a traição de John e terminou tudo com ele.

Ele a amava muito. E de repente lhe veio o sentimento de perda, e reconheceu que não foi inteligente de sua parte o envolvimento carnal com Alice. Estava arrependido,  doía-lhe a separação. Naquele dia saiu de casa sem rumo, sem nenhuma esperança de que Elaine reatasse com ele. Tudo agora parecia um nada, e John que tinha o corpo atlético e musculoso, agora parecia franzino e arqueado,  tinha a cabeça baixa e caminhava visivelmente perturbado.

O desespero levou-o ao Tâmisa, e depois à ponte. O fim daquela união parecia marcar também o seu próprio fim. E, parado ali na ponte, olhando para as águas que passavam afoitas, atirou-se na tentativa de morrer.

No momento em que tocou nas águas, para sua sorte, passava uma lancha no local, que o recolheu e o salvou.

O atleta famoso arrependeu-se do gesto tresloucado e voltou para a casa de Elaine dizendo-se arrependido e pedindo para voltar, implorando pelo seu perdão e ela muito emocionada, resolveu perdoa-lo e depois de um longo beijo, resolveram voltar a viver juntos.


Formaram uma família bonita, tiveram três filhos e John teve uma longa carreira. Hoje é técnico do time famoso,  onde dois de seus filhos já treinam nos times de base e têm tudo também para uma bela carreira no futebol.

Dupla personalidade - Henrique Schnaider


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Dupla personalidade
Henrique Schnaider

Antônio era um ator famoso de novelas e estudava seus personagens de forma profunda, assumindo-os de tal maneira, que isso começou a influenciar sua personalidade.

Ele era casado com Lilian e tinham cinco filhos lindos, mas vivia uma vida de sonhos.

Nesta ultima novela seu personagem Álvaro era um homem dominador, poderoso, que se apaixona por Bianca, representada pela atriz famosa Alice dos Santos, com muitos anos de carreira.

No enredo, Álvaro levou muito tempo para conquistar Bianca, filha de um rico fazendeiro, que fora criada como um bibelô por seus pais e acabou se tornando muito mimada e geniosa, e acaba não resistindo aos encantos de Álvaro que acabou por pedir a mão de Bianca em casamento, que aceitaram imediatamente. O namoro foi de vento em popa.

Fora do enredo, Antônio começou a sentir-se atraído por Alice, que por sua vez correspondeu ao interesse dele, e as cenas românticas da novela começaram a ficar quentes.

O caso começou a ficar sério, colocando em crise os respectivos casamentos. Com o correr dos dias, começaram os desentendimentos cada vez maiores entre Antônio e Alice.

Depois de muitas brigas o casal caiu na realidade e percebeu que na verdade quem estava apaixonado era Álvaro por Bianca e, respectivamente, ela por ele. Perceberam que  ambos os atores haviam assumido os personagens da novela em que eram os protagonistas trazendo-os para realidade, provocando toda aquela situação perigosa quase destruindo seus casamentos.

Voltaram às gravações, agora muito mais comedidos e levaram seus papeis numa boa, sem mais nenhuma confusão.

Finda a novela, ambos resolveram dar um tempo com as representações  e procuraram cada um o seu analista para ajudá-los com a confusão de sentimentos que as novelas provocavam neles.

Quanto aos seus casamentos, se solidificaram e melhoraram seus relacionamentos aparando as arestas, voltando a vida normal de felizes casais no melhor momento de suas vidas.


Encontro misterioso - Alberto Landi

  Encontro misterioso Alberto Landi A nave da Catedral de Chartres era ampla e alta; colunas robustas sustentavam os arcos que pareciam subi...