Material de aprendizado: Parábola
A GRANDE JORNADA - CONTO COLETIVO 2023
VINGANÇA A QUALQUER CUSTO
AINDA HÁ TEMPO PARA AMAR - CONTO COLETIVO 2011
FIGURAS DE LINGUAGEM
DISPOSITIVOS LITERÁRIOS
FERRAMENTAS LITERÁRIAS
MATERIAL DAS AULAS
BIBLIOTECA - LIVROS EM PDF
terça-feira, 7 de abril de 2015
sábado, 14 de fevereiro de 2015
CONCURSOS LITERÁRIOS 2015 - PARTICIPEM !
PREMIO SESC DE LITERATURA 2015
Até 1 de março 2015
Aos autores iniciantes, que ainda não tiveram chance de mostrar ao público suas ideias e sua criação, este é o caminho. As inscrições para o Prêmio Sesc de Literatura são gratuitas e aceitas em todo o Brasil. Basta preencher o formulário disponível neste link. Cada concorrente poderá participar com apenas uma obra por categoria (Contos ou Romance). O livro deve ser inédito, não valem os já publicados, mesmo que apenas na internet. O vencedor terá seu livro publicado e distribuído pela editora Record. Participe! Esta pode ser a chance de sua obra chegar às principais livrarias do país.
Veja o Edital: http://www.sesc.com.br/premiosesc/docs/edital2015.pdf
____________
Veja abaixo outros Concursos para os quais você poderia enviar seus textos:
___________
REGULAMENTO DO CONCURSO CULTURAL INSTITUTO ANN SULLIVAN E VOCÊ
Até 1 de março 2015
Aos autores iniciantes, que ainda não tiveram chance de mostrar ao público suas ideias e sua criação, este é o caminho. As inscrições para o Prêmio Sesc de Literatura são gratuitas e aceitas em todo o Brasil. Basta preencher o formulário disponível neste link. Cada concorrente poderá participar com apenas uma obra por categoria (Contos ou Romance). O livro deve ser inédito, não valem os já publicados, mesmo que apenas na internet. O vencedor terá seu livro publicado e distribuído pela editora Record. Participe! Esta pode ser a chance de sua obra chegar às principais livrarias do país.
Veja o Edital: http://www.sesc.com.br/premiosesc/docs/edital2015.pdf
____________
Veja abaixo outros Concursos para os quais você poderia enviar seus textos:
___________
REGULAMENTO DO CONCURSO CULTURAL INSTITUTO ANN SULLIVAN E VOCÊ
POR UM
MUNDO DE DIFERENÇAS
CONCURSO DE CONTOS NA CIDADE DE ARAÇATUBA / SP
CONCURSO PARA ROTEIRO - PORTUGAL
ATÉ 31 DE MARÇO 2015:
Prémio dedica-se exclusivamente à modalidade do
roteiro escrito, subordinado ao tema "Dê Lugar ao
Amor".
CONCURSO DE CONTOS NO ESPÍRITO SANTO
ATÉ 30 DE MARÇO DE 2015
CONCURSO DE POESIA -IDIOMA: ESPANHOL
ATÉ 28 DE FEVEREIRO DE 2015
IV Certamen Poético Internacional - Rima Jotabé 28/Fev
E MUITOS OUTROS CONCURSOS LITERÁRIOS PARA ESTE ANO DE 2015:
CONCURSO DE POESIA - INSCRIÇÕES ATÉ 30 DE MARÇO DE 2015
III CONCURSO DE POESIA “NARCISO ARAÚJO”
Organização: Academia Marataizense de Letras.
Inscrições: de 12 de novembro de 2014 a 30 de março de 2015.
Premiação: Medalhas,certificados e participação na V Antologia Poemas da Pérola Capixaba.
Inscrições: de 12 de novembro de 2014 a 30 de março de 2015.
Premiação: Medalhas,certificados e participação na V Antologia Poemas da Pérola Capixaba.
REGULAMENTO:
1. DA INSCRIÇÃO – As inscrições se iniciam em 12 de novembro de 2014 e se encerram, impreterivelmente, em 30 de março de 2015, valendo, para registro, a data da postagem nos Correios.
1.1. Podem participar do concurso todos os cidadãos brasileiros, maiores de dezoito anos, residentes em território nacional.
1.2. O tema do concurso é livre. Cada participante pode concorrer com apenas 01 (um) poema INÉDITO, escrito obrigatoriamente em Língua Portuguesa.
2. DO ENVIO (SISTEMA DE ENVELOPES) – O trabalho deve ser digitado em 01 (uma) só face da folha, em fonte ‘arial’ ou ‘times new roman’, tamanho 12; com o máximo de 02 (duas) páginas, numeradas no canto superior direito; constando apenas o título do poema, o pseudônimo do autor, e o poema concorrente.
2.1. O trabalho deverá ser remetido em 4 (quatro) vias, em envelope grande; o qual trará também, em seu interior, outro envelope menor, contendo sobrecarta fechada, com a identificação do candidato: título do poema; pseudônimo do autor; nome completo do autor; endereço completo; telefones com DDD; e-mail e breve biografia (no máximo, 5 linhas). Na parte externa do envelope menor, deverá constar apenas o título do poema e o pseudônimo do autor. Na parte externa do envelope maior deverá constar o seguinte endereço do ‘destinatário’:
ACADEMIA MARATAIZENSE DE LETRAS.
III CONCURSO DE POESIAS ‘NARCISO ARAÚJO’.
SISMAPKI-Sindicato dos Servidores Públicos de Marataízes
Rua Jacinto Romão da Silva, Nº 190.
Bairro Acapulco– Marataízes (ES) – CEP: 29.345-000.
III CONCURSO DE POESIAS ‘NARCISO ARAÚJO’.
SISMAPKI-Sindicato dos Servidores Públicos de Marataízes
Rua Jacinto Romão da Silva, Nº 190.
Bairro Acapulco– Marataízes (ES) – CEP: 29.345-000.
SAIBA MAIS:
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
O VALE PRESENTE -M.luiza de C.Malina
O VALE PRESENTE
M.luiza
de C.Malina
Lá
estava eu com o presente dos meus sonhos nas mãos.
Não
o abri, apertei-o bem junto de mim e corri para o meu quarto. “Minha mãe me deu
dinheiro e disse que eu poderia comprar o que eu quisesse. A festa continuava.
Eu fiquei escondidinho no meu quarto, sentado no chão pensando no que vou
comprar...
Vou
comprar uma passagem para a terra do He-Man. Vou conhecer a irmã dele, a
princesa She-Ra. Vou lutar e vencer, mostrar que também sou valente tanto
quanto ele e, ela vai se apaixonar por mim e vem morar no meu quarto. Ninguém
vai acreditar!
—
Felipe, Felipe, onde você está? Venha
jantar! - Chama a mãe. Felipe nada responde.
A
mãe abre a porta do quarto e vê que ele dorme sobre as almofadas no chão, com o
envelope sobre o peito.
Comovida
ela sussurra na tentativa de acordá-lo:
—
Felipe, querido, venha vamos jantar!
Felipe,
sonolento balbucia:
—
She-Ra, princesa do poder! Vamos fugir,
venha! Tenho um castelo de Grayskull em meu quarto. Bem grande! Cheio de brinquedos, eu deixo você brincar
com eles...
A
mãe percebe que ele está enlevado em seus sonhos. Descobre o primeiro amor de
Felipe. A mãe o beija na testa. Deixa-o junto a sua She-Ra.
Felipe
sorri, vira-se e continua a sonhar na certeza de seu beijo.
MEU PRESENTE PREDILETO! Dinah Ribeiro de Amorim
MEU
PRESENTE PREDILETO!
Dinah Ribeiro de
Amorim
Papai faleceu muito cedo, deixando sozinhos,
eu, mamãe e minha irmã, além de certas dificuldades financeiras. Como aprendera costura desde mocinha, mamãe começou a costurar para
fora, ganhando confiança e aumentando freguesia em pouco tempo. Fazia de tudo
um pouco. Seu sonho era ir aperfeiçoando material e máquinas para confecção.
Cada dinheirinho ganho, empregava-o em alguma coisa.
Não sobrava muito para nós, que namorávamos
brinquedos modernos e atraentes só nas vitrines. Nossos coleguinhas possuíam
quase todos, e aproveitávamos para usar os deles. Não era a mesma coisa, claro,
mas era o que tínhamos.
Sabíamos que seu sonho, agora, era comprar
uma máquina de overloque, adiantando muito seu trabalho, mas levaria certo
tempo para economizar o dinheiro. Torcíamos
muito para que isso acontecesse!
Qual não foi seu espanto quando soube por
Maneco, meu amigo predileto, que eu também tinha sonhos: comprar uma bicicleta
azul, igualzinha a do Francisquinho, nosso vizinho da casa ao lado. O menino
era chatinho e, quando estava de boa,
deixava-me dar uma volta.
Pegou suas pequenas economias e deu-me de
presente. A quantia exata para comprar uma bicicleta. Fiquei muito contente e
corri para a loja, mas, no caminho, havia outra loja: máquinas para costura e
confecção. Fiquei super indeciso e confuso: comprar para ela a máquina tão
desejada, ou a minha bicicleta tão sonhada!
Situação delicada,
envolvendo sentimento de filho, esforço de mãe... Fiquei mesmo sem saber o que
fazer!
Finalmente, o amor e
a dedicação de minha mãe venceram! Comprei sua tão necessária máquina!
Valeu a pena ver sua alegria e agradecimento
pela minha ação! Dera de coração e não esperava que eu fizesse isso. “Eu estava
sendo a recompensa da educação que me dera”. Abrir mão do que é meu para pensar
primeiro na necessidade do outro!
Com o tempo, nossas necessidades foram
diminuindo e o trabalho de mamãe rendendo mais frutos. Compreendi que fizera
mesmo uma boa ação em todos os sentidos, pois não demorou muito, ganhei de
aniversário a minha bicicleta azul.
Agora, somos dois, Francisquinho e eu,
apostando corridas pelo bairro!
A JOANINHA E A IGUANA - M.luiza de C.Malina
A JOANINHA E A IGUANA
M.luiza de
C.Malina
“Outro dia
escutei uma conversa do meu pai com a minha mãe. Eu não queria escutar, mas
eles pensaram que eu estava dormindo. Meu pai disse que...”
— Marta, por
favor, Paulo é muito diferente de Alice, isso não vai dar certo – sua voz era
calma e muito preocupada, e mamãe respondeu mais agitada:
— E daí, eles cresceram juntos, já se conhecem
muito bem.
Entendi tudo,
estavam falando do meu irmão mais velho. Desde pequeno, eu conheci Paulo numa
cadeira de rodas e andava de muletas. Para mim, ele era um super- herói dos
filmes da TV, ele é forte e muito bem humorado, vive rodeado de amigas da
faculdade.
Alice combina
com ele sim, é mais alta do que ele, uma ruiva de longos cabelos que lembra a
Rapunzel.
Mas, fiquei triste ao lembrar da
Iguana. Ela come os
insetos no aquário. Só um ela não come. É
a Joaninha toda enfeitada de vermelho e bolinhas pretas. Ela sobe na língua comprida e a Iguana a joga
na sua cabeça. Elas passeiam alegres e felizes pelo aquário. Acho que a
Joaninha faz “cosquinhas” nas suas costas.
Numa certa hora
ela voa. A Iguana a procura parada por toda a parte, vira a cabeça prá cá e prá
lá, fica parada até encontrá-la.
Um dia
pensei que era o fim. Que susto! Quase foi engolida. Mas que nada! A Iguana deixou que ela passeasse
pela língua e num vap-vup já estava nas costas e, os olhinhos da Iguana felizes
rebolavam igual ao seu rabo no aquário.
Elas são
diferentes, cada uma come o que precisa, vivem em seus ninhos diferentes, mas
estão sempre juntas e felizes.
Pedro e
Alice, amanhã vou contar isto para o papai.
Para a
Alice, vou falar para ela colocar uma roupa vermelha de bolinhas pretas. Vai
ficar mais bonita ainda e vai combinar com seus cabelos.
SAUDADE! - EDGARD RIBEIRO DE AMORIM
SAUDADE!
EDGARD RIBEIRO DE
AMORIM
Quando
findou
É
que surpreende
Como
o trivial
Foi
essencial.
Um
beijo de Mãe,
Uma
brincadeira,
Um
lar,
Um
Natal, uma amizade,
Uma
alegria escolar.
São
honrosos
Os
sucessos
Profissionais.
Porém,
os pequenos gestos,
Os
sorrisos, os carinhos,
À
memória
Parecem
valer mais!
-Edgard Amorim é irmão Dinah Ribeiro de Amorim-
PERDI O SONO - M.luiza de C.Malina

PERDI
O SONO
M.luiza de C.Malina
Uma noite eu não conseguia
dormir.
Girava e desvirava. Acabei levantando.
“Vou fazer como minha
irmã. Saio da cama e tiro o pijama. Desço a escada, abro a porta e já estou
fora de casa”- pensei
Lá fui eu! A rua estava meio escura. Fui até a esquina, como quando a gente
passeia com o Tutu, nosso cachorrinho. Não
passava nenhum carro na rua.
“Opa, onde estou?”
Achei melhor perguntar
para um homem de capa preta.
— Moço, o senhor sabe onde
eu moro? É que eu não sei.
— Ah! Menino, eu sei sim.
Vou te levar pra casa. O que você está fazendo aqui fora pelado?
— Eu acordei, tirei o
pijama e vim passear. A gente não passeia de pijama, não é?
— Sua mãe vai levar um
susto muito grande!
O vigia da rua olha as
horas. São 3:00 da manhã, mas precisa tocar a campainha.
A correria da campainha se
tornou um alvoroço maior com a surpresa do “malandrinho” correndo para os
braços da mãe, justificando muito feliz:
— Fui passear e o Tutu não
foi comigo!
— Dona! Olhe, o seu filho saiu para a rua a esta hora da madrugada, e saiu assim, pelado! Eu estava quase
cochilando na guarita quando senti uma coisinha se mexendo no outro lado da
calçada, pensei que estava sonhando. Firmei bem os olhos e vi que era seu
filho, saí correndo e o trouxe. Agora, se ele virasse a esquina, nunca mais a
gente iria encontrá-lo!
— Fui passear mamãe, e o Tutu
não foi comigo! - repeti.
Tudo em ordem. O guarda
aconselha:
—Dona, sua casa
precisa de muro e portão. Vai que eu
durmo numa noite destas!
À PROCURA DO NOSSO CRAQUE! - Dinah Ribeiro de Amorim
À
PROCURA DO NOSSO CRAQUE!
Dinah Ribeiro de
Amorim
Estudo em uma escola estadual conhecida por
ter o melhor time de futebol da região. Estamos ficando famosos, o que nos
orgulha e envaidece, embora tenhamos relaxado um pouco nos estudos. Às vezes,
levamos umas broncas dos professores e de nossos pais, mas, quando o time
“Campeões” entra em ação, todos se esquecem e torcem com a gente.
Somos mesmo fortes, sendo o nosso goleiro
Gustavo, o melhor jogador de todos, nunca perdendo uma bola! Já o elegemos
nosso capitão! Verdadeiro representante. Segundo os treinadores mais velhos,
promete muito...
Treinamos às sextas e sábados, quando não há
partidas. Estranhamos que nos últimos treinos, Gustavo não apareceu. Foi
difícil substituí-lo e logo pensamos em viagem ou doença. Não costuma faltar.
Na semana seguinte, tive uma forte dor de
dente, fazendo com que mamãe, preocupada, levasse-me até o dentista. Enquanto
esperava minha hora, folheei algumas revistas, principalmente de esportes, mas,
outra, logo chamou atenção: menino desaparecido de casa há uma semana, chamado
Gustavo. Fiquei super impressionado quando deparei com sua foto sorridente e
amiga, numa manchete daquelas! Esqueci-me da dor de dente e quis sair
imediatamente, ouvindo zanga de mamãe: “Está louco, filho! Já está chegando sua
vez. Pode até dar uma infecção sem tratamento!” Não queria ouvir, só pensava no
meu amigo, desaparecido; por isso, não tinha ido aos treinos.
Fui correndo para a escola, reunir a turma.
Tínhamos que fazer alguma coisa! Ver com a família quais foram seus últimos
passos, se avisaram a polícia, que providências já tinham sido tomadas...
Na sua casa, disseram que sua última saída
fora numa sexta-feira, cedo, para ir ao ginásio, treinar. Não foi, não voltou,
nem sabiam mais de nada.
Conhecíamos times de outras escolas de olho
em nós, com inveja de nossas vitórias, mas sempre achamos que não
chegariam a tanto. O espírito esportivo
havia no meio estudantil. Pelo menos, achávamos!
Pergunta daqui, escuta de lá, fizemos grande
interrogatório em todo o bairro. Se a polícia estava agindo, nós também
ajudaríamos. Ficamos sabendo de um tal Tonhão, meio perigoso, que costumava
fazer apostas durante as partidas de futebol dentro dos colégios. Era o seu ganha-pão! Não foi muito fácil encontrá-lo!
Ele escorregava dos lugares como bolas de sabão. Sumia no ar. Finalmente,
encontramo-nos com ele num boteco afastado, namorando uma menina, e, após muita
insistência e ameaças, concordou em falar conosco. Primeiro respondeu que nem
sabia quem era Gustavo. Demos uma prensa, e ele disse que tinha um outro time,
“Os Enquadrados”, de outra escola, que andava comentando que ele deveria ser
afastado. Era bom demais e atrapalhava os outros times, que sempre acabavam
derrotados. Isso não os estava agradando!
Sem comentar muito, chegamos ao local que “Os
Enquadrados” se reuniam para treino. Local bem afastado, preparando-se para uma
partida de final de ano, importante. Ficamos sentados, assistindo ao treino,
fingindo nem sermos jogadores de futebol. Nosso colega “Figura”, assim chamado
por acabar observando tudo, sem que notássemos, descobriu um galpão, no fundo
do terreno, bastante fechado. Achou que deveríamos dar uma olhada lá, meio
disfarçados, pois poderia chamar a atenção e deveria ser local onde guardavam seus
uniformes, bolas, etc... Figura foi andando, sozinho, à frente, no auge do
treino, enquanto todos torciam. Reparou que tinha uma porta fortemente
trancada, com uma pequena janela, meio escondida, mas semiaberta.
Espiou através dela e quase não viu nada.
Desconfiado, chamou por Gustavo e ouviu um barulho lá dentro. Chamou de novo e
o barulho repetiu. Cauteloso, voltou para o resto da turma e disse que havia
alguém preso lá. Fomos todos para lá e tentamos arrombar a porta. Figura,
sabendo que os inimigos eram perigosos, chamou antes, a polícia. Fizemos tamanho
barulho que o time parou de jogar e avançou em cima da gente. Foi um rolo de
meninos se debatendo, esmurrando, empurrando pra valer, mas “Os campeões”
venceram mais uma vez. Achamos Gustavo preso a uma cadeira, quase desfalecido,
com a boca fechada por um pano.
Pegamos o amigo, com cuidado, enquanto os
sequestradores maldosos fugiam cada um para seu lado. A polícia chegou e
pegou-os em flagrante. Não escapou nenhum!
Gustavo, feliz por ter sido encontrado,
abraçou seus amigos e voltou para casa, recuperando-se logo do trauma e
voltando ao seu time do coração. Resolvemos todos andar sempre juntos, para
maior proteção.
Quanto aos Enquadrados por serem menores de
idade e primários, iriam responder em liberdade, mas, proibidos de jogarem por
muito tempo, e sob observação da polícia.
Foi um choque para o colégio de ambos os
times, que não esperavam que a violência estivesse assim tão alastrada no meio
estudantil. Resolveram trabalhar mais nesse sentido.
Resistir essa saudade - Jorge da Paixão
Resistir essa
saudade
Jorge da Paixão
Quem gosta de fazer trovas,
se considere poeta....
que a rima é uma prova,
que a poesia está certa...
A vida é uma canção,
para quem sabe amar...
E expulsar a solidão,
para a esperança chegar...
Uma flor lá na janela,
à Natureza a enfeitar....
A vida é sempre bela,
para quem sabe amar...
Resistir essa saudade,
meu coração tem que fazer...
Hoje aqui nesta cidade,
não me esqueço de você...
Um amor tão diferente,
é que sinto por São Paulo,,,
Cidade apinhada de gente,
dedicada ao trabalho...
UM GRITO DE SOCORRO! - Dinah Ribeiro de Amorim
UM
GRITO DE SOCORRO!
Dinah Ribeiro de
Amorim
Gosto muito de circo! É a maior atração de
nossa pequena cidade. Quando chega, o povo fica alvoroçado, escolhendo os
melhores lugares, disputando cadeiras e dias melhores.
Na verdade, eu e minhas amigas gostamos das
exibições, mas mais da movimentação de pessoas, principalmente dos rapazes que
costumamos paquerar!
Nesse ano, prometiam grandes atrações como
peças de teatro, malabaristas, motocicletas que se cruzavam, bailarinas famosas
e, como sempre, engraçados palhaços.
Chegou o dia da apresentação e o circo logo
ficou cheio de convidados. Eu e Marita, minha melhor amiga, procuramos lugares
meio no fundão, de onde veríamos melhor a apresentação e, também, os frequentadores.
Estávamos loucas para arrumar namorado! Já tínhamos catorze anos.
Quando as luzes se apagaram, o palco
iluminou-se e o dono do circo, todo paramentado, com um belo casaco vermelho de
lantejoulas, ia dizendo: “Respeitável
público! Muito boa noite! Teremos hoje...Não chegou a terminar. Ouviu-se um
grito estridente, pavoroso, vindo de alguém da platéia.
As luzes se acenderam imediatamente e as
pessoas se levantaram, rápidas, para ver o acontecido.
Os empregados do circo vieram num corre-corre
danado e examinaram tudo. Não conseguiram descobrir nada! Até que apareceu uma
mulher, vestida com folhas, de longos cabelos vermelhos, pintura exagerada, chamando pelo nome a sua bichinha de
estimação, que havia escapado: “Maninha!”. Fazia parte do seu número. Surgiu de
baixo de umas cadeiras, roçando nos pés das pessoas, uma horrorosa e amedrontadora
cobra verde, muito comprida, que tinha escapado do seu viveiro e só obedecia à
sua dona. O pânico dominou os presentes que começaram a sair, desistindo
daquele circo.
Eu e Marita, aborrecidas com o acontecido,
principalmente pelo fato de não termos conhecido ninguém, saímos resmungando e
lamentando o azar que tivemos.
O circo ainda ficou alguns dias na cidade,
mas com poucos frequentadores. Só os mais corajosos, munidos de lanternas e
facões. Os artistas e seu apresentador, diante disso, perderam também o
entusiasmo e foram rápido para bem longe, onde ninguém tivesse ouvido falar
nessa história. O medo de ir ao circo logo se instalou na região!
TODO MUNDO JUNTO! - Dinah Ribeiro de Amorim
Tela: “Família”, de Tarsila do Amaral.
TODO
MUNDO JUNTO!
Dinah Ribeiro de
Amorim
Pedrinho adora festas! A casa fica cheia de
gente, seus amigos, avós, tios, primos, até sua professora com seus filhos,
muitas vezes aparece!
Dias de Natal, Páscoa, aniversários, vive
esperando com o calendário na cabeceira da cama, com grande ansiedade!
Sua alegria é tanta
que um dia perguntou ao pai:
— Paê, ô pai! Por que
não moramos todos juntos, na mesma casa?
Seu pai, espantado, respondeu:
— Nós moramos, filho!
Eu, você, sua mãe, sua irmã! O que você acha?
— Não, pai! Todo
mundo mesmo! A vovó, o vovô, os tios, o homem da farmácia, minha professora,
seus filhos, as crianças do vizinho, seus pais. Seria, então, uma grande festa, todos os dias!
O pai de Pedrinho sorriu, pensou um pouco e
ficou matutando como responder esta pergunta, sem magoá-lo e para que ele
entendesse.
— No começo do mundo, filho, era assim mesmo.
Todos moravam juntos, numa grande casa, parecendo uma aldeia de índios, como
você viu na televisão. Comiam o que plantavam ou caçavam, dormiam em redes,
protegiam-se do frio e da chuva em palhoças ou uma grande oca, feita de palha.
Formavam um pequeno grupo ou tribo.
— Era assim mesmo... pai!?
_ Com o tempo, filho,
esse grupo foi crescendo, aumentando, conhecendo coisas novas, alguns querendo
mudanças de vida, conhecer novos lugares! Aprenderam muitas coisas... Foram
surgindo povoados, com casas próprias para cada família, igrejas para cultos,
cartórios para registros de quem nascesse, um juizado para impor ordem porque
algumas pessoas queriam mais que as outras, as primeiras brigas, campos de
futebol, etc...
— Nossa pai, brigavam
muito também!
— Sim filho, cada
família gostava de uma coisa, uns queriam, outros não queriam, discutiam muito.
Aí resolveram formar pequenos grupos que discutiam entre si, trocando ideias.
Vencia quem convencesse mais. Houve, então, a necessidade de um chefe para
todos, com formação de leis que todos obedeciam...Cada família mandava em sua
casa e o pai era o chefe, mas para todos, havia um chefe geral, que cuidava do
bem-estar de cada um... E foi assim que surgiram os municípios, cidades,
estados, países, etc... O mundo como é hoje!
— Puxa pai! Que
difícil, não!
— Sim, Filho! Quando
você for para a escola irá entender melhor!
— Queria ir logo para
a escola. - respondeu Pedrinho. Tanta coisa que não sei!
ADORO BRIGADEIROS! - Dinah Ribeiro de Amorim
ADORO
BRIGADEIROS!
Dinah Ribeiro de
Amorim
Sou louca por
brigadeiros! Festa, para mim, sem brigadeiro, não tem cara de festa!
Outro dia, fui convidada para um aniversário
de uma coleguinha de escola. Logo pensei:
Que
delícia, comer brigadeiro! Tomara que tenha!
Não tinha. Só o bolo
de chocolate. A menina é meio alérgica, e muito chocolate faz mal. Comentei com
mamãe sobre isso e ela respondeu:
Por
que você não aprende! É tão fácil! Só precisa tomar cuidado com o fogo. Usar sempre
fogo baixo para não queimar.
Outro dia aprendi uma receita muito boa, dada
por Belinha, uma amiga de meu irmão. É quase igual às outras, mas leva um pote
de iogurte junto ao leite condensado. Fica mais leve e menos doce!
Resolvi experimentar só que coloquei a lata
de leite condensado dentro da panela de pressão, para virar doce de leite,
primeiro. Tudo errado! Fiquei entretida na televisão e me esqueci da tal lata.
De repente, ouvi um estouro, parecia uma explosão dentro da cozinha! A tampa da
panela abriu, a lata estourou, a água secou e o doce se espalhou por toda a
cozinha branca de mamãe, grudando até no teto!
E, para limpar tudo, antes que ela chegasse!
Foi muito difícil! Eu e meu irmão tivemos que colocar um pano molhado na
vassoura, subir numa escadinha do quintal e tentar limpar o teto para que o
doce desgrudasse.
Mesmo assim, ficou todo manchado e, eu,
esperando a hora que ela olhasse para cima. Seria bronca na certa!
A dificuldade foi tanta que desisti de querer
fazer o doce. Acho bom ficar só com os de festa, mas sempre pergunto antes:
Vai
ter brigadeiro?
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
O bicho papão - Dinah Ribeiro de Amorim
BICHO
– PAPÃO!
Dinah Ribeiro de Amorim
Toda vez que quero brincar na calçada, Dª
Zezé, a empregada lá de casa, avisa que é perigoso: vem o bicho – papão e te
pega! Não é só na rua, não! Qualquer outra coisa perigosa que ainda desconheço,
pode aparecer o tal bicho – papão, comedor de crianças, muito ruim mesmo,
carregando um saco nas costas!
De tanto ouvir falar nele, deu-me até vontade
de vê-lo! Feio, narigudo, cara de mau, de roupas sujas e compridas, com grande
saco nas costas, cheio de criancinhas, sempre pronto a carregar mais uma para
quando tiver fome! Que coisa horrível! É para ter medo, mesmo!
Outro dia, descobri que além de medroso, sou
também muito curioso! Nem sei o que é maior em mim: curiosidade ou medo. Saí
para a rua, escondido de mamãe e de Dª Zezé, que vivem pegando no meu pé! Até
brincar com Pedrinho, meu amiguinho da casa ao lado, pode ser perigoso e aparecer o tal bicho! Achei demais!
Abri o portão, devagarzinho, e, fui saindo,
sozinho, em direção à esquina. Nossa casa fica mais ou menos no meio de várias
outras iguais.
Tudo bem, ninguém à vista! Tento dobrar a
esquina e, para voltar, penso, seria fácil, virar as costas e fazer o caminho
de volta. Ando um pouco rápido, já meio amedrontado. Nunca havia saído sozinho,
mas “adorando” essa grande aventura!
De repente, avisto um velho, muito velho,
arrastando a perna, lembrando um pouco meu avô. Com um braço, segura uma
bengala e, com o outro, uma sacola sobre os ombros. Lembrei na hora: “É o tal
do bicho – papão! Preciso dar meia volta e correr para casa. Sua sacola deve
estar cheia de crianças e usa uma bengala comprida para apanhá-las. Quero
correr, mas não consigo. Quase tropeço nas minhas pernas pequenas e frágeis!
Acho que ele irá vai me alcançar! Por que fui fazer isso!”
Começo a chorar alto e percebo que minha casa
está mais longe do que eu pensava. O velho, feio e sujo, mancando, mesmo assim
me alcança. Olho para ele, apavorado, já esperando levar uma bengalada, mas seu
olhar é bondoso, humilde, perguntando-me gentilmente por que choro! Espantado,
respondo que não consigo achar a minha casa. Ele, com cara de dó, acha-me vendo
que sou muito pequeno para andar sozinho pelas ruas, resolve me acompanhar até a encontrarmos.
Como? - penso eu - Não é o bicho-papão!
Sinto-me seguro ao seu
lado e ele afirma que as ruas são perigosas para crianças sozinhas, nossa casa
é um bem muito grande e, se a perdemos, ficamos como ele, velho, doente,
caminhando pelas ruas, sem lugar para descansar.
Arrisco uma pergunta: “O que o senhor tem
nesse saco?”
— Roupas velhas e restos
de comida que encontro por aí! Só isso! Responde ele. Esse era o tão terrível bicho-papão da minha
infância!
Logo chegamos a minha casa, com mamãe e Dª
Zezé à porta, desesperadas à minha procura. Assim que me vêem, correm a
abraçar-me, olhando desconfiadas para o velho. Digo que ele é um bom amigo, que
eu estava perdido e ele me encontrou achou, precisando agora de alguma comida e
um pouco de roupa velha, porque não tem onde morar! Não era o bicho-papão, não,
era um homem velho e bondoso, necessitando de ajuda.
As duas entenderam, foram buscar algumas
sobras do almoço para ele, que ficou horas sentado à nossa porta, descansando
um pouco dessa vida longa e triste de homem sem direção! Na minha inocência,
passei também muito tempo espiando-o, com curiosidade, atrás da janela da sala,
descobrindo um mundo novo!
O lápis mágico - Dinah Ribeiro de Amorim
O LÁPIS MÁGICO!
Dinah Ribeiro de Amorim
No dia do meu aniversário,
mamãe e minha irmã organizaram uma festa linda! Oito anos! Acho que nunca vou
esquecer. Teve balões, brigadeiros, presentes, muitos amiguinhos
e o famoso bolo de aniversário,
com todos querendo soprar as velinhas junto comigo. Quando tudo acabou, fui
abrir com calma meus embrulhos, cada um mais alegre que o outro. Dava dó
desmanchar cada nó ou desdobrar tantos papéis coloridos. Minha mãe
gosta de guardar embalagens, então, tomei muito cuidado para não rasgá-los.
Minha curiosidade foi grande
porque cada um era mais interessante que o outro. Carrinhos, trem, jogos de
diversão, educativos, bola de futebol, arco e flecha, livros, até uma
peteca!
Chamou atenção um presente simples,
pequeno, parecendo um estojo. O que seria! Abri com cuidado, não lembro mais
quem o trouxe, descobrindo que era apenas um lápis colorido! Tudo bem, pensei
eu, presente é presente, seja lá o que for.
Fiquei horas no dia seguinte,
brincando com todos eles, esquecendo até de fazer minhas refeições, o que mamãe
reclamou um pouco, mas entendeu...
Finalmente, peguei o lápis
colorido para escrever um bilhete de agradecimento a um coleguinha que não pode
vir, mas mandou um presente.
Estava viajando. Qual não foi minha
surpresa! Eu pensava no que escrever e o lápis obedecia, parecia que me
entendia! Era mágico! Que maravilha! Chamei minha irmã gritando:
_ Marianaaa! Eu ganhei um lápis
mágico! Corre aqui! Ele me obedece e ainda escreve coisas engraçadas! Parece
que fala comigo.
Minha irmã veio correndo e
perguntou se estava ficando maluco! Ficou olhando um pouco e pegou o lápis
também. Mandou que ele riscasse todo o papel e ele riscou e ainda escreveu que
ela era meio boba, deveria mandar fazer outras coisas!
Muito espantado, tomei-o da
mão dela e mandei que escrevesse um bilhete de agradecimento. À medida que eu
pensava, ele escrevia, obedecendo. Quando terminava, deixava um comentário,
como se fosse gente. Parecia um lápis robotizado, sensível ao toque da gente.
Mariana pegou nele e mandou
que escrevesse um recado para sua colega: “Não vou poder ir até sua casa hoje,
preciso estudar!. O lápis obedeceu e ainda escreveu, no final: muito bem!
Caramba, pensei, esse lápis é
um sucesso! Imagine na minha escola! Nem preciso mais fazer a lição. Ele fará
para mim.
“Nisso você se engana, escreveu ele!
Só escrevo e obedeço coisas que você já sabe. Sou mágico, sim, um mágico
honesto, que age segundo sua sensibilidade e conhecimento. Posso ajudar em
alguma coisa, mas não em tudo. Você precisa saber primeiro e aí eu dou a minha
opinião. Entendeu! Ajo de acordo com o seu toque! Gostou!”
Muito, pensei eu, que presente
legal! Foi o melhor de todos! O maior sucesso! O meu sucesso de
aniversário! E eu pensando que era o presente mais comum, de alguém que não
tinha se incomodado muito comigo.
Ih, o lápis mágico despertou a
atenção até de minha professora, que pedia emprestado quando corrigia nossas
lições. Ia ser legal saber quem me deu esse presente! Eu poderia escrever um
agradecimento com ele.
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