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segunda-feira, 22 de julho de 2024

VOLTA AO PASSADO - Adelaide Dittmers

 

 



VOLTA AO PASSADO

Adelaide Dittmers

 

O olhar do rapaz percorria os campos de trigo, absorvendo com prazer a fresca aragem da manhã, que fazia as espigas douradas dançarem brandamente em um belo espetáculo da natureza.

Sentado nos degraus da casa da fazenda, já gastos pelos anos, as sublimes lembranças de sua infância vividas naquele lugar vieram aos borbotões.  Os rostos dos avós meio apagados pelo tempo apareciam em sua mente, trazendo momentos que a vida deixou para trás.

O avô, um homem alto, de barba e cabelos brancos, voz áspera, mas quente, mãos grandes e calejadas de agricultor, mas macias no carinho que lhe dava.

As pescarias no rio que serpenteava pela propriedade, que aquele homem destemido tanto gostava de praticar. A suavidade com que o ensinou a manejar a vara e a ter paciência para fisgar um peixe. A alegria ao conseguir, que fazia aquele homem rude abrir um sorriso e bater nas suas costas para incentivá-lo a continuar.

A volta pelos estreitos caminhos de terra entre o trigal, onde às vezes um sapo saltava, fazendo com que ele também pulasse para trás, provocando a gargalhada do avô. O doce aroma do campo.

A satisfação de se deliciar com os pescados, que a avó preparava como ninguém.

As tardes em que, ao entrar na grande cozinha, seus olhos saborearam o cheiro do bolo de fubá, que saia do forno de lenha.

A grande cama que o abraçava, cheirando a palha, que recheava o macio colchão. O canto do galo ao amanhecer.

As histórias intermináveis e divertidas, que o avô contava, de tantos casos e lendas, que povoavam a imaginação das gentes do campo.

Aquele homem simples, mas cheio de sabedoria, muito lhe ensinou sobre a vida, não só com palavras, mas com exemplo.

Agora, sentado ali, a nostalgia de tempos que jamais voltarão, deu-lhe um banho de saudade. Num ímpeto, sacudindo a cabeça, levantou-se e foi até o barracão, que ainda guardava os instrumentos de pescaria.  Pegou a vara, que pertenceu ao avô, apertou-a como quisesse sentir a mão forte, que tantas vezes a segurara. Olhou em volta, um sorriso brotou em seus lábios, que, ao mesmo tempo, sentiram o gosto das lágrimas, que sorrateiras desciam pela sua face. 

Um forte suspiro irrompeu de seu peito e com passos firmes e alma trêmula foi até o rio.


UMA TARDE EM VIENA - Alberto Landi




UMA TARDE EM VIENA

Alberto Landi

 

Em uma tarde ensolarada na cidade de Viena, Sofia passeava pelas ruas da cidade encantada com a beleza e a música que ecoava por todos os cantos. Ao passar em frente ao imponente Teatro da Ópera, viu um cartaz anunciando um concerto do famoso compositor Mozart.

Curiosa e animada, decidiu comprar ingresso e assistir ao concerto naquela mesma noite.

Ao entrar na majestosa sala de concertos, sentiu seu coração acelerar de emoção. As luzes se apagaram, o maestro subiu ao palco e finalmente Mozart começou a reger sua própria obra.

Os acordes envolventes, as melodias encantadoras e a genialidade do compositor tocaram o coração de Sofia de uma maneira indescritível.

Ela fechou os olhos e se deixou levar pela música, sentindo como se estivesse em um mundo mágico, onde cada nota era uma emoção única.

Ao final do concerto, ela estava extasiada. Foi então que, ao sair do teatro, viu uma figura elegante se aproximando: era Mozart em pessoa.

Ele sorriu para ela e agradeceu por assistir ao concerto. Ela mal podia acreditar que estava diante de seu ídolo.

Em meio a uma conversa amigável, Mozart percebeu o brilho nos olhos de Sofia e viu o quanto a música havia tocado sua alma. Com um gesto gentil, ele pegou um papel e uma pena e escreveu algumas notas musicais, entregando a partitura para ela.

— Que estas notas inspirem você a seguir seus sonhos e a encontrar a beleza na música, disse Mozart, com um sorriso afetuoso.

Sofia guardou aquela partitura como um tesouro precioso, lembrando para sempre do dia em que conheceu o compositor e da magia da música que uniu seus corações naquela noite inesquecível!

O PRESENTE DIFERENTE! - Dinah Ribeiro de Amorim


 


O PRESENTE DIFERENTE!

Dinah Ribeiro de Amorim

 

Eric gosta de brincar até tarde da noite, na rua. Escondem-se em casas abandonadas e tentam achar uns aos outros.

Procuram provocar medo, soltam gritos e urros, mas nada temem. Caem na gargalhada.

Em noite de brincadeira, Eric entra sozinho, numa casa escura e vazia e, de repente, ela se ilumina fortemente, como se o esperasse.

Assustado, fecha os olhos com a claridade. Quando os abre, percebe um ser estranho, meio homem, meio bicho, que lhe joga uma varinha, avisando-lhe que é mágica e poderosa. A varinha obedece a tudo o que ele mandar, mas só para o bem. Se ordenar algo mal, acabará o podê-la.

O menino, segurando-a, não tem tempo de perguntar nada, o ser estranho desaparece e a casa escurece.

Com a varinha na mão, Eric pensa em voltar para casa, fugir dos amigos. E, de repente, ele está em seu quarto, fazendo lição.

Sente fome, lembra-se que ainda não jantou. A melhor macarronada lhe aparece à frente.

Come depressa e desce à sala, onde estão o pai, a mãe e o irmão Lucas, com quem briga constantemente. É mais velho e não se dão nada bem.

Lucas assiste na televisão um jogo que Eric detesta e a um sinal seu, com a varinha, o canal muda e aparece o seu filme predileto.

Todos o olham, muito espantados, e querem saber tudo sobre essa varinha.

Eric é obrigado a contar a verdade, um ser estranho, numa casa estranha, deu-lhe essa varinha para fazer o bem.

A mãe, encantada, já a quer emprestada para levar ao hospital, de manhã, onde trabalha como voluntária.

O pai, também a quer para solucionar alguns problemas dos empregados da firma, que estão com dificuldades.

Lucas, o irmão, enciumado, quer emprestar a varinha para ganhar brigas com colegas da escola.

Eric responde que a varinha só funciona com ele, e para fazer o bem. Não poderá emprestá-la a ninguém e, muito menos, para fazer o mal.

No dia seguinte, o menino vai para a escola e repara, pela primeira vez, no coleguinha que manca de uma perna. A professora o chama até a lousa.

Silenciosamente, pede à varinha, escondida dentro da mala, que o livre dessa aflição.

Imediatamente, quando o menino se vira, volta curado e andando normalmente, até a carteira.

Todos o aplaudem, achando que o novo tratamento que faz curou sua perna.

Eric sente uma estranha alegria com esse gesto e milagre da varinha mágica. Quanta coisa boa poderá fazer com ela!

Sai pelas ruas meio aturdido, rindo sozinho, espantando os transeuntes.

Avista na esquina um velhinho que, sentado no chão, pede esmolas com o chapéu. Parece cansado, desiludido e tristonho, aguardando a hora de morrer. Solicita à varinha mágica que o anime, solucione os problemas de sua vida, embora continue idoso, sem poder alterar a ordem dos anos.

A varinha demora um pouco a se manifestar e Eric pensa que não há mais solução para ele, mas percebe que é uma varinha pensante.  Olha o rosto do idoso e o percebe corado, luminoso, demonstra alegria. Dentro do seu chapéu surgem inúmeras notas valiosas em dinheiro, para garantir uma velhice mais tranquila.

Mais adiante, uma senhora aflita, deseja atravessar a rua com um bebê no carrinho e, o semáforo está quebrado. A indecisão da mulher se manifesta em suas idas e voltas, sem coragem de ir. Eric deseja ajudá-la e, imediatamente, o farol se acende, para os carros e ela atravessa sossegada.

O menino sente novamente aquela sensação de felicidade nunca sentida antes, o prazer em desejar o bem. Segura a varinha contra o peito e a aperta, carinhosamente. Por que será que foi o escolhido para merecê-la? Não sabe.

Volta para casa e encontra a mãe à porta, de saída ao hospital. Vendo-o tão radiante, lembra-se da varinha mágica e convida o filho para ir com ela. Quem sabe farão coisas muito úteis, nesse dia.

A primeira visita que fazem, é uma idosa que caiu e fraturou quase todos os ossos da face. No momento, sofre dores horríveis.

Eric, ao vê-la, impressiona-se muito, acostumado somente a brincar com os amigos. Aperta, emocionado, sua varinha, que o acode rápido, colocando os ossos do rosto machucado, no lugar.

Dra. Ângela, a médica que a socorre, já planejava a sua cirurgia e, ao vê-la, quase desmaia de susto. Pergunta o que aconteceu. A mãe de Eric, emocionada, responde-lhe: “Vontade de Deus, doutora! Essa senhora é muito fervorosa! ” E saem depressa dali.

No quarto ao lado, um menino, bastante magro e carequinha, aguarda tristonho uma sessão de terapia. Tem câncer na medula, essa doença miserável que ataca também as crianças. A mãe de Eric, Dona Paula, costuma contar-lhe histórias engraçadas, infantis, para alegrá-lo um pouco. Leva também revistinhas em quadrinhos, com vários desenhos bonitos, fazendo com que se distraia e esqueça, por momentos, a doença.

Eric, também ao vê-lo, pensa, tristonho: “Quantos problemas em um hospital, sem a gente saber. Precisei de uma varinha mágica para conhecer tanta gente necessitada”.

Ao senti-lo, a varinha, além de mágica, pensante, é também sensível, capta os seus sentimentos; transforma aquele quarto numa sala de brinquedos, como um pequeno parque, com carrossel e tudo, tirando aquela criança da dor e fazendo-a viver horas felizes. Quando a enfermeira chega para atendê-lo, leva muito tempo para tirá-lo dali e levá-lo à químio. Quando volta, avisa aos pais que o médico que o atende irá lhe dar alta por uns tempos. Teve grande melhora.

Dona Paula e Eric saem dali cansados, mas felizes também, encaminham-se para casa. A mãe não se esquece de que tem que esconder muito essa varinha, cuidar dela para não ser roubada ou perder.

O filho responde, calmo: “Só funciona comigo, mãe, não sei o porquê, e também para o bem! Com outra pessoa, se transforma numa varinha qualquer! ”

Os dois chegam em casa e encontram o pai, preocupado com a demora, já adiantando o almoço, e Lucas, o irmão rebelde, enraivecido com a demora em comer. “A mãe, agora, só se preocupa com Eric e sua varinha!”

Após o almoço, Eric, cansado após tantas emoções, vai para o quarto e adormece um pouco. Pelo jeito, sua vida se transformou e há muito trabalho pela frente. Encontra, na mãe, poderosa aliada. Sente-se grato por isso.

Adormece e sonha. Aparece-lhe, em sonho, um lindo anjo branco, brilhante, de asas azuis. Sussurra-lhe, suavemente, para não se descuidar da varinha, atrai o ciúme e a atenção dos outros, que não desejam usá-la para o bem, mas para o mal, e ela, roubada, perde seu poder.

Lucas, entrando no quarto, vê o irmão dormindo profundamente. Instintivamente, sua primeira ação é verificar onde Eric esconde a tal varinha mágica. Observa-o bem. Verifica que está dentro de sua jaqueta escolar. Com delicadeza, a apanha, a examina bem e dúvida dos seus poderes. Resolve testá-la no quintal.

A primeira coisa que vê é o gato da vizinha revirando o lixo de sua casa. Enraivecido, quer chutá-lo para longe, mas lembra da varinha e ordena-lhe que mande o gato embora. A varinha não o obedece.

Ainda com muita raiva, Lucas acredita que é uma falsidade que o irmão inventou e, bastante bravo, joga a varinha mágica dentro da lixeira.

O lixeiro passa nessa hora e a leva embora. Acaba-se assim o poder maravilhoso que seu irmão estava realizando.

Quando Eric acorda, alertado pelo anjo, a primeira coisa que fez foi procurar sua varinha. Não a encontra mais. Desesperado, procura a mãe para saber se a pegou. “Não, ela responde. Nem a vi!”

O menino anda pela casa toda e, nada, não a vê mais. Desconfia do irmão, mas este disfarça logo e vai saindo.

Desesperado, volta à noite na casa abandonada, escura, e nada acontece.

Acabou-se o sonho de curar todos e fazer somente o bem. Que tristeza sente durante dias, até que sua sábia mãe o aconselha a continuar ajudando outras pessoas, principalmente no hospital, mesmo sem a varinha mágica. Quem sabe foi a vontade e um chamamento que teve de Deus.

Eric torna-se um grande voluntário no auxílio aos sofredores dessa vida. 

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Minha história nasce assim


Escolha umas das imagens para criar sua história.


Minha história nasce assim: 



1) - 

Foi a primeira vez que a vi. 
O cenário era mágico, e olhar dela um feitiço.




2) -    
Era muito mais que uma tarde de pescaria. Não, não era pela pescaria, ou pelo alimento que levávamos para casa, ou a experiência com a vara de pesca, não era por nenhuma dessas alternativas. Era ele, a presença dele, o vozeirão dele, o olhar atento e sorridente, a motivação, o carinho, o amor.




3) - 
Ling parecia uma imagem em 3D. 
Sempre muito silencioso, quieto, lento e pontual.
Não tinha mais 22 anos, mas a sabedoria...




ANITINHA – A SUPER HEROÍNA - Henrique Schnaider


 


ANITINHA – A SUPER HEROÍNA

Henrique Schnaider

 

Anitinha era uma menina pobre, muito sofrida, perdeu os pais logo cedo e vivia num bairro da periferia numa casa abandonada juntamente com outros meninos e meninas na mesma situação que ela, e só sobreviviam à custa de restos de comida que ganhavam dos vizinhos os quais estavam numa situação financeira melhor.

O tempo foi passando e esta situação de penúria não mudava e o bando de miseráveis procurava ajudar mutualmente, o que tornava aquela triste situação um pouco mais amena. Anitinha se destacava dos demais membros desta irmandade de pobres coitados, era esperta, inteligente e muito destemida.

 Ela não sabia, mas estava sendo observada por uma pessoa que acompanhava o bando à distância, procurando dar uma proteção a eles sem que soubessem. Até que um dia este senhor resolveu se apresentar à Anitinha e começou uma conversa muito agradável com ela.

Anitinha notou que ele era um pouco estranho, diferente da maioria dos homens que ela conhecia. Ele era atencioso e passava a sensação de ser uma pessoa muito bondosa. A conversa rolou solta até que ele revelou detalhes, prometendo mudar a vida dela.

Astradamus esse era seu nome perguntou se ela gostaria de possuir superpoderes e passar a fazer parte do grupo de pessoas Super Especiais cuja função era proteger as pessoas que estivessem sendo ameaçadas por seres malignos que estavam aqui na terra só para praticar o mal.

Anitinha aceitou o convite e aquele senhor investiu imediatamente a menina com superpoderes e falou a ela que a partir daquele momento, ela poderia começar a exercer sua função poderosa. E, Anitinha saiu para a rua procurando pessoas que estivessem sendo ameaçadas e facilmente encontrou quem precisasse de sua ajuda.

Tornou-se famosa com os seus poderes e as pessoas em perigo procuravam por sua ajuda e a menina estava indo muito bem cada vez mais poderosa e por ser astuta e inteligente estava derrotando os seres maldosos.

Mas um dia, os chefões poderosos do mal, que já vinham observando a menina e seus feitos, ficaram irritados, pois ela estava atrapalhando aqueles que vinham à terra em busca de praticar maldades. Mandaram um ser poderoso e de extrema crueldade chamado Kraken para enfrentar Anitinha e derrotá-la, para que ela parasse de salvar as pessoas que precisavam de ajuda.

Kraken pegou realmente a menina de surpresa e com sua força maligna conseguiu prender Anitinha numa caverna profunda e ficou na entrada dela para que ninguém se aproximasse para tentar salvá-la e o mal, com a falta da super menina, se espalhou gigantescamente.

Nesta altura dos acontecimentos Astradamus o poderoso chefe dos super-heróis chega à entrada da caverna com a missão de salvar Anitinha, mas para isso teria que enfrentar Kraken o terrível ser do mal, numa tremenda batalha entre o poder do bem e o poder do mal.

A luta foi intensa sem que a princípio se soubesse quem sairia vitorioso, mas Astradamus usou todos os poderes que possuía e depois de uma luta violenta conseguiu derrotar o Kraken. Em seguida, entrou na caverna e trouxe de volta a menina poderosa que assim pode imediatamente voltar a defender os necessitados.

Anitinha ficou eternamente grata ao grande chefe Astradamus por salvá-la e permitir assim que ela voltasse a defender as pessoas ameaçadas pelo mal.

Os chefões maldosos resolveram dar um tempo nas suas ruindades e a paz voltou a reinar naquele bairro da periferia.

 

 

 

O mistério no resort - Alberto Landi

 


O mistério no resort

Alberto Landi

 

No luxuoso resort à beira-mar, tudo parecia perfeito.

Os hóspedes desfrutavam do sol, da areia e das águas cristalinas, sem se preocupar com nada além de relaxar.

Está localizado numa ilha paradisíaca, nas ilhas Mauricio, no meio do Oceano Indico, cercado por palmeiras altas, areias brancas e águas azul-turquesa.

Sua arquitetura é uma mistura de influências tropical e moderna, com bangalôs espaçosos e apartamentos que se mesclam harmoniosamente com a exuberante paisagem natural.

A recepção e as áreas comuns são decoradas com elementos locais, como madeira trabalhada a mão e tecidos coloridos, proporcionando um ambiente acolhedor e sofisticado aos hóspedes.

As piscinas oferecem vistas deslumbrantes para o mar enquanto os restaurantes e bares são projetados para proporcionar experiências gastronômicas únicas tanto ao ar livre quanto em ambientes elegantes e climatizados, cada detalhe da arquitetura foi pensado para integrar a beleza da ilha e oferecer uma estadia inesquecível aos visitantes.

No entanto, uma série de eventos misteriosos começou a perturbar a paz do local paradisíaco.

Primeiro, os objetos pessoais começaram a desaparecer dos quartos dos hóspedes, em seguida ruídos estranhos eram ouvidos durante a noite, fazendo com que alguns visitantes relatassem avistar sombras suspeitas nos corredores vazios, bem como em torno dos bangalôs.

A gerência do resort ficou perplexa e preocupada com todos esses acontecimentos.

Resolveu contratar um detetive particular renomado, Joe Baxter, cidadão americano aposentado do FBI, que, durante 42 anos de sua carreira como detetive, foi honrado por diversas vezes pelo seu trabalho, empenho e dedicação em resolver assuntos sigilosos de seu departamento. Natural da cidade de Norfolk, estado da Virgínia, foi consultado sobre a possibilidade de aceitar o convite para desvendar esses roubos e ruídos estranhos.

Baxter não estava contente com a sua aposentadoria, pois estava acostumado ao seu trabalho que era muito interessante, e prontamente aceitou e viajou para as ilhas Maurício.

Disfarçado de hóspede, começou a investigar discretamente todos em busca de pistas.

Com o decorrer dos dias, descobriu uma rede de túneis subterrâneos secretos que percorriam toda a extensão do complexo hoteleiro.

Ali, encontrou um grupo de contrabandistas tentando usar o complexo como fachada para atividades ilícitas.

Com coragem e astúcia, revelou a verdade por trás dos acontecimentos misteriosos e garantiu que os mesmos fossem entregues à justiça.

O resort pode finalmente retomar a vida normal e todos os hóspedes puderam desfrutar de sua permanência com tranquilidade e sem preocupações!

 

 

As Crianças e o gnomo do bosque - Adelaide Dittmers

 


 

As Crianças e o gnomo do bosque

Adelaide Dittmers

 

Beto, João, Roberta e Lena adoravam brincar no bosque perto de suas casas.  Subiam nas árvores, molhavam-se nas águas verdes do lago e escondiam-se uns dos outros, gritando de alegria quando eram encontrados.

Em uma tarde de sol, em que caminhavam  entre os arbustos, as crianças se depararam com uma amoreira carregada. Foi uma festa. Deliciavam-se com as frutinhas, quando dentre os galhos surgiu um homenzinho verde com cheiro de flores do campo.  Os quatro deram um berro assustados, mas o anão os acalmou:

— Não vou fazer mal a vocês.

— Quem é você? Gritaram em coro.

— Sou um gnomo.  Protejo as florestas.

— Um gnomo! Que legal! Exclamou Lena.

O gnomo disse então que sempre os via no bosque e se divertia com eles.  Percebia também que brincavam sem ferir a vegetação, o que o deixava muito feliz.

— E por que você nunca apareceu para brincar conosco? Perguntou Beto.

— Para não assustá-los.  Mas hoje resolvi me mostrar.  Preciso da ajuda de vocês.

— Nossa ajuda! Gritaram todos ao mesmo tempo.

O gnomo então lhes falou que estava muito triste e preocupado.  As pessoas não respeitavam mais a natureza.  Cortam  as árvores, jogam lixo nas águas dos lagos, rios e mar. Que peixes estão morrendo engolindo plásticos.  Colocam fogo nas florestas.

Quando terminou, as crianças estavam caladas, com os olhos muito abertos.

— É por essa razão, que vim falar com vocês, que são o futuro deste nosso planeta.

— Como podemos ajudar? Perguntou Roberta, que pareceu ter despertado de um pesadelo.

O homenzinho lhes explicou que como gnomo não poderia usar superpoderes, que era apenas um protetor da natureza, mas eles como seres humanos poderiam, sim, usá-los.

— Vocês aceitam?

As crianças se entreolharam:

— E como seriam? Perguntou João.

— Terão o poder de impedir que as pessoas pratiquem atos que prejudiquem o meio ambiente.

 

— Aceitamos, gritaram os quatro muito empolgados.

O gnomo estendeu a mão e um raio de luz atingiu cada um deles e quando erguessem a mão anulariam qualquer ação que prejudicasse o sistema natural da terra.

Eles se sentiram orgulhosos pela missão e, agradecendo ao homenzinho, afirmaram que fariam tudo para proteger a natureza.

No dia seguinte. Roberta estava indo para a escola, quando, passando por uma ponte, viu um homem jogando um enorme saco de lixo no rio.  Estendeu a mãozinha e o saco caiu em cima dele.  O homem sujo e fedorento ouviu a menina gritar:

— Quem joga lixo no rio é mais lixo do que homem.

Ele baixou a cabeça envergonhado.

Dois dias depois, Beto andava de bicicleta ao lado de um campo de vegetação baixa, onde dois homens ateavam fogo para queimá-lo, talvez para torná-lo um pasto. O menino levantou a mão e um grande jato de água apagou a chama e derrubou os homens.

O menino berrou:

— Aqui é lugar para plantar.  Não devaste a natureza.

Lena impediu um lenhador de cortar o único jacarandá das redondezas. João viu pessoas jogarem garrafas plásticas de um barco no mar.  Com um movimento, fez com que caísse na água.

Por onde passava, evitavam o desrespeito à natureza.  Os habitantes do lugar se perguntavam o que estava acontecendo. Percebendo a repercussão do que estava acontecendo, os quatro começaram a falar na escola e com os amigos sobre a importância de se conservar as águas limpas, as florestas e proteger os animais.

Corriam pelo bosque, quando desabou uma chuva, molhando-os todos.  Abriram os braços, deliciando-se com o banho frio, saltando de um lado para outro. De repente, o homenzinho verde apareceu para a alegria deles e também se juntou à brincadeira.

Depois parou e sério agradeceu o que tinham feito e que, de agora em diante, não teriam mais superpoderes.

Os rostinhos deles murcharam, mas o gnomo acrescentou comovido.

— Agora vocês já aprenderam a convencer as pessoas apenas com suas palavras, que são muito mais importantes e poderosas do que poderes porque chegam ao coração e à compreensão daqueles que as ouvem.

Um “Vivaa” molhado encheu o bosque.

 

   

terça-feira, 2 de julho de 2024

O abraço da liberdade. - Alberto Landi

 




O abraço da liberdade.

Alberto Landi



Em uma manhã ensolarada no porto de Nova York, a majestosa estátua erguia-se imponente com sua tocha brilhante iluminando o caminho dos navios que se aproximavam.

Era ali, em meio ao vai e vem das embarcações e do burburinho dos turistas ansiosos, que um acontecimento inesperado estava prestes a surpreender a todos.

Enquanto os visitantes se aglomeravam para tirar fotos e contemplar a grandiosidade da escultura, algo incomum começou a acontecer.

Lentamente, os seus olhos pareciam ganhar vida, brilhando com uma luz dourada que indicava bondade e acolhimento para todos ao seu redor, seguido de um piscar de olhos para todos ali presentes.

Mal podiam acreditar no que viam, testemunhavam um momento mágico e único naquela manhã inesquecível.

À medida que o sol se elevava no horizonte, os braços da escultura se ergueram lentamente em um gesto acolhedor, como se estivesse saudando cada visitante que chegava ao local.

O silêncio tomou conta do lugar, enquanto todos observavam maravilhados aquela cena extraordinária que ultrapassava as barreiras do tempo e espaço.

Os pássaros voavam em círculos ao seu redor, como se celebrassem com ela aquele momento de magia e encantamento.

Os turistas sorriam emocionados, sentindo-se acolhidos pela presença imponente da escultura personificada diante de seus olhos.

E assim, sob o olhar atento que agora parecia sorrir para cada um dos presentes, as pessoas ali sentiram em seus corações a chama ardente da liberdade que aquela figura icônica representava.

 

E assim enquanto o sol brilhava sobre os céus de nova York, uma cidade que nunca dorme, ela continuava a sua vigília silenciosa e eterna saudando a quem chegasse, com sua luz radiante e seu gesto acolhedor lembrando a todos que a liberdade é um direito intransferível de cada ser humano neste imenso mundo.

 

PLAFT PLUFT, O FANTASMINHA CAMARADA! - Dinah Ribeiro de Amorim

 



PLAFT PLUFT, O FANTASMINHA CAMARADA!

Dinah Ribeiro de Amorim

 

 

Na cidade de Bruxolândia, afastada dos centros urbanos, inexistente nos mapas, caminha um solitário fantasminha, cabisbaixo e entristecido.

Acabou de sair de uma reunião com os fantasmas mais velhos, chefiados pelo bruxo mor, o fantasma Cruz Credo, que, enraivecido e soltando fumaça pelos ares, bravo mesmo, reclamou da situação atual dos fantasmas novos: “Não causavam mais medo nas crianças nem nos jovens!”

Plaft Pluft, o fantasminha legal, como era conhecido, até que se esforçava em fazer aparições repentinas e barulhos ensurdecedores, mas a criançada o achava engraçado, ria muito dele e convidava-o a entrar nas brincadeiras. Ele entrava e gostava. Que culpa tinha se a geração atual não temia mais fantasmas?

Aparecia nas ruas desertas, em casas abandonadas, cemitérios à noite, cumpria rigorosamente o que lhe ensinaram os antigos, mas as pessoas não o temiam, não eram mais como antigamente. Até gostavam de fantasmas.

Cruz Credo, o chefe velho, muito rigoroso, não percebeu que o mundo mudou. A educação das crianças e jovens é outra. Gostam do imaginário, do invisível, de tudo que é diferente do real e visível.

São atraídos, buscam o diferente, algo que os afaste de suas existências. São insatisfeitos com a vida que têm.

Quando ele aparece para assustá-los, não correm dele, mas cercam-no, curiosos, querem conhecê-lo, saber de onde vem, como vive, etc.

Fica até meio sem graça e não sabe como responder. Acha que os fantasmas, de hoje, necessitam de alguma ajuda, talvez algum psiquiatra, como os humanos, quem sabe?

Continua sua andança pelos caminhos, pensativo, procurando uma solução. Mudar de aparência, colocar alguma vestimenta semelhante aos jovens, cobrir suas partes imateriais, disfarçando-as, etc.

Percebe aos poucos que, no caminho, não está sozinho. Uma menina de verdade, não disforme como ele, chora baixinho, derrama muitas lágrimas. Despede-se de um jovem, com cara de zangado, que lhe dá um aceno e segue em direção a outra mocinha, mas diferente no olhar, na vestimenta, cheia de piercing pelo nariz e rosto, braços e pernas com desenhos pretos, de cobras e torres. Mais feia que as bruxinhas de verdade, até ele fica com medo.

A jovem que chora senta-se num banco da praça e Plaft Pluft, devagar, para não assustá-la, senta-se ao seu lado, compadecido. Olha-a de perto, vê como é linda, delicada, parece mais uma fada, ao contrário da outra, uma bruxa, que lhe roubou o namorado.

Olha-a com tanto carinho que, ao vê-lo, a jovem não sente medo e resolve contar-lhe a razão da sua mágoa.

Chama-se Lala e, Murilo, seu namorado, rompeu com ela e irá levar a outra moça, Frida, ao baile da escola. Diz que a tal Frida é mais bonita, mais jeitosa, mais moderna que ela. Lala é muito sem graça, não o interessa como a outra, que está mais de acordo com a época.

— E como é estar mais de acordo com a época? Pergunta-lhe o fantasminha, interessado.

— Ah! Gostar de tudo que é estranho, novidade, fora do normal, passeios assombrosos, roupas esquisitas, malcheirosas, andar em bandos, brigar muito, lutar mais do que se divertir, ser valentão no mundo dos fracos, responde Lala, recomeçando a chorar.

Plaft Pluft pensa, então é isso. Querem ter poderes, virar fantasmas, de verdade, fazer o mal. Não têm mais medo. A vida dos fantasmas agora é inútil. Quanto mais amedrontam, mais agradam.

Olha para Lala e acha-a tão bonita, tão suave, tão bem-feita, gostaria de ser um jovem, para sair com ela. Aprender a dançar, vê-la sorrir, acompanhá-la ao baile da escola, portar-se como um cavalheiro, seu par.

Lala pergunta-lhe curiosa, um pouco mais calma: “Não entendo isso. Como é tão gentil comigo? Não sinto medo de você. É um fantasma de verdade?”

Plaft Pluft, meio sem jeito, responde que é um fantasma novo, educado por uma mãe moderna, que não gostava de ser fantasma, e má. Queria ser uma mulher, real, como as outras.  Os mais velhos não deixaram.

— Mas, se quiserem, podem ser gente humana, mesmo? Pergunta, espantada, Lala.

— Algumas vezes, sim, responde o fantasminha, encabulado. Depende do nosso coração. Se a vontade de fazer o bem for maior do que a do mal, pode haver uma transformação.

— Então, você, se quiser, poderá ir comigo ao baile? Pergunta Lala já toda entusiasmada. Eu arrumo umas roupas legais, e ficará um jovem lindo.

Plaft Pluft, não pensou muito, acompanhá-la ao baile, seria para ele, tudo de bom e ainda faria inveja ao rapaz que a abandonara. Promete pensar no assunto, conseguir uma dispensa e lhe dar resposta no dia seguinte, àquela hora.

Despedem-se e Lala, mais feliz, vai para casa. Irá ao baile, sim, e acompanhada, imagine, por um fantasma de verdade, disfarçado. Não poderá haver maior triunfo entre os jovens.

No dia seguinte, Lala senta-se no mesmo lugar, mesmo banco, mesmo parque. Plaft Pluft, disfarçado, em atraente jovem transformado, senta-se ao seu lado e pergunta se ficou bem.

Lala, emocionada, reconhece-o pela voz e, encantada, combina um horário para buscá-la, como colega recém-chegado à escola, em sua casa. Ia apresentá-lo à mãe como o par predileto.

Chega a noite do baile e, como o combinado, Plaft Pluft acompanha, muito elegante, a mocinha Lala, que virou uma grande amiga. Toda linda, de vestido rosa bordado, entra no salão apoiada nos falsos braços do seu fantasma. Vaidosa, orgulhosa do seu belo par, começa a valsar, passando à frente do antigo namorado, que a olha, enciumado.

Todos os presentes a olham com admiração e Frida, a atual namorada de Murilo, coloca o pé à sua frente, para que caia ao chão, num grande baque.

Plaft Pluft, mais que depressa, ao perceber essa maldade, levanta rápido o corpo de Lala pela cintura, suspende-a no ar, fazendo-a rodopiar e valsar pelos ares.

Nossa! Exclamação geral da moçada! Que namorado legal! Estão valsando e voando. Aplausos gerais!

Lala e seu fantasminha legal são eleitos os reis do baile de final de ano!

Plaft Pluft, o fantasma, contraria seus ancestrais e resolve se transformar num homem de verdade, apaixonado pela menina Lala, que ganhou seu coração.

Nessa história, o fantasminha camarada se transforma no Paulo Pedro, um jovem muito legal.

 

 

segunda-feira, 1 de julho de 2024

HOMENAGEM AOS PAIS - E QUEM NUNCA FEZ ISSO?

 



As Mãos do Meu Pai – Mário Quintana

“As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
— como são belas as tuas mãos —
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos…

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas…

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.

E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas…
essa chama de vida — que transcende a própria vida…
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma…”

 

 

Distinção – Carlos Drummond de Andrade

O Pai se escreve sempre com P grande
em letras de respeito e de tremor
se é Pai da gente. E Mãe, com M grande.
O Pai é imenso. A Mãe, pouco menor.
Com ela, sim, me entendo bem melhor:
Mãe é muito mais fácil de enganar.
(Razão, eu sei, de mais aberto amor.)

 

 

O pai -Pablo Neruda

Terra de semeadura inculta e brava,
terra que não tem estreitos nem sendas,
minha vida sob o sol treme e alarga.
Pai, os teus olhos doces nada podem,
como nada puderam as estrelas
que me abrasam os olhos e as fontes.
O mal de amor cegou a minha vista
e nesta fonte doce do meu sonho
refletiu-se outra água estremecida.
Depois… Pergunta a Deus por que me deram
o que me deram e por que depois
soube da solidão de terra e céu.
Olha, minha juventude foi broto
puro que ficou sem abrir, perdeu
sua doçura de sangues e de sucos.
O sol que cai e cai eternamente
cansou-se de beijá-la… E sendo outono,
Pai, os teus olhos na podem.
Escutarei na noite tuas palavras:
menino, meu menino…
e na noite imensa seguirei
com as minhas e as tuas chagas

 

Soneto ao pai – Edival Lourenço

Oh! Fluida infância! Pátria faz-de-conta!
Pobre de coisas com riqueza d’alma:
palhoça, vento, verde, aves e calma
para fruir a vida em toda monta.

Aquele ano choveu além da conta
e abriu-se um olho d’água em nossa casa
que meu pai ajudou, com fina vaza,
fazer o arroio: do Araguaia ponta.

Encanta-me o sentido que propala.
Maior riqueza, sei, ninguém encontra:
o nascente Araguaia nos escala.

A vida tem o rio a inspirá-la:
mereja, empoça, entorna, enfim desponta
promissora qual jorro de olho d’água!

 

A voz do meu pai – Manoel de Barros

Abro os olhos.
Não vejo mais meu pai.
Não ouço mais a voz de meu pai.
Estou só. Estou simples.
Não como essa poderosa
voz da terra
com que me estás chamando, pai —
porque as cores se misturam
em teu filho ainda
e a nudez e o despojamento
não se fizeram em seu canto;
mas, simples por só acreditar
que com meus passos incertos
eu governo a manhã
feito os bandos de andorinha
nas frondes do ingazeiro.

 

Encontro misterioso - Alberto Landi

  Encontro misterioso Alberto Landi A nave da Catedral de Chartres era ampla e alta; colunas robustas sustentavam os arcos que pareciam subi...