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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Antes dos dezoito... - Henrique Schnaider

   
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Antes dos dezoito...
Henrique Schnaider

Do que me lembro, o riso vinha fácil, nem precisava haver piada, tudo parecia tão engraçado tão alegre, as futilidades eram uma alegria, as seriedades, um prazer. E nem tinha dezoito ainda...

Lembro como se fosse hoje e ainda saboreio estas doces lembranças de quando meu pai de volta de uma viagem aos Estados Unidos onde foi visitar seus três irmãos que não via há mais de trinta anos, fomos ao porto de Santos para recebê-lo. Quanta emoção! Aquele navio ancorado, e lá estava meu pai na murada acenando para nós, me senti tão pequenininho feito uma formiga perto daquela embarcação gigantesca. As lágrimas rolaram, e nem tinha dezoito anos ainda...

Chegados de Santos em nossa casa, quanta alegria, eu me derretia todo olhando para o meu querido pai, ansioso para ver todas as coisas que trouxe de sua longa viagem. Tinha presentes de todos os tipos para mim e para meus irmãos, roupas, brinquedos que nem sonhava existir, carrinhos de dar corda, jogos, uma radio-vitrola de móvel acoplada com TV. Comidas as mais variadas possíveis, muitos enlatados completamente desconhecidos para mim. E nem tinha dezoito anos ainda...

Para minha mãe veio uma geladeira de duas portas, coisa de cinema, estávamos todos embasbacados. O ambiente era de pura emoção. Meus amigos todos curiosos queriam ver as coisas que meu pai trouxe e me pediam para entrar e poder contemplar todas aquelas coisas que lhes causavam curiosidade, eu todo orgulhoso, e nem tinha dezoito anos ainda...

Naquela época, meu pai vendeu muitas coisas que trouxera para fazer negócios, e arrecadou um bom dinheiro com o qual abriu, juntamente com meu tio,  sua primeira loja de móveis. Nossa vida subiu de nível, e emocionado como um pássaro que dá o seu primeiro voo eu ganhei minha primeira bicicleta. Foi delicioso sair para a rua e dar a minha primeira volta no quarteirão,  e eu nem tinha dezoito anos ainda...

Depois de um tempo, meu pai abriu uma segunda loja para ser dirigida por meus irmãos, enquanto isso eu deitava e rolava com a minha querida bicicleta, rodando por todo o bairro onde morávamos,  e eu nem tinha dezoito anos ainda...

Como não há bem que sempre dure e nem mal que nunca acabe, terminou minha alegria, já que meus irmãos me convocaram para ajuda-los  na nova loja,  e lá fui. Era uma vida nova, dura, pois tinha que ajudar a carregar os móveis pesadíssimos, de madeira maciça. E, eu não tinha nem dezoito anos ainda...

Tinha o outro lado moeda, foi quando meus irmãos me ensinaram a dirigir.  Para mim foi mais gostoso do que pedalar.  Eu dava um salto maior na minha vida, largando a minha querida bicicleta e passando a dirigir uma caminhonete,  sentindo-me todo orgulhoso. Eu nem tinha dezoito anos ainda...


No fim das contas, passei a dirigir a loja, já que os meus irmãos seguiram novos caminhos. Um deles foi embora para um novo país começar uma nova vida,   o outro foi abrir uma nova loja. E eu  lá fiquei tendo que tornar-me maduro,  precocemente.  E eu nem tinha dezoito anos ainda...    

RECORDAÇÕES DA INFÂNCIA - Do Carmo


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RECORDAÇÕES DA INFÂNCIA
Do Carmo


Da minha infância, eu me lembro dos amigos, tal e qual irmãos, cúmplices em brincadeiras e estripulias estrelares.

Ternamente sinto o cheiro quente do bolo de fubá da vovó Rosa, que com seu apito brilhante, sempre em ação, nos chamava para o lanche da tarde.

Da minha infância, eu me lembro do som chorado do bandolim tocado por meu pai, que o acompanhava com sua voz desafinada e adocicada, muito amada.

Da minha infância, eu me lembro com saudade das histórias, inventadas por minha mãe, amorosamente, quando queria transmitir-me princípios, valores e preceitos religiosos ou morais.

Da minha infância, eu sinto doce saudade das frutinhas de marsipã, que minha saudosa e amada irmã comprava, especialmente para mim.


Meu coração sorri de felicidade, quando meus pensamentos alegres me fazem voar, levando-me de volta à minha principesca infância.

A HISTÓRIA DE MINHA VIDA - Henrique Schnaider


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A HISTÓRIA DE MINHA VIDA
Henrique Schnaider

Ah, quanta saudade quando me lembro de como aos dez anos de idade, estava no quarto ano primário, foi quando fiquei doente contraindo uma doença que época era muito perigosa, a escarlatina...

Ah, quanta saudade me dá quando me lembro da vinda em minha casa da Professora Julieta que veio fazer uma visita, trazendo para minha enorme satisfação o Diploma do Curso Primário apesar de não ter terminado os estudos devido a minha doença.

Ah, quanta saudade tenho do tempo que junto com meus amigos aprontávamos o que era considerado na época coisa de moleque sapeca, como apertar a campainha das casas de todo quarteirão e saíamos correndo para se esconder.

Ah, quanta saudade das brincadeiras como mana mula, balança caixão, mãe da rua e muitas outras como futebol, taco, bolinha de gude... Não parávamos um minuto, só entravamos depois de alguns berros de nossas mães.

Ah, quanta saudade dos primeiros bailinhos tocando os Platers e com muita timidez, tirava as meninas para dançar e era uma alegria quando elas aceitavam. Ah, quanta saudade.

Que emoção dirigir o primeiro carro e sair para mostrar-se para as meninas,  vestindo as primeiras calças jeans e camisa banlon. O sucesso era grande, causava inveja. As primeiras paqueras, os primeiros namoros, as primeiras rusgas, ciúmes e a reconciliação. Ah, quanta saudade.

Namorei mais sério e foi quando encontrei minha futura mulher no curso Clássico. Quanta novidade com a vida de casado. Ah, quanta saudade.

Tivemos três filhos maravilhosos. Ah, quanta saudade da infância deles e de tudo que vivemos juntos.

Hoje aos setenta e dois anos, estou cheio de lembranças de uma vida maravilhosa de tantas coisas porque passei.

Ah, quantas saudades...

O SAUDOSO TREM DO TIO SEVERINO - Michel Milhão


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O SAUDOSO TREM DO TIO SEVERINO
Michel Milhão


1967 -  O trem saindo de Presidente Prudente com destino a São Paulo passa por Rancharia uma das maiores, que considero minha terra natal, pois vim de Alagoas-Maceió com apenas um, ano mais ou menos,

Lá onde cresci, cidade muito bonita e próspera, meu tio Severino era o maquinista, hoje condutor, que por acaso só tinha um braço, mas com maestria e imponência, todo feliz e orgulhoso, trabalhava há muitos anos naquela região.

Esperava os passageiros descerem outros subirem e prosseguia. E eu feliz da vida ia várias vezes às cidades próximas.

Futuramente comecei a fazer shows de mágicas, após ter sido diplomado em uma escola de São Paulo.

A minha primeira aparição na TV foi em 69 no programa Silvio Santos, Cidade contra Cidade, Rancharia contra Casa Branca. Logo após, outros shows em cidades próximas.

O trem tinha de tudo, só faltava o Salão de Festas, mas o Restaurante era luxuoso e eu muitas vezes acompanhado do meu pai que sempre me apoiava, quando não eu levava a autorização por ser menor de idade, quando não era excursão.

Certa ocasião ao entrarmos no trem, como era de praxe, com a passagem, logo vinha o fiscal, pedia o bilhete picotava e íamos até o destino.

Percebemos que um sujeito estava sem o bilhete. Naquela ocasião quem não tivesse o bilhete, com um pescoção era  jogado para fora na próxima estação.  E assim foi feito com ele. Mas, ele teimoso, fora das vistas do fiscal subiu  novamente e continuou viagem, só que na outra foi jogado com outro pescoção pelo picotador de bilhete, como era chamado o fiscal. Porém, assim que ele se afastou, lá subiu ele de novo e sentou-se em minha frente. Com pena dele perguntei:

— Pra onde o senhor vai?

Ele respondeu

— Pretendo ir até São Paulo, se o pescoço agüentar.



IDADE DOURADA - Do Carmo


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IDADE DOURADA
Do Carmo


Depois de um encontro feliz com uma amiga, muito querida, que há anos - ufa, põe anos nisso! - não via, senti uma necessidade visceral de voltar e analisar minha vida passada, depois dos sessenta anos, ou seja “Idade Dourada”.

É, minha querida Do Carmo, você já passa há muito dos setenta.

E daí? Que bom, eu não sinto. Ah! sou feliz, só um pouco vagarosa para andar. Mas, e daí? Não tenho pressa!

De toda nossa conversa, que foi muito agradável e bem humorada, algumas frases ficaram em néon no painel de minha mente.

Ela comentou que os amigos da nossa juventude estavam dispersos, os convites eram frios e aguados, hoje a vida não se assemelham em nada àquela exuberante euforia dos dezoito anos.  Onde está o vigor da juventude? Chisp! Puf! Voop? Desvaneceu-se no tempo.

Olhei-me bem fundo no emaranhado dos meus sentidos e - Uau! - o que vi deixou-me num remanso celestial! Vivo tal qual uma rainha no Éden.

Notei com espanto que era ousada! Uhn! Ahn!  Não sinto tédio em minha vida, pois não deixo que os anos vividos pesem em meu humor.

 Sinto-me alegre e feliz, mesmo com alguns amigos ausentes, uma vez que tenho inúmeros outros novos e todos afins dos meus desejos, que desde sempre foram: Literatura, Escrita, Música e História.

Sou tão orgulhosa das minhas façanhas, que já me sinto ESCRITORA, a modéstia sempre me acompanha.

É natural, ponderei com ela, hoje temos um grande baú de conhecimentos e experiências, arrecadados pelos caminhos percorridos, nem sempre rosados.

Temos uma família bem estruturada, com filhos e netos que são “A Sobremesa da Vida”, como ouvi de um poeta, que não lembro o nome. Falhas etárias são aceitáveis no meu contexto, já com alguns neurônicos cansados.
          
Não pensava mais na minha introspecção quando, do labirinto colorido do passado, surge saltitante a sonora lembrança de uma ultima fala sobre o assunto:

“Sinto que, aquela de dezoito, ainda mora dentro de mim, e espera ser convocada para outra grande aventura, a velhice”.

Aiaiai! Que nostalgia! A velhice é muito saborosa, pois temos o direito de ser como somos, realmente: alegres, falantes, podemos criticar, sempre com parcimônia, realizar sonhos postergados e quase esquecidos, desfrutar com total amor o crescimento e as vitórias dos netos. Finalmente, poderosas, respeitadas e infinitamente amadas, e o que é melhor, não somos cobradas de nada, tudo é alegria e amor.
Falo de minha vida e pelo que conheço da minha amiga, não será em nada diferente. Ela transmite segurança, felicidade e plena realização.


Viva a IDADE DOURADA.!!!  

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O trem saudoso! - Amora

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O trem saudoso!
Amora

Estou velho, usado, gasto! Parado aqui neste parque, sirvo apenas para exibição! Coisa antiga usada para locomoção e atraindo curiosos!
Alguns entram, sentam-se, exclamam” deveria ser gostoso viajar assim! Que época boa! ”

Era mesmo! Muito bons aqueles tempos, quando minha obrigação era sair logo cedo da estação e levar gente ocupada ao seu destino, trabalho ou passeio, ansiosos, alegres, felizes para chegar.

Levava meu trabalho a sério, obedecendo rigorosamente os horários. Assim que ouvia o apito do motorista, disparava em direção a Santos, ou, na volta, para São Paulo. Meu roteiro era esse. Ligar Santos a São Paulo e vice-versa, através dos trilhos.

Acho que hoje nem existem mais trilhos! Era tão gostoso ouvir aquele barulho diário, equilibrando-me para não sair deles. E as paradas, então, era um baque súbito que, levemente, eu freava, para ninguém cair.

Gostava muito dos meus passageiros. Muitos, andavam diariamente comigo. Ficávamos amigos. Assim que eu apontava na estação, corriam para mim como se fosse um abraço apertado dado num amigo. Eu ficava satisfeito!

Outros, desconhecidos, de cara emburrada, meio preocupados, logo mudavam suas fisionomias, ao começar a viagem. Sentavam tranquilos, olhando a bela paisagem, ainda mata cerrada. Sorriam e observavam pela janela o tempo todo.  Quando próximo ao mar, então, dia claro, ensolarado, a admiração era grande. Só ouvia exclamações de prazer.

Saudade daqueles tempos.  Havia vida, movimento. Não era apenas um objeto.  Lembrança de uma época passada.  Demonstração.

Nunca tive nenhum acidente nem acontecimento triste. Ah! Lembro-me agora, sofremos uma perda, certa ocasião. Quem nunca as teve.

Todos os dias levávamos a Santos um senhor muito distinto, elegante, com sua bengala de cabo de prata e cartola alta. Nunca soube se era passeio ou trabalho. Sr. Honório.

Acompanhava-o uma bela moça morena, de cabelos cacheados puxados num coque alto, bem trajada, sempre sorrindo. Parecia filha, afilhada, nada perguntamos.  Cada passageiro era livre, desde que tivesse sua passagem.
Acostumamo-nos com eles.  Gostávamos de vê-los sempre bonitos, bem vestidos, felizes.

Numa manhã meio escura, com neblina pelo caminho, paramos numa pequena estação para recolher um cavalheiro meio agitado, fazendo muitos sinais. Logo que subiu, não sentou, mas começou a percorrer os vagões como se estivesse procurando alguém. Parou bem à frente do sr. Honório e sua acompanhante. Olhou-os feio e, sacando de um revólver, atirou neles, bem no coração. Foi um escândalo. Gritaria por todo o lado. O bilheteiro, o maquinista, todos correram ao local, mas não deu tempo para salvá-los. Morreram os dois ali mesmo, ambos abraçados, enquanto o outro pulava minha janela. Tivemos que voltar, teve polícia, ambulância, declarações.

Meu coração ficou apertado! Mal conseguia dirigir.  Dó, susto, medo, não sei que sentimento me abateu. Fiquei pasmo por muitos dias!  Justo comigo, tão calmo, uma tragédia dessas!

Soube depois que a moça linda era casada, mal casada, pelo jeito, sendo sr. Honório seu amante. Iam a santos para namorar.

O assassino, descoberto, foi preso, julgado e, logo solto, achando os jurados que todo homem traído tinha que lavar a honra com sangue. Leis antigas do nosso passado, abolidas com o tempo, felizmente. Temos algumas mudanças, atualmente, que vieram para o bem.

Sem esse acontecimento, posso dizer que minha vida de trabalho foi muito boa, deixando saudade.  Gostei de ser um trem de passageiros, de percorrer aqueles trilhos, ver paisagens pitorescas, conhecer gente amável e alegre, que sabia vivenciar uma viagem, sem pressa de chegar


Fico aqui neste parque, enferrujando minhas peças, atraindo olhares, tentando gostar. Não é mais a mesma coisa!

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

FIGURAS DE LINGUAGEM - TABELA DE CONSULTA RÁPIDA

Tabelinha de consulta rápida: FIGURAS DE LINGUAGEM

FIGURAS DE PALAVRAS
FIGURAS DE PENSAMENTOS
FIGURAS DE CONSTRUÇÃO
Comparação:
Elementos ligados por conectivos comparativos explícitos. Ex.: Correu como um guepardo assustado.
Antítese:
Dois termos que contrastam entre si. Ex.: Ela guarda um coração grande em alma pequena.
Anáfora:
Repetição de uma mesma palavra no início de versos ou frases. Ex.: Ontem foi o último dia que a vi. Ontem jamais esquecerei.
Metáfora:
Comparação implícita entre dois elementos. Ex.: Seu olhar é um céu a me espreitar.
Ironia:
Dizer o contrário do que se pretende para ironiza-lo. Ex.:  A boazinha Dona Maria era  especialista em judiar dos pequenos.
Pleonasmo:
Redundância cuja finalidade é reforçar a mensagem. Ex.: Subi a subida um picar de olhos!
Metonímia:
Uma analogia por sentidos próximos, relativos. A parte pelo todo. Ex.: Os cabelos brancos chegaram cedo = (a velhice).
Apostrofe:
Chamamento enfático a alguém (ou alguma coisa personificada).  Ex.: Senhor, não me abandone!
Elipse:
Omissão de um termo da frase que não foi enunciado anteriormente. Ex.: Na casa, nenhum sinal de vida. (Omissão do verbo haver)
Catacrese:
Quando por falta de um termo específico para designar um conceito, torna-se outro por empréstimo.  Ex.: Quebrei o braço do sofá!
Eufemismo:
União de ideias contraditórias. Ex.: Quanto mais trabalha, mais pobre fica.
Zeugma:
Variedade de elipse; omissão de termo anteriormente expresso. Ex.: O inocente foi preso, o culpado solto.
 Sinestesia:
Mesclar, numa expressão, sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido. Ex.:  Era muito áspero o doce de seus olhos.
Hipérbole:
Exagerar uma ideia com finalidade enfática. Ex.:  Estou morrendo de medo!
Assindeto:
Falta de conjunção entre elementos coordenados. Ex.: Estava pálido, gelado, atrapalhado.
 Onomatopeia:
Imitar um som com um fonema ou palavra: Ruídos, gritos etc. Ex.: Ratatatá disparou  a metralhadora fria.
Prosopopeia:
Atribuir a seres inanimados predicativos que são próprios de seres animados. Ex.: O jardim dorme há anos.
Anacoluto:
Deixar um termo solto na frase. Ex.: O mundo, as leis precisam ser mais rígidas.

Por: Ana Maria Maruggi

A VIDA POR UM FIO - Henrique Schnaider


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A VIDA POR UM FIO
Henrique Schnaider

João nasceu de uma família abastada,  teve uma infância muito feliz, sempre cercado pelo carinho de seus familiares.

Seu pai Artur, era um senhor de figura austera, raramente era carinhoso ou brincava, chegando a causar no menino certo receio, tanto que o garoto evitava muito contato.

Mas, João tinha a proteção de um ente misterioso que ele não sabia quem era, de quem o menino tornou-se muito próximo, que  lhe sussurrava coisas quando ia dormir. O garoto não sabia se isso era apenas parte de seus sonhos.  Com o correr dos anos, por inúmeras vezes sentiu a presença daquele espirito, principalmente quando estava passando por alguma situação de perigo ou medo.  

A vida de João transcorreu sempre lutando com muitas dificuldades junto com a família de classe média baixa, até conseguir formar-se em Engenharia, o que melhorou seu padrão de vida. Casou-se com Cristina, com quem formou uma bela família, com dois filhos.

Trabalhava muito para manter o padrão de vida das crianças. As obras eram sempre em cidades periféricas e a rodovia passou a ser sua grande companheira de trabalho.  Até que uma tarde, voltando para casa, João sofreu um terrível desastre. Seu automóvel capotou e ele foi lançado distante. Imediatamente, foi socorrido,  levado para o hospital, onde se submeteu a  uma cirurgia de emergência.

Naquele estado de dormência anestésica, enquanto era operado, não lhe parecia que o fim estivesse ali, algo o mantinha atado à vida. Percebeu a presença de um homem dando-lhe a mão, carinhosamente. De onde estava visualizava os médicos em franco trabalho de salvar-lhe. Sentiu um misto de assombro e curiosidade, estava fora de seu corpo.   

Olhou para aquele senhor de cara bondosa que sorrindo lhe disse: “Lembra-se daquela vez que você quase se afogou, eu estava lá. E quando você quebrou a perna jogando futebol tive que ajuda-lo de novo. Sou seu anjo da guarda e estou aqui mais uma vez para socorrê-lo, já que ainda não é sua hora de partir, portanto volte ao seu corpo que logo mais irá acordar são e salvo”.

João acordou com previu seu anjo da guarda e logo se lembrou da conversa que tivera com ele, sentindo-se tranquilo e confiante, pois sabia que sobreviveria. 

A partir daí o rapaz, sentia-se ainda mais confiante, sabendo que seu anjo, que o acompanhou por toda a vida, sempre estaria ao seu lado.



UM TREM COM ALMA - Henrique Schnaider


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UM TREM COM ALMA
Henrique Schnaider

Foguinho era um trem que possuía alma e falava,  sempre lembrando das histórias que seus passageiros contavam.

Sorriu lembrando-se do dia em que percebeu que Laura estava olhando fixamente pela janela, notou-lhe o semblante de desespero,  logo deduziu o pior, ela estava a ponto de um suicídio Isso já havia acontecido antes e Foguinho sabia bem como era. Diminuiu a velocidade ao extremo, rastejava pelos trilhos dando à Laura tempo de arrepender-se. E foi que aconteceu. Laura voltou para a cabine  arrependida da intenção tresloucada. Foguinho ria orgulhoso do que fizera salvando-lhe vida.

Foguinho estava entrando na estação, cautelosamente, até que finalmente parou certinho na plataforma de embarque dos passageiros. Ele era bom demais nestas manobras ao parar nas estações. Resfolegando todo e observando com curiosidade as pessoas que embarcavam.

Lá vinha um casal muito simpático, acompanhado dos três filho, na maior alegria já que iriam passar férias na fazenda que pertencia à família por mais de dois séculos, propriedade que lhes proporcionava muitas alegrias, muito lazer e muitas comidas gostosas.

Foguinho ouvia deliciado o filho do casal que queria andar a cavalo, pescar e comer as deliciosas comidas e os maravilhosos doces caseiros que a  Antônia fazia para eles com enorme prazer. Ah, pensava Foguinho, quem me dera tirar umas férias também, ir para oficina e entrar numa reforma completa.

De repente o trem surpreso, observou dois policiais trazendo um preso algemado. Ouviu quando um dos policiais disse ao preso que soubesse se comportar, enquanto estivessem viajando no trem, pois se fizesse algo errado sua pena de detenção aumentaria. Foguinho pensou e disse a si mesmo “acho que hoje teremos confusão”.

La vinha um grupo de escoteiros alegres, porém muito disciplinados. Ia para as montanhas acampar em treinamento de sobrevivência e Foguinho pensou como seria bom se ele pudesse acompanhá-los e se divertir junto com a garotada.

O trem deu um apito agudo e com todos a bordo, partiu vagarosamente levando todas aquelas histórias para o seu destino e sentiu-se muito orgulhoso, já que seria ele quem os levaria aos seus destinos.

Depois de alguns dias enquanto Foguinho já trazia de volta aquela família que foi para a fazenda,  ouvia encantado as conversas sobre todas as aventuras que aconteceram por lá.

Foguinho olhou na segunda cabine e lá estavam os dois guardas que levaram dias antes o preso algemado,  e pela conversa dos dois as coisas ocorreram na mais absoluta tranquilidade.

O trem ficou na maior alegria quando viu o grupo de escoteiros retornando das montanhas, chefiados pelo senhor Alberto, pelas conversas muito animadas, Foguinho entendeu que as aventuras foram muitas.


O velho trem pensou o quanto era feliz carregando seus passageiros e ouvindo tantas histórias de vida.

FINALMENTE O PARAÍSO - Do Carmo

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FINALMENTE O PARAÍSO
Do Carmo


Em uma das ilhas do arquipélago de Faroé, em paradisíaca praia da vila Gasadalur, território da Dinamarca, Ricardo, jovem turista apaixonado por fotografias, passa por uma inusitada experiência jamais imaginada e principalmente acontecendo em sua solitária e primeira viagem de turismo.

Deslumbrado pela paisagem de exuberante beleza, com variada topografia de montanhas cobertas de flores coloridas, tal qual um caleidoscópio, abismos terminando com um mar agressivo de esmeralda, quedas d’água e morosos riachos cortando campinas, Ricardo fotografava compulsivamente.

De súbito, surpreende-se ao avistar um pequeno casario, composto de cinco casebres. Aproxima-se e constata que todas estão abandonadas há anos, elas têm espessa cobertura de areia trazida pelo vento marinho.

Ricardo empolgado fotografa-as de vários ângulos, e ao passar por uma delas, ouve um grunhido entre animalesco e humano.  

Cautelosamente, aproxima-se da choupana e notando a porta apenas encostada, empurra-a e, oh! Assusta-se com o que vê.

 Meu Deus! Será que estou tendo uma visão diabólica? Que lugar fétido, mal iluminado, como vive essa criatura! 

Em pé, de braços esticados, vê um ser, misto de humano e animal, sujo, com barba e cabelos enormes, falando em italiano corretamente.

— Eu sou Bruno, de família italiana, morava na Itália com meus pais quando aos doze anos, voltando da escola, fui sequestrado por três homens mascarados, que me aplicaram uma injeção e quando dei por mim, estava aqui, sozinho e abandonado, sem nada, somente com esse colchão. Estou aqui há dez anos. Diariamente converso com as paredes para não enlouquecer, conto os dias para saber o tempo que aqui estou. Durante todos esses anos, ninguém apareceu. Por favor, tenha piedade de mim, ajude-me a voltar para minha família, se é que ainda a tenho. Poço dar-lhe um abraço?

Ricardo abraçou-o emocionado, sem importar-se pelo estado deplorável em que se encontrava a pobre criatura.

Alguns tempo depois dessa singular emoção, os dois rapazes partiram na lancha de Ricardo, sem pensar nos empecilhos que passariam para conseguirem chegar ao destino almejado, atracou na primeira ilha que encontrou, comprou alimentos e água, e depois de um bom e tépido mergulho, os amigos sorrindo, sentaram-se na areia macia e comeram como dois irmãos.     


O TREM DA ALEGRIA - Do Carmo


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O TREM DA ALEGRIA
Do Carmo


Sem falhar um dia, está parado na plataforma da cidadezinha de Boa Ventura, o majestoso Trem da Alegria, nome adorado por ele mesmo, em consequência de sua fama de milagroso

Chega pontualmente às quinze horas, em meio a grande algazarra, fica esperando seus passageiros para levá-los à conquista da felicidade.

Há alguns dias ele está um pouco intrigado com uma das passageiras, que diariamente faz a viagem sem descer do trem, quando chegam ao destino ela fica alheia ao movimento dos viajantes ao descer, conversando em alta voz e quando voltam, carregados de bugigangas, comentam os conselhos recebidos para resolverem os problemas que os afligiam.

Orgulhoso de sentir-se responsável pela felicidade de tantas pessoas, fica cantarolando enquanto espera seus passageiros acomodarem-se.

Na garagem, fica ansioso até chegar algum companheiro para, ostensivamente contar as vitórias que ele ajudou a realizar.

Contudo, ele tem um sonho há muito acalentado: deslizar por trilhos de outras estradas, não necessariamente grandes metrópoles, mas de pequenos vilarejos, onde todos se conhecem e são amigos e que aplaudiriam a felicidade conquistada.

Esse trem, se tivesse oportunidade de contar as histórias que conhece sobre essas viagens, certamente receberia um premio Nobel de Colaborador da Felicidade do Povo.

E assim pensando, com o coração feliz por ter cumprido com o seu dever, adormece sorrindo, para sonhar com anjos que o protegem de acidentes.


MITO OU VERDADE - Do Carmo


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MITO OU VERDADE
Do Carmo


Há muitos anos aconteceu uma ocupação britânica ao arquipélago Faroé. Decorrente desse fato, foi construída uma escadaria ligando a praia ao vilarejo “Gasadalur”, que fica na maior ilha daquele complexo.

Contam os mais antigos do lugar, que antes de mil novecentos e quarenta, quando ainda não havia essa ligação, o único meio de ir para a praia, era caminhar contornando as montanhas. Como eram muito altas, escolhiam as menores, menos altas,  porém perigosas, uma vez que havia vários abismos nesse percurso.

Em uma dessas histórias é citado o desaparecimento de uma menina, Esther, filha do rei Kelos, quando em uma tarde de primavera, colhia flores, passeava pelas montanhas que contornavam o castelo, desapareceu e nunca foi encontrada.

Dizem que um peixe enorme, de um salto a engoliu e se escondeu no fundo do mar, entre os rochedos.

Na primavera, em noites de lua cheia, aparece um vulto vestido de branco, muito semelhante a Esther, carregando um grande buquê de flores coloridas, a mesma flor que dá volta à montanha mais alta. Esta montanha está de um lado, perto de outras montanhas formando uma pequena cordilheira e do oposto, o mar, que está constantemente revolto, com ondas atingindo o topo dos rochedos.

Há, bem próximo aos rochedos, um abismo, a encosta de uma altíssima montanha.

Nunca essa narrativa foi comprovada, alegam ser um lugar muito perigoso por seu difícil acesso.


Será um mito ou verdadeira essa história? É mais prudente não saber.

DESCOBERTA FELIZ - Do Carmo


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DESCOBERTA FELIZ
Do Carmo


Essa voz é da mamãe, seu “Olá!” é inconfundível. O papai tem a voz bem mais forte e grossa, os parentes e amigos, não conversam comigo, Ah! Essa vózinha suave, que murmura coisas lindas, Opa! agora estou ouvindo ela cantar, a canção é tão suave que vou aaaaahh! Dar uma cochilada.

O tempo passou, nasci, cresci e a vózinha continua a sussurrar suaves mensagens quando tenho alguma dúvida, quando estou em perigo, sempre com doces palavras de carinhosa amizade.

Hoje, já estou crescida, tenho seis anos. Como demorou em chegar a hora de poder ir para o Colégio. Ufa, que felicidade!

Hoje o dia foi imensamente feliz, pois a Madre Superiora fez uma palestra preparatória para as aulas de Catequese e liberou todas as alunas para assistirem, alegando ser uma iniciação espiritual.

Fiquei atenta a todas as palavras, quando Uau! De repente ela falou de um tal de Anjo da Guarda, que nos acompanha desde antes de nascermos.

Eta! Já sei de quem é o Psiu! Quando falo muito ou alto, Aiai! Quando faço algo errado e me embala com seu prolongado Chiiiiiiiii Chiiiiiiiiii Chiiiiiiiii! Para eu dormir.

Num Vapt Vupt! Batizei-o de Raio de Sol, que me aquece com carinho e ilumina a minha vida.

Como é bom ter um Amigo Celestial



Encontro misterioso - Alberto Landi

  Encontro misterioso Alberto Landi A nave da Catedral de Chartres era ampla e alta; colunas robustas sustentavam os arcos que pareciam subi...