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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Dupla personalidade - Henrique Schnaider


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Dupla personalidade
Henrique Schnaider

Antônio era um ator famoso de novelas e estudava seus personagens de forma profunda, assumindo-os de tal maneira, que isso começou a influenciar sua personalidade.

Ele era casado com Lilian e tinham cinco filhos lindos, mas vivia uma vida de sonhos.

Nesta ultima novela seu personagem Álvaro era um homem dominador, poderoso, que se apaixona por Bianca, representada pela atriz famosa Alice dos Santos, com muitos anos de carreira.

No enredo, Álvaro levou muito tempo para conquistar Bianca, filha de um rico fazendeiro, que fora criada como um bibelô por seus pais e acabou se tornando muito mimada e geniosa, e acaba não resistindo aos encantos de Álvaro que acabou por pedir a mão de Bianca em casamento, que aceitaram imediatamente. O namoro foi de vento em popa.

Fora do enredo, Antônio começou a sentir-se atraído por Alice, que por sua vez correspondeu ao interesse dele, e as cenas românticas da novela começaram a ficar quentes.

O caso começou a ficar sério, colocando em crise os respectivos casamentos. Com o correr dos dias, começaram os desentendimentos cada vez maiores entre Antônio e Alice.

Depois de muitas brigas o casal caiu na realidade e percebeu que na verdade quem estava apaixonado era Álvaro por Bianca e, respectivamente, ela por ele. Perceberam que  ambos os atores haviam assumido os personagens da novela em que eram os protagonistas trazendo-os para realidade, provocando toda aquela situação perigosa quase destruindo seus casamentos.

Voltaram às gravações, agora muito mais comedidos e levaram seus papeis numa boa, sem mais nenhuma confusão.

Finda a novela, ambos resolveram dar um tempo com as representações  e procuraram cada um o seu analista para ajudá-los com a confusão de sentimentos que as novelas provocavam neles.

Quanto aos seus casamentos, se solidificaram e melhoraram seus relacionamentos aparando as arestas, voltando a vida normal de felizes casais no melhor momento de suas vidas.


sexta-feira, 19 de maio de 2017

Deus demora, mas não falha. - Ana Catarina SantAnna Maués


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Deus demora, mas  não falha.
 Ana Catarina SantAnna Maués

             Yolanda, mais conhecida como dona Landinha, era uma moça velha muito alegre. Já beirava os sessenta. Sempre viveu na casa onde nasceu, por isso os vizinhos já sabiam como era o cotidiano dela. Todos os dias saia cedo de casa para participar da santa missa, não importando o tempo. Chovesse ou fizesse sol, a simpática moradora da casa de número oitocentos e noventa e seis, estava a caminho da igreja, que não era tão longe, mas também não era tão perto. Passava, dando um bom dia festivo, e as vizinhas linguarudas comentavam:
              Ela nunca casou?
             Que eu saiba não!
            — Eu a conheço desde menina. Ela era muito linda. Até hoje podemos notar.   Não sei bem a sua idade, deve ter a minha, pois em criança brincávamos juntas com a meninada.
               _ Ela nunca namorou? Perguntava mais uma vizinha curiosa.
               _ Claro que não! Ela gostou muito de um coleguinha nosso, mas nunca soubemos se foi correspondida.
                 Landinha sabia que era alvo de comentários deste tipo, porém não se importava. De coração puro, entregue às coisas de Deus, os cochichos que  as vezes vinha saber, não causavam-lhe surpresa,  sempre dizendo que era falta do que fazer.   Ela nem imaginava que ali bem próximo, existia um homem, mais ou menos da sua idade, que nutria por ela grande amor.  Chamava-se Diogo.
              Diogo era contador, recente aposentado da firma FSTransporte, que se acostumou à rotina de acordar cedo para o trabalho, e dizia quando lhe perguntavam, que adorava ver o sol nascer, mas na verdade o que ele queria mesmo, era ver Landinha passar em frente à sua casa, embora ela nem soubesse da sua existência.
             Acredito que o destino já tinha marcado, vai ser hoje.
             Diogo como de costume, esperava vê-la passar.  Lá vem ela, disse, e de repente debaixo da janela, ela caiu. Mais do que depressa ele correu para acudi-la. Aconteceu uma troca de olhares apaixonado. Ele ao levanta-la do chão e ela por se deixar carregar por um homem elegante e lindo.
         Não demorou meio ano para realizarem o que ambos já desejavam. Ele, casar depois de aposentado, e ela, como dizia para as amigas, pedia sempre na hora da comunhão, que Jesus lhe enviasse um bom homem para casar. Agora agradece o marido que Deus lhe deu dizendo:

         — Não precisava me jogar no chão meu Jesus!  

Consulta médica - Ana Catarina SantAnna Maues


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Consulta médica
Ana Catarina SantAnna Maues

Sr. Sebastião, um nortista, estava  recente na cidade  de São Paulo, hospedado na casa do filho, Cláudio,  para uma consulta médica.                                              
            Que cidade fria! Reclamava seu Sebastião desde que chegou no sudeste do Brasil, vindo do Pará.  Minha terra é que é gostosa, quente que só o quê, não vou ficar muito por aqui não, tô até com saudade das picadas do carapanã de lá.
            O filho escutava e não falava nada. Sebastião, experimentando uma sobremesa de açaí continuava:
             Esse açaí daqui não presta,  o bom mesmo é o de lá, tão grosso  que demora a escorrer pela vasilha. Lá se toma na cuia acompanhado de pirarucu.  Ah meu filho! Aqui não se vive bem não.
             Cláudio, filho de Sebastião, tem bastante paciência com o pai, pois reconhece sua pouca instrução, mas neste momento responde irritado:
              — Calma, você vai voltar pra sua terrinha meu pai, não se preocupe. Sua consulta no médico já foi marcada. Um pouco de ânimo seria bom, o senhor está me deixando louco, cada hora inventa algo e fala, fala, aff!!!  Não consigo me concentrar, o senhor sabe que trabalho com computadores, e isso requer muita atenção.
             Finalmente chegou o dia da consulta, e seu Sebastião, entrando no consultório vai logo falando:
            — Bom dia dotô.  Sou um homem direto ao assunto, não quero perder meu tempo e nem do sinhô. Meu filho acha que eu tô com a ispinhela caída, pois sinto muita dor nos quarto. Tudo começou quando vi uma pereba no pé, me abaixei, mas tinha comido muito no café, o sinhô sabe né, café no norte é bem farto, tem mingau, tapioca, macaxeira, e eu tava empachado, o zóio tava nuviado com remela, ai perdi o equilíbrio e caí. De lá pra cá é uma dor nas cadeira que não passa. Foi mal jeito no espinhaço não foi?
   Bem,  seu Sebastião. Vou pedir alguns exames radiológicos e depois vemos o que aconteceu. Ok?
               Feitos os exames, seu Sebastião, desta vez com o filho, retorna ao consultório.
            O médico verifica tudo e vê que não é nada de sério. Receita anti-inflamatório e conversa explicando tudo ao paciente.
             Dias depois, já no aeroporto, embarcando pra sua terra tão querida, despedindo-se do filho, fala:
         — Viajar nesse troço me dá gastura, não sou passarinho. Chego lá com o pé durmente.  Sabe o que acho que aconteceu meu filho, mau olhado do cumpadre Jacinto. Mas meu santo é forte e o quebranto não pegou. A primeira coisa que vou fazer quando chegar, é ir até o ver-o-peso e comer peixe fresquinho.

            Pai e filho se abraçam, em despedida comovente. 

O CIDADÃO ILUSTRE - CINEMA - RECOMENDAÇÃO DE FILME


O CIDADÃO ILUSTRE



Título original: El ciudadano ilustre
Direção: Mariano Cohn, Gastón Duprat
Elenco: Oscar Martinez, Dady Brieva, Andrea Frigerio, Nora Navas, Belén Chavanne, Julián Larquier Tellarini

Sinopse:
Daniel Mantovani, um escritor argentino e vencedor do Prêmio Nobel, radicado há 40 anos na Europa, volta à sua terra natal, ao povoado onde nasceu e que inspirou a maioria de seus livros, para receber o título de Cidadão Ilustre da cidade - um dos únicos prêmios que aceitou receber. No entanto, sua ilustre visita desencadeará uma série de situações complicadas entre ele e o povo local.
Comédia | 14 anos | 118 min | Argentina

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMAS

Augusta
Sala 1   Descrição: Legendado   14:00 - 16:20 - 18:50 - 21:20   Dia 24/05 não haverá sessão às 16:20 - 18:50 - 21:20
Sala 1   Descrição: Legendado   Dia 20/05 às 23:59   Sessão Extra

Frei Caneca
Sala 6       14:00 - 19:10 - 21:30

Pompeia
Sala 10   Legendado   16:00   


Veja um trecho do filme:


O inferno - Ana Catarina SantAnna Maués


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O inferno
Ana Catarina SantAnna Maués

             No céu fogos de artifício marcavam a chegada de mais um ano. O espetáculo era apreciado da varanda da grande sala oval do Centro de Estudos em Teologia, que levava o nome do mestre Dr. Ulisses, já falecido.  Brindes eram erguidos com votos de felicidade aos presentes.  Ali estava a nata dos mais conceituados teólogos dedicados aos estudos a respeito de Deus, Religiões, Bem e Mal, e assuntos afins. Em ocasiões como estas, Dr. Ulisses era sempre lembrado com carinho, pois suas teorias a respeito dos mistérios do além, do pós-morte, eram consideradas por todos, como verdadeiras pérolas. Iniciaram então vários comentários sobre o Dr. Ulisses, elogios foram tecidos ao caráter da ilustre personalidade, principalmente do modo como defendia suas teses, com eloquência admirável, e sempre muito bem elaboradas. A noite foi mesmo só de lembranças sobre a grande contribuição que ele deixou para a teologia.        
          Na primeira reunião do grupo após a festa de réveillon, os ilustres professores foram chegando ao local, e como de costume cumprimentos calorosos e animadas conversas paralelas tomaram conta do ambiente. Até que um dos presentes citou o curioso sonho que teve justamente no primeiro dia do ano:
— Caros colegas, vou expor com fidelidade o que sonhei, mesmo porque as palavras que ouvi me foram reveladoras como teólogo, e ficaram gravadas na mente, como o ferro em brasa marca um gado, mas por certo não conseguirei transmitir a sensação que tomou conta de mim na hora em que estava sonhando. Confesso que acordei impressionado, foi muito real. Bem, vamos lá. Estava em minha cama quando de repente um vento frio arrepiou meu corpo, logo depois uma voz de homem, sussurrou próximo ao meu ouvido, dizendo que as aspirações do homem ficam acumuladas em sua alma imortal. Enquanto vive, parte destes desejos são realizados através de seu corpo físico. Ao morrer, perde-se o corpo, mas as aspirações seguem impregnadas na alma. Sem a consciência imediata de que morreu, o tempo passa e a alma começa a inquietar-se. Não sabe onde está, não enxerga nada nem ninguém, mas sente que tem gente ao redor. Mexe os membros, mas não vê que os mexeu, coloca a mão no peito, mas não sente nenhum peito, tudo é escuridão. Um desejo incontrolável de querer coisas e pessoas invade o ser, iniciando grande tormento.  Só trevas em volta e ausência de esperança, pois ela faz parte da vida e não da morte. Este estado permanente sem satisfação, vai transformando-se em ódio. Você entende que você acabou, mas permaneceu.  Não encontrando algo para direcionar tanto tormento, ele cresce e multiplica. As lembranças da vida que teve, irão acentua-lo, que é como fogo, que com o tempo eterno começará a iluminar o ambiente, e então perceberá que está no inferno.
                 Ao fim do relato, todos permaneceram estáticos, um silêncio perturbador, até que um deles gaguejando disse:
— Tive o mesmo sonho nesta data também.

                 Ao mesmo tempo outros dois professores assumiram que tiveram a mesma experiência. E assim foi indo e indo, cada vez era um que denunciava ao grupo que sonhara a mesma coisa, até que concluíram que ocorreu um evento sobrenatural com eles.  Nesta noite não houve reunião, estavam demasiadamente intrigados com o sucedido. Nenhum deles ousava declarar que a voz reveladora do sonho, era de alguém conhecido, o excelso Dr. Ulisses.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Perdão e Pesar - Ana Catarina SantAnna Maues

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Perdão e Pesar
Ana Catarina SantAnna Maues

                   Levando uma vida comum, assim estavam Nelson e Dalita. Ele era eletricista e ela ajudante de padeiro. Ambos com personalidade tranquila, eram bem discretos. A relação entre eles era marcada pelo respeito e afeto. Exibiam na mão direita o único bem valioso, a aliança em ouro adquirida com sacrifício. Sem ajuda dos parentes preparavam-se para casar. Tudo caminhava harmoniosamente entre eles até que a padaria foi vendida para um jovem bonito e solteiro. Esse fato mexeu bastante com o humor de Nelson, que passou a buscar Dalita no trabalho. Numa tarde ele ficou espreitando e viu quando o jovem proprietário acariciou o rosto dela. Mais do que depressa ele atravessou a avenida e entrou na padaria querendo confirmar o que vira. Indagando sobre o que ocorrera, Dalita explicou que havia machucado o dedo, e que o proprietário ao vê-la chorar ofereceu-lhe um lenço, mas sem tocar no seu rosto.  Isto não ficou bem esclarecido na cabeça de Nelson que passou a desconfiar da fidelidade da noiva. Quando indagava sobre seu dia no trabalho era com sarcasmo e  Dalita reagia indignada iniciando assim mais uma discussão.   As brigas passaram a ser frequentes pelos motivos mais fúteis, e cada vez mais violentas, com Nelson dando apertões, beliscões e vez por outra até tapas no rosto de Dalita. Ela vivia deprimida, amargurada, insegura com o temperamento oscilante do noivo, mas com muita esperança de que tudo passasse.  Lutava com a arma da paciência e do perdão, não queria desmanchar o compromisso, pois o amava de todo coração.  
                      No final de uma tarde, chovia bastante, e Dalita recebera o aviso de que Nelson não viria buscá-la. Ao sair, dirigiu-se ao ponto de ônibus, e lá estando viu chegar de carro novo, Cláudio, seu irmão mais velho. Ele a viu na parada e ofereceu carona, que ela aceitou muito feliz. Chegando em casa qual a surpresa, Nelson a estava esperando, e a viu sair do carro. Cego de ciúmes não reconheceu o futuro cunhado ao volante.  Imediatamente ali na rua mesmo, a briga começou. Ela já entrou chorando e gritava que queria acabar com o noivado. A discussão ficou maior e maior, caminhavam por o espaço da casa, até que chegaram na cozinha e Nelson enlouquecido lançou mão de uma faca sobre a mesa e transpassou o corpo dela que caiu imóvel.
                  Atônito, saiu dali, correndo e chorando sob a forte chuva. Foi em direção a única ponte da cidade, conhecido palco de suicídios. Dalita meu amor o que fiz meu Deus perdão éramos tão felizes como tudo chegou a ficar assim burro burro ciumento egoísta meu amor perdão a vida sem você não tem nenhum valor meu Deus por favor faz com que tudo isso seja um pesadelo que acordarei logo mereço o inferno matei o amor da minha vida Dalita te amo te amo nunca mais te verei meu amor pois você vai pro céu e eu para o inferno merecido
            Nelson chorava muito equilibrando-se na parte mais alta da ponte, pronto pra saltar a qualquer momento. Gritava o nome de Dalita forte e bem alto, estava fora de si. Já ia saltar quando escutou a voz da noiva chamar por ele. Olhou pro lado e a viu caminhando com dificuldade em sua direção toda ensanguentada. Pensou em milagre e desceu de onde estava, vindo encontrá-la. Entre beijos e caricias ambos choravam, ele ajoelhou-se e prometeu diante de muitos que acorreram ali, acompanhando toda aquela situação, e prometeu jamais repetir aquele ato, pedia perdão soluçando. 
             O tempo provou que o perdão de Dalita e o arrependimento de Nelson foram verdadeiros, e como num conto de fadas vivem felizes até hoje.   


ANIVERSÁRIO DO ICAL COM A REVISTA EIXO CULTURAL 2017





O ICAL faz 8 anos em junho, e para comemorar essa passagem será publicada a Revista Eixo Cultural 2017.

Esta edição estará recheada de contos, casos e causos. 

Em brave maiores detalhes.

Para quem não conhece nossa revista veja os links abaixo.



REVISTA EIXO CULTURAL NÚMERO 2 - ICAL


REVISTA EIXO CULTURAL NÚMERO 4 - ICAL


EM BREVE.

Balé fantástico - Ana Catarina SantAnna Maues


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Balé fantástico
Ana Catarina SantAnna Maues

     Tenho vários nomes, sou muito conhecido, quem me vê jamais esquece, tremendo só em lembrar. Aguardo ansioso o período em que sobe o calor do oceano e da água que evapora, acelerando-me. Como mágica surjo doido a girar e girar, encorpando a cada volta, com excepcional coreografia a meu bel-prazer.   Ano passado alcancei três pontos na escala, saí em noticiários, fui capa de revista, mas este ano será melhor, superarei em muito o rastro que deixei, já me sinto forte, imagina daqui uns dias.
        Passado algum tempo o calor aumenta e a evaporação cresce acentuadamente.

       Acordei bem-disposto, com sorrisinho no canto da boca, presságio de deleite.  Hoje bailarei por sobre o campo, arrancarei árvores, postes de luz, derrubarei casas, destelharei outras, erguerei pesados caminhões e tratores, e os lançarei longe só pra escutar a ferragem se quebrando ou o fogo da explosão quando tocarem o chão novamente. Folhas, galhos e muito pó irão fazer-me companhia num bailado inebriante. O furor me levara a extrema satisfação. Alcançarei o auge e inchado de prazer vou dissolver-me. Mas o melhor de tudo é ver o rosto pálido dos humanos diante da devastação total. Inertes ficam assim por dias. Suas vidas tão bem organizadas de uma hora para outra reviradas. Nivelo a todos, rico, pobre, velho, jovem, preto ou branco. Como um severo juiz, condeno-os à ajuda mútua por bem ou por mal. Levo-os a refletir conceitos e valores, forçosamente terão que meditar sobre o que realmente vale a pena. Dou-lhes a magnânima oportunidade de reiniciar.

Tem acento ou não tem acento?

Nova Gramática
Nova gramática ortografia brasileira reforma revisão ortográfica acordo ortográfico gramatical português língua portuguesa acentos acentuação
Acentos
1) Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói.
Antes
Atualmente
alcatéia
alcateia
diarréia
diarreia
epopéia
epopeia
estréia
estreia
idéia
ideia
lampréia
lampreia
mocréia
mocreia
moréia
moreia
odisséia
odisseia
panacéia
panaceia
andróide
androide
apóia
apoia
apóio
apoio
bóia
boia
clarabóia
claraboia
humanóide
humanoide
jibóia
jiboia
paranóia
paranoia
2) Permanece o acento nas palavras oxítonas terminadas em éis, éu, éus, ói, óis.
papéis, herói(s), troféu(s)
3) Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i ou u tônicos precedidos de ditongo.
Antes
Atualmente
baiúca
baiuca
feiúra
feiura
4) Permanece o acento nas palavras oxítonas terminadas em i ou u seguido de s.
tuiuiú(s), Piauí
5) Não se usa mais acento em palavras terminadas em eem e oo(s).
Antes
Atualmente
crêem
creem
lêem
leem
vêem
veem
abençôo
abençoo
perdôo
perdoo
vôo
voo
6) Acabou o acento diferencial nos seguintes pares:
·    pára/para
·    pêlo/pelo
·    pólo(s)/polo(s)
·    péla(s)/pela(s)
7) É facultativo o acento em fôrma/forma
8) Permanece o acento diferencial em pôde/pode para designar pretérito perfeito e presente do indicativo na terceira pessoa do singular.
9) Permanece o acento diferencial em pôr/por para designar verbo e preposição.
10) Permanece o acento diferencial para designar singular e plural em ter e vir e seus derivados (conter, deter, manter, reter, convir, intervir, advir etc.)
ela tem - elas têm
ele mantém - eles mantêm
11) Não se usa acento agudo no u tônico dos verbos arguir e redarguir no presente do indicativo:
tu arguis
ele argui
eles arguem
12) Os verbos terminados em guar e quar admitem duas pronúncias em algumas pessoas do presente do indicativo e do subjuntivo e no imperativo.
·    Se for pronunciado com a ou i tônicos: (mais corrente nos estados brasileiros)
enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam, enxágue, enxágues, enxáguem.
·    Se for pronunciado com u tônico:
enxaguo, enxaguas, enxagua, enxaguam, enxague, enxagues, enxaguem.


Epopeia do pequeno Natan - Ana Catarina SantAnna Maues


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Epopeia do pequeno Natan
Ana Catarina SantAnna Maues

     O carregamento estava concluído. Vários animais de diferentes espécies seriam transportados para um bonito espaço e serviriam de atração aos futuros visitantes do local.  Arrumados em caixas sem muito conforto estavam, araras, periquitos, patos, gansos, uma cabra, um jumentinho, e alguns coelhos. A bicharada estava em polvorosa, cada um gritava mais alto que o outro. Na caixa dos coelhos, Natan era o mais animado, nada escapava a seus olhinhos curiosos e seu narizinho inquieto, viajava em companhia dos primos e agitado com tudo aquilo, pisava no pé de um, hora no pé de outro, que reclamavam e só silenciaram quando o caminhão deu partida e ali de dentro começaram a observar a paisagem que se descortinava para eles, pois deixavam a cidade,  com os prédios, carros e pedestres, avançando em direção a área rural, mudando por completo o visual.                                                                
           Chegando na autoestrada todo aquele verde tinha um cheiro especial, árvores enormes faziam sombra pelo caminho, ficando cada vez mais agradável tudo ao redor, a luminosidade branda, o vento fresquinho. Natan estava atento a tudo, vez por outra colocava o nariz pela fresta da espécie de gaiola e cheirava, e cheirava.  De repente o veículo fez uma curva e entrou numa estrada de terra, começando a   balançar muito quando o motorista desviava dos enormes buracos.  As caixas escorregavam de um lado para o outro, fazendo com que seus ilustres passageiros iniciassem novo alvoroço. Até que aconteceu algo terrível, o caminhão tombou derrubando tudo no chão. As caixas de transporte da cabra, jumento e patos, abriram com a queda, e os animais escaparam. Natan não tinha ideia do que sucedeu, só queria estar lá fora com eles  e por ser   magrinho  passou  por uma estreita  rachadura na caixa que o prendia. Solto apreciava a liberdade com cautela, em passos curtos afastava-se, desbravando os arredores, sem se importar com os apelos dos primos que ficaram presos.    
           Enveredou-se feliz mata  adentro.  Pegou confiança e corria e corria sem direção, extasiado. Passado algum tempo sentiu fome, e uma lembrança surgiu na mente. No seu pequeno mundo anterior não lhe faltavam cenouras, e agora perguntava-se, onde estariam?
      Próximo ao caminhão o motorista tratava de recolher os fujões. Deu falta de Natan, e como estratégia espalhou pedaços de cenouras para atraí-lo. Mas o tempo passou sem que ele retornasse. O socorro chegou e a bicharada seguiu viagem, deixando Natan para trás.

       A noite chegou rapidamente. Na mata Natan não encontrou cenouras, mas uns arbustos saborosos mataram sua fome. O cansaço o abateu,  agora precisava de um lugar quentinho pra dormir. Procurou por ali abrigo, entrou no buraco de uma árvore, mas foi expulso por uma família de esquilos. Andou mais um pouco e avistou uma caverna, ficou de longe analisando se havia algum morador, foi quando presenciou a revoada de morcegos gigantes, ele não sabia que eram morcegos, nunca havia visto aqueles bichos, eram milhares deles. Natan esperou e percebendo que não voltariam, entrou sem temor.  Estava dormindo relaxado quando sons estranhos vindos do céu escuro o acordaram, uma forte chuva caia com trovões e raios que clareavam o interior da caverna, nessa hora viu uma enorme sombra tomar conta de toda a entrada. Quem seria? Seus olhinhos nem piscavam, a sombra veio entrando lentamente e acomodou-se lá no fundo. Natan sentiu muito medo, não quis arriscar servir de alimento e saiu dali. Já do lado de fora os pingos gelados da tempestade ensoparam rapidamente seu pelo até então quentinho. Dormiu sem abrigo. Quando amanheceu ainda chovia, e ele novamente com fome lembrou das cenouras. Desta vez não queria os arbustos. Caminhou cheirando tudo por ali, e veio aproximando-se da estrada. Que alegria quando viu pedaços de sua comida preferida. Saboreou-os lembrando dos primos, a saudade invadiu seu coração. Ficou parado roendo e lembrando, do caminhão, da bicharada.  Ao longe vinha vindo o motorista, jogando migalhas de cenoura por onde passava, Natan o reconheceu, e correu para saudá-lo, não via a hora de reencontrar sua amada família.      

Encontro misterioso - Alberto Landi

  Encontro misterioso Alberto Landi A nave da Catedral de Chartres era ampla e alta; colunas robustas sustentavam os arcos que pareciam subi...