A GRANDE JORNADA - CONTO COLETIVO 2023

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domingo, 11 de fevereiro de 2024

O pulo do leão - Hirtis Lazarin

 



O pulo do leão

Hirtis Lazarin

O caminhão cambaleava na estradinha de terra escorregadia e esburacada por conta das chuvas que chegaram exageradas após metros e mais metros de orações.  Tião partiu de última hora e não teve tempo de escolher o melhor caminho. Abandonou o prato quase cheio na mesa do almoço, arrancou uma camiseta do varal e quase esmagou o gato que atrapalhou sua passagem. Só após estar dentro do caminhão, percebeu que faltava a chave. O atraso provocou-lhe meia dúzia de palavrões cheios de ódio.  

Arrancou o veículo da garagem descoberta, arrastou a bicicleta do sobrinho e derrubou um balde cheio de água ensaboada. O piso cobriu-se de espumas e ficou escorregadio. Em meia hora, estava longe da cidade.   

Até agora, eu não vi no caminho nenhuma placa de trânsito e, realmente, não sabia se o motorista sabia pra onde estava indo.

Parecia que confrontava a sorte e quem confronta a sorte é muito corajoso ou já desistiu da vida.

Os pneus carecas e a carroceria que já foi envernizada e polida estava carcomida. Das letras garrafais que compunham o nome da família, desenhadas na madeira, só sobravam o “S” e o “A”. O caminhão era tão idoso quanto o pai de Tião, a única herança que o velho lhe deixou.

À medida que anoitecia, a mata que acompanhava a estrada foi ficando cada vez mais densa e fechada. O ruído feliz dos pássaros e o andar cauteloso dos animais acomodaram-se. A natureza é pontual nos seus compromissos.

O motorista acendeu os faróis, mas não funcionou. Desligou o motor, abriu a porta, cautelosamente, e só desceu após conferir todos os lados. Mexeu daqui e dali, mas nada mudou. Fez o que pode intercalando o fazer e o xingar. “Afinal não sou eletricista”. Foi a explicação que confortou seu coração naquele momento.

Se a velocidade do carro já era bem reduzida por conta do mau estado de conservação do caminho, agora, sem farol, a complicação dobrou. Não seguiu em frente.

Tião sentiu sede e fome. Virou e revirou a cabine em busca de uma sobra de alimento esquecido no banco, no meio de peças de roupas e papéis misturados. Nada.

Escuridão, fome, solidão…

A sensação era de perigo e a coragem do homem, que não era uma coragem tão grande assim, ouviu um rugido cada vez mais próximo. A esperança de que o animal não sentisse o cheiro de homem- por- perto foi por água abaixo. Dois olhos brilhantes e uma boca faminta aproximaram-se silenciosamente. 

Tião só conseguiu enxergar quando a fera parou à frente do caminhão. Enorme e cheia de dentes. Ele conferiu a maçaneta das portas. Frouxas, há muito tempo. Amaldiçoou a falta de dinheiro e a falta de zelo, indispensáveis na manutenção de um veículo.

O leão sondou o ambiente, deu um salto espetacular e alcançou o capô. Cheirou demoradamente o para-brisa, grudou o focinho no vidro e prendeu os olhos nos olhos de Tião. Tião não sentiu medo quando ficou responsável por levar o dinheiro roubado num caminhão caindo aos pedaços. Diante da fera desmaiou.

O dia amanheceu e Tião acordou agitado, com as mãos algemadas e rodeado de policiais.

 

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

AULA DE 07/02/24 - AS EMOÇÕES HUMANAS TRANSFERIDAS PARA OS PERSONAGENS

 







As emoções humanas nos ajudam a lidar com a vida cotidiana, permitindo-nos comunicar ou demonstrar o que sentimos em relação a certas situações, pessoas, fatos, pensamentos, sentidos, sonhos e memórias.

Muitos psicólogos acreditam que existem seis tipos principais de emoções, também chamadas de emoções básicas. Eles são: felicidade, raiva, medo, tristeza, desgosto e surpresa. A felicidade é a nossa reação ao positivo, assim como o desgosto é o revoltante e a surpresa é o inesperado. Da mesma forma, reagimos à aversão por meio da raiva, ao perigo por meio do medo e à dificuldade ou perda por meio da tristeza.

Todas as outras emoções são variedades de emoções básicas. Depressão e luto, por exemplo, são variedades de tristeza. O prazer é uma variedade de felicidade, e o horror é uma variedade de medo. De acordo com psicólogos, as emoções secundárias se formam combinando graus variados de emoções básicas. Assim, surpresa e tristeza produzem decepção, enquanto nojo e raiva produzem desprezo. Múltiplas emoções também podem produzir uma única emoção. Por exemplo, raiva, amor e medo produzem ciúme.

Cada emoção é caracterizada por qualidades fisiológicas e comportamentais, incluindo as de movimento, postura, voz, expressão facial e flutuação da taxa de pulso. O medo é caracterizado por tremores e aperto dos músculos. A tristeza aperta a garganta e relaxa os membros. A surpresa é uma emoção particularmente interessante, caracterizada por olhos arregalados e queixo caído, que dura apenas um momento e é sempre seguido por outro tipo de emoção.

Com os personagens literários, não é diferente. Eles têm reações reais aos conflitos, e essas reações são gatilhos emocionais que promovem a sequência da história. 

Aqui apontamos algumas delas para ajudar o escritor no desenvolvimento emocional do personagem:

Apatia / Ansiedade / Tédio / Compaixão / Desprezo / Êxtase / Empatia / Inveja / Medo / Constrangimento / Euforia / Perdão / Frustração / Gratidão / Mágoa / Culpa / Ódio / Esperança / Horror / Saudades / Histeria / Amor / Paranoia / Piedade / Prazer / Orgulho / Raiva / Arrependimento / Remorso / Simpatia...

 



Hoje falaremos do MEDO, emoção que atribuiremos ao nosso protagonista na história que será criada em na aula on-line:

 

O medo é a reação emocional a uma fonte real e específica de perigo. Um mecanismo de sobrevivência, o medo está geralmente relacionado a uma apreensão em relação à dor. O medo severo é uma reação ao perigo terrível que se aproxima, e o medo trivial ocorre como resultado de um confronto que não representa uma ameaça significativa. Os graus de medo variam de uma leve cautela à paranoia. O medo pode afetar a mente inconsciente por meio de pesadelos.

O medo é muitas vezes confundido com a ansiedade, que é uma emoção muitas vezes exagerada e vivenciada mesmo quando a fonte do perigo não está presente ou tangível. Embora o medo esteja ligado à ansiedade e a outras condições emocionais, como paranoia e pânico, é uma emoção separada por si só.

Os psicólogos descobriram que o medo pode ser ensinado. Por exemplo, as crianças podem ser condicionadas a temer certas coisas. Além disso, acidentes acendem medos. Uma criança que cai em uma piscina e luta para nadar pode desenvolver um medo de piscinas, natação ou água.

 




SEGUNDO CONTO:  nova história será criada, e o protagonista reagirá com RAIVA: (pesquisar mais)

 

A raiva é a emoção que expressa aversão ou oposição a uma pessoa, ou coisa que é considerada a causa da aversão. Os psicólogos consideram a raiva uma emoção natural necessária para a sobrevivência. A raiva pode trazer melhorias comportamentais; no entanto, a raiva descontrolada pode causar problemas sociais e pessoais.

Os psicólogos dividem a raiva em três categorias. Um tipo de raiva é uma reação instintiva a ser preso ou ferido. Outro tipo é uma reação à percepção de ser intencionalmente prejudicado ou maltratado por outros. O terceiro tipo de raiva, que inclui a irritabilidade, reflete os traços de caráter pessoal de um indivíduo.

A raiva às vezes é exibida por meio de atos agressivos repentinos e evidentes. Um indivíduo incontrolavelmente zangado é suscetível a perder a capacidade de fazer julgamentos sensatos e agir com responsabilidade. A raiva extrema é obviamente autodestrutiva, assim como a raiva que não é expressa externamente e mantida internamente. A raiva é muitas vezes mal utilizada por indivíduos que agem com raiva como um meio de manipular os outros.


A PERSEGUIÇÃO - Adelaide Barrozo Dittmers




 


A PERSEGUIÇÃO

Adelaide Barrozo Dittmers

 

A rua estreita estava deserta no fim daquela tarde chuvosa. Nuvens escuras eram empurradas pelo vento.

Um cachorro latiu, talvez alertado pelo barulho de passos rápidos, que ecoavam pela rua.

Uma mulher jovem, quase correndo, seguia pelo meio da rua, sem se importar com as pedras irregulares e escorregadias, que a faziam tropeçar.  Constantemente olhava para trás.  Feições contraídas pelo medo.  No ombro, uma bolsa de alças, colada ao corpo.

Ao virar a cabeça novamente desequilibrou-se e caiu.  Levantou-se como um raio, não se importando com os joelhos, que sangravam.  E mancando continuou seu caminho.

Mais adiante, parou em frente de uma pequena casa, empurrou com força o portão.  Atravessou o pequeno jardim e enfiou a chave na fechadura com mãos trêmulas. Entrou, batendo a porta.

Logo depois, uma cortina se mexeu na janela e uma sombra espreitou atrás dela.

A chuva desabou mais forte.  Raios riscaram o céu, seguidos pelo estrondo de trovões.   As luzes das moradias foram sendo acesas.

O balançar da cortina denunciava a presença da moça. O barulho de um carro juntou-se ao da chuva.  O veículo parou em frente à casa. 

A cortina parou de se mexer.  Um homem forte, com chapéu e capa preta saltou e perscrutou a casa com um olhar feroz.  Abriu o portão com violência e bateu à porta várias vezes. E nada. Nenhum movimento se ouvia.  A casa permaneceu escura e quieta como se estivesse vazia.

Com um gesto de raiva e uma expressão carregada e irritada o desconhecido correu para o carro. Bateu com violência no volante do veículo e saiu com velocidade.

Meia hora depois, a porta foi aberta devagar.  A moça apareceu e, olhando para todos os lados, foi lentamente até o portão.  Em uma das mãos carregava uma mala, na outra um guarda-chuva, que encobria parte de seu rosto.

Com rapidez, percorreu as ruas da cidade.  Atenta, movimentava a cabeça de um lado para outro.  A tensão endurecia seus passos. 

A estação de trem apareceu no fim de uma rua e ela acelerou, quase correndo ao avistá-la.

Chegando lá, correu para a bilheteria.  Poucas pessoas estavam lá, mas ela parou na plataforma, bem distante delas.  A ansiedade e o nervosismo inundaram o rosto lívido.   Apertou a alça da mala, como se quisesse afastar o medo, que a possuía.

Um apito surgiu ao longe.  A moça estremeceu e retesou o corpo.  O trem surgiu bufando sua pressa.  Mal parou, ela subiu pelos degraus e entrou.  Sentou-se a uma janela, embaçada pela chuva, olhando com ansiedade a plataforma da estação.

Minutos depois, as rodas rangeram ao contato com os trilhos e o trem começou a resfolegar pelo esforço de seguir o caminho.

Um forte e profundo suspiro irrompeu do peito da mulher.   De repente, seu rosto se transformou em uma máscara de horror ao divisar o home de capa preta, que surgiu na estação e correu na direção do trem, que foi ganhando velocidade.  O homem estacou, jogando os braços para baixo, ao perceber que não conseguiria alcançá-lo.

A perseguida fechou os olhos, recostando-se na poltrona.  Estava exausta. Nem o alívio de estar partindo descontraiu suas feições.  

No dia seguinte a pacata cidade foi sacudida pela notícia do assassinato do prefeito pela sua jovem amante.  Um policial à paisana, que passava, ouviu os tiros.  Entrou no lugar e viu uma mulher sair em disparada pela porta dos fundos.  Reconheceu-a.  O caso era um escândalo na pequena cidade.  No entanto, antes de persegui-la, tentou socorrer a vítima, que ainda estava com vida, mas não conseguiu.  O homem morreu em seus braços.


domingo, 10 de dezembro de 2023

O PODER DA INVISIBILIDADE - Leon Alfonsin Vagliengo

 


O PODER DA INVISIBILIDADE

Indignidade ou Pragmatismo?

 

                                                                                                                               Leon Alfonsin Vagliengo

 

 

Introdução: O ANEL DE GIGES

 

Conta Platão, no capítulo II de seu livro “A República”, que em época remota, na Lídia, um pastor de nome Giges encontrou um anel de ouro no dedo de um esqueleto humano gigante, após um terremoto, em uma fenda que se abrira no solo, próximo ao local onde ele apascentava ovelhas.

O anel, ele logo descobriu, possuía o poder de tornar invisível quem o utilizasse e, conforme a fábula, Giges, que era um homem comum até então, começou a fazer mau uso de seu novo poder, e perpetrou atos infames, até mesmo o de assassinar o rei da Lídia e ocupar seu lugar no trono.

 

Considerações:


Vemos, com esse mito platônico, que é bem antiga a atração do ser humano pelo anonimato, por permitir fazer o que se quer sem que ninguém saiba.

E o que se busca com o anonimato?

Certamente, o anonimato garante a invisibilidade na realização de qualquer ato, considerando-se que invisível é “aquele que não é manifesto, que não se deixa conhecer”. Portanto, não se trata, necessariamente, de uma invisibilidade física.

Com esse entendimento, o que significa e o que se busca com a invisibilidade?

Mas antes, um parêntese: "O conceito de Invisibilidade Social tem sido aplicado para referência a seres socialmente invisíveis, seja pela indiferença, seja pelo preconceito dos demais, o que nos leva a compreender que tal fenômeno atinge tão somente àqueles que nunca são lembrados, por estarem à margem da sociedade!". Nesta concepção, é, portanto, tema para estudos e ações de Justiça Social.

No entanto, voltando a esta abordagem suscitada pelo Anel de Giges, vemos que tem foco no comportamento humano decorrente de conceitos como cultura, religião e moral, educação e aprendizado, ética e dignidade, medo de punição ou vergonha do erro, num conjunto complexo, todos esses itens interagindo e operando na formação da personalidade e do caráter do indivíduo.

É o conjunto de normas e regras formadas com base na cultura, religiosidade e nos costumes de determinado grupo social, que servem para definir a moral desse grupo e orientar a maneira de agir das pessoas dentro daquele contexto específico.

O tema da moral está, portanto, diretamente ligado aos aspectos culturais do grupo social que a forja, a pensa e a pratica.

Por conta disso, estamos falando de um conceito de caráter particular, que se baseia, sobretudo, em hábitos e costumes válidos para cada comunidade.

Os valores morais são importantes porque geram uma vida em sociedade mais harmoniosa e justa. Normalmente, começam a ser transmitidos para as pessoas desde seus primeiros anos de vida, através do convívio familiar ou até mesmo no ambiente escolar.

Desde tenra idade o indivíduo aprende conceitos de ética, ao ouvir na prática reflexões sobre a moral e sobre os princípios que sustentam e orientam as ações humanas.

Aprende, também, que há algum tipo de castigo pela infringência das regras, e com o tempo percebe que as regras impõem limites a suas ambições de poder ou de riquezas, a seus desejos mais íntimos ou vingativos, enfim, a qualquer de seus desejos de agir fora das regras impostas pela moral de sua comunidade.

A invisibilidade, então, pode ser a solução para propiciar a realização desses anseios que extrapolem as regras. Se ninguém souber, ou se ninguém souber que foi ele, apenas a sua consciência poderá censurá-lo ou até castigá-lo.

É sob a poderosa proteção da invisibilidade que surge o conflito interno, quando vencerá a força preponderante da formação de cada indivíduo, que sopesará a tentação que se apresenta contra a rigidez de sua formação ética, e esta revelará a própria qualidade e higidez da educação por ele recebida.

Este conceito nos permite entender a importância de regras morais boas e justas e da educação bem orientada na formação do caráter das pessoas.

Em conclusão:

Neste início do século XXI vivemos em um mundo cada vez mais globalizado, especialmente pela ação da internet que, pela disseminação e vulgarização das informações, contribui acentuadamente para a descrença de conceitos morais e religiosos, com isso provocando o desgaste da austeridade e do compromisso ético.

Por exemplo, no plano religioso: será que alguém ainda acredita na punição do inferno? Ou, então, quantos nem acreditam numa vida posterior, que poderá ser prejudicada por ações cometidas nesta?

Essa descrença se repete em outras áreas, especialmente alimentada pelas decepções na política e na justiça social.

Parece que o mundo atual é o império da mentira, nada é confiável.

Para muitos resta apenas o “aqui se faz, aqui se paga”, mas somente se alguém descobrir o que se fez.

Temos, assim, o cenário ideal para empoderar a invisibilidade.

Se a tentação for grande e a invisibilidade garantir a impunidade, cada vez menos haverá dilemas morais ou formação ética que impeça aos indivíduos o cometimento de ações incorretas ou vergonhosas de qualquer espécie.

De alguma forma, a humanidade precisa estribar o conceito de dignidade, como ensina este pensamento:

A moral, propriamente dita, não é a doutrina que nos ensina como sermos felizes, mas como devemos tornar-nos dignos da felicidade.
- Immanuel Kant

 

 

 

 

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

O CONTO DE MISTÉRIO E SUSPENSE - AULA DE 6 DE DEZEMBRO DE 23

 


CONTO DE MISTÉRIO E SUSPENSE

 

A narrativa que envolve mistério e suspense é particularmente interessante por seus detalhes. O enredo deste gênero pode tratar de um crime, de uma traição… ou de terror.


O formato da linguagem é fundamental para criar suspense. Há expressões apropriadas para este gênero literário. Como exemplo, os advérbios fazendo parte da narrativa para emprestar um ar de “rotina quebrada” chamando o leitor para a história:


Subitamente

Inesperadamente

Repentinamente

Sorrateiramente

Bruscamente

Assustadoramente

Imprevisto


Perceba que, em sua maioria, são os advérbios de modo que ilustram a quebra do cotidiano das histórias de suspense.

 

O Conto de Mistério e Suspense obedece algumas “regras” para ter cheiro, sabor, formato e impacto de suspense:

 

- Quase não há diálogo nesse gênero. E quando há, é porque está sendo usado como dispositivo para criar implicações, mistérios e inferências. Muitas vezes as palavras ou frases são enigmáticas, o que favorece esse gênero literário, e ajudam a tornar o diálogo misterioso. No entanto, não se deve exagerar, tornando cada frase tão obscura que o leitor fique totalmente perdido.

 

- Quando se deseja que o texto tenha aspecto de relato pessoal em tom de confissão, cumplicidade, usa-se a primeira pessoa “Eu”. Esse método, utilizado por grandes escritores como Edgar Alan Poe, promove um ar de credibilidade ao que se conta, como se o narrador tivesse feito parte dos fatos. Há também a narrativa em terceira pessoa (observador ou onisciente: que tudo viu, tudo sabe e expõe pensamentos e sentimentos das personagens).

 

- Destacam-se adjetivos e os verbos de ações inusitadas.  Todo o texto bem combinado com boas metáforas.


- O suspense é criado pela interrupção da narrativa num momento culminante.

 

- Este gênero é guiado pelas vozes aflitas (terror), sussurros, gritos, segredos, códigos, chaves, murmúrios...

 

- Bom que haja diversas pistas: umas falsas e outras verdadeiras.

 

- Atentar para que a estrutura do texto responda a todas essas questões:

 

O QUÊ? – O (s) fato (s) que determina (m) a história;

QUEM? - O personagem ou personagens;

COMO? - O enredo, o modo como se costuram os fatos;

ONDE? - O lugar ou lugares da ocorrência

QUANDO? - O momento ou momentos em que se passam os fatos;

POR QUÊ? - A causa do acontecimento.


- O ambiente pode ser inicialmente claro e limpo, mas de repente fica desconfortável. Ouvem-se ruídos estranhos. Os 5 sentidos são aguçados, e precisam ser empregados no texto: ouvir gotejamentos, sussurros, passos, um objeto que cai, o vento zunindo que desloca um papel. Há de se ter desconfiança e curiosidade. Em suma, o suspense tem que estar presente no texto.


- Use palavras, vocabulário específico para criar suspense: adjetivos expressivos, exagerados; advérbios de modo, de lugar, de tempo que acrescentem circunstâncias especiais às ações.


- Crie um desfecho inusitado, surpreendente.

 

PARA FAZER AGORA:

- História de suspense/investigativo.

 

Cenário de suspense ESTAÇÃO DE METRÔ. Um passageiro presencia um crime, um assassinato. Ele aproveita o celular que já estava sendo usado, e faz o vídeo do crime. O criminoso percebe isso, e...

 

APÓS A ESCRITA DO CONSIDERADO RASCUNHO: Com mais tempo, melhore sua história, dê a ela frases mais apropriadas, avalie se o texto entrega o que promete – suspense – segredo – medo – desconfiança – perseguição. Use a sinestesia, os 5 sentidos, as metáforas... RELEIA O TEXTO - Envie seu conto (não se preocupe com o tamanho dele, pois não será possível criar um texto curto com esse apelo). Trabalhe o enredo para culminar em um desfecho que surpreenda.


PRAZO: fevereiro 2024.

Não se preocupe com o tamanho do texto.

 

 

UM DIA VOCÊ APRENDE - Helio Fernando Salema

 



UM DIA VOCÊ APRENDE

Helio Fernando Salema

 

 

Que o pior e mais cruel fracasso foi apenas uma mudança de rumo para um caminho muito melhor do que aquele que não conseguiu.

 

Em 1963 comecei a me preparar para concursos. No ano seguinte surgiu a oportunidade. Era um concurso que não exigia escolaridade. Apenas três provas, matemática, português e datilografia. Eu sempre fui ótimo em matemática, razoável em datilografia e fraco em português.

 

A primeira prova era a de matemática, ao receber às questões não tive dúvidas, acertaria todas. Com nota 10 em matemática, só precisaria de 4 em cada uma das outras. Assim, com excessiva confiança iniciei.

 

Ao término me senti aprovado. Era só evitar erros nas demais.  Porém, ao conferir com os colegas percebi que havia errado em duas questões. Desabei, fui ao fundo do poço, era tudo o que eu não imaginava. O desespero não permitiu que eu pensasse na possibilidade de recuperar os pontos perdidos nas outras provas. Aprendi que o excesso de confiança não garante absolutamente nada. Que o fundo poço não é o fim do mundo nem o fim da vida.

 

Na prova de português, logo em seguida, fui completamente desaminado pelo meu imperdoável fracasso. Não consegui me concentrar. Certamente não fiz uma boa prova.

 

Na última, também o peso do fracasso não deixou que eu tentasse, pelo menos, fazer uma boa prova.

 

Quando saiu o resultado, somente um candidato foi aprovado, no lugar em que eu me inscrevi. Ele pouco depois tomou posse numa pequeníssima cidade do Nordeste.

 

Um dia você aprende que a vida continua e a luta também.

No ano seguinte eu fiz um concurso muito mais difícil e consegui aprovação. Aquele que passou no outro concurso fez inscrição para o mesmo que passei, mas o ônibus em que ele viajava para pegar o avião na capital quebrou, assim ele não fez a prova que, certamente, passaria também.

 

Só alguns anos depois foi que percebi o porquê eu não passei no primeiro, não era aquele o melhor para mim.  Então eu percebi que as oportunidades são infinitas.

APRENDI QUE... - Adelaide Dittmers

 


APRENDI QUE...

Adelaide Dittmers

 

Aprendi que muitas vezes é difícil  aprender.

Aprendi que não devemos julgar os outros porque podemos não saber as dificuldades que enfrentaram ou enfrentam em suas vidas.

Aprendi que temos que avaliar a ajuda a alguém, porque podemos ser mal interpretados.

Aprendi a valorizar o que possuo e não desejar o que não tenho.

Aprendi que os amigos são o bem mais importante da vida.

Aprendi que não devemos ter vergonha de perguntar, porque assim ganhamos mais conhecimento.

Aprendi a respeitar ideias diferentes das minhas, porque a diferença não define o caráter de uma pessoa.

Aprendi a conviver com minhas deficiências, porque neste mundo não há perfeição.

Aprendi que se pode achar sabedoria em uma pessoa simples e não a achar em uma pessoa letrada.

Aprendi a calar mais e falar menos.

Aprendi a observar as reações do outro, porque reações falam mais que palavras.

Aprendi a ouvir o outro com o coração e não somente com a razão.

Aprendi que os netos são o maior presente para nossa velhice.

Aprendi que nossa única realidade é hoje.

Aprendi que o nosso corpo envelhece, mas nossa alma permanece jovem.

Aprendi que a saudade é um sentimento presente em cada um de nós.

Aprendi que estamos sempre aprendendo a aprender.

 

 

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

UM DIA VOCÊ APRENDE - Helio Salema

 


UM DIA VOCÊ APRENDE

Helio Salema

 

Que o pior e mais cruel fracasso foi apenas uma mudança de rumo para um caminho muito melhor do que aquele que não conseguiu.

Em 1963 comecei a me preparar para concursos. No ano seguinte surgiu a oportunidade. Era um concurso que não exigia escolaridade. Apenas três provas, matemática, português e datilografia. Eu sempre fui ótimo em matemática, razoável em datilografia e fraco em português.

A primeira prova era a de matemática, ao receber às questões não tive dúvidas, acertaria todas. Com nota 10 em matemática, só precisaria de 4 em cada uma das outras.

Ao término me senti aprovado. Era só evitar erros nas demais.  Porém, ao conferir com os colegas percebi que havia errado em duas questões. Desabei, fui ao fundo do poço, era tudo o que eu não imaginava. O desespero não permitiu que eu pensasse na possibilidade de recuperar os pontos perdidos nas outras provas.

Na prova de português, logo em seguida, fui completamente desaminado pelo meu imperdoável fracasso. Não consegui me concentrar. Certamente não fiz uma boa prova.

Na última, também o peso do fracasso não deixou que eu tentasse, pelo menos, fazer uma boa prova.

Quando saiu o resultado, somente um candidato foi aprovado, no lugar em que eu me inscrevi. Ele pouco depois tomou posse numa pequeníssima cidade do Nordeste.

No ano seguinte eu fiz um concurso muito mais difícil e consegui aprovação. Aquele que passou no outro concurso fez inscrição para o mesmo que passei, mas o ônibus em que ele viajava para pegar o avião na capital quebrou, assim ele não fez a prova que, certamente, passaria também.

Só alguns anos depois foi que percebi o porquê eu não passei no primeiro, não era aquele o melhor para mim.


Encontro misterioso - Alberto Landi

  Encontro misterioso Alberto Landi A nave da Catedral de Chartres era ampla e alta; colunas robustas sustentavam os arcos que pareciam subi...