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quarta-feira, 6 de abril de 2022

VIAGEM DE NAVIO - Alberto Landi

 



 VIAGEM DE NAVIO

Alberto Landi

 

Um dos meus sonhos era viajar de navio, num cruzeiro, atravessando mares!

O desconhecido para alguns representa o medo, para outros, a fascinação de novas descobertas com suas maravilhas. E quem se aventura a ir onde pessoas jamais estiveram, se torna um afortunado!

Mas aconteceu, e quando subi as escadas, não acreditei que era real.

Foi assim que resolvi embarcar num cruzeiro rumo ao Alasca, partindo do porto de Seattle.

A vantagem de se estar embarcado, é o conforto e a comodidade de ver paisagens lindas e inesquecíveis sem precisar se preocupar com locomoção e hospedagem. A cada parada é possível conhecer pequenos lugares que ainda mantêm estilo de vida pacato e quase isolado do mundo ou lugares movimentados, mas inesquecíveis.

Escolhi o Alasca, porque é terra de superlativos, é o maior estado americano, abriga o maior pico, o maior parque nacional e a maior floresta dos Estados Unidos. Há glaciares mais extensos que países inteiros, baleia Jubarte de até 15 metros e ursos polares de até 500 kilos.

A primeira parada seria em Anchorage, que é a maior cidade desse estado, situada entre a cordilheira do Alasca e as montanhas Chugach.

Ao adentrar, após as formalidades de praxe, me dirigi à cabine, sendo esta com varanda com vista para o mar, garantindo um visual deslumbrante.

A acomodação da cabine era como de um hotel de luxo, possuindo todas as amenities, uma cama com um edredom branco   e toalhas dobradas, imitando cisne!

A janela que ocupava toda a parede mostrava uma paisagem maravilhosa do mar de cor azul e bem lá no horizonte, o encontro com o céu azulado e o sol se escondendo atrás das nuvens, parecia mais um quadro pintado pelo mais poderoso Arquiteto da natureza. Tanto o quarto como a sala de estar da cabine exalavam um perfume de lavanda propiciando ao ambiente leveza e aconchego.

Espaçosa, confortável, com entrada de luz natural, a varanda privativa ideal para relaxar, ler um livro, tomar café da manhã, tinha um bom isolamento acústico, localização distante de espaços de movimentação noturna, como teatros, cassinos e boates, e dos elevadores.

No entanto, estava bem próxima da proa, de forma que se sentia mais intensa a movimentação da embarcação. A cabine não era obstruída por nenhum bote salva vidas ou outra estrutura, porém, é a mais afetada pelo movimento das ondas que à noite embalava o sono

Há a vantagem também de os percursos, entre um destino e outro, serem feitos à noite, enquanto se assiste a ótimas peças  de teatro ou cinema,  ou ainda outras atividades.

Sempre que se aproximava de um porto, havia bandos de aves sobrevoando toda a extensão do navio.

No terceiro dia de navegação, acordei cedo como habitualmente faço e nesse momento, vejo o horizonte e contemplo o seu esplendor com o céu límpido e ainda semiescuro que se estendia até os limites do horizonte, se erguendo ao céu com luzes alaranjadas que se espalharam em um leque vivo de cor intensa que se desvanecia à medida que o sol começava a apontar na vasta imensidão do oceano.

Esses mares do Alasca são frios e perigosos, muitos já se aventuraram em pequenas embarcações e poucos voltaram, não se pode contar apenas com a sorte.

Nesse dia o mar estava calmo e na varanda fui surpreendido com um grande número de peixes voadores, fiquei maravilhado, pois pareciam peixes de prata polida, e ao longe havia tubarões que com certeza seguiam aqueles cardumes.

O sol oscilava na vastidão do oceano e os meus olhos eram capazes de acompanhá-lo lentamente, subindo e descendo majestoso, formando uma ponte de ouro que brilhava na água, quase tocando a linha do horizonte.

De repente, um ciclone surgiu em nossa rota, tornando a navegação complicada, ondas gigantescas e ventos fortes apareceram, fazendo a embarcação inclinar para ambos os lados; isso continuou até o entardecer.

Um nevoeiro se fez e foi preciso fazer desvio de rota. Conforme o nevoeiro se dissipava, nos deparamos com uma enorme parede glacial que mais parecia um território desconhecido e inexplorado.

Nessa enorme parede glacial jamais foi encontrada uma abertura, quaisquer fissuras ou promontórios em sua face que permitisse adentrar.

Parecia que estávamos navegando em um círculo fechado, essa parede glacial se estendia muito mais além do alcance de nossas vistas, circundando e mantendo juntas as terras continentais para as quais tenham sido fixadas desde a criação.

Enfim, foi a mais espetacular viagem que fiz em toda minha vida!


É aqui que eu quero morrer - Hirtis Lazarin

 



É aqui que eu quero morrer

Hirtis Lazarin

 

Finalmente, eu e o taxista chegamos ao topo do penhasco, mil seiscentos e quarenta e cinco metros acima do mar.

O caminho irregular e cheio de curvas estreitas, uma serpente negra e lisa incrustrada no verde da natureza viva.

A chuva fraquinha se fora e a lua crescente, num sorriso quase cheio, apareceu entre nuvens velozes e iluminou-nos com uma luz incerta.  Um punhado de estrelas surgiu e o céu concluiu sua rotina de escurecer.  Noite suave e serena.  Apenas o cri-cri-cri dos grilos invisíveis e a cantoria de uma nota só das cigarras.

Era só o que eu queria quando deixei o trabalho, a cidade grande e mil problemas não resolvidos.

A pousada que escolhi era de madeira. Além do aconchego, a madeira proporciona conforto térmico, deixando o ambiente fresco no verão e aquecido no inverno. Rodeada de salgueiros e hortênsias mais parecia um ateliê de artista.

Adormeci com os pássaros e assim que o clarão da manhã primaveril entrou no quarto por vacilo das cortinas mal-ajeitadas, saltei disposto a desfrutar cada pedacinho daquele vilarejo medieval.

À primeira vista, “COLFOSCO” cabia num só olhar.  Mais parecia um quadro ou um cenário fotográfico.  Uma paisagem com charme pitoresco que guarda um patrimônio: a história, a arquitetura, as belas paisagens e a cultura do país, uma vez que nos remetem à Idade Média.

Passar por essas estradinhas é voltar séculos no tempo. São ruínas de pedras, o castelo construído no século XIII, o monastério dos monges beneditinos, fileira de casas de pedra com telhas vermelhas próximas umas das outras e ruas sinuosas de paralelepípedos. Elas sobem até o relógio da torre, no coração daquele paraíso.

Era domingo e a missa do padre Piero durou mais de uma hora. No lado leste da igrejinha, a sombra adocicada de uma castanheira em floração tolera crianças irrequietas de bochechas vermelhas que correm e gritam alto à revelia dos pais.

Do alto do penhasco, pode-se ver o mar preguiçoso em seu momento de calmaria. Não pretende espantar o bando de gaivotas famintas que caminha indiferente ciscando entre as pedras.

E, pra encerrar a noite, há uma festa gastronômica regada a vinho produzido no local.

Já se passou uma semana e eu não sinto vontade de voltar. Angustia-me esse pensamento.  Voltar ao mundo complicado do progresso que nos trouxe maravilhas, é verdade, mas engoliu a simplicidade, o equilíbrio e a capacidade de viver com menos coisas e mais tempo.

É impossível fugir dessa ciranda traiçoeira.



Imigrando - Henrique Schnaider

 


 Imigrando

Henrique Schnaider

 

Rodolfo Crespi conheceu Mirna durante a viagem do imponente Vapor Conte Grande ao Brasil, trazendo dezenas de imigrantes italianos. Durante esta viagem, o amor típico italiano, explodiu em duas pessoas, Rodolfo e Mirna. Nada os impedia de se unir em matrimônio. Como era costume da época, pediram ao Capitão do navio Senhor Giovanni que os casasse e sob intensa emoção e encantamento, a cerimônia foi realizada.

Chegaram da Itália no ano de 1920. O navio branco levado pelo rebocador, encostou no Porto de Santos, soltando suas grossas amarras para que, aqueles negros estivadores lustrosos, com os dorsos amostra, suados com o calor do sol do meio-dia, prenderem firme    aquele imenso Vapor.

Na chegada, a emoção tomou conta de todos os passageiros. Na sua maioria vindos da Itália. Cantavam muitas músicas da saudosa terra natal. América! América! Lágrimas rolaram nos rostos grosseiros de lavradores que trabalhavam a terra na região de Puglia.

Depois de todo trabalho para passar na Alfândega e na Imigração, pegaram um trem da Cia Paulista de Trens em direção a São Paulo. Viagem que pareceu uma eternidade, até chegarem na Estação da Luz. Rodolfo e Mirna foram de ônibus para o bairro da Mooca, veículos estes, que haviam recentemente substituído as carroças.

Foram morar no bairro da Mooca numa pensão barata que pertencia à italiana Bruna, fofoqueira de primeira, uma chiveta como diziam os italianos. Os primeiros meses foram muito difíceis para o casal de imigrantes. Tinham alguma reserva para viverem de forma bem simples.

Depois de um ano de muito sofrimento e uma vida dura, Mirna grávida do primeiro de seus 10 filhos, (O italiano era fogo na roupa). Assim, cada ano nascia um filho Maschio. Conseguiu comprar, com muito sacrifício, a barraca de frutas do seu conterrâneo Aristide, que queria se aposentar.

Rodolfo era muito alegre e comunicativo. Buscava frutas muito bem escolhidas no Mercado Central. Montava a barraca às seis horas da manhã. Logo nos primeiros raios de sol. Os primeiros clientes chegaram. Rodolfo cantava as músicas da velha Itália e, ajudado por Mirna com aquela barrigona, prestes a dar à luz ao primogênito Armando, vendiam as frutas. O burburinho já era grande de pessoas indo e vindo. A gritaria dos feirantes era enorme e cada um querendo vender o seu produto. Pega três e paga duas, leva uma dúzia paga só 6. O aroma era uma mistura enorme do cheiro de frutas da estação, verduras e legumes. Era uma alegria só, e a feira ia até as 13,30 horas. No final era a hora da xepa.  Hora de comprar barato, tudo liquidando.

O paisano conhecia este trabalho como poucos. Desde as plantações e colheitas de frutas lá da sua amada Puglia. Assim a vida foi melhorando e a barraca aumentando e o dinheiro entrando. Depois de dois anos de trabalho intenso, Rodolfo comprou sua casinha de pintura fresca cheirando a tudo novo. O casal não cabia em si de tanta felicidade.

Os anos foram passando, a família aumentando. Além da feira, Rodolfo começou a frequentar o Clube Atlético Juventus. Tempos depois, tornou-se o Presidente do Clube. Barraca de frutas indo cada vez melhor e a família tornou-se abastada.

Rodolfo e a esposa Mirna e os dez filhos presenciaram uma homenagem que o Clube Juventus fez. Condecorou Rodolfo com o título de Conde e o Estádio do Clube Atlético Juventus, passou a se chamar, Estádio Conde Rodolfo Crespi.

A idade foi chegando para o velho imigrante italiano. Assim finalmente com muita tristeza, depois de cinquenta anos de muito trabalho naquela feira. Onde todos os feirantes e os clientes, tornaram-se uma grande família de imigrantes italianos e após centenas de feiras realizadas.

O filho primogênito Armando, passou a tomar conta da barraca de frutas, estabelecida no querido bairro da Mooca. Quanto ao Conde Rodolfo e a esposa Mirna, depois de uma viagem nostálgica a querida Puglia, começaram a usufruir da merecida aposentadoria, ambos já próximos dos noventa anos.  


ÉVORAMONTE - Alberto Landi

 


ÉVORAMONTE

Alberto Landi

 

No Alentejo há vilarejos charmosos e muitas maravilhas naturais; cenários inesquecíveis que ficam ainda mais incríveis ao pôr do sol.

Évoramonte, situado nas planícies verdejantes, são imensas de perder de vista. Ela é salpicada por sobreiros e colinas, com casas caiadas de branco criando paisagens deslumbrantes.

 Alguns vestígios megalíticos são vistos também.

É possível vislumbrar no alto da colina, a vila protegida pelas muralhas, casarios caiados de branco a contrastar com a cor castanha da fortaleza e de onde se destaca a Torre de Menagem.

Ao subir a colina, o visual começa a mudar, sendo provável admirar do alto toda a beleza da planície alentejana e ate um lago com pequenas ilhotas.

É uma vila charmosa, que fica em posição perfeita para observar o por do sol. Em dias claros pode se visualizar a Espanha.

É protegida por muro alto, espesso e extenso para defesa da fortaleza, com ruazinhas de pedra e casinhas brancas, parece um conto de fadas!

Campos, vinícolas e muito verdes rodeiam o vilarejo, que está localizada próxima a Evora.

No seu ponto mais elevado fica o castelo. Dentro da muralha, metade da área é de gramado, vegetação e ruínas.

Sua construção é estimada por volta de 1160 após a reconquista cristã aos mouros. Seu estilo limpo e simples mistura elementos do gótico com o renascentista de inspiração italiana. Canhoneiras e frestas de tiro guardavam a vila.

Ao adentrar, é como se fizéssemos uma viagem ao passado, as ruas de xisto negro a contrastar com branco das paredes das casas e os apontamentos medievais bem conservados, é como se o tempo tivesse parado nesse lugar.

O castelo e a cidade murada, outrora, tiveram elevada importância geográfica e militar. O paredão de 5 lados, tem uma forma quase triangular.

Encerrar o dia, é realmente mágico, garante um por do sol, fascinante e perfeito, refletindo tons de amarelo, laranja e vermelho na planície.

Contemplar o poente nas planícies alentejanas, é um verdadeiro presente para os olhos!

 

 

Fontes: anotações pessoais e leitura de vários sites


A Praça - Adelaide Dittmers

 


A Praça

Adelaide Dittmers

 

A praça deitava-se languidamente sob um sol morno de primavera.  Flores de todas as cores salpicavam o extenso e macio gramado.  Árvores espalhavam-se pelo belo jardim, oferecendo as sombras generosas àqueles que as quisessem desfrutar.

Bancos distribuíam-se pelos os largos caminhos, que a cortavam, onde pessoas sentavam-se para admirar o lugar ou para ficar imersas em suas leituras. No centro do gramado, crianças corriam para lá e para cá, respirando liberdade e prazer, como só os pequenos sabem usufruir de maneira plena e sem freios.  Algumas delas desciam velozmente pelos escorregadores ou balançavam-se tão alto, como que almejando chegar ao céu.  Subiam e desciam no trepa-trepa e seus gritos de alegria ecoavam por todo o canto.

Sob uma frondosa árvore, uma família estendeu uma toalha, em que colocou várias iguarias e acomodou-se para apreciar a paisagem, gozando de um saboroso picnic.  Conversavam e riam animados, com certeza esquecendo os problemas do quotidiano.

Mais adiante, um homem de cabelos longos e desgrenhados, vestido com roupas rotas e sujas, dormia ao lado de uma garrafa vazia.   O que será que o levou àquele estado?

Cães passeavam com seus donos, felizes pelo passeio, rosnando e latindo para outros, que por eles passavam ou aproximando-se para cheirá-los, abanando o rabo numa tentativa de reconhecimento.

Bicicletas, patins e skates deslizavam, atravessando a praça de ponta a ponta;

Dois senhores de idade avançada andavam devagar, apoiados em suas bengalas, lançando olhares nostálgicos à vida que se derramava pelo jardim e que aos poucos lhes fugia.

Um casal de papagaios passou ruidosamente pelos ares, chamando a atenção dos frequentadores, que apontavam para eles, mostrando às crianças aquelas aves tão simpáticas e barulhentas.

No alto de uma árvore, um bem-te-vi entoou seu belo canto, enquanto bem abaixo, um beija-flor sugava o pólen de uma flor.

As horas foram passando e a tarde vestiu-se com os tons alaranjados, rosas e lilases do pôr-do-sol.  O deslumbramento pelo espetáculo, que anuncia o fim do dia, tomou conta do coração de todos, fazendo-os se sentir parte daquele momento mágico, que a natureza proporciona.

Aos poucos, o lugar foi ficando vazio e solitário e quando a noite chegou de mansinho com sua roupagem estrelada e prateada pelo luar, a praça adormeceu placidamente embalada pelo silêncio.


sexta-feira, 1 de abril de 2022

Sintra e o Palácio de Seteais - Alberto Landi

 

   


Sintra e o Palácio de Seteais

Alberto Landi

 

Sintra está situada em meio às colinas da serra. É um dos lugares mais belos de Portugal. Muito rico em história e caminhar pelas suas ruas estreitas, torna-se interessante, pois há uma arquitetura baseada no período do Romantismo, com palácios enormes, mansões luxuosas e castelos antigos que foram construídos devido ao seu clima ameno.

Entre elas, gostaria de citar o Palácio de Seteais, antigo casarão do século 18, construído para receber D. João VI e Carlota Joaquina, porém, nunca apareceram, pois fugiram para o Brasil, devido às invasões francesas.

Atualmente é um luxuoso hotel e tornou-se referência para quem deseja se hospedar no melhor estilo rococó. É uma viagem no tempo e uma verdadeira aula de historia.

O que chama muita atenção é o "extenso relvado verdejante, tendo ao fundo o Arco Triunfal, que surpreende a magnífica vista que se alcança por detrás desse arco para o Palácio da Pena e para o miradouro virado a ocidente, empoleirado sobre a mata rústica, retalhada de campos agrícolas, salpicado pelo branco do casario das aldeias e com a linha azul do oceano ao fundo". É assim, com essa graciosidade, que os guias turísticos apresentam este cenário.

A visão que se tem é simplesmente espetacular. É exatamente como o fez Eça de Queiroz ao descrever a vista do Arco Triunfal no livro Os Maias, cujo texto faço uso aqui, parcialmente:

Admirar essa paisagem pelo "vão do Arco, é como se estivesse dentro de uma gigantesca moldura de pedra, pois o seu brilho, à luz da tarde, é de um quadro maravilhoso, feita de uma composição fantástica, como se fosse a ilustração de uma bela lenda de cavalaria e de amor. No primeiro plano avista-se o terreiro deserto e verdejante, todo salpicado de botões vermelhos e amarelos, tendo ao fundo uma fileira cerrada de antigas arvores, com hera nos troncos, fazendo uma espécie de muralha de folhagem reluzente, e despontando abruptamente dessa espessa linha de bosque assoalhado.

Entre o céu azul violeta e o verde do vale surge um majestoso castelo ao meio, o Castelo da Pena.

Ele se destaca vigorosamente num relevo nítido sobre esse céu, o cume formoso da serra, toda cor de violeta escura, coroada por esse castelo, romântica e solitária no alto, com seu parque sombrio aos pés, a torre esbelta perdida no ar e as suas cúpulas brilhando ao sol como se fossem feitas de ouro".


Este foi um passeio que me impressionou muito, devido à localização do Palácio de Seteais, sua história, arquitetura, com o seu belo Arco Triunfal e a deslumbrante paisagem da serra e do Palácio da Pena.

Esse cenário é um verdadeiro presente para a alma!


quarta-feira, 30 de março de 2022

A Praça - Alberto Landi

 



A Praça

Alberto Landi

 

No bairro onde moro, há uma grande praça, muito linda, com muitas árvores frutíferas e algumas espécies de flores.

Também tem calçadas, passarelas e ciclovias.

Bem no centro tem uma paineira nativa. Árvores enormes, e há também um chafariz, onde todas as pessoas que passam, ficam extasiadas.

À noite, ela é muito bem iluminada, quando há lua cheia fica ainda mais clara.

Há parque para as crianças, até quadras de areia para elas brincarem.

Quando acontece o aniversário do bairro, é aqui que tudo acontece, festa, muita gente circulando e tem até seresta.

Trata-se de um local de beleza e memória, constituindo a alma do lugar. Nela se encontram marcos referenciais, projetos paisagísticos que estimulam o convívio. Além de se constituírem de um espaço não construído dentro da malha urbana, ela carrega diversas funções e benefícios ao bem-estar social.

Todo espaço público deveria ter área verde, com sombras, bancos e mesas limpas, lixeiras.

É importante para a comunidade contribuir também para melhor qualidade de vida e redução dos níveis de violência.

Caminhar diariamente neste local, contemplar a natureza que há, isso me traz paz, e as flores que ali florescem exalam um perfume, que traz tranquilidade para alma.

Gosto de levar minha mente para passear em lugares tranquilos.

Aprecio muitos os pássaros, e todos os dias os admiro. Eles são um tanto arredios, pois comem na minha mão, mas evitam serem tocados. Esta amizade com eles está perdurando e me entristeço de pensar em quando nos separarmos.

Quando chego para caminhar, parece que eles percebem a minha presença e se postam nos galhos das árvores, como se fossem desfilar para mim. Às vezes procuro entender esta relação com eles, mas, sinceramente não encontrei.

Posso dizer que é muito emocionante estar com eles e prazeroso fazer as caminhadas todos os dias nesse local.

 


Uma festa em Las Vegas - Alberto Landi

 

Uma festa em Las Vegas

Alberto Landi

 

A percepção geral das pessoas é de que Las Vegas e a máfia estão intimamente ligadas e, esta visão nunca vai ser mudada.

Filmes como O Poderoso Chefão e Casino, reforçaram isso ao longo dos anos.

Esta cidade, foi considerada o quintal das maiores famílias dessa organização.

Mas o tempo da máfia colorida há muito já se foi e nunca será esquecida.

O lugar tem uma dívida de gratidão para com ela, pelo seu desenvolvimento.

Kate, filha de um senador eleito pelo Estado de Massachusetts   recebeu convite de amigas do colégio para passar uns dias em Las Vegas.

Haveria uma festa, num dos salões do Hotel Casino Flamingo.

Houve muita música, dança, a bebida rolava solta no salão, até que numa certa altura da noite, não se sentindo bem, teve que ir ao banheiro, porém, ao procurar a porta se enganou, e entrou numa ampla dependência, onde pessoas fumavam, jogavam e esbravejavam.

Ao saber que a entrada era vetada para estranhos, ficou constrangida e amedrontada, pois percebeu que eram criminosos, e a seguiam com olhares ameaçadores e tenebrosos.

Seu pai, um democrata politicamente ambicioso, estava realizando audiências em todo país sobre o crime organizado praticado em jogos de cassino, e mal sabia que sua filha estava nas mãos de um deles.

O senador juntamente com seus assessores, começaram a interrogar sob juramento algumas pessoas que julgavam supostamente envolvidas.

A indagação se iniciou e o assunto era: Las Vegas e a máfia.  Aos olhos do público americano, nada retardou o crescimento de jogos de azar nesse local, assim como, não reduziu a influência da máfia nessa cidade.

Kate foi pega e questionada pelos gângsteres, e estes ao saberem que era filha de um político influente e que estava aqui, no local, pressionando os cassinos e os envolvidos, a fizeram refém.  Nesse tempo eram ilegais os jogos, e crimes organizados.

O senador acreditava que os jogos eram a alma do crime coordenado e para estrangular isso, teria que atacar essas instituições. Escutas telefônicas foram instaladas em todos eles.

Os gangsteres, então, propuseram ao senador uma negociação; este teria que abandonar a blitz tanto nos Casinos como na organização, e tornar público junto às mídias americanas.

Assim que foi feita a negociação, Kate retornou aos braços de sua família.

Com o decorrer do tempo, os jogos praticados nesta cidade e Estados foram legalizados, e praticamente toda a máfia envolvida foram punidas e extintas.

O fato de abusar de bebidas, ocasionando entrar em porta errada, fez com que a investigação fosse suspensa pelo senador e seus assessores, ridicularizando desta maneira todo o trabalho feito anteriormente e repercutindo nas mídias americanas. 


O PEQUENO PARAÍSO. - Leon Vagliengo

 




O PEQUENO PARAÍSO.

Leon Vagliengo

 

Um lugar para ser feliz.

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        A pequena e agradável cidade de Lindo Vale tem apenas uma praça, grande e acolhedora, que se estende em frente à igreja matriz, cortada por algumas ruelas. São pequenas ruas bem calçadas, que servem para a passagem das pessoas e para organizar a distribuição de um belíssimo jardim, muito bem cuidado.  Ao longo dessas ruelas, muitos bancos de madeira maciça, sempre impecavelmente pintados de verde, atendem ao conforto dos frequentadores. A praça é a paixão e o orgulho dos moradores da cidade, que demonstram muito prazer em colaborar com sua conservação.

Existente há quase trinta anos e obedecendo a uma disposição harmônica e bem planejada de jardim, a praça ostenta árvores frondosas e bem copadas, que proporcionam sombra fresca e temperatura agradável nos dias de maior calor. Entre elas, dois ipês amarelos e um rosa encantam a todos na época de floração. O mesmo ocorre com os grandes arbustos de primaveras, de cores variadas, como o sulferino, o lilás e a cor de tijolo. Também não lhe faltam plantas menores, desde as rasteiras marias sem-vergonha que multicolorem canteiros mais sombreados, até outras maiores, como os hibiscos e as azaleias. Um canteiro especial de lírios da paz, bem protegido pela sombra das árvores, é simbolicamente o preferido do senhor vigário.

Muitos pássaros se abrigam e constroem ninhos entre os ramos das árvores maiores, longe dos espinhos ameaçadores das primaveras. São sabiás-laranjeira e bem-te-vis, pintassilgos, pardais e maritacas. Desde cedo, pela manhã, enquanto se alimentam com as sementes dos ipês e com os frutos das amoreiras e das pitangueiras que vicejam num canto da praça, a cantoria dos pássaros e o palrear das maritacas vão transformando o silêncio da madrugada em uma alegre e barulhenta sinfonia natural.

A missa das oito, anunciada pelo convidativo badalar do sino da igreja, todos os dias atrai várias pessoas, principalmente idosos que desejam ficar de bem com Deus, preparando-se para o que vem depois. Ao saírem da missa já encontram bastante movimento na praça, um ambiente familiar em que algumas jovens mães conversam animadamente entre elas, acomodadas em algum banco à sombra, enquanto observam os filhos pequenos que, alegremente, brincam ao sol, muitos jogando bola no gramado da praça, os minis Pelés e Ronaldinhos, outros se encarapitando corajosamente nos brinquedos do “playground”, os Homens-Aranha. As meninas, mais comportadas, usando normalmente as gangorras, balanças e escorregador, sem muitos delírios da imaginação.

Por volta das onze horas o movimento da praça diminui, está chegando a hora do almoço. No inverno a garotada fica com uma fome de leão. No verão fica muito quente, um forno.  As pessoas voltam então para as suas casas e a praça vive algumas horas de sossego, que se estendem até o final da tarde, quando se encerram as aulas do colégio e é a vez dos estudantes a ocuparem, encontrando-se para alegres e animadas conversas e muitos namoricos.

Às dezessete horas, religiosamente, o vigário assume sua posição num dos bancos, sempre o mesmo. Logo tira do bolso o seu breviário negro e inicia a sua leitura e as orações diárias. Quando termina, deixa-se ficar mais um pouco, às vezes em silêncio, apenas sentindo o prazer de estar naquele ambiente tão acolhedor; outras vezes, participa de conversas com os jovens, sempre muito proveitosas. A sua presença infalível, nesse período, já faz parte do cenário da praça.

Um pouco mais tarde, às dezoito horas, também religiosamente, o vigário retira-se para o jantar e mais algumas práticas antes do repouso. O barulho dos pássaros torna-se ensurdecedor, enquanto se recolhem para o período noturno. É quando também começa a se desfazer a rodinha de jovens, normalmente restando apenas alguns casais de namorados, que aguardam um momento mais romântico, ao escurecer e com menos testemunhas, para proferir as suas juras de amor e para intimidades mais ousadas, protegidas pela pouca iluminação das lâmpadas antigas da praça. Em breve, mais um presente da Natureza, o perfume de dama-da-noite toma conta do ar deliciando a quem o aspira.

Próximo à meia-noite a cidade dorme, esquecida da praça, onde a luz mortiça provinda das velhas lâmpadas projeta sombras fantasmagóricas, que parecem movimentar-se ao sabor da brisa que balança os ramos das plantas. A Praça torna-se um local triste, lúgubre e assustador. Ninguém ousa passar por ela, há muitas histórias e muitas lendas. Contam que antigos moradores da cidade, já falecidos, vagueiam pelas suas ruelas, esgueirando-se também entre as árvores. Houve quem dissesse ter ouvido gemidos lamentosos, plangentes, sinistros, vindos de lá.

De repente, com um soar macabro, o relógio da Igreja bate as doze badaladas da meia-noite, causando arrepios a quem o escuta. É a hora dos mortos, o alerta para que os vivos não se arrisquem a transpor os umbrais da Praça. Não há registros do que lá acontece depois.

Pela manhã os pássaros despertam, retomando a sua atividade alegre e buliçosa, sinalizando que é um novo dia, e tudo recomeça na encantadora praça de Lindo Vale.

 

A PORTA - Helio Fernando Salema

 



A PORTA

Helio Fernando Salema

 

Sexta-feira no início da noite, CRIS recebeu um telefonema de Sandra, que estava desesperada. Sua voz era trêmula, como o barulho das folhas das palmeiras em tempestade, e em alguns momentos interrompida por choro, como uma criança que não consegue separar o momento de falar e o de chorar.

Quase não conseguia explicar o que acontecera. Momentos de silêncio deixavam dúvidas e preocupações, várias vezes CRIS tinha que perguntar se ela estava se sentindo bem.

Quando finalmente, começou se acalmar, foi lentamente explicando o acontecido, a todo instante repetia palavras de ofensas:    

 “Aquele verme sem escrúpulos”, depois de 5 anos, resolveu terminar sem dar a menor satisfação, miserável…. Ele me paga…. Miserável.

Todo este desabafo sua amiga de infância ouviu atentamente. E a cada instante mais preocupada ficava. Não tinha a menor ideia de como socorrê-la.

Usando palavras de estímulo, lembrando a ela, que outrora já havia passado por maus momentos e teve forças para superar, certamente agora não seria diferente.

Depois de longos minutos, em que relatou tudo que lhe passava pela cabeça sem rumo, e ouvindo as palavras confortantes, aos poucos Sandra se deu conta de que o relacionamento chegara ao fim, mas na sua vida ainda havia muito chão para caminhar e água dos rios para ver passar.

Subitamente lhe surgiu uma ideia. Sair para uma balada para tentar se animar.

Mas, ao mesmo tempo, não se sentia forte o suficiente para ir sozinha. Apelou para a amiga acompanhá-la. O que, a princípio, esta não via o convite como algo bom para ambas.

O noivo da CRIS estava num congresso em outra cidade, só retornaria na próxima semana. Também porque não costumava sair à noite sem a presença do noivo. Nem frequentar baladas. Geralmente iam ao teatro, cinema e jantares com amigos. Tentou contatar com ele, mas em vão.

Não tendo outra alternativa, e diante da situação aflita da amiga, pensou na possibilidade de atendê-la. Mas colocou algumas restrições, como a escolha do local e não aceitar companhia de qualquer cavalheiro.

Assim, ao chegarem ao local da balada, escolhida por Sandra, CRIS percebeu que era um lugar que sua amiga conhecia muito bem.

Completamente avesso aos lugares preferidos por CRIS, que pensou até em desistir. Seria sair sem avisar a amiga ou inventar uma boa desculpa. Mas como ter certeza de que ela não ficaria aborrecida, sentindo-se abandonada? Ao perceber a mudança positiva de ânimo da amiga, preferiu aguardar.

Mas, finalmente, por mais que tentasse permanecer ali, não se sentia bem. Vendo que a amiga já arrumara um jovem para se distrair, decidiu ir ao toalhete e depois avisaria que estava saindo.

A casa estava lotada. Com muito custo, conseguiu seguir a indicação do letreiro. Ao abrir a porta, viu que era um corredor com várias outras portas, sem nenhuma indicação. Assustada ficou parada.

Poucos segundos depois, duas moças entraram pelo mesmo corredor, então decidiu segui-las. No toalhete ficou mais tranquila, principalmente por estar longe do barulho do salão, havia iluminação e perfumes que preenchiam o ar.

Pensou em ficar ali por um longo tempo ao invés de ir embora deixando sua amiga assim tão cedo. Comparando sua situação ali no toalhete, que não era nada agradável, era, porém, menos ruim do que a da amiga horas antes.

Até que entrou um grupo fazendo algazarra, não teve escolha, saiu. No corredor com tantas portas, com muita pressa e preocupada em encontrar a amiga na escuridão do salão. CRIS abriu a primeira porta que viu.

Ficou assustada ao ver que era uma sala, onde um casal, sem roupas, fazia amor tão caloroso que não perceberam sua presença. Muito assustada, não acreditava ser real o que estava vendo, parecia cena de um filme.

Quando o casal percebeu que estava sendo observado, houve um espanto, provocado pelo homem que reconheceu a CRIS, sua noiva.

Ela manteve a porta aberta ao máximo e imediatamente começou a gritar:

— Socorro…. Socorro!

Rapidamente apareceu um segurança, ela foi apontando para a sala:

— Foi dali…. Foi ela…. Um estupro …Estupro!

Vários outros seguranças foram entrando, seguidos por curiosos, ela aproveitou a multidão que lotava o local, logrou sair de mansinho, sem ser notada.

Com muito custo encontrou Sandra no salão e lhe disse que ia embora. Sandra a acompanhou. Na calçada encontraram um táxi, e foram para o apartamento de Sandra.

Lá chegando, depois de alguns minutos confortavelmente acomodadas, a sós e menos assustadas, CRIS pelo que viu, e Sandra pelo que não viu, mas sem entender o alvoroço da amiga para sair da balada tão depressa e nervosa. Ficaram por algum tempo em silêncio total.

Sandra aguardou até que tudo se acalmasse para perguntar o que aconteceu.

Após contar tudo com muita calma, como quem resignada, aceitava, o que sabiamente não tinha poderes para modificar. Ficou em silêncio, como se esperando uma resposta de Sandra.

Esta, mal acreditando no que acabara de ouvir e lembrando do sacrifício que a amiga fez para ajudá-la e também, pelo fato de que fora ela, quem sugeriu a balada, disse a CRIS que podia ficar ali aquela noite.

Foi uma noite difícil para ambas, que não conseguiram dormir tranquilamente. As lembranças atordoaram suas cabeças, ainda com dificuldades para se concentrarem em situações menos desagradáveis.

Na manhã seguinte, depois de um bom café e um momento de serenidade, Sandra deduz que seu problema já não era tão desastroso, como um terremoto, diante da situação de sua amiga.

Assim se sentiu em condições de ajudar. Iniciaram então a análise das possibilidades. Planos não faltaram. De comum acordo ficou decido que CRIS ficaria morando ali com Sandra.

 

Enquanto isso no apartamento de CRIS o telefone tocou e tocou por muitos dias. 


Encontro misterioso - Alberto Landi

  Encontro misterioso Alberto Landi A nave da Catedral de Chartres era ampla e alta; colunas robustas sustentavam os arcos que pareciam subi...