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quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

UMA HISTÓRIA DE NATAL - Do Carmo

 


HONRA AO MÉRITO

CONCURSO DE NATAL ICAL 2020

UMA HISTÓRIA DE NATAL

Do Carmo

O Natal está chegando, e com ele meus pequenos netos também. Sempre passo o Natal junto com meus filhos. Depois os pais vão e eles ficam comigo até a passagem de ano. E esta vó curte intensamente os pimpolhos, até os pais voltarem. 

Os presentes já estão devidamente embrulhados, cartões colocados, decoração caprichada, agora é pensar quais histórias irei contar para nossas noites de espera do Papai Noel. Tenho ainda alguns dias para pensar e preparar-me, pois, eles chegaram com seus desejos a todo vapor, bem os conheço.

Eureca! Lembrei-me, há tempos ganhei da Dedé e o Paulo, casal querido e amigo, um livro sobre “A Origem Histórica do Natal.”

Entusiasmada por essa ideia, tratei de encontrá-lo, rapidamente como um buscapé, na estante de livros do quarto de estudos, que estão ordenados em ordem alfabética.

Feliz por ter tido uma ideia fantástica, pois teria assunto para vários dias, o que os manteriam sossegados até a hora de irem para a cama.

Livro, bloco para anotações e caneta em punho, mergulhei de corpo e alma na leitura salvadora.

Não notei as horas passarem, só me dei conta do horário quando senti vontade de um cafezinho e levantando-me como impulsionada por uma mola, olhei para o relógio e com espanto constatei que já eram quatro horas da manhã!

Abobalhada com essa situação inesperada, fiquei sem saber o que fazer: deixar tudo onde parei e ir dormir, ou tomar uma boa caneca de café e continuar. Deixaria para dormir tranquila, com minha missão amorosa em paz.

Meu coração falou mais alto.

— Pondere, Docarmo, se você largar tudo e for dormir, certamente irá ficar remoendo ideias funestas e o sono não virá, então, tome sua caneca de café e volte ao trabalho, pois não terá tempo de perder o embalo da narrativa. Essa é minha sugestão.  Dormir, você terá o restante da manhã e toda tarde para recuperar o sono e estará com a alma lavada e feliz.

É isso que farei. Ótimo, caneca cheia e umas bolachinhas, irão me recompor e darão impulso às minhas ideias.

Maravilha, começarei pelo começo. Ah! Vou direto pelo computador, pois, minha letra não está bem, ela está cansada e assim pouparei um serviço desnecessário, escrever e depois digitar.  

   Bem, meus queridos, desta vez a vovó irá contar uma história que é cultural, uma vez que vocês ficarão conhecendo a “Histórica Origem do Natal”.

O Natal é uma data, na qual comemoramos o nascimento de Jesus Cristo.

Na Antiguidade era comemorado em diversas datas baseadas no inverno. Do Hemisfério Norte. Somente no século IV que 25 de dezembro ficou estabelecido como data oficial de comemoração, uma vez que na Roma Antiga, 25 de dezembro, era comemorado o início do inverno. 

Do ponto de vista cronológico, o Natal é uma data de grande importância para o Ocidente, marca o ano UM da nossa história. Nessa época as comemorações duravam doze dias, pois esse foi o tempo que os Reis Magos demoraram para chegar até Belém da Judéia, levando presentes: OURO, INCENSO e MIRRA (bálsamo da resina da planta Balsamus dendron myrrha) ao Menino Jesus.

Atualmente é costume começar as decorações natalinas já em novembro, para atrair os compradores de presentes e a desmontagem é sempre em janeiro, depois do dia seis, que é exatamente o décimo segundo dia do nascimento de Jesus.

A Festa do Natal é muito mais antiga do que a Cristandade, remonta do tempo e religião do paganismo. Mais de quatrocentos anos do nascimento e morte de Jesus Cristo, a Igreja Católica, no Concílio de Nicéia, o Papa Júlio I, fixou essa data para o nascimento de Jesus Cristo e conhecimento aos primeiros cristãos 

Nas comemorações do Natal, muitos são os símbolos representantes dessa festividade, que tiveram origem com os Sacerdotes indo-germânicos, na Idade Média.

Bem, queridos, continuaremos amanhã, já se faz tarde e todos precisamos descansar. Até agora, vocês estão gostando?

Sim, vovó, está muito interessante, já estamos com idade de compreender fatos reais, passamos da idade dos Contos da Carochinha que você sempre nos contou. UAU!!!

Bom dia, meus amores!  Dormiram bem? Então depois do café da manhã e cumprido todo ritual de higiene, vamos nos acomodar para ouvirem uma parte muito interessante sobre a história da origem dos SÍMBOLOS!!! Começaremos com os mais significativos:

VELAS – simbolizam nossa fé e alegria pelo nascimento de Jesus, nosso Rei e Senhor.

CEIA - Banquete Eterno, onde as famílias se reúnem para celebrar a vinda do verdadeiro Deus, Jesus Cristo. A mesa é sempre enfeitada com velas coloridas e geralmente a do centro da mesa é maior, vermelha, a mais majestosa, pois representa Jesus Cristo a Luz do Mundo

ANJOS – Mensageiros de Deus, são o sinal de que as portas do Céu se abriram e há uma Comunicação de Deus com seu povo.

ÁRVORE DE NATAL – Símbolo de ALEGRIA, PAZ E AMOR. Em quase todos os países as pessoas montam árvores – pinheiros-  com bolas coloridas, anjinhos, várias figuras decorativas, tufinhos de algodão, representando a neve, cordões verdes de ráfia, alguns penduram bombons, balas, pirulitos, para simbolizar a doçura das palavras Divinas de Jesus Cristo, bem como frequentar sua casa -  a Igreja.

Acredita-se que essa tradição teve origem em um mil quinhentos e trinta, na Alemanha, com Martinho Lutero, Padre que reformou os conceitos da Igreja, criando o Protestantismo.

Conta-se que Lutero caminhava pela floresta, numa noite enluarada e encontrou um pinheiro coberto de neve que brilhava. Associou o brilho da neve ao brilho de estrelas. Hoje, as árvores são enfeitadas com algodão, neve, e os galhos entrelaçados com lampadazinhas, que acesas, brilham como estrelas.

GIRLÂNDA – Coroa verde, de galho de cipreste ou fios diversos e torcidos, de cor verde, enfeitado com bolas coloridas, fitas vermelhas, verdes e douradas, fios dourados e são penduradas na porta de entrada, na sua face externa. 

Cartões de Natal - São enviados aos parentes e amigos, com os quais queremos compartilhar as alegrias do Natal.

TROCA DE PRESENTES – Representa o presente máximo de Deus, que é Seu Filho, que nos foi dado como Irmão Primogênito. Esse é o MÁXIMO DOS PRESENTES – JESUS.

PAPAI NOEL – Representando o Bom Velhinho, que é associado à imagem de São Nicolau, que foi Bispo nascido na Turquia, em duzentos e oitenta D.C., (Depois de Cristo). Ele ajudava aos necessitados e pobres, deixando perto das chaminés das casas, saquinhos com moedas.

Essa imagem de São Nicolau ao Natal, aconteceu na Alemanha.  Em pouco tempo, espalhou-se pelo mundo. Suas roupas são de lã e o seu transporte é de um trenó puxado por renas, pois sua origem é do Inverno do Hemisfério Norte.

SINOS - Representa o anúncio para à humanidade, do Nascimento de Jesus Cristo o Salvador.

ESTRELA DE NATAL – Simboliza a orientação do caminho que os Reis Magos deverão seguir e onde ela descer, indicará que chegaram ao local do nascimento de Jesus recém-nascido.

PASTORES – Simbolizam os primeiros visitantes e os fieis adoradores de Jesus, o Deus Menino. Hoje, eles são os condutores do rebanho de Jesus ao Reino de Deus.

PRESÉPIO – CENÁRIO DO NASCIMENTO.

Simboliza o ambiente e o momento do nascimento de Jesus, ou seja:- Uma manjedoura, os animais, os Três Reis Magos e o Pastores com algumas ovelhinhas e os Pais.

Essa tradição de montar um Presépio para representar o nascimento de Jesus Cristo, teve início no século XIII, com São Francisco e Assis, que humanizou esse acontecimento, juntando Virgem Maria, São José, os animais, os pastores e os Três Reis Magos, ao redor de um bercinho de palha, improvisado.

É assim que comemoramos o Natal, data muito esperada e demasiadamente comemorada.

E com esse símbolo, Presépio, o mais importante, pois reúne os personagens do nascimento de Jesus Cristo, chegamos ao final da nossa história.

 E agora, crianças queridas, que tal tomarmos um chocolate geladinho e comer uma generosa fatia do bolo que a vovó fez especialmente para vocês, aquele que tem chantili e morangos? 

Oba! Vamos sim vovó. Depois vamos comentar sobre tudo que você contou? 

Ótimo, farei algumas perguntas e vocês responderão. Qualquer dúvida é só pergunta.

Já estou cansada, vamos continuar essas perguntas amanhã. Boa noite, Durmam com os Anjinhos que Deus lhes deu.


Conto de Natal - Marlene Laudares

 


HONRA AO MÉRITO

CONCURSO DE NATAL ICAL 2020


CONTO DE NATAL

MARLENE LAUDARES

Estávamos em 1948! Numa pequena estação de trem de Ibituruna por onde circulavam locomotivas que vinham de São João Del Rei com destino à Divinópolis. Eram chamadas de trem locomotivas a vapor (isto porque usavam lenhas na fornalha para ferver a água que provocava o vapor que impulsionava o trem de ferro. Nesta pequena estação de trem da RMV (rede mineira de viação) chamada Ibituruna (um vilarejo) morava uma família, composta pelo pai, José e Zilda. Eles tinham três filhas: Marlene, Marília e Marileia. Marlene e Marília aguardavam o primeiro Natal de suas vidinhas! Marlene tinha cinco aninhos, Marília quatro e Marileia alguns meses!

José colocava-as para dormir dizendo:

- Durmam quietinhas,  não façam barulho porque o papai Noel passará por aqui! Talvez até de madrugada! Mas, se vocês estiverem acordadas, ele não entrará para deixar os presentes de Natal!

Marília, a menor, adormeceu logo. Marlene não conseguia dormir, pois estava mais ansiosa pra ver o papai Noel e pensou como ele seria!  Os cabelos e barbas grandes, com uma roupa vermelha e um saco de presentes nas costas. Ele deveria ser lindo e grande, pensava ela! Portanto, não conseguia dormir! A noite foi longa e ela só pensava nele chegando. Mas, a porta da sala não abria. Ela esperava ouvir o barulho, mas nada acontecia! 

De repente, um barulhinho no quarto dos pais, de um bichinho que assoviava tão docemente! Mas,  ninguém surgia por ali! Ah, agora vou cobrir a cabeça e escutar o que se passa na sala ao lado! Mas, que nada! Ela não ouvia nem passos de alguém por perto! E lá se foi seu sono e a noite longa!  Aí ela ouviu o seu pai dizer: 

 Filha,  Papai Noel já passou! Agora podem vir! Marlene que já estava alerta nem pensou duas vezes, saiu da cama aos pulos, correndo para a sala. Viu o seu sonho realizado! Pertinho dos seus sapatos, lá estava uma boneca de louça, com uma sombrinha aberta e uma bolsinha a tiracolo! Ela quase não acreditou! Era um sonho! Naquele momento foi quase irreal! 

Ela abraçou o seus pais, beijou e disse: 

 Quero abraçar e beijar também o papai Noel! Onde está ele? Porque não me esperou? Do seus olhinhos pequeninos brilhavam lágrimas que caiam de tanta alegria!

Noite de Natal - Dinah Choichit


Dinah Choichit

HONRA AO MÉRITO

CONCURSO DE NATAL ICAL 2020


Noite de Natal

Dinah Choichit

 

A neve caia, as ruas estavam cheias de gente, superagasalhadas, correndo para entrar nas lojas.

Brinquedo era o não faltava nas   do shopping. Temos em São Paulo um bairro especializado em brinquedos para todas as idades. Muitas

Lojas e também nos shoppings com roupas de crianças e adultos. Para ficar completo as calçadas também sempre têm barraquinhas com brinquedos importados.

Olhando a rua parece um formigueiro.

Não falta também lanchonetes, casas de chocolates especiais, confeitarias e balas,  doces e bolos  decorados  , pode comer no local ou levar para casa.

E a neve caindo e muito fina. Chegou o natal.

As igrejas brilham, e de hora em hora batem o sino. É muito convidativo.

Tem meninos de padre com sacolinhas na mão esperando doações.

O padre abençoando o povo que passa.

Não importa a neve, faz parte desta festa. Todos estão felizes.

Nove ninguém sai de uma loja sem pacotes.

Fui com minha vizinha e duas filhas dela e duas minhas.

Sai as nove horas da manhã pensando em voltar até o meio dia.  Qual nada, as 14.00 ainda estávamos lá.

Fizemos uma pausa e fomos comer pastéis no mercado central que fica na mesma rua. Lá tem pasteis de bacalhau, Bauru, maiores e mais caros. Uma delícia.

No mercado fizeram algumas compras para a ceia de natal.

Sempre reunimos com a família e os amigos. Começa às dez da noite com aperitivos.

Cada família traz três ou quatro variedades.

Colocamos os presentes ao pé da árvore de natal numa salinha especial logo na entrada do salão de festas do prédio onde minha irmã mora, tem televisão, rádio vitrola, música é que não falta.

Cada família traz de 4 a 5 pratos para a ceia e as sobremesas deliciosas. Vamos arrumando em cima de uma mesa, convidamos   também primos e amigos que estão sozinhos. Geralmente tem de 40 a 50 pessoas, fora as crianças.

Temos sempre 2 pessoas nos ajudando na cozinha. Funcionárias da família há mais de 10 anos, são irmãs.

Chegou o “papai Noel”, e a alegria é geral. Começamos fazendo uma roda e em seguida uma prece e depois a distribuição dos brinquedos. Todos ganham presentes. É uma gritaria só. Uns choram de alegria, outros pulam, se abraçam. Papai Noel já vai se despedindo, diz que está com pressa, e as vezes não come nada

As crianças querem brincar e nem ligam para a comida. É uma algazarra.

Colocam música para dançar e vão comendo.

As mulheres se juntam e o tititi começa. Só de se ouvem risadas. Vai até três da madrugada. Voltam no outro dia as 14,00horas para o almoço de Natal.

A dona da casa faz outra roda, cada um com sua família, abençoa todos e pede a Deus mais um ano com saúde, alegria e que todos estejam juntos no próximo Natal.

Viva o Natal – a família e os amigos

 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

DONA OVELHINHA NO INVERNO - Henrique Schnaider

 





DONA OVELHINHA NO INVERNO

Henrique Schnaider


A Dona Ovelhinha é uma ovelha previdente. Na chegada do Inverno ela se agasalha bem, fez sapatinhos de lã que aquecem seus pezinhos no frio mais rigoroso. Ela é muito vaidosa e se cuida muito bem, não deixa de colocar alguns enfeites na cabeça pois quer que o Sr. Ovelho só tenha olhos para ela.

Neste inverno ela está tricotando um belo agasalho para o Senhor Ovelho que é um carneiro muito friolento. Ele não para de murmurar cheio de frio Brrrr, Brrrr, Brrrr. Ele pediu um agasalho de sua própria lã e Dona Ovelha tem um novelo grande que tirou dela e dele. Só que para ela tosquiar o marido foi um sufoco já que ele é muito manhoso.

Estavam todos recolhidos em casa juntos na lareira, quentinhos e gostosos,  um bom refúgio para eles neste inverno. Lá estavam Dona Ovelha o Sr. Ovelho e seus cinco carneirinhos todos novinhos já fazendo bééé, bééé, bééé, pedindo o leite quentinho da mamãe.

Enquanto tricotava ela dizia para os carneirinhos:

— Esperem mais um pouco meus amores que mamãe vai dar logo de mamar para vocês. Eles não são uma gracinha querido?

E o marido não titubeou e disse:

— Querida, eles são bonitos porque todos me puxaram, afinal sou ou não sou o seu bonitão?

— Claro, meu amor, não existe um carneiro mais bonito do que você. E, por que você acha que eu te escolhi? Eu também sou a ovelha mais bela entre as mais belas.

— Isto não posso negar, meu amor, você é uma linda ovelha e eu sou cheio de amor para dar a você e assim espero que o ano que vem eu possa te dar mais cinco carneirinhos. No próximo inverno faremos um novelo de lã grande, maior do que este que você está tricotando.

Tudo estava bem, mas tudo ficou triste pois um dos carneirinhos ficou doente tossindo muito e com muita febre e o Sr. Ovelho e Dona Ovelha ficaram muito preocupados, vendo que seu filho piorava a cada momento e não perderam tempo, começaram a balir com toda força Bééé, Bééé, Bééé chamando o Sr. João para socorrer eles.

O dono das ovelhas que estava acostumado com elas e conhecia todos seus hábitos, estranhou aqueles balidos que não eram normais nas suas ovelhas. Correu para verificar o que estava acontecendo, chegou em poucos minutos.

Assim que o Sr. João chegou, as ovelhas mostraram a ele o seu filhotinho doente e imediatamente ele levou para sua casa o doentinho e tratou de medicá-lo. Tudo isso levou uns cinco dias até o carneirinho ficar bom. Enquanto isso os pais aguardavam ansiosos, mas confiantes.

Finalmente o Sr. João aparece com o filhotinho todo serelepe novinho em folha, para felicidade das ovelhas que ficaram eternamente agradecidas ao patrão, prometendo dar a ele a ele muita lã para o seu sustento.

As ovelhas passaram aquele inverno todo sem que acontecesse mais nada de ruim,  e depois de um tempo de espera o colete do Sr. Ovelho ficou pronto e eles baliram de alegria Bééé, Bééé, Bééé.

O NAMORO DA CAVEIRAS - Henrique Schnaider

 


O NAMORO DA CAVEIRAS

Henrique Schnaider


O Esquelético era muito magro só não era mais porque não tinha como. Todos os dias saia de sua tumba para dar umas voltinhas pelo cemitério. Era outono e as folhas caiam suavemente das árvores sentidas de perdê-las, mas era Outono e essa é a lei da vida, as folhas teriam que cair.

Naquele dia chovia grossos pingos caíam, era uma chuvarada, mas o Esquelético que não era bobo e nem nada, tinha um guarda-chuva que alguém esqueceu no cemitério, e assim protegido, saiu para dar umas voltas.

De repente parou um pouco, tinha um encontro

Ele era um danado de um namorador e todos os dias marcava um encontro com a namorada a Esqueletilda. Parou no lugar de sempre e aguardou que ela chegasse. Demorou um pouco para a namorada chegar já que ela era uma esqueleta, mas não deixou de ser mulher e acabou demorando mais um tempo já que queria se enfeitar toda para ele.

Finalmente ela chega toda bela e formosa e o Esquelético tremeu todos os ossos de emoção, gostava muito dela. Ela deu a ele seu braço de puro osso e saíram para passear. Ele agasalhou ela debaixo do guarda-chuva e assim podia ficar bem juntinho dela.

Depois de trocar uns beijos e uns abraços cadavéricos resolveram ir visitar o amigo o Esquético que os recebeu de ossos abertos e os convidou a entrar na sua tumba que era um exemplo de arrumação. Afinal o Esquelético era uma caveira, mas era caprichoso e onde morava era super arrumadinho.

Ele serviu um chá quentinho esquentou todos os ossos. A conversa foi longe as fofocas foram muitas, falaram mal da vida de todo mundo.

Já se fazia tarde e os namorados resolveram ir embora prometendo voltar mais vezes. Esquelético levou a Esqueletilda de volta para a tumba dela. Namoraram mais um pouco fizeram muitas juras de amor, já que não tinham pressa, muito pelo contrário tinham a vida eterna pela frente.

Já era noite e Esquelético tinha medo do escuro, tratou de ir correndo embora, balançando todos os ossos crec, crec crec. A danada da chuva não parava.

Se deitou no seu túmulo de mármore e tratou de dormir logo para sonhar com sua amada Esqueletilda. Queria que logo chegasse o dia seguinte e poder tornar a vê-la.

 

CROCK O JACARÉ - Henrique Schnaider




CROCK O JACARÉ

Henrique Schnaider

 

Crock era um jacaré bonzinho, sempre sorridente, morava num zoológico lá no mundo da fantasia. Desde que nasceu era diferente em tudo.  Fez muitas amizades com a garotada que vinha todos os domingos. As crianças aproveitavam o parque e não deixavam de fazer uma visita a ele, traziam sorvete que era o doce mais saboroso e mais apreciado por ele, adorava os sabores coco limão e morango.

Ele nasceu diferente dos seus irmãos, que eram muito ferozes, nem seus dentes eram ameaçadores. Em vez de patas tinha dois bracinhos e mãos, e daí podia segurar os sorvetes de três bolas e se lambuzar todo.   

Ele não via a hora de chegar os finais de semana já que recebia inúmeras visitas das crianças que vinham cheias de docinhos pipocas bexigas amarradas em cordão, e imitação de bichos  coloridos de rosa amarelo e verde um verdadeiro arco-íris. A alegria era grande e o ambiente era dominado por uma pela felicidade. Tristeza não tinha vez por lá.

Mas havia uma menininha de nome Letícia que era a cara da miséria, pobrezinha que vinha ao Zoo na companhia da mãe e sempre dava uma passada no local onde ficava o Crock, e uma boa amizade aconteceu.

Crock descobriu que podia falar já que era todo diferente e Deus lhe deu todos estes dons que não havia ainda usado, e viu que podia escrever também. Com todas estas qualidades com muito dó da pobreza da menina e sua mãe, pensou em uma forma de ajudar.

Arrumou uma folha de papel grande e caneta tipo pincel que as crianças lhe deram e resolveu escrever um cartaz com letras bem grandes e perfeitas que dizia o seguinte:

— Meus amigos vocês que vêm todos os domingos me trazer sorvetes, estou escrevendo este cartaz pois queria pedir para que ajudassem a Leticia. Ela e sua mãe são muito pobres. Portanto vocês que estão bem de vida façam alguma coisa por elas.

Naquele mesmo domingo veio ao local visitar o Crock um homem muito rico, e quando leu o cartaz, emocionado perguntou ao jacaré:

—Oi Crock foi você que escreveu este cartaz? Puxa que interessante você além de falar, escreve muito bem, mas quem são estas pessoas? Gostaria de conhecê-las, e quem sabe poder ajudá-las.

Dali a alguns minutos chegaram Leticia e a mãe.

Roberto ficou encantado com a educação das duas e fez o convite para que fossem com ele para a sua casa, iriam morar lá. Ele iria aproveitar a mãe nos serviços da casa e iria pagar todos os estudos de Leticia.

A partir daí todos os domingos eles vinham ver o Crock. Leticia foi excelente aluna e com passar dos anos se formou em Veterinária e nessas voltas que a vida dá, acabou se tornando a Diretora Geral do Zoo.

Era importante para ela uma visita diária ao Crock, já velhinho e sempre dizia:

— Crock serei eternamente grata pelo que você fez por mim e minha mãe, algo que mudou a minha vida e você será sempre um verdadeiro pai que eu não tive.

Lágrimas rolaram dos olhos do jacaré.

Jareco e o sorvete - Adelaide Maria Barrozo Dittmers

 




Jareco e o sorvete

Adelaide Maria Barrozo Dittmers

 

Jareco é um jacaré, que mora em um rio de águas claras, no meio de uma floresta com muitos bichos.  Macacos, tatus, lobos, onças e vários pássaros dividem com ele a verde e bela paisagem.

Todos os sábados,  a quati Dengosa vende sorvetes pela floresta. É o dia mais esperado por ele, porque adora sorvete.

Em um belo sábado de sol, Dengosa chega à beira do rio, depois de um longo trajeto, vendendo seus sorvetes e grita;

— Olá, Jareco, vai querer hoje seu sorvete de morango?

É o preferido dele.

— Claro que sim, Dengosa. Hoje quero três bolas, duas de morango e uma de creme.  Estou com uma imensa fome de sorvete. E, lambe seus enormes beiços.

Dengosa coloca as três bolas numa casquinha bem crocante e estende a pequena pata em direção de Jareco.

Neste momento, Rabito, um macaco muito sapeca, pula de uma árvore e pega o sorvete da mão de dengosa.  Jareco fica furioso e abre sua boca cheia de dentes afiados e prende o macaco entre eles.

Rabito, assustado, implora:

— Por favor, meu amigo, não me machuque, eu só queria lhe pregar uma peça.  Vou devolver o seu sorvete.

O grande jacaré solta Rabito, que, tremendo de medo, dá-lhe o tão desejado doce gelado.

— Nunca mais faça isso, Rabito. Não gosto dessas brincadeiras, fala em um tom zangado.

Dengosa suspira aliviada.

O macaco se desculpa e rapidamente pula para um galho de uma árvore, desaparecendo no meio da floresta.

Jareco pisca para Dengosa e diz:

— Só quis assustá-lo. Nunca iria machucá-lo.  Gosto muito desse macaquinho levado da breca, mas tinha que lhe dar uma lição.  Imagine roubar meu sorvete preferido.

E com grandes lambidas, começa a saborear o seu sorvete.

 

Ofélia, a boa ovelhinha - delaide Maria Barrozo Dittmers

 





Ofélia, a boa ovelhinha

Adelaide Maria Barrozo Dittmers

 

Ofélia é uma ovelha muito prendada e generosa.  Mora sozinha em uma casa pintada de azul, sua cor preferida e cercada por um lindo jardim florido.  Adora flores e cuida de  jardim com muito carinho.

Todo o dia passeia pelo campo, onde colhe frutas e verduras e aproveita para encontrar e conversar com seus amigos.   É muito querida por todos, pois é uma ovelha simpática e que gosta de ajudar quem precisa.

Em um desses passeios, encontra  Dna. Coelha, que diz a ela estar muito preocupada com o inverno, que está chegando e não tem dinheiro para comprar agasalhos de lã para seus filhotes.  Os coelhos sempre têm muitos filhos.

Ofélia olha para ela com muita pena e fala:

— Dna. Coelha, não se preocupe, eu gosto muito de fazer tricô.  Vou fazer casacos e calças para eles.

- Muito obrigada, Ofélia! Nem posso acreditar que vai fazer isso por mim.  E juntando as patinhas, agradece várias vezes.

Ofélia, muito comovida, despede-se dela e via para casa.

Chegando lá, deposita  cesta de frutas e verduras, que colheu pelo caminho, em uma mesa e vai direto para a sala, onde costuma tricotar,

Senta-se em uma confortável poltrona, pega um enorme novelo em forma de bola e começa a tricotar toda satisfeita.

Enquanto tricota, olha pela janela, que está à sua frente.  As flores multicoloridas parecem estar sorrindo para ela.

Como é bom ser útil e ajudar os outros e pensa sorrindo nos filhotes de Dna. Coelha vestidos e aquecidos pelas roupinhas que está fazendo.

 

A grande aventura - Adelaide Maria Barrozo Dittmers

 




A grande aventura

Adelaide Maria Barrozo Dittmers

 

Sr. Osseleto é um esqueleto muito elegante.  Anda sempre com um guarda-chuva pendurado no braço muito, muito magro.

Em um dia de outono, quando as árvores se despem de suas belas folhas vermelhas e são levadas pelo vento frio, que sopra anunciando a chegada do inverno, o Sr. Osseleto sai para dar um passeio. Ele adora andar pelas ruas da cidade e quase ser levado pelo vento.  A única coisa de que não gosta é de tomar chuva e se molhar todo.   Seus ossos doem muito.

Neste dia, entretanto, nuvens escuras cobrem todo o céu e o Sr. Osseleto olha preocupado em redor, pensando se teria sido uma boa idéia sair com um tempo tão incerto.

Neste momento, como a confirmar sua dúvida, começa a cair uma pesada e forte chuva. Ele tenta abrir, várias vezes o guarda-chuva até que, com grande dificuldade, finalmente consegue. O vento e a chuva arrastam o pobre esqueleto, que quase não consegue se manter em pé.

De repente, sente que seus pés não estão mais no chão.  Está sendo levado pela ventania.  Apesar do susto, dá um grande sorriso de felicidade. Está voando.  Sempre foi seu maior desejo.

Ele agarra com força o cabo do guarda-chuva e olha as ruas e casas, lá embaixo. O vento o leva para fora da cidade e agora ele sobrevoa campos dourados pelo outono.  Com medo, mas feliz, observa a paisagem molhada.

E eis que a chuvarada e o vento começam a amainar e ele e seu guarda-chuva descem suavemente em um grande milharal até pousar entre os pés de milho.

Sr. Osseleto olha em volta. Nunca pensou que iria viver uma aventura assim.  E, sem se importar com seus ossos molhados e doloridos, caminha devagar entre a plantação para voltar a casa.

É um longo caminho, mas ele não se importa. Tinha realizado seu sonho.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

A UNIÃO FAZ A FORÇA - Alberto Landi

 





A UNIÃO FAZ A FORÇA

Alberto Landi

 

Havia um lago muito grande de formato longilíneo, água um tanto turvas pelas algas que brotaram ao fundo e no entorno. Não era difícil atravessá-lo, pois havia pequenas pontes de um lado a outro dando ao lugar um clima de contos de fadas.  Margeando, havia casas com jardins floridos, onde as crianças brincavam à vontade em contato com o verde.   O lago, ponto turístico do lugar, estava repleto de alevinos, peixes variados, e sapos.

Os habitantes do lago viviam felizes, brincavam saltando bem alto em competições com os colegas, se divertiam muito apostando rapidez no nado de travessia do lago.  O convívio social no lago era de simpatia e boa amizade.

Até que apareceu por lá um pequeno jacaré Joe, e tudo mudou depois disso.

Joe não era muito amistoso, mantinha certo distanciamento, que mais tarde descobriram ser por conveniência. Isso porque, Joe passou a atacar os alevinos, peixes e sapos do lago. Joe comia todos eles. Passou a ser o terror do lago. Alterou o comportamento de todos por ali.

Os peixes se perguntavam sempre, de onde veio esse jacaré?

Com muito medo os peixinhos e sapinhos, foram embora, pois, era impossível viver dessa forma sempre fugindo e se escondendo.  Resolveram procurar outro lago para habitar. E descobriram o tubo de drenagem do lago, que os levava para outro lago mais profundo onde outras espécies de peixes maiores habitavam. Por esse tubo foram saindo aos poucos, alevinos, peixes e sapos. No comando, o sapo Huli mantinha a organização impecável. O lugar foi ficando vazio, Joe ficou solitário, sem alimentação

Porém, não se adaptaram ao novo lago. Profundidade, algas diferentes, amigos maiores que não gostavam de conversa, pois tinham que lutar diariamente para se safarem dos anzóis, e a ração que não lhes era adequada.

Resolveram então voltar e fazer uma proposta ao Joe.

—Se você nos deixar em paz, nadarmos com tranquilidade, todas as manhãs traremos a você sorvetes de casquinha. O que você me diz?

Joe respondeu após pensar:

—Só se for de morango e baunilha. Os peixinhos respondem em coro:   

—OK! Acordo firmado!

E assim todas as manhãs Joe degustava os sorvetes em troca da tranquilidade e paz dos peixinhos e sapinhos. Mas eles eram tão pequeninos e armavam um plano para se livrar de Joe. Mas como fazê-lo?

As ideias foram surgindo e acabaram aceitando a ideia de um dos sapinhos.  Iriam todos se reunir e juntos, se transformariam num monstro, iriam cobrir-se de algas e quando o jacaré aparecesse por lá dariam um grande susto nele. 

Joe estava se aproximando para receber o sorvete quando foi surpreendido. Quando colocou a pata no lago, o monstro apareceu, vindo da agua, e indo ao encontro dele, assustando-o. Joe correu o mais rápido que pôde, tal era o medo, e foi para bem longe.

Os peixinhos, sapinhos todos comemoraram o plano que havia dado certo. Agora poderiam nadar em paz.

Eles aprenderam que a união faz a força, eram pequeninos, mas todos juntos se tornaram um temido monstro.

E quanto ao Joe?  Nunca mais apareceu por lá, e nem se ouviu falar mais dele! Sumiu!  E já foi bem tarde... 

 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

O "VOZ DE TROVÃO” - Claudionor Dias da Costa

 

 



O  "VOZ DE TROVÃO”

Claudionor Dias da Costa

 

                   

                     A nossa infância saudosa com pés descalços e muitas fantasias na cabeça, passada no rincão perdido do bairro da Zona Norte, deixou lembranças de lugares, pessoas, emoções e sentimentos que parecem não existir mais.

                    Corríamos pela rua de terra empinando pipas que desapareciam naquele céu de brigadeiro como se quiséssemos dominar o universo, pois éramos fortes e destemidos e nada nos detinha, até o primeiro tombo e o joelho ralado. Aí era correr para casa e pedir à paciente mãe que fizesse o milagre com suas mãos santas e cura rápida. E o mercúrio cromo na ferida, esfregado com algodão, só de lembrar, parece arder até hoje.

                    Nunca estávamos sozinhos.  Sempre com uma turma de garotos que competiam pela travessura maior. As idades variavam de sete a doze anos.

                     Andar de bicicleta, rodar pião, jogar bolinha de gude, soltar balão, jogar futebol no campinho de terra, guerra de mamonas com estilingue eram praticados em épocas próprias que dividíamos ao longo do ano, como se elaborássemos um grande planejamento combinado entre todos e até com as turmas de outras ruas.

                      Pela manhã eu, meu irmão e quase sempre algum amigo vizinho caminhávamos para a escola, a quase dois quilômetros de distância, da qual gostávamos muito, talvez motivados mais pelo recreio com os colegas do que pelas aulas. Na volta, entravamos ruidosamente em casa, gritando:

                   - Olá mamãe, chegamos!

                      Era o sinal de que estávamos com fome e não arredávamos pé até o saboroso almoço sair.  No atropelo, praticamente engolíamos a comida, escutando a recomendação:

— Comam devagar, crianças!

                      Numa esquina próxima, entre nossa rua e uma viela estreita, ficava uma residência com vasto terreno, muro de quase dois metros onde morava o velho Afonso. Devido a nossa pouca idade ele parecia muito idoso, quando na realidade deveria ter por volta de cinquenta anos na época.        

                       Esse local era o nosso preferido pelas frutas apetitosas que roubávamos e pela adrenalina que percorria nossas veias quando, com a ajuda dos amigos, escalávamos aquele muro alto e pulávamos para dentro do terreno. Um companheiro sempre ficava em cima do muro sentado como vigia e, anunciava quando o dono surgia ao fundo vindo em nossa direção.

                       Contudo, ficávamos preocupados com a fúria do Senhor Afonso que ao nos surpreender gritava com sua voz de trovão:

— Saíam já daí, cambada de moleques safados!

                       Aquilo nos aterrorizava e nos obrigava a disparar e pular o muro para a rua.  Fugíamos acelerados para longe dali, levantando poeira e depois de muita energia gasta e ainda suados, sentávamo-nos na calçada. Dividíamos as mexericas e os famosos caquis chocolate de forma justa para ninguém ficar fora daquela festa.

                       Essa aventura se repetia muitas vezes e a voz de trovão do Senhor Afonso permanecia até em nossos sonhos. Mas, mesmo com medo não pretendíamos deixar de sentir o aroma gostoso das mexericas e as mordidas nos caquis. Imperdíveis.

                        Aquele homem viúvo, morava sozinho e saia muitas vezes para comprar mantimentos no armazém do bairro. Era o momento em que o observávamos a boa distância, pois ninguém da turma queria ser reconhecido por ele.

                        A famosa voz de trovão, apelido que usávamos entre nós, causava temor em nossa turma. Contudo, ele era bem visto e até elogiado pelos adultos demonstrando educação, conversa inteligente e até solidário contribuindo e participando das obras sociais da igreja. Essa característica de personalidade era para nós um contraste dado o temor que tínhamos de seu vozeirão, ameaça real do que poderia nos acontecer, caso nos alcançasse dentro do terreno dele.

                     As nossas tardes transcorriam alegres e descompromissadas, recheadas de brincadeiras e travessuras.

                     Porém, não esperávamos o que aconteceu no início da noite da quela primavera quente em nossa família.

                     Meu pai começou a sentir-se mal, dizendo que estava meio zonzo. Minha mãe o colocou sentado, deu-lhe um copo com água, procurando acalmá-lo e dizendo que era cansaço pelo trabalho e que passaria. Contudo, minha tia Alzira, que morava na casa ao lado e estava conosco preocupada saiu para buscar ajuda. Correu em direção ao armazém e no caminho passou pelo Sr. Afonso, que dada a agitação dela, a interrompeu e, sabendo do ocorrido se dispôs a ajudar. Imediatamente, tirou seu velho carro da garagem e veio para nossa casa com a tia.

                      Entraram em casa apressados e foram atender meu pai.

                      Eu e meu irmão ficamos num canto, calados observando tudo preocupados com o pai e também com medo pela presença do “Voz de Trovão” tão perto.

                     Ele somente olhou para nós com pequeno sorriso, o que nos deixou constrangidos e ruborizados, e de imediato passou a atender meu pai, fazendo algumas perguntas para nossa mãe e tia Alzira.

                      Resolveram levar nosso pai para o hospital. Foi a sorte! Ou melhor, a providência divina, porque durante o percurso ele começou a sentir dores no peito e a reclamar muito. Chegaram até bem rápido, prontamente ele foi atendido. Estava tendo um infarto. Algumas horas depois ele saia da cirurgia.          

                     Todo este ocorrido foi acompanhado e contou com a ajuda do “Voz do Trovão”, que dias depois visitava nossa casa para incentivar a recuperação de nosso pai. Passou a ter relacionamento mais próximo com nossa família.

                     A disposição, energia e grande solidariedade demonstrada por aquele homem fez com que passássemos a admirá-lo e comentávamos isto com todos. Nossa turma da rua passou a respeitar o Sr. Afonso e não entravamos mais no seu terreno.

                     Para surpresa nossa   o que aumentou mais ainda o conceito daquele bom homem conosco, foi que ele nos chamava em seu portão e distribuía aquelas deliciosas frutas para todos os meninos.

                     O “Voz de Trovão” passou a ser um apelido de força e amizade.

                     Passados vinte anos quando lembramos, de sua imagem e da voz grave que virou um símbolo, mesmo após ter nos deixado nesta vida, sentimos saudades e certo arrependimento pelas travessuras que tiravam seu sossego.  

                     E, até hoje quando ouvimos um trovão paramos, olhamos para o céu e nosso pensamento vai até ele.                               

Conto natalino - Marlene Laudares

 







Conto natalino

Marlene Laudares

 

Numa pequena cidade do interior já nota-se a movimentação para as comemorações natalinas. Luzes coloridas brilhavam na sacada dos sobrados. Uma linda árvore começava a ser arrumada na pracinha próxima a igrejinha da nossa Senhora Aparecida. Crianças brincavam e conversavam sobre o que pediriam ao Papai Noel. Observando esse cenário, me deparei com uma garotinha de olhar tristonho que a tudo ouvia e nada dizia. Eu que observava senti vontade de falar com ela. Então cheguei bem pertinho e ela nem notou a minha presença.Perguntei: menina, porque está aí sozinha? Vá, e se junte as coleguinhas! Ela se assustou ao me ouvir e disse: Não posso! Aqui estou sozinha e nem as conheço. Seus olhinhos estavam molhados. Imaginei até que estava a chorar. Ela me disse: eu queria um presente, mas é para dar para minha mãezinha que está doente, um remedinho pra ela sarar e se levantar pra cuidar de mim! No momento fiquei sem saber o que dizer. Peguei a pela mãozinha e disse: vamos pedir ao menino Jesus ali na igrejinha! E a menina chorosa me acompanhou. E lá ficamos por algum tempo. É Natal e tudo é possível àquele que crê!

O TRONO E A COROA - Henrique Schnaider

 




O TRONO E A COROA

Henrique Schnaider

 

O trono e a coroa vivem juntos desde os primórdios da humanidade sempre muito amigos, já perderam a conta da própria idade. São milhares de anos com certeza, são inseparáveis. Porém de tempos em tempos acontecem desavenças, mas a reconciliação sempre acontece.

Os tempos modernos desvalorizaram os dois e hoje são raros os lugares onde eles ainda têm espaço na vida dos reis. Mas em outros tempos a importância era grande e invejada pelas cadeiras mais finas.

No reino dos sonhos o Monarca Cedros tinha um trono todo coberto de ouro e pedras preciosas, rubis, diamantes, esmeraldas de uma beleza invejável. A coroa tinha um brilho especial recheada de ornamentos raros, ficava perfeita na cabeça dele, dava-lhe um porte e uma presença incomuns.

Leonino, o trono do rei, tinha conversas intermináveis com a cabeça coroada, Mirela. Um dia ele numa conversa de egos disse a ela:

— Nossa, hoje me sinto poderoso o maior entre os maiores, meu rei não sabe o que fazer para me agradar, minha limpeza é diária. Serei eternamente grato e mostrarei fidelidade sempre que ele precisar.

Mirela cheia de inveja e presunção disse ao Trono.

— O rei Cedros me adora, me trata com um carinho que só tem por mim. Fico toda arrepiada, meus ornamentos brilham com força por causa do amor que o rei nos dedica.

A conversa corria solta entre Leonino e Mirela, cada um querendo se mostrar melhor que o outro, parecia uma briga entre plumas e paetês que estavam ali por perto se mostrando todas.

Neste momento o rei deixou Mirela delicadamente em cima do trono e se ausentou. Nisso aparece o Ministro do rei que estava escondido atrás de uma pilastra. Vinha   muito tempo tramando um golpe para derrubar Cedros e assumir o trono. Parou em frente ao desejado lugar real e ficou apreciando tamanha imponência, deslumbrado imaginando-se sentado e coroado.

O secretário do Ministro aparece e lhe diz baixinho:

— Senhor, está tudo pronto para tirar o poder do rei Cedros, para que sua Excelência assuma o trono.

O Ministro todo empolado respondeu:

— Quando O rei voltar o prenderemos e finalmente assumirei o trono e a coroa. Leonino e Mirela ouviram incrédulos toda aquela trama urdida pelo Ministro.

Leonino fala a Mirela:

— Jurei, sempre ser fiel ao Rei Cedros e não permitirei que este traidor derrube nosso Soberano e você vai me ajudar nesta tarefa. Usaremos nosso poder mágico para não permitir que isto aconteça.

O rei Cedros retorna à sala do trono, para sua surpresa, como não estava acompanhado da guarda real é preso pelo Ministro e seus fiéis traidores, fica ali triste vendo seu trono ser usurpado.

Carnal, o ministro traidor, ansioso, não perdeu tempo, sentou-se no trono e colocou a coroa na cabeça. Neste momento Leonino e Mirela exercem seus poderes mágicos e imediatamente raios poderosos atingem Carnal e seus comparsas. Mirela aperta a cabeça do traidor até ele desmaiar.

Neste momento chegam à sala do trono os guardas reais que prendem o Ministro e os insurgentes. Libertam o rei Cedros que feliz se dirigiu ao trono, leonino e Mirela o recebem carinhosamente.

Ele diz a Mirela:

— Nem sempre, minha cara, a história tem um final feliz, mas ficaremos unidos para defender o rei Cedros toda vez que houver inimigos, e assim fazer com que sua vida seja coberta de felicidade. 

Leonino recebe Cedros com imponência. Mirela envolve delicadamente a cabeça do rei num mar de carinhos. 

 

Encontro misterioso - Alberto Landi

  Encontro misterioso Alberto Landi A nave da Catedral de Chartres era ampla e alta; colunas robustas sustentavam os arcos que pareciam subi...