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quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

CROCK O JACARÉ - Henrique Schnaider




CROCK O JACARÉ

Henrique Schnaider

 

Crock era um jacaré bonzinho, sempre sorridente, morava num zoológico lá no mundo da fantasia. Desde que nasceu era diferente em tudo.  Fez muitas amizades com a garotada que vinha todos os domingos. As crianças aproveitavam o parque e não deixavam de fazer uma visita a ele, traziam sorvete que era o doce mais saboroso e mais apreciado por ele, adorava os sabores coco limão e morango.

Ele nasceu diferente dos seus irmãos, que eram muito ferozes, nem seus dentes eram ameaçadores. Em vez de patas tinha dois bracinhos e mãos, e daí podia segurar os sorvetes de três bolas e se lambuzar todo.   

Ele não via a hora de chegar os finais de semana já que recebia inúmeras visitas das crianças que vinham cheias de docinhos pipocas bexigas amarradas em cordão, e imitação de bichos  coloridos de rosa amarelo e verde um verdadeiro arco-íris. A alegria era grande e o ambiente era dominado por uma pela felicidade. Tristeza não tinha vez por lá.

Mas havia uma menininha de nome Letícia que era a cara da miséria, pobrezinha que vinha ao Zoo na companhia da mãe e sempre dava uma passada no local onde ficava o Crock, e uma boa amizade aconteceu.

Crock descobriu que podia falar já que era todo diferente e Deus lhe deu todos estes dons que não havia ainda usado, e viu que podia escrever também. Com todas estas qualidades com muito dó da pobreza da menina e sua mãe, pensou em uma forma de ajudar.

Arrumou uma folha de papel grande e caneta tipo pincel que as crianças lhe deram e resolveu escrever um cartaz com letras bem grandes e perfeitas que dizia o seguinte:

— Meus amigos vocês que vêm todos os domingos me trazer sorvetes, estou escrevendo este cartaz pois queria pedir para que ajudassem a Leticia. Ela e sua mãe são muito pobres. Portanto vocês que estão bem de vida façam alguma coisa por elas.

Naquele mesmo domingo veio ao local visitar o Crock um homem muito rico, e quando leu o cartaz, emocionado perguntou ao jacaré:

—Oi Crock foi você que escreveu este cartaz? Puxa que interessante você além de falar, escreve muito bem, mas quem são estas pessoas? Gostaria de conhecê-las, e quem sabe poder ajudá-las.

Dali a alguns minutos chegaram Leticia e a mãe.

Roberto ficou encantado com a educação das duas e fez o convite para que fossem com ele para a sua casa, iriam morar lá. Ele iria aproveitar a mãe nos serviços da casa e iria pagar todos os estudos de Leticia.

A partir daí todos os domingos eles vinham ver o Crock. Leticia foi excelente aluna e com passar dos anos se formou em Veterinária e nessas voltas que a vida dá, acabou se tornando a Diretora Geral do Zoo.

Era importante para ela uma visita diária ao Crock, já velhinho e sempre dizia:

— Crock serei eternamente grata pelo que você fez por mim e minha mãe, algo que mudou a minha vida e você será sempre um verdadeiro pai que eu não tive.

Lágrimas rolaram dos olhos do jacaré.

Jareco e o sorvete - Adelaide Maria Barrozo Dittmers

 




Jareco e o sorvete

Adelaide Maria Barrozo Dittmers

 

Jareco é um jacaré, que mora em um rio de águas claras, no meio de uma floresta com muitos bichos.  Macacos, tatus, lobos, onças e vários pássaros dividem com ele a verde e bela paisagem.

Todos os sábados,  a quati Dengosa vende sorvetes pela floresta. É o dia mais esperado por ele, porque adora sorvete.

Em um belo sábado de sol, Dengosa chega à beira do rio, depois de um longo trajeto, vendendo seus sorvetes e grita;

— Olá, Jareco, vai querer hoje seu sorvete de morango?

É o preferido dele.

— Claro que sim, Dengosa. Hoje quero três bolas, duas de morango e uma de creme.  Estou com uma imensa fome de sorvete. E, lambe seus enormes beiços.

Dengosa coloca as três bolas numa casquinha bem crocante e estende a pequena pata em direção de Jareco.

Neste momento, Rabito, um macaco muito sapeca, pula de uma árvore e pega o sorvete da mão de dengosa.  Jareco fica furioso e abre sua boca cheia de dentes afiados e prende o macaco entre eles.

Rabito, assustado, implora:

— Por favor, meu amigo, não me machuque, eu só queria lhe pregar uma peça.  Vou devolver o seu sorvete.

O grande jacaré solta Rabito, que, tremendo de medo, dá-lhe o tão desejado doce gelado.

— Nunca mais faça isso, Rabito. Não gosto dessas brincadeiras, fala em um tom zangado.

Dengosa suspira aliviada.

O macaco se desculpa e rapidamente pula para um galho de uma árvore, desaparecendo no meio da floresta.

Jareco pisca para Dengosa e diz:

— Só quis assustá-lo. Nunca iria machucá-lo.  Gosto muito desse macaquinho levado da breca, mas tinha que lhe dar uma lição.  Imagine roubar meu sorvete preferido.

E com grandes lambidas, começa a saborear o seu sorvete.

 

Ofélia, a boa ovelhinha - delaide Maria Barrozo Dittmers

 





Ofélia, a boa ovelhinha

Adelaide Maria Barrozo Dittmers

 

Ofélia é uma ovelha muito prendada e generosa.  Mora sozinha em uma casa pintada de azul, sua cor preferida e cercada por um lindo jardim florido.  Adora flores e cuida de  jardim com muito carinho.

Todo o dia passeia pelo campo, onde colhe frutas e verduras e aproveita para encontrar e conversar com seus amigos.   É muito querida por todos, pois é uma ovelha simpática e que gosta de ajudar quem precisa.

Em um desses passeios, encontra  Dna. Coelha, que diz a ela estar muito preocupada com o inverno, que está chegando e não tem dinheiro para comprar agasalhos de lã para seus filhotes.  Os coelhos sempre têm muitos filhos.

Ofélia olha para ela com muita pena e fala:

— Dna. Coelha, não se preocupe, eu gosto muito de fazer tricô.  Vou fazer casacos e calças para eles.

- Muito obrigada, Ofélia! Nem posso acreditar que vai fazer isso por mim.  E juntando as patinhas, agradece várias vezes.

Ofélia, muito comovida, despede-se dela e via para casa.

Chegando lá, deposita  cesta de frutas e verduras, que colheu pelo caminho, em uma mesa e vai direto para a sala, onde costuma tricotar,

Senta-se em uma confortável poltrona, pega um enorme novelo em forma de bola e começa a tricotar toda satisfeita.

Enquanto tricota, olha pela janela, que está à sua frente.  As flores multicoloridas parecem estar sorrindo para ela.

Como é bom ser útil e ajudar os outros e pensa sorrindo nos filhotes de Dna. Coelha vestidos e aquecidos pelas roupinhas que está fazendo.

 

A grande aventura - Adelaide Maria Barrozo Dittmers

 




A grande aventura

Adelaide Maria Barrozo Dittmers

 

Sr. Osseleto é um esqueleto muito elegante.  Anda sempre com um guarda-chuva pendurado no braço muito, muito magro.

Em um dia de outono, quando as árvores se despem de suas belas folhas vermelhas e são levadas pelo vento frio, que sopra anunciando a chegada do inverno, o Sr. Osseleto sai para dar um passeio. Ele adora andar pelas ruas da cidade e quase ser levado pelo vento.  A única coisa de que não gosta é de tomar chuva e se molhar todo.   Seus ossos doem muito.

Neste dia, entretanto, nuvens escuras cobrem todo o céu e o Sr. Osseleto olha preocupado em redor, pensando se teria sido uma boa idéia sair com um tempo tão incerto.

Neste momento, como a confirmar sua dúvida, começa a cair uma pesada e forte chuva. Ele tenta abrir, várias vezes o guarda-chuva até que, com grande dificuldade, finalmente consegue. O vento e a chuva arrastam o pobre esqueleto, que quase não consegue se manter em pé.

De repente, sente que seus pés não estão mais no chão.  Está sendo levado pela ventania.  Apesar do susto, dá um grande sorriso de felicidade. Está voando.  Sempre foi seu maior desejo.

Ele agarra com força o cabo do guarda-chuva e olha as ruas e casas, lá embaixo. O vento o leva para fora da cidade e agora ele sobrevoa campos dourados pelo outono.  Com medo, mas feliz, observa a paisagem molhada.

E eis que a chuvarada e o vento começam a amainar e ele e seu guarda-chuva descem suavemente em um grande milharal até pousar entre os pés de milho.

Sr. Osseleto olha em volta. Nunca pensou que iria viver uma aventura assim.  E, sem se importar com seus ossos molhados e doloridos, caminha devagar entre a plantação para voltar a casa.

É um longo caminho, mas ele não se importa. Tinha realizado seu sonho.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

A UNIÃO FAZ A FORÇA - Alberto Landi

 





A UNIÃO FAZ A FORÇA

Alberto Landi

 

Havia um lago muito grande de formato longilíneo, água um tanto turvas pelas algas que brotaram ao fundo e no entorno. Não era difícil atravessá-lo, pois havia pequenas pontes de um lado a outro dando ao lugar um clima de contos de fadas.  Margeando, havia casas com jardins floridos, onde as crianças brincavam à vontade em contato com o verde.   O lago, ponto turístico do lugar, estava repleto de alevinos, peixes variados, e sapos.

Os habitantes do lago viviam felizes, brincavam saltando bem alto em competições com os colegas, se divertiam muito apostando rapidez no nado de travessia do lago.  O convívio social no lago era de simpatia e boa amizade.

Até que apareceu por lá um pequeno jacaré Joe, e tudo mudou depois disso.

Joe não era muito amistoso, mantinha certo distanciamento, que mais tarde descobriram ser por conveniência. Isso porque, Joe passou a atacar os alevinos, peixes e sapos do lago. Joe comia todos eles. Passou a ser o terror do lago. Alterou o comportamento de todos por ali.

Os peixes se perguntavam sempre, de onde veio esse jacaré?

Com muito medo os peixinhos e sapinhos, foram embora, pois, era impossível viver dessa forma sempre fugindo e se escondendo.  Resolveram procurar outro lago para habitar. E descobriram o tubo de drenagem do lago, que os levava para outro lago mais profundo onde outras espécies de peixes maiores habitavam. Por esse tubo foram saindo aos poucos, alevinos, peixes e sapos. No comando, o sapo Huli mantinha a organização impecável. O lugar foi ficando vazio, Joe ficou solitário, sem alimentação

Porém, não se adaptaram ao novo lago. Profundidade, algas diferentes, amigos maiores que não gostavam de conversa, pois tinham que lutar diariamente para se safarem dos anzóis, e a ração que não lhes era adequada.

Resolveram então voltar e fazer uma proposta ao Joe.

—Se você nos deixar em paz, nadarmos com tranquilidade, todas as manhãs traremos a você sorvetes de casquinha. O que você me diz?

Joe respondeu após pensar:

—Só se for de morango e baunilha. Os peixinhos respondem em coro:   

—OK! Acordo firmado!

E assim todas as manhãs Joe degustava os sorvetes em troca da tranquilidade e paz dos peixinhos e sapinhos. Mas eles eram tão pequeninos e armavam um plano para se livrar de Joe. Mas como fazê-lo?

As ideias foram surgindo e acabaram aceitando a ideia de um dos sapinhos.  Iriam todos se reunir e juntos, se transformariam num monstro, iriam cobrir-se de algas e quando o jacaré aparecesse por lá dariam um grande susto nele. 

Joe estava se aproximando para receber o sorvete quando foi surpreendido. Quando colocou a pata no lago, o monstro apareceu, vindo da agua, e indo ao encontro dele, assustando-o. Joe correu o mais rápido que pôde, tal era o medo, e foi para bem longe.

Os peixinhos, sapinhos todos comemoraram o plano que havia dado certo. Agora poderiam nadar em paz.

Eles aprenderam que a união faz a força, eram pequeninos, mas todos juntos se tornaram um temido monstro.

E quanto ao Joe?  Nunca mais apareceu por lá, e nem se ouviu falar mais dele! Sumiu!  E já foi bem tarde... 

 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

O "VOZ DE TROVÃO” - Claudionor Dias da Costa

 

 



O  "VOZ DE TROVÃO”

Claudionor Dias da Costa

 

                   

                     A nossa infância saudosa com pés descalços e muitas fantasias na cabeça, passada no rincão perdido do bairro da Zona Norte, deixou lembranças de lugares, pessoas, emoções e sentimentos que parecem não existir mais.

                    Corríamos pela rua de terra empinando pipas que desapareciam naquele céu de brigadeiro como se quiséssemos dominar o universo, pois éramos fortes e destemidos e nada nos detinha, até o primeiro tombo e o joelho ralado. Aí era correr para casa e pedir à paciente mãe que fizesse o milagre com suas mãos santas e cura rápida. E o mercúrio cromo na ferida, esfregado com algodão, só de lembrar, parece arder até hoje.

                    Nunca estávamos sozinhos.  Sempre com uma turma de garotos que competiam pela travessura maior. As idades variavam de sete a doze anos.

                     Andar de bicicleta, rodar pião, jogar bolinha de gude, soltar balão, jogar futebol no campinho de terra, guerra de mamonas com estilingue eram praticados em épocas próprias que dividíamos ao longo do ano, como se elaborássemos um grande planejamento combinado entre todos e até com as turmas de outras ruas.

                      Pela manhã eu, meu irmão e quase sempre algum amigo vizinho caminhávamos para a escola, a quase dois quilômetros de distância, da qual gostávamos muito, talvez motivados mais pelo recreio com os colegas do que pelas aulas. Na volta, entravamos ruidosamente em casa, gritando:

                   - Olá mamãe, chegamos!

                      Era o sinal de que estávamos com fome e não arredávamos pé até o saboroso almoço sair.  No atropelo, praticamente engolíamos a comida, escutando a recomendação:

— Comam devagar, crianças!

                      Numa esquina próxima, entre nossa rua e uma viela estreita, ficava uma residência com vasto terreno, muro de quase dois metros onde morava o velho Afonso. Devido a nossa pouca idade ele parecia muito idoso, quando na realidade deveria ter por volta de cinquenta anos na época.        

                       Esse local era o nosso preferido pelas frutas apetitosas que roubávamos e pela adrenalina que percorria nossas veias quando, com a ajuda dos amigos, escalávamos aquele muro alto e pulávamos para dentro do terreno. Um companheiro sempre ficava em cima do muro sentado como vigia e, anunciava quando o dono surgia ao fundo vindo em nossa direção.

                       Contudo, ficávamos preocupados com a fúria do Senhor Afonso que ao nos surpreender gritava com sua voz de trovão:

— Saíam já daí, cambada de moleques safados!

                       Aquilo nos aterrorizava e nos obrigava a disparar e pular o muro para a rua.  Fugíamos acelerados para longe dali, levantando poeira e depois de muita energia gasta e ainda suados, sentávamo-nos na calçada. Dividíamos as mexericas e os famosos caquis chocolate de forma justa para ninguém ficar fora daquela festa.

                       Essa aventura se repetia muitas vezes e a voz de trovão do Senhor Afonso permanecia até em nossos sonhos. Mas, mesmo com medo não pretendíamos deixar de sentir o aroma gostoso das mexericas e as mordidas nos caquis. Imperdíveis.

                        Aquele homem viúvo, morava sozinho e saia muitas vezes para comprar mantimentos no armazém do bairro. Era o momento em que o observávamos a boa distância, pois ninguém da turma queria ser reconhecido por ele.

                        A famosa voz de trovão, apelido que usávamos entre nós, causava temor em nossa turma. Contudo, ele era bem visto e até elogiado pelos adultos demonstrando educação, conversa inteligente e até solidário contribuindo e participando das obras sociais da igreja. Essa característica de personalidade era para nós um contraste dado o temor que tínhamos de seu vozeirão, ameaça real do que poderia nos acontecer, caso nos alcançasse dentro do terreno dele.

                     As nossas tardes transcorriam alegres e descompromissadas, recheadas de brincadeiras e travessuras.

                     Porém, não esperávamos o que aconteceu no início da noite da quela primavera quente em nossa família.

                     Meu pai começou a sentir-se mal, dizendo que estava meio zonzo. Minha mãe o colocou sentado, deu-lhe um copo com água, procurando acalmá-lo e dizendo que era cansaço pelo trabalho e que passaria. Contudo, minha tia Alzira, que morava na casa ao lado e estava conosco preocupada saiu para buscar ajuda. Correu em direção ao armazém e no caminho passou pelo Sr. Afonso, que dada a agitação dela, a interrompeu e, sabendo do ocorrido se dispôs a ajudar. Imediatamente, tirou seu velho carro da garagem e veio para nossa casa com a tia.

                      Entraram em casa apressados e foram atender meu pai.

                      Eu e meu irmão ficamos num canto, calados observando tudo preocupados com o pai e também com medo pela presença do “Voz de Trovão” tão perto.

                     Ele somente olhou para nós com pequeno sorriso, o que nos deixou constrangidos e ruborizados, e de imediato passou a atender meu pai, fazendo algumas perguntas para nossa mãe e tia Alzira.

                      Resolveram levar nosso pai para o hospital. Foi a sorte! Ou melhor, a providência divina, porque durante o percurso ele começou a sentir dores no peito e a reclamar muito. Chegaram até bem rápido, prontamente ele foi atendido. Estava tendo um infarto. Algumas horas depois ele saia da cirurgia.          

                     Todo este ocorrido foi acompanhado e contou com a ajuda do “Voz do Trovão”, que dias depois visitava nossa casa para incentivar a recuperação de nosso pai. Passou a ter relacionamento mais próximo com nossa família.

                     A disposição, energia e grande solidariedade demonstrada por aquele homem fez com que passássemos a admirá-lo e comentávamos isto com todos. Nossa turma da rua passou a respeitar o Sr. Afonso e não entravamos mais no seu terreno.

                     Para surpresa nossa   o que aumentou mais ainda o conceito daquele bom homem conosco, foi que ele nos chamava em seu portão e distribuía aquelas deliciosas frutas para todos os meninos.

                     O “Voz de Trovão” passou a ser um apelido de força e amizade.

                     Passados vinte anos quando lembramos, de sua imagem e da voz grave que virou um símbolo, mesmo após ter nos deixado nesta vida, sentimos saudades e certo arrependimento pelas travessuras que tiravam seu sossego.  

                     E, até hoje quando ouvimos um trovão paramos, olhamos para o céu e nosso pensamento vai até ele.                               

Conto natalino - Marlene Laudares

 







Conto natalino

Marlene Laudares

 

Numa pequena cidade do interior já nota-se a movimentação para as comemorações natalinas. Luzes coloridas brilhavam na sacada dos sobrados. Uma linda árvore começava a ser arrumada na pracinha próxima a igrejinha da nossa Senhora Aparecida. Crianças brincavam e conversavam sobre o que pediriam ao Papai Noel. Observando esse cenário, me deparei com uma garotinha de olhar tristonho que a tudo ouvia e nada dizia. Eu que observava senti vontade de falar com ela. Então cheguei bem pertinho e ela nem notou a minha presença.Perguntei: menina, porque está aí sozinha? Vá, e se junte as coleguinhas! Ela se assustou ao me ouvir e disse: Não posso! Aqui estou sozinha e nem as conheço. Seus olhinhos estavam molhados. Imaginei até que estava a chorar. Ela me disse: eu queria um presente, mas é para dar para minha mãezinha que está doente, um remedinho pra ela sarar e se levantar pra cuidar de mim! No momento fiquei sem saber o que dizer. Peguei a pela mãozinha e disse: vamos pedir ao menino Jesus ali na igrejinha! E a menina chorosa me acompanhou. E lá ficamos por algum tempo. É Natal e tudo é possível àquele que crê!

O TRONO E A COROA - Henrique Schnaider

 




O TRONO E A COROA

Henrique Schnaider

 

O trono e a coroa vivem juntos desde os primórdios da humanidade sempre muito amigos, já perderam a conta da própria idade. São milhares de anos com certeza, são inseparáveis. Porém de tempos em tempos acontecem desavenças, mas a reconciliação sempre acontece.

Os tempos modernos desvalorizaram os dois e hoje são raros os lugares onde eles ainda têm espaço na vida dos reis. Mas em outros tempos a importância era grande e invejada pelas cadeiras mais finas.

No reino dos sonhos o Monarca Cedros tinha um trono todo coberto de ouro e pedras preciosas, rubis, diamantes, esmeraldas de uma beleza invejável. A coroa tinha um brilho especial recheada de ornamentos raros, ficava perfeita na cabeça dele, dava-lhe um porte e uma presença incomuns.

Leonino, o trono do rei, tinha conversas intermináveis com a cabeça coroada, Mirela. Um dia ele numa conversa de egos disse a ela:

— Nossa, hoje me sinto poderoso o maior entre os maiores, meu rei não sabe o que fazer para me agradar, minha limpeza é diária. Serei eternamente grato e mostrarei fidelidade sempre que ele precisar.

Mirela cheia de inveja e presunção disse ao Trono.

— O rei Cedros me adora, me trata com um carinho que só tem por mim. Fico toda arrepiada, meus ornamentos brilham com força por causa do amor que o rei nos dedica.

A conversa corria solta entre Leonino e Mirela, cada um querendo se mostrar melhor que o outro, parecia uma briga entre plumas e paetês que estavam ali por perto se mostrando todas.

Neste momento o rei deixou Mirela delicadamente em cima do trono e se ausentou. Nisso aparece o Ministro do rei que estava escondido atrás de uma pilastra. Vinha   muito tempo tramando um golpe para derrubar Cedros e assumir o trono. Parou em frente ao desejado lugar real e ficou apreciando tamanha imponência, deslumbrado imaginando-se sentado e coroado.

O secretário do Ministro aparece e lhe diz baixinho:

— Senhor, está tudo pronto para tirar o poder do rei Cedros, para que sua Excelência assuma o trono.

O Ministro todo empolado respondeu:

— Quando O rei voltar o prenderemos e finalmente assumirei o trono e a coroa. Leonino e Mirela ouviram incrédulos toda aquela trama urdida pelo Ministro.

Leonino fala a Mirela:

— Jurei, sempre ser fiel ao Rei Cedros e não permitirei que este traidor derrube nosso Soberano e você vai me ajudar nesta tarefa. Usaremos nosso poder mágico para não permitir que isto aconteça.

O rei Cedros retorna à sala do trono, para sua surpresa, como não estava acompanhado da guarda real é preso pelo Ministro e seus fiéis traidores, fica ali triste vendo seu trono ser usurpado.

Carnal, o ministro traidor, ansioso, não perdeu tempo, sentou-se no trono e colocou a coroa na cabeça. Neste momento Leonino e Mirela exercem seus poderes mágicos e imediatamente raios poderosos atingem Carnal e seus comparsas. Mirela aperta a cabeça do traidor até ele desmaiar.

Neste momento chegam à sala do trono os guardas reais que prendem o Ministro e os insurgentes. Libertam o rei Cedros que feliz se dirigiu ao trono, leonino e Mirela o recebem carinhosamente.

Ele diz a Mirela:

— Nem sempre, minha cara, a história tem um final feliz, mas ficaremos unidos para defender o rei Cedros toda vez que houver inimigos, e assim fazer com que sua vida seja coberta de felicidade. 

Leonino recebe Cedros com imponência. Mirela envolve delicadamente a cabeça do rei num mar de carinhos. 

 

PARCEIROS - Hirtis Lazarin

 




PARCEIROS

Hirtis Lazarin

   

 

O dia acorda bem feliz

O sol colore o chafariz.

 

                                No céu azul azulado

                                navega nuvem balão

                                O jardim lisonjeado

                                observa o pacotinho de algodão.

 

                                                            O beija-flor assanhado beija rosa

                                                                                                    beija cravo

                                                                                                    beija jasmim

                                                                                                    que parece de cetim.

A joaninha toda orgulhosa

mostra o que mais gosta

bolinhas pretas pintadas

no vermelho de suas costas.

 

                                        Borboletas bailarinas e elegantes

                                        bailam no ar, provocam rumores.

                                        Azuis, amarelas, brancas, estonteantes

                                        beliscam de levinho as flores.

 

A borboleta violeta cheia de confiança

 contou à rosa sua paixão.

A flor que era branca

Envaidecida, avermelhou de emoção.

 

                                        Sem mais nem menos, a borboleta sumiu.

                                         Ninguém sabe, ninguém viu.

                                      

 O tempo qira, girou.

 E a rosa desfalecida de saudade

  "Será que a danada borboletou?"

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       

                                          Eis que um dia, a fugitiva reapareceu.

                                          Escondida de trás da palmeira

                                          Encheu-se de ciúmes

                                          e sofreu...

 

 "Vi o vento tocando suas pétalas,

 o zangão cochichando ao seu ouvido.

 Vi o besouro atrapalhado  tocá-la

 e  o sereno da noite banhá-la atrevido".

 

                                                     A rosa branca envaidecida

                                                      não resistiu à tentação.

                                                       Sem titubear, entregou-lhe a vida

                                                        E, emocionados, selaram a união

                                                                                             

                                                                                    

                                   ...


 

                                                                                                                                                

 

O dia acorda feliz

O sol colore o chafariz

 

                                 No céu azul azulado

                                 navega uma nuvem balão.

                                 O jardim orgulhoso e florido

                                 observa atento o pacotinho de algodão.

                                      

                                                                     O beija-flor todo assanhado beija rosa

                                                                                                                      beija cravo

                                                                                                                      beija jasmim

                                                                                                                      que tem pétalas de cetim.

 

A joaninha vaidosa

mostra o que mais gosta

bolinhas pretas pintadas

no vermelho de suas costas.

 

                                   Borboletas bailarinas elegantes

                                   bailam no ar, provocam rumores.

                                   Azuis, amarelas, brancas, estonteantes

                                   beliscam de leve as flores.

 

                                                    A borboleta violeta toda assanhada

                                                     contou à  rosa sua paixão.

                                                      A flor que era branca e acanhada

                                                       vermelhou de paixão.

 

                            Sem mais nem menos a borboleta sumiu.

                             Ninguém sabe, ninguém viu. 

                                                 

             

DOIS LÁPIS - ALBERTO LANDI

 




DOIS LÁPIS

ALBERTO LANDI

 

Lá no fundo da gaveta, havia dois lápis.

 

Um era novo, bonito, de uma fabricação bem conhecida, com ponta muito bem-feita.

O outro, coitadinho, dava dó de ver. Sua ponta era rombuda, um toco de lápis, de tanto ser usado e apontado.

O lápis novo, que era grandão, olhou para o triste amigo e chamou:

— Olá, toquinho! Você aí! Está me ouvindo?

— Não precisa gritar, respondeu o toquinho, não sou surdo, não!

— Não é surdo? De tanto apontar a sua cabeça, as suas orelhas desapareceram.

O toquinho suspirou:

— É mesmo! Perdi a conta de quantas vezes tive de enfrentar o apontador.

O lápis novo continuou:

— Você está feio e acabado! E eu novinho em folha!

— Estou vendo! Me diga uma coisa lápis novo, você sabe o que é uma carta de amor?

— Você ficou louco, toquinho de lápis?

— Sim, fiquei, louco, triste, alegre e apaixonado! Velho e gasto também com o tempo. Estou assim porque já vivi muito, e com grandes emoções. Estou um toco de tanto escrever romance, crônica, aventura. Penso que valeu a pena ter vivido tanto, ter escrito, mas como você me vê, acabando desse jeito, um velho toco.

E você lápis novinho, ainda não teve tempo suficiente para viver emoções, mas você vai chegar lá. E quando chegar já não existo mais!

 

O lápis novinho, que era grandão, ficou envergonhado pois não sabia sequer escrever uma poesia e também por fazer pouco caso do toco de lápis. Ele se comporta como um lápis arrogante e o toco como uma condição de alegria, experiência e sabedoria.

O novo percebeu que nada aprendeu com o tempo, não pela sua inexperiência, mais pela sua arrogância.

 

Penso que no cotidiano das pessoas isso acontece.

Devemos ter respeito pelos mais velhos, pois eles já tiveram várias experiências e possuem grande sabedoria., temos sempre que valorizá-los não importando a sua idade

 

Encontro misterioso - Alberto Landi

  Encontro misterioso Alberto Landi A nave da Catedral de Chartres era ampla e alta; colunas robustas sustentavam os arcos que pareciam subi...