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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

VIAGEM A TERRA RONCA - Henrique Schnaider


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VIAGEM A TERRA RONCA
Henrique Schnaider

Vinicius não via a hora de chegar em Terra Ronca , ansioso rodava por aquela pequena São Domingos cheia de estradas de terra. 

Estava acompanhado  do guia Celso, pessoa experiente e muito habilitada para o serviço ao qual se prestava.

Aos poucos foram se aproximando de Terra Ronca , uma obra de arte esculpida pela natureza através de uma escavação de mais de 600 milhões de anos no Parque Estadual de Terra Ronca onde existem mais de 300 cavernas.

Finalmente chegaram à caverna denominada Lapa de São Vicente, considerada a sexta mais longa do Brasil e que ainda está sendo mapeada, possuindo 12 cachoeiras em seu interior, e por isso mesmo ainda perigosa de ser explorada.

Mas, Vinicius ainda em plena juventude e com o gosto pela aventura queria explorar justamente esta caverna, já que ouvira falar que existia um paredão de mais de quarenta metros de altura onde queria fazer rapel.

Entraram caverna adentro Vinicius e o guia Celso, maravilhados com o reflexo do sol dentro da caverna e os efeitos que causava. Foram aos poucos se aprofundando nos corredores subterrâneos clareando aos poucos o caminho rocha natural de carbureto mineral, e assistiram os efeitos naturais do caminho refletido pelos seus capacetes iluminados.

Chegaram ao paredão de 40 metros de altura,  e Vinicius encantado explorou o paredão com grande emoção.

Seguiram em direção a atração mais famosa da região “Terra Ronca” cuja entrada se dá por uma boca de 96 metros de altura e 120 de largura, onde existe o Rio Lapa que Vinicius tratou de explorar, embasbacado pela beleza dos salões grandiosos recheados de estalactites e estalagmites .

Vinicius de tão entusiasmado que estava, acabou por abusar da imprudência e num determinado instante acabou por se afastar do guia Celso e, sozinho, seguiu caverna a dentro sem perceber do perigo a que se submetia.

Quando se deu em conta do erro que cometera, já estava completamente perdido.
Quanto mais se adentrava na imensa caverna, mais perdido ficava  e como o carbureto do seu capacete terminando, Vinicius entrou num desespero típico de alguém perdido num labirinto sem fim.

Quando o capacete de Vinicius já dava sinais  de que ia se apagando,   o rapaz teve uma visão de um ser que lhe parecia um anjo e que indicava o caminho a seguir para sua salvação. O jovem não titubeou e seguiu este caminho, confiando que conseguiria voltar para a entrada da caverna. Seguiu, até que vozes e luzes vieram ao seu encontro. Era o guia Celso que pedira ajuda de outros guias experientes até que finalmente encontraram Vinicius para alivio geral de todos, principalmente do próprio Vinicius.

Recuperados do grande susto, continuaram o Jovem e seu guia a visita. Foram também visitar as 3 cavernas de São Bernardo com salões incríveis como o das pérolas.

De lá seguiram para a Lapa da Angélica uma das 10 maiores cavernas do Brasil com 14 Km de extensão onde assistiram a um Show maravilhoso de luzes,  proporcionado pela natureza.

A aventura de Vinicius chegou ao fim sem maiores problemas, mas com certeza numa próxima vez ele será um pouco mais cuidadoso. 



FOULA - Henrique Schnaider


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FOULA
Henrique Schnaider

A viagem seguia tranquila no moderno navio Queen Mary no Oceano Atlântico próximo da Escócia, Antony embarcara para esta viagem inesquecível para curar as feridas de um coração partido, já que havia terminado o caso de amor que teve com Jacira por quatro anos terminando de uma maneira que Antony não esperava.  Jacira era uma mulher maravilhosa e o caso de amor entre eles corria de uma maneira tranquila e talvez tranquila demais, pois Antony era pessoa muito sossegada, mas Jacira era uma mulher agitada e gostava desta vida de muita atividade, muitos passeios, festas e muitas amizades.

No inicio ambos procuraram uma forma de superar esta diferença que na realidade os afastava e conseguiram durante certo tempo, cada uma cedendo um pouco e viveram razoavelmente bem, mas na medida em que o tempo passou, as diferenças de comportamento entre ambos foi fatal para a relação e chegaram a conclusão que teriam que terminar o seu romance.

Ruth era uma mulher tranquila que vivia para o seu trabalho de escritora com vários livros publicados e já com um nome no mercado literário. Nunca tivera casos mais sérios na vida amorosa, já que dedicava seu tempo sempre ora escrevendo ora pesquisando para obter inspiração para criar uma nova história para um novo livro.

Por este motivo Ruth embarcara no Queen Mary a procura de tranquilidade que lhe desse, motivos para despertar nela o enredo de uma historia que a convencesse de escrever, a se empenhar para a publicação de um livro.

O navio navegava suavemente aproximando-se de Foula conhecida como ilha das aves, remota ilha da Escócia, pertenceu a família Halbourn a vinte Km a oeste de Shetland.

A ilha tem cerca de quatro a cinco Km e moram na ilha, trinta e uma pessoas, muito amáveis que recebem os turistas muito bem.

O navio atracou em alto mar a dois Km e os turistas desceram com barcos para uma visita a ilha e assim o fizeram também Antony e Ruth. Ambos perceberam a presença um do outro e gostaram do que viram.

Antony sentiu certo frio no corpo no momento em que trocou olhares com Ruth e sentiu-se movido a aproximar-se dela e comentar sobre a beleza da ilha. Ruth por sua vez ficou interessada por Antony, pessoa atraente com uma conversa agradável.

Ambos estavam encantados com as belezas de Foula e achavam estranha a linguagem dos nativos do local que falam o Nord influenciado pelas línguas nórdicas.

Ouviram narrativas e souberam que anteriormente a população vivia da pesca do peixe e da lagosta, mas hoje vivem da criação de gado e do turismo ornitológico.

Souberam que as tomadas do filme The Edge of the World teve como cenário Foula.

Voltaram para o navio e resolveram jantar juntos e logicamente envolvidos pela atmosfera romântica da ilha e do navio, iniciaram um tórrido romance depois de uma noite maravilhosa de amor.


Antony e Ruth curtiram demais esta viagem de dez dias e depois de muitas juras de amor durante o tour, prometeram se reencontrar. À volta a realidade e da rotina diária da vida seria uma prova para ambos e para o futuro deste amor que começou tão bem.

Por que? - Hirtis Lazarin


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Por que?
Hirtis Lazarin

          Correram anos e anos até o término daquela obra arquitetônica, esbelta e poderosa, plantada no penhasco mais alto.  Destacava-se pelo isolamento e pelo branco radiante em meio a um verde intenso e misturado nos tons. 

          Muros altos protegiam a construção e um jardim imenso e bem cuidado por ambientalistas altamente remunerados.  Aves raras acordavam os moradores da mansão.  Era uma mistura de sons afinados e diferenciados que, juntos, se harmonizavam naturalmente.

          A família, descendente de nobres europeus, conhecia glória e poder.  O patriarca, Pierre Charleville era presidente de multinacional com sucursais em toda América Latina.

          O casal tinha dois filhos já crescidos quando Harriet chegou, uma bonequinha falante.  A casa perdeu austeridade e encheu-se de brinquedos e cantigas infantis. 

          A família era simpática e admirada pela sociedade local.  Patrocinava a cultura e obras filantrópicas.  Os amigos eram muitos e as festas também.  Cozinha comandada por "chefs" franceses e regada a vinhos de safras a perder de vista.

          Harriet crescia bela  e charmosa.  Quando os cabelos negros e cacheados libertavam-se das presilhas que os aprisionavam no alto da cabeça, seus olhos azul turquesa pareciam duas bolas de cristal.

          Muitos pretendentes para aquele coraçãozinho de ouro, mas foi Gustavo quem conseguiu entrar por uma porta bem estreitinha, trancá-la com cadeado e jogar as chaves desfiladeiro abaixo.

        Vinte de setembro.  Um sábado especial.  A mansão acordou alvoroçada.  Serviçais em todos os aposentos.  O casal completava vinte e cinco anos de um casamento que deu certo.  Amor e cumplicidade.  Motivos suficientes para uma grande celebração.  Até o padre da paróquia estava lá abençoando a família.

          Casa repleta de gente amiga, e jovens barulhentos que faziam a festa na pista de dança.  Harriet comandava uma coreografia ousada quando o salto de um dos sapatos se quebrou.

          Ofegante e com os sapatos na mão, deixou o salão.  Desceu as escadas de mármore saltando de dois em dois degraus. 

           A pressa desnecessária resultou num tombo feio.  Bateu a cabeça com força e o corpo já inerte rolou escada abaixo.

          Gustavo estranhou a demora e correu ao seu encontro.  Foi o primeiro a encontrá-la desmaiada e sangrando.

          Você, caro leitor, pode deduzir comigo os acontecimentos até a chegada da menina ao hospital.

          Harriet foi entubada com traumatismo craniano, fêmur fraturado e escoriações periféricas.

          Uma semana se passou.  A jovem não resistiu.

          Depois da cremação e com as cinzas guardadas numa caixinha de ouro  aquela mansão fechou-se na dor e no sofrimento.  A família deixou o Brasil pra nunca mais voltar.  As chaves foram entregues ao Seu Angelino, parente distante da família.

          Mais de uma década se passou quando o Sr. das chaves, sentindo o peso da idade e uma saúde frágil, decidiu abrir as portas da mansão.

          As fechaduras enferrujadas e emperradas teimavam em não abrir.  A força e a vontade do homem foram maiores.

          Momento muito difícil.  Mesmo sendo um homem corajoso e liberto de crendices populares, "tremeu nas bases", como um ditado diz e,  com um suor gelado descendo pelo corpo, deu os primeiros passos.  As luzes já estavam acesas.  Ratos e baratas que fizeram ali sua morada, assustados com a chegada do intruso, saíram de seus ninhos e  empreenderam fuga.

             A camada de poeira acumulada impedia que se enxergasse o colorido de qualquer peça ou móvel dali.  As cortinas leves e finas despencavam-se dos varões, rotas e rasgadas, pela exposição contínua ao sol.  As obras de arte mal se sustentavam nas paredes emboloradas e com infiltração de água. 

          Uma rede começou a balançar e os ferrolhos que a prendiam em colunas gemiam feito criança chorosa.  Sr. Angelino chegou perto.  Era um gato que acabava de acordar e se remexia treinando um salto.

          Fotos rasgadas e porta-retratos espatifados no chão indicavam que alguém no ímpeto do desespero, tentou descarregar um pouquinho da sua dor, como se possível fosse.

          Encoberto por cacos de vidro e pedaços de madeira, Sr. Angelino encontrou um quadro intacto.  Pra não se cortar, recolheu-o cuidadosamente.  E, ao virá-lo, soltou um grito.  Grito de pavor.

          Não sabemos quanto tempo se passou até que o Sr. Angelino voltasse a si.  Mas foram muitas horas porque a noite já havia chegado.

          Era uma pintura a óleo com muitas rosas brancas.

           Harriet e Gustavo juntos e abraçados. 


           Deitados no mesmo caixão...

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Plenitude - Hirtis Lazarin


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Plenitude
Hirtis Lazarin
(Texto elaborado coletivamente)

              Juventude... Quanta saudade!  A vida é bela, os planos e sonhos são muitos e o futuro não nos amedronta.

          Sara conheceu André no primeiro ano da faculdade de direito.  Um olhar mais demorado, uma atração incontrolável, amor à primeira vista.  Almas gêmeas.   Quando conheci o casal, passei a acreditar em almas gêmeas.

          Ambos advogados, juntaram conhecimento e competência.  Surgiu um escritório de advocacia que logo, logo tornou-se referência no meio empresarial.

           Foi um pulo só até que conseguissem desfrutar de uma vida tranquila, a casa dos sonhos, viagens, dois filhos e tudo o que o dinheiro pode proporcionar.

          O tempo voou.  Os filhos cresceram, criaram asas e partiram pra outro país.  E André, homem saudável, sofreu um enfarte fulminante e fatal com menos de sessenta anos.

          A casa ficou vazia.  Os amigos, os namorados, as músicas tocadas bem alto, o burburinho, tudo desapareceu.  Até as brigas faziam falta.

          Sara, agora, trabalhava só meio período.  Nos horários vagos fazia cursos.  E foi num desses cursos que ela encontrou razão pra viver sem André e longe dos filhos.

          Dispensou o jardineiro e passou a cuidar do imenso jardim que rodeava a casa.  Era tanto carinho e delicadeza que as flores retribuíam com mais beleza, mais formosura e mais perfume.

          Era um domingo de verão.  A temperatura mais alta que de costume.  Sara demorou no banho mais do que devia.  Vestiu um vestido de festa e perfumou-se com o perfume preferido de André.  

          A rede de renda branca, instalada no caramanchão envolto por galhos de primavera vermelho-sangue, convidou-a a repousar.

          O silêncio do entardecer era mágico e colorido pelos pios de pássaros que passeavam por ali.

          Sara adormeceu em paz como uma criança que adormece nos braços da mãe.

          E... nunca mais acordou.  


Um amor eterno! - (Amora)


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Um amor eterno!
(Amora)

Estamos em 1912, um pouco antes da Primeira Guerra Mundial. É uma história verídica, como tantas acontecidas no passado.

George, um jovem major do  exército inglês, tendo dado baixa em período de paz, mora em Londres, capital da Inglaterra.

Apaixonado por pintura e cavalos, aproveita o tempo de folga para se dedicar ao que gosta.

Fica sabendo por amigos, da existência de uma ilha, Foula, no litoral da Escócia, habitada por inúmeros cavalos pequenos, pôneis, em maior número do que  habitantes. Cerca de 1000 pôneis para cada morador local, que descontando os turistas, não passam de 30 famílias. Animais calmos, inteligentes, obedientes, corredores, datando uns 3000 anos antes de cristo, segundo estudiosos.

Aventureiro e audacioso, decide deixar Londres e ir visitar Foula, essa ilha famosa, parecendo-lhe mais encantada e misteriosa do que verdadeira.

Assim que chega, hospeda-se em simples pousada e sai pelos arredores, dirigindo-se aos campos que ladeiam aquele mar de águas claras e límpidas, de ondas altas que batem nas rochas e produzem um barulho contínuo e forte, semelhante a batidas de pés. Olha ao redor e percebe que cavalos também trotam, às pressas, em bandos, pela areia molhada, como se apostassem corrida.

Eram pequenos, elegantes, de pelos luzidios, crina e rabo volumosos, lindos!  George encanta-se com eles. Resolve pintá-los.

Apronta seu material na manhã seguinte, dia ensolarado embora fosse inverno, e vê se consegue apanhar pelo menos um, para modelo. Não consegue, apesar de muita correria e esforço. Escuta uma risada alta e gostosa vinda de uma cabana ali perto. Vira-se nervoso e vê uma linda moça, olhos azuis e cabelos vermelhos, encaracolados,  sorrindo para ele. Divertia-se com a sua incompetência.

Já mais calmo, dirige-se a ela, apresentando-se como um pintor, desejoso de ter um pônei, coisa rara em Londres, como modelo. A rapariga, mostrando-se amiga, diz chamar-se Mary e se propõe a ajudá-lo. Chama um dos animais pelo nome e ele corre a atendê-la. George espanta-se  com isso, achando que deveria pintá-la, segurando o pônei. O quadro ficaria mais interessante, impressionado também pela beleza da moça.

Todas as manhãs, reunia-se perto da cabana de Mary, pintando-os com todo o entusiasmo e carinho que possuía, colocando na tela a beleza do cavalinho e o amor que já estava sentindo pela delicada e bela Mary, tão diferente das raparigas que conhecia em Londres.

Foula era mesmo uma ilha encantada e paradisíaca, como lhe haviam contado. Resolve terminar o quadro, começar outros, nunca mais deixar aquele lugar. Mary parece corresponder ao seu afeto e até os pôneis, tão ariscos, sentindo talvez que ele era amigo, aproximam-se dele.

Conhece a família da moça, uma das poucas que ainda restam na região e pede-a em casamento. Estabelecem uma data para a cerimônia e declaram-se noivos desde então.

Mary não cabe em si de contente, feliz ao lado do homem que ama e cercada pelos amigos pôneis,  que nunca  pensou em abandonar.

É chegado o dia do matrimônio e o casal feliz espera permanecer na cabana em que se conheceram. O primeiro quadro pintado por George seria o enfeite principal da sala, lembrando-os dos primeiros momentos de união.

Terminada a cerimônia, ao redor de uma grande mesa, começa animada festa, em que todos os convidados falam ao mesmo tempo. Um deles, o último a chegar, abre muitas vezes a boca, mas não consegue ser ouvido. Insiste muitas vezes, até que finalmente, cansados, param e ele fala bem alto o que queria. “estourou a guerra! Todos os jovens, principalmente do exército, estão convocados”!

Os convidados emudecem. Seus semblantes alegres se modificam. A tristeza e o medo, embora estivessem longe da capital, invade  o casamento tão feliz de Mary e George. O casal retira-se imediatamente, indo Mary chorar em sua cabana, sabendo que George seria logo convocado.

Foi mesmo. Em poucos dias recebeu um comunicado que deveria apresentar-se ao exército e se alistar à luta.

Maldita guerra, pensa Mary. Nem bem casara e já ficava sem marido. A despedida foi bem triste, prometendo George escrever todos os dias e ela esperá-lo até que voltasse.

Passaram-se três anos! As cartas de George foram rareando até que não chegavam mais. Mary nem sabia se estava vivo ou morto. Consolava-se com seus pôneis e passava horas olhando os quadros que George pintara.

As notícias da guerra eram comunicadas e parecia que não iria terminar nunca! Tamanho o estrago que fizera! O povo sofrido, a comida rareando, pessoas fugindo, feridos chegando. Nada sobre George.

Num dia de desespero, já perdendo a esperança, Mary dirige-se à praia que tanto gostavam e, olhando firmemente a água sobre um penhasco, sente-se atraída por aquela imensidão calma e joga-se, num impulso repentino.

Põe fim àquela angústia que tanto a importunava.

Ao longe, um barco com bandeira inglesa aproxima-se. Dentro dele, vários feridos de guerra são deixados naquela região, inclusive George, que, mancando, dirige-se vagarosamente à cabana onde Mary deveria estar. Não a encontra e ninguém sabe dela. Atemorizado, sai também em direção à praia, encontrando seu velho lenço em cima do penhasco. Adivinha o acontecido. Mary não aguentara esperá-lo tanto tempo. Os pôneis amigos, rodeiam quietos aquele lugar. Parecem respeitar a amiga que se fora. George, olhando aquela água sente também o mesmo impulso, atirar-se e juntar-se à amada.

É imediatamente rodeado pelos pôneis inteligentes, que o impedem de realizar o mesmo ato de Mary. Permanece em Foula, solitário na cabana, pintando pôneis para turistas, olhando o quadro que fizera quando chegara, para lembrar de Mary e amenizar sua saudade, até a velhice.



Apuros jornalísticos! - Amora


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Apuros jornalísticos!
Amora


Letícia, uma jovem jornalista, recém-formada, encanta-se com o convite para trabalhar na revista “viaje”, com  novidades turísticas. Faria descrições e relatórios sobre diversos lugares, viajando constantemente.

O primeiro lugar indicado despertou-lhe grande curiosidade. Teria que estudar e conhecer uma cidade pequena, Sagrada, situada perto de Manila, nas Filipinas. Descobrir o porquê de atrair tanto turista e o desagrado do povo com essa invasão.

Logo ao chegar, espanta-se com a quantidade de estrangeiros no local, contrastando com a simplicidade e os costumes tradicionais dos habitantes.

Hotéis superlotados, restaurantes cheios, muita movimentação para um lugar pequeno, bonito, mas de natureza comum.

Fazendo reconhecimento do local, perguntando aqui e ali, descobre a causa de tanto interesse. Os costumes tradicionais daquele povo, seus lugares de manifestações festivas e religiosas, a preservação que insistiam no culto aos antepassados. Eram tão diferentes que atraiam curiosos em conhecê-los.

Sentiam-se incomodados com isso, fazendo várias queixas ao governo, como invasão de lugares que consideravam sagrados. Eram vencidos pela renda turística, comércio, organizações de excursões e tudo que trouxesse mais dinheiro ao país.

Letícia, após alguns dias, resolve participar de um passeio que a levaria ao local de maior atração. Como esses filipinos enterravam seus mortos!

Chegaram a um lugar montanhoso, estranho, ao entardecer. Reparou que não enterravam seus mortos, mas colocavam em caixões que ficavam pendurados e perfilados o mais alto possível, suspensos em fios, para que recebessem maior proteção e ficassem mais perto do céu. Era uma maneira de encaminhar seus ancestrais próximos aos deuses que acreditavam. Lugar sagrado e respeitoso, não digno de visitação a turistas com comentários e fotos.

A moça sentiu-se impressionada e não gostou de ter ido, achando-os muito ignorantes e, nada atrativos, pensando em escrever algo que ajudasse a acabar mesmo com o turismo em sagrada, indo contra a tradição deles, não os defendendo.

Escureceu rápido e ela, amedrontada, sentindo um cheiro estranho que emanava do local, afastou-se do grupo, procurando o ônibus. Enveredou por um caminho desconhecido, e, ao invés de se afastar daqueles caixões pendurados, ficou mais próxima, pensando que fossem galhos.  Tão próxima, que um deles despencou, chocando-se com ela. Apavorada, deu um grito forte e desfaleceu de susto.

Atraídos pelo seu grito, correram todos a socorrê-la, procurando sair o mais rápido dali. O guia, rapaz nativo, supersticioso, compreendeu, à sua maneira, que fora um sinal que os mortos deveriam ser respeitados.

Voltando ao hotel, Letícia permaneceu alguns dias na cidade, recuperando-se da batida que sofrera. Os habitantes olhavam-na diferente. Como se tivesse sido uma escolhida dos deuses  para preservar o lugar.

Mudou seu pensamento sobre o texto que pretendia escrever.

Não mais os criticaria, ajudando-os a preservar seus costumes e tradições com respeito, sem preconceitos e invasões. Compreendeu que cada povo tem seu costume, acredita neles, adquirindo uma força interna, não permitindo distorções.

Voltou à revista e escreveu uma crônica sobre sagada contando tudo o que viu, inclusive defendendo o povo propondo um fechamento ao turismo dos lugares proibidos a estranhos. Terminou dando razão aos habitantes locais.


Sagada passou a ser mais respeitada e conhecida depois disso! Sua crônica foi bem aceita, despertando curiosidade pela situação que sofria e não só pela sua tradição!

Família Rodrigues planeja férias! - (Amora)


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Família Rodrigues planeja férias!
(Amora)

Antonio Rodrigues, sua mulher Fátima e filhos Adriana e Carlinhos, resolvem tirar férias juntos, fazendo viagem longa e diferente.

Gostam de aventuras, lugares estranhos, não pensam muito em descanso, mas em curiosidades.

Após várias consultas a revistas e livros, escolhem um lugar não muito conhecido, o chamado “Parque da Terra do Ronca”, nos limites do Estado de Goiás, próximo à Cidade de São Domingos, só visitado através de guias, devido à periculosidade que oferece.

Os avós, preocupados com segurança, perguntam, “o que têm este lugar de tão interessante para irem tão longe?”

Carlinhos, entusiasmado, responde logo, “cavernas, grutas enormes dentro das montanhas, com quilômetros de comprimento, cheias de cristais de rocha, pingos d´água que, infiltrados, transformaram-se em estalagmites e estalagtites, verdadeiras obras de arte, semelhantes a pérolas e cristais, descendo dos tetos e nos  solos!”.

“estalagmites! Estalagtites!” Que nomes estranhos para um lugar turístico. Será que isso é bom?” Pergunta.

“Claro!”, responde o menino, “São mistérios da natureza escondidos dentro da terra, quase desconhecidos do homem, descobertos por geógrafos e existentes há mais de mil anos.”

Animados, carregando somente utensílios recomendados, cada um com sua câmera, embarcam de Guarulhos até Goiânia, seguindo a São Domingos, de ônibus.

Quando chegam, mal deixam as malas no hotel já saem à procura  de um guia que os leve ao passeio.  São vários dias para  percorrer  tudo. Eram muitas cavernas, cada uma com sua particularidade e, bem afastadas da cidade, escondidas dentro de mata cerrada.

Conhecem Miguel, o guia contratado, bastante simpático e experiente na  região.

Saem cedo, no dia seguinte, fazendo longa caminhada até avistarem a primeira delas.

Ao entrar, com cuidado, para não escorregar no solo meio úmido, ficam impressionados com a luminosidade e beleza do lugar!  Raios de sol penetram através das rochas, colorindo-as e fazendo-as brilhar como se fossem ouro. A água da chuva, caindo aos poucos, endurece formando fios de gelo e terra, semelhantes a colares de pérolas! Pérolas e ouro dentro de montanhas! Realmente, lugar incrível. As máquinas fotográficas não param de funcionar.

Conforme vão, os lugares ficam escuros, sem luz, mais perigosos, avisando Miguel que deveriam segui-lo através de uma lanterna!  Ilumina também paredes, mostrando o belo trabalho feito pela natureza, não revelando traços de animal ou existência de  homem pré-histórico no local.

Adriana, tão encantada quanto os outros, ouve um barulho estranho, vindo não sabe direito de onde! Parece  algum animal ou homem velho! Um estranho ronco alto! Pergunta a Miguel e ele, sorrindo, responde ”É um ronco mesmo! Essas cavernas são separadas entre si pela ramificação das  águas de um rio, o Rio da Lapa, que, ao percorrê-las, faz um barulho semelhante a um ronco. Daí o nome delas, Parque da Terra do Ronco!”

E, assim, vão conhecendo as cavernas desse parque tão maravilhoso e desconhecido, a não ser pelos próprios moradores ou apaixonados por grutas e cavernas! Tanta coisa existe nesse mundo que  desconhecemos!

Quando voltam, repletos de fotos e novidades, afirmam contentes, “nossas melhores férias”!


Em nosso país, tão pouco divulgado em belezas naturais!

UMA ESCRITORA EMOCIONADA! - AMORA


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UMA ESCRITORA EMOCIONADA!
AMORA

Letícia, uma jovem escritora, adora o litoral! O amanhecer e o entardecer, o brilho do sol refletido nas águas, tudo a encanta! Sente assim sua inspiração.

Seus vizinhos, acostumados a vê-la escrever, nesses horários, nas areias da praia, olham-na curiosos para ler o que lhe vai na alma, o resultado desse trabalho.

Quando se cansa, senta-se sobre as rochas e, olhando ao longe, começa a sonhar, sonhar e meditar, buscando inspiração.

As águas do mar, o barulho das ondas nas pedras,  vestidas de espumas brancas que bailam a favor do vento, a lua aparecendo no céu, estrelas que brilham anunciando o anoitecer, causam-lhe estranha emoção que só escritores e poetas sentem.

É o belo da natureza atingindo corações humanos e provocando reações.

Lágrimas escorrem sobre o rosto de Letícia, brotando-lhe dos olhos, límpidas como gotas de orvalho caindo nas pétalas de delicada rosa!

Sua emoção é tão grande que não consegue pensar em mais nada, só olhar a bela paisagem. Deixa o caderno de lado.


Sente-se pequena ao escrever, diante de tal grandiosidade!

AS LÁGRIMAS DE AURÉLIA! - (AMORA)

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AS LÁGRIMAS DE AURÉLIA!
(AMORA)

Aurélia, sentada na areia, espera seu pescador que voltava, à tardinha, todos os dias.

Avista, ao longe, vários barcos voltando, menos o dele.

Aflita, corre a recebê-los e ouve, tristemente, a notícia de que seu barco naufragara, abatido por ondas gigantes.  

Lágrimas escorrem dos seus olhos, incontroláveis, principalmente quando vê os colegas de profissão chegando,  barqueiros recebidos calorosamente por suas mulheres e, ela, só.

Senta-se à beira de um penhasco, nas rochas, pensativa, olhando aquelas águas escuras, pelo entardecer.  Atraída por elas,  dá-lhe vontade de se atirar e morrer. Quem sabe o encontraria, amenizando sua dor.

É interrompida por um menino que, sozinho, brinca por ali, Luizinho. Ao lado dele, um caderno e um lápis revelam que havia feito, na praia, sua lição de casa.

Olhando-a, Luizinho, sem notar sua tristeza, pede que lhe escreva uma história.

Aurélia, espantada, fitando-o como se fosse um anjo, talvez, enviado por deus, começa a escrever sua história de amor com Caetano, o pescador! Coloca como título, “ o grande amor de Aurélia e Caetano”. E assim, desabafa no papel toda angústia que lhe vai na alma!

Encontro misterioso - Alberto Landi

  Encontro misterioso Alberto Landi A nave da Catedral de Chartres era ampla e alta; colunas robustas sustentavam os arcos que pareciam subi...