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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

CONVITE PARA LANÇAMENTO DA ANTOLOGIA: ESCOLHENDO PALAVRAS, CONTAMOS HISTÓRIAS


ESCOLHENDO PALAVRAS, CONTAMOS HISTÓRIAS
Autoras do ICAL




Convidamos nossos leitores para o lançamento do livro que reúne histórias para crianças. 

A obra está muito bem organizada, as ilustrações são grandes e elas vêm em preto/branco para que as crianças mesmas façam a pintura. Ainda contém jogos para divertir a garotada. 

No coquetel de lançamento haverá diversão, balões, contação de histórias e muita brincadeira!
Não falte

Traga sua família para conhecer os autores. 

Rua Dr. Cardoso de Melo, 382 - Vila Olímpia - SP

Vai começar às 15hs e vai até às 21hs. Mas, procure chegar antes de escurecer para que as crianças tirem mais proveito das brincadeiras.


Contamos com a presença de todos.




MÚSICA E POESIA DO ICAL NA LEROY MERLIN





MÚSICA E POESIA DO ICAL EM LOJA DA LEROY MERLIN




Ontem foi feriado - 15 de novembro - mas, para música e poesia não há folga, não é mesmo?

O ICAL esteve presente na tarde de ontem, na loja Leroy Merlin Cia Brasileira de Bricolagem, no bairro do Jaguaré em São Paulo, apresentando música e poesia para os clientes.

A música correu solta pela afinada voz de Luiz Guilherme com as mais famosas e saudosas serestas brasileiras. O som preencheu o espaço e os corações se abriram para o de melhor da música brasileira.

Estavam presentes: Dinah Choichit, Suzana da Cunha Lima, Luiz Guilherme Cruz, Ricardo Augusto, Eliana Dau Peloni, e Jorge da Paixão, o poeta que trabalha na loja. 


O QUE É VELHICE PARA ALGUNS! - Amora

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O QUE É VELHICE PARA ALGUNS!
Amora

Há alguns anos, antes da segunda guerra mundial, vivia no Japão, cidade sagrada de Kioto, uma família conhecida por sua saúde, bondade e longevidade. Seus membros mais idosos, faleciam com mais de cento e vinte anos.

Um deles, chamado Namura, tornou-se um médico notável por seus tratamentos e descobertas. Trabalhava num hospital aos pés do monte Fuji, recebendo inúmeros doentes terminais que se curavam em suas mãos. A técnica, de pouca medicação, era baseada na alimentação e em produtos naturais. Esse talvez fosse o segredo dessa família viver tanto e, bem de saúde.

Namura, aos cinquenta anos, já era um conceituado professor de Universidade, operador e escritor, revelando sucessivas conquistas.

Amado pelos jovens de sua época, sobrevivente de guerra e algumas catástrofes acontecidas no Japão, continuava aos cem anos com a aparência e disposição que tinha aos cinqüenta. Chamou a atenção de muitas pessoas que se interrogavam qual seria o segredo de tanta jovialidade. Parecia que tinha descoberto a fonte da juventude.

Um dia, entrevistado por um repórter, acabou revelando seu dia simples e contínuo. Trabalhava sem parar, levantava-se cedo, dando aulas, escrevendo, orientando pacientes no hospital. Não deixava pensamentos ruins tomarem conta de sua mente. Alimentava-se muito pouco, comendo somente o necessário; um copo de suco de laranja de manhã, com uma colher de azeite de oliva, para facilitar a circulação sanguínea. Ao almoço, um pouco de leite de cabra ou uma fruta da estação, deixando para o jantar uma refeição leve à base de arroz e peixe. Procurava sempre manter o peso ideal à sua estatura, caminhando à pé em sua rotina diária.

Conversava muito com seus alunos mais jovens, procurando se manter atualizado, não falando muito do passado, comentando o presente e sonhando sempre com um futuro promissor.

Era constantemente questionado sobre o sucesso no tratamento de seus doentes, principalmente os portadores de câncer, aos quais dedicava cuidados especiais. Respondia através da alimentação. Certos tipos de alimentos alimentam as células cancerígenas, mesmo com tratamentos químicos e radioterápicos, que estacionam o Câncer mas não curam, fazendo-o voltar, porque o organismo enfraquece.  É necessário matar de fome as células cancerígenas, alimentando as boas e nutritivas ao fortalecimento do corpo. Seu estudo e livros publicados tiveram grande repercussão entre equipes médicas, sendo convidado até hoje, quase aos cento e cinqüenta anos, a fazer palestras para médicos jovens e universitários.


Quem diria que não encontrou na vida o elixir da mocidade, transmitindo aos mais jovens seus conhecimentos e experiências, até esta idade. Um ser destinado a destaque entre os viventes.

UMA ANTIGA LENDA CHINESA - Ricardo Augusto

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UMA ANTIGA LENDA CHINESA
Ricardo Augusto



As pessoas, em geral, julgam o próximo à primeira vista em função da cena que vêem, sem reflexão alguma.

Tudo é como se lhe parece ser mas, ao revermos não o todo e sem as partes, sempre chegamos a conclusão que: as coisas nem sempre são como os olhos vêem de relance.

Essa estória de que somos a vítima em tudo e por tudo, nos é muito cômoda porque jamais nos colocamos no lugar do outro.

Empatia é sim fator de equilíbrio entre, nós e o mundo que nos rodeia, através dela podemos enxergar melhor as pessoas por dentro, nunca vistas somente pela aparência.

Quanto à antiga lenda chinesa, que mostra o lenhador desatento nos leva à entender o quão necessário é estarmos sempre atentos aos detalhes.

Como artista plástico e em especial, desenhista, fico mais à vontade por saber ver o todo e as partes que o compõem.

Exercito minha memória o tempo todo e faço isso como exercício mental para revirar a memória expondo-a à constante movimentação para lembrar dos idos, e repensar os próximos acontecimentos.


Julgar é muito fácil quando tudo parece ser Virtual porem, a realidade nos deixa sempre com os pés no chão.

UM CRUZEIRO MARÍTIMO COM AMIGOS - Maria do Carmo


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UM CRUZEIRO MARÍTIMO COM AMIGOS
Maria do Carmo


A história que vou contar aconteceu em mil novecentos e setenta e nove, e não chegou a ser um cruzeiro, mas foi em uma escuna – Cruz Malta – com destino a Angra dos Reis, no fim de semana de Carnaval.

Um mês antes da viagem, eu e minha amiga, não fizemos outra coisa além de nos prepararmos para essa aventura, uma vez que iríamos ficar em alto mar, hospedados na dita escuna.

Os passageiros eram formados por casais, somente nós, duas jovens senhoras, é que formávamos dupla e não casal.

As cabines eram minúsculas, dormíamos em beliche, o banheiro era incrivelmente pequeno, o calor insuportável, o barulho do ventilador, ensurdecedor.

O que nos compensava dos transtornos da cabine era a paisagem que víamos em todos os ângulos, magníficas, exuberante; em todo redor do nosso ancoradouro, passavam iates com alegres jovens que nos acenavam, jogavam serpentinas, que retribuíamos com acenos e palmas.
As refeições eram soberbas, tudo pescado pela madrugada e servido com todo o requinte da gastronomia.

Todas as manhãs íamos de lancha até as praias vizinhas onde comíamos petiscos e bebíamos aperitivos extravagantes.

Bem, aventura muito ousada era o momento de passagem da escuna para a lancha que nos levava às praias.

A escada ficava colada no casco da escuna e a lancha boiando o mais encostado possível, acontece que o mas não para de movimentar-se, uma guerra de foice era esse momento. Estávamos a oito metros de profundidade, nós mortas de medo, não sabia nadar, solução? O capitão, logo no primeiro dia, agarrou-me pela cintura e pulou para a lancha, que balançou mais que uma gelatina. Ao voltarmos para o almoço, o pobre do rapaz colocava-me em seus ombros para que alcançasse a escada.

Virou rotina nos seis dias em alto mar – eu era a ultima a sair e a primeira a entrar, pois os espectadores não queriam perder um lance sequer.

E agraciada com essa recepção, vermelha tal qual um rabanete, encaminhava-me para a cabine e só saia quando percebia que todos estavam se preparando para o almoço.


Com todas essas peripécias, foi uma viagem magnífica, fizemos novos amigos, e até hoje nos encontramos, três vezes por anos, para revivermos nossa viagem na – ESCUNA CRUZ MALTA.

O HOMEM QUE VIVEU 150 ANOS - Ricardo Augusto

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O HOMEM QUE VIVEU 150 ANOS
Ricardo Augusto



Josias era o filho mais velho de uma família de quinze pessoas, sempre trabalhando, desde jovem, para o sustento dos pais e de toda o clã.

Jamais sofreu de doença alguma mas, socorreu todos da família durante anos à fio, sem reclamar ou sentir-se o esteio daquela gentarada.

Os pais viveram muitos e muitos anos, os irmãos e irmãs ficaram adultos, estudaram, arranjaram emprego, se casaram e deixaram o grupo.

Josias esteve sempre à frente de todo e qualquer problema que afligisse, que o tinham como sábio, honesto e bastante espiritualizado.

Sua força magnética fê-lo forte e saudável, teve alguns amores pelo caminho mas, jamais optou por viver um relacionamento sério, ficando solteiro até bem mais de cento e cinqüenta anos de vida. Sorte? Quem sabe!

Bem diz o ditado que Deus sabe quanto dar à cada um de seus filhos.

Assim, Josias foi agraciado com boa saúde e doou Amor e compaixão para todos os seres vivos em seu caminho existencial.


Um novo dia - Jany Patricio


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Um novo dia
Jany Patricio

Na varanda, fumando um cigarro de palha, o senhor Mario Duarte olhava para o horizonte. A fumaça confundia-se com a neblina da manhã. Os cheiros do café e bolo no forno atravessavam a porta da sala. Raios de sol surgiam por traz das montanhas dispersando a névoa. Bzzz! Bzzz! – Abelhas rodeavam as flores do jardim.

Ouvem-se roncos de motor. Bii! Bii! – Chega Eduardo trazendo na caminhonete, queijos, ovos e frutas do sítio dos Almeida.

Seu Mario balança a cabeça e sorri. Ele é tetravô de Eduardo.  

Vem na sua memória o tempo em que cavalgava pelos pastos da fazenda. Cuidava da plantação de café. Tudo era feito manualmente ou com a ajuda dos carros de boi. Hoje as máquinas fazem tudo: semeiam, regam, adubam, colhem. Pensava ele.

— Seu Mario, o café tá pronto! – diz Helena, de quem ele é trisavô.  

Ele aciona o botão da cadeira de rodas elétrica e dirige-se para a cozinha, antes colocando o celular sobre uma mesinha da sala. Enquanto isso, Eduardo põe sobre a mesa o queijo e ovos fresquinhos.

— Meus queridos, eu já passei por muita coisa nesta vida. Mas hoje, com a eleição de Trump como presidente dos Estados Unidos, eu não sei o que nos espera – diz ele, apagando o cigarro de palha

Uma receita diferente - Ana Catarina Santanna Maues


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Uma receita diferente
Ana Catarina Santanna Maues

   Feitiço, sortilégio, bruxaria, encanto, magia, mandinga, são alguns dos nomes dados aos atos que têm por fim conseguir algo que se deseja com grande ardor. Aos que acreditam o fazem para namorar, casar, enricar, e por aí vai, mas dona Viúva, assim conhecida por já haver enterrado três ou quatro maridos, queria fazer mandinga para animar um pouquinho aquele que considerava e falava ser o último companheiro, seu Olavo, que andava muito caidinho. Com este intento lembrou de madame Clara, que de clara não tinha nada nem a alma. Em seu terreiro comentavam, de aura misteriosa e fantástica, acontecia de tudo. Era decorado com objetos nada comuns, bode preto, caldeirão, morcegos e outras coisinhas mais. Determinada e cheia de esperança lá foi dona Viúva enfrentando seus medos e receios. Depois de contar por que veio recebeu da bruxa uma receita com ingredientes bem estranhos: uma patinha de rã, sete escamas de cobra, um punhado de pelo de gato, bater tudo no liquidificador com uma colher de cachaça e servir uma pequena porção no copo da cerveja preferida dele.


Dona Viúva comprou tudo e fez direitinho, estava mesmo decidida a revigorar o marido, deixou a cerveja no ponto do gelo e serviu com o feitiço, porém na hora em que ele ia dar a primeira golada ela se arrependeu e bateu com força no copo que virou por sobre a calça do esposo.  Ele bastante aborrecido reclamou muito com ela.  Mas a noite, sabe que Seu Olavo estava bem animadinho. Imagine se tivesse bebido.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A MELHOR FESTA JUNINA! - Amora

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A MELHOR FESTA JUNINA!
Amora

Festas juninas são sempre divertidas! Muitos enfeites, comidas e bebidas típicas, músicas alegres, vários tipos de dança.

Geralmente, seus visitantes ficam descontraídos, coloridos, com suas botas, chapéus, bigodes e lenços ou saias bordadas, cheias de retalhos, nas mulheres, tentando imitar o nosso caipira da roça, figura tão querida dos brasileiros.

Impossível dizer em poucas palavras a que gostei mais. Todas foram muito boas! Mas, lembrando um pouco o passado, comecei a prestar maior atenção nelas com a participação dos meus netos, na escola.

Assisti-los vestidos de caipira, dançando quadrilha aos pares, foi emocionante e engraçado. São mestiços, minha filha é clara, casada com nissei e eles puxaram mais o lado oriental. Vê-los fantasiados, procurando dançar, acompanhados de alguma coleguinha loira, de trancinhas, ou, a neta, com belo vestidinho trabalhado de fitas, moreninha, de olhos puxados, ao lado de um par completamente diferente, deixou-me sempre contente.

Todo ano, enquanto cresceram, a festa junina da escola foi a mais atraente e divertida, com papais e vovós encantados, preparando flashes para lembrança dos seus filhos e netos. Acho que fiz parte deste grupo, com grande entusiasmo. Tenho fotos pela casa inteira.

Até hoje, lembro com saudade dessa época, pena que cresceram tão rápido, já cursando faculdade, esquecidos talvez desse tempo de criança e das felizes festas escolares.


ANGÚSTIA, JAMAIS. - Do Carmo

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ANGÚSTIA, JAMAIS.
Do Carmo


Desde muito criança, talvez no segundo ou terceiro ano primário, tenho um sonho que acalentei até completar sessenta anos, quando me aposentei e dei asas a essa ideia de tornar-me escritora.
A cada ideia sugestiva surgida no meu imaginário, repleta de repleta de imagens, vinha cercada de insegurança ao passá-la para o papel, eu sentia uma angústia imensa, impotência decorrente da minha situação de vida, pois era uma correria total. Apenas rabiscava o teor do que seria meu texto e guardava para um futuro infinito.
O tempo passou, meus filhos cresceram, formaram-se, casaram-se, e eu acostumei-me com a viuvez. Fiquei vovó, e depois de dez anos, aposentei-me.
Maravilha, renasci como SEMHORA, LIVRE, LEVE E SOLTA.
Desse momento em diante, ninguém mais me impediu de nada. Tornei-me frequentadora assídua de Bibliotecas, Casas de Cultura, Oficinas Literária, onde descobria um espaço cultural, lá estava eu.
Sentia-me realizada, pois a angústia, ansiedade e a impotência, não tinham mais lugar em minha vida. Escrevia tudo o que surgia na mente e, pouco modesta como sou, achava todos os textos uma obra de arte. Leda ilusão. Quando nas aulas eu ouvia a leitura dos textos dos colegas, eu sentia-me uma traça esquecida numa gaveta.
Mas, toda nuvem negra passa e o sol brilha novamente.
Hoje estou livre daquela angústia anterior, quando colecionava ideias e nunca as concretizava.
Agora faço meus textos sem temor ou dúvidas, tranquilamente me submeto às considerações dos professores, as quais acato e tento cumpri-las.
As ideias continuam surgindo, mas aquela sensação de insegurança de não saber como expressar-me, desapareceu, uma vez que aprendi a ler o texto em voz alta, deixá-lo descansar, voltar a ler e se necessário, fazer cortes, rever palavras repetidas, pontuação, tempo dos verbos, concordâncias, enfim, deixar o mais perfeito possível.   
 Feliz e orgulhosa pelo feito, digito com muito cuidado, encaminho às mestras, minha sempre, para mim, obra prima, e espero os comentários e correções.
Estou realizada.


quinta-feira, 20 de outubro de 2016

UM PRESENTE ESPECIAL PARA A MULHER DO CARROCEIRO - Do Carmo


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UM PRESENTE ESPECIAL PARA A  MULHER DO CARROCEIRO
Do Carmo

João e Maria formam um casal feliz há vinte e dois anos, mesmo não tendo filhos. Trabalhavam em conjunto na pequena chácara, atrás da casa que construíram antes do casamento.
Maria cuidava nos afazeres domésticos e ajudava o marido na colheita e armazenamento dos legumes, verduras e frutas , que cultivavam, os quais eram acomodados com cuidado, em cestos de vime, pois, segundo ela, ventilava os alimentos enquanto esperavam o momento das vendas.
A carroça de João, também muito bem conservada por Maria, estava sempre limpa a mula que a puxava bem alimentada, bem como o pequeno toldo que abrigava o condutor e a caçamba que transportava as mercadorias.
Diariamente, por volta das quinze horas, cansado, mas sorridente, João chegava em casa, gritando por Maria, que logo se acercava dele com uma sacolinha nas mãos. Era a “Sacolinha do Tesouro”, como diziam, pois toda renda das vendas era, religiosamente, guardada, depois de conferidas e separada uma parte, para as necessidades de sobrevivência.
Certo dia, João chegou mais alegre e gritando mais alto. Maria estranhou toda aquela euforia, porém, João saltou da carroça, abraçou com muito amor sua querida esposa e com voz embargada foi dizendo que ela não iria acreditar, pois restou um bonito repolho, que ninguém quis comprar. Então pensei em pedir para que o preparasse para o jantar.
Maria olhou os cestos e de repente parou. Em um deles, encontrou dormindo, um rosado e gorducho bebê, tal e qual idealizava em seus sonhos, para ser seu filho.
Ela começou a chorar e João abraçou-a, novamente, beijou-lhe o rosto molhado e muito emocionado, sussurrou-lhe ao ouvido, que do nada, naquele dia o sonho dela estava se tornando realidade e a felicidade , completa. Hoje, João e Maria, casados há quarenta e seis anos, preparam-se orgulhosos e entusiasmados para assistirem a solenidade da colação de grau do jovem Vitório, único e querido filho do casal.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

PARCERIA QUE DEU CERTO! - (Amora – 2016)


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PARCERIA QUE DEU CERTO!
(Amora – 2016)

Ademir passava todas as manhãs, pela minha rua, com sua carroça desgastada, mal equilibrada, fazendo barulho, pelo excesso de uso. Pedia jornais velhos, garrafas, roupas usadas, tudo que pudesse levar e rendesse algum dinheiro, nos mercados de troca ou reciclagem.

Sua aparência também não era das melhores. Meio sujo, suado, roupas rotas e desbotadas, revelavam o lugar que morava. A rua, talvez.

Acostumamo-nos com ele, com sua freqüência diária. Preparávamos sempre algo em bom estado que ele pudesse vender. Quando as crianças iam jogar fora brinquedos velhos, caixas, papéis de presentes, lembrava--os de Ademir e deixavam separado.

Aprenderam também a gostar dele. Vivia cantando e brincando, contando histórias engraçadas, fazendo-os rirem muito. Era esperado no bairro.

Um dia, conheceu Isaura, uma mulher também pobre, de aparência sofrida e rude, mas bastante esperta e mais inteligente que ele. Começaram a trabalhar juntos.

Isaura, bem mais moça, transformou a aparência de Ademir. Começou a usar roupas melhores, mais limpas, mudando também a visão da carroça velha. Surgiu pintada, enfeitada com flores de papel, rodas novas, rangendo menos e atraindo melhor freguesia. Acompanhava-o em seu trabalho diário, bem trajada, colorida, portando um radinho a tiracolo, com músicas alegres e altas, dançando muitas vezes à frente da carroça para chamar clientela.

Em pouco tempo, Ademir prosperou. Ao invés de pedir coisas velhas, passou a vender as que ainda estavam em bom estado ou, fazer trocas. Sua vida foi mudando, até que comprou uma carroça nova, guiada por um cavalo, fazendo parte das outras chiques, que trabalhavam no parque central da cidade. Levava crianças e turistas, a conhecerem os lugares mais bonitos da região. Virou trabalhador de turismo.

De morador de rua, logo mudou para pequeno barraco de dois cômodos, com boas perspectivas de melhorar ainda mais, convivendo com Isaura.


Sentimos um pouco sua falta, mas desejamos que todo carroceiro encontre uma Isaura na vida, levando-o à prosperidade.

Ajuste - Jany Patricio

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Ajuste
Jany Patricio

            Tudo começou quando certa rede de cinemas ligada a um grande banco fez uma reforma em duas de suas salas na Rua Augusta. As cadeiras ficaram maiores, não me permitindo apoiar as costas nem por os pés no chão. Felizmente, na reforma das outras três salas na mesma rua, os bancos ficaram como eram antes.

            Uma sala de outra rede de cinema também foi reformada, bem como o teatro, ambos no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. Os bancos ficaram grandes. Tive que riscar os dois da minha lista.

            Eu adoro cinema e teatro e ter estas quatro salas cortadas das minhas possibilidades me deixou limitada.

            Num sábado, eu e algumas amigas marcamos de ir ao cinema depois sair para jantar. Fomos ao Reserva Cultural. As cadeiras eram grandes. Lembrei que em alguns cinemas têm uma banqueta e fui procurar. Que maravilha! Lá havia o apoio de pés e pude me divertir tranquila assistindo Maryl Streep em Florence, Quem é essa mulher? Ela está hilária neste papel. Passamos momentos agradáveis, saboreando comida árabe, bebendo chopes ou sucos, conversando e rindo.

            Outro dia eu e uma amiga compramos ingressos no cine Belas Artes para assistir Julieta, um filme de Almodóvar. Eu já estava com dor nas costas por esforços no final de semana e ao deparar com os assentos grandes do cinema não tive coragem de sair deixando minha amiga desapontada. Por sorte o filme era bom e me deixou envolvida por duas horas. No dia seguinte minha coluna estava travada. Tive que parar de ir a academia, de caminhar no parque, ia começar aulas de dança e não pude. Até hoje me trato com fisioterapia e acupuntura.

            Passando em frente a um dos cinemas resolvi verificar se haviam colocado à disposição do público os tais aparelhos. Não haviam. Falei com a pessoa da bilheteria que me deu o telefone da administração. Liguei. Fui atendida cordialmente. Expliquei o meu caso. De início ela me aconselhou a carregar um banquinho. Eu retruquei dizendo que o volume é grande e que às vezes a decisão de assistir a um filme é momentânea. Disse também que no Reserva Cultural tem o banquinho e me parece que lá não há filmes infantis na programação. Cheguei a falar que é uma questão de acessibilidade. Ela, gentil e atenciosa disse que levaria o meu caso para os administradores. Ainda não fui lá conferir nem liguei para o cine Belas Artes, mas vou ligar!

            Acredito que outras pessoas de baixa estatura devam passar pela mesma situação, porém, não reclamam. Aliás, foi assim que falou a moça da bilheteria. – Nunca ninguém falou nada.

            Como a altura da população vem aumentando, não acho incorreto que os assentos fiquem maiores. Porém pode-se ser feito o ajuste para as pessoas de menor estatura disponibilizando as banquetas em todos os cinemas.

            Acho que vou carregar esta bandeira...


domingo, 16 de outubro de 2016

AS MENTES CRIATIVAS DO ICAL - ALGUMAS DELAS



Dinah Choichit 



Rejane Martins




Dinah Choichit - Hirtis Lazarin

Maria do Carmo


Noemia Iasz - Ricardo Augusto - Rejane Martins e Maria do Carmo


Jorge da Paixão

Eliana Dau Pelloni


Ana Catarina SantAnna Maues

Hirtis Lazarin



Eliana - Ana Catarina - Dinah Amora

Dinah Amorim - Amora


Noemia Iasz

Ricardo Augusto

Criando histórias

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

AMIZADE VERDADEIRA. - Do Carmo


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AMIZADE VERDADEIRA.
Do Carmo


Conheço muito bem uma distinta senhora, que em determinadas ocasiões, perde toda a elegância e por vezes retruca com aspereza.

 Desde criança, diante de uma situação de descriminação ou preconceito, ela fica indignada e chega a ser rude em sua fala.

Por volta de mil novecentos e quarenta e seis, estava ela no terceiro ano do curso primário, hoje fundamental, quando uma das colegas de classe convidou-a para seu aniversário, entregando um envelope com o convite.

Como era de seu hábito, estava sempre com uma menina,muito estudiosa, que dizia ser sua melhor amiga da escola,  Para nossa protagonista, cor de pele, religião ou classe social, era indiferente, o que ela julgava importante era a índole  da pessoa.

Indignada, sem agradecer ao convite, tremula e com voz embargada, perguntou a dona da festa, por que só ela estava sendo convidada?

Com muita tranquilidade ela disse que na festa dela só entravam meninas brancas, negras eram diferentes.

Ah, com o coração a saltar pela boca, essa menina com raiva, quis saber se o amor que ela sentia pela mãe, era diferente do que uma menina negra, sentia pela mãe negra.

Sem saber o que responder, muito admirada, estendeu novamente o convite dizendo que era só para ela.

Mais controlada, agradeceu e com voz mais doce que encontrou, disse que não poderia aceitar um convite de quem tem preconceito de cor ou raça e que onde uma amiga é barrada, ela também sente-se barrada..

Essa menina cresceu, estudou, formou-se em pedagogia, casou-se, teve filhos e  continua se indignando com preconceitos estúpidos.


Hoje é comadre da melhor amiga da infância, pois amizade sincera, tem olhos para o coração e despreza a cor da pele. 

Encontro misterioso - Alberto Landi

  Encontro misterioso Alberto Landi A nave da Catedral de Chartres era ampla e alta; colunas robustas sustentavam os arcos que pareciam subi...