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PERSONAGEM OCULTO
O que é um personagem literário?
É o ser fictício responsável pelo desenrolar dos acontecimentos da narrativa. Ou seja, é quem produz efetivamente as ações no interior das obras literárias e, por consequência, sofre os efeitos gerados pelos eventos da trama.
Personagem
pode ser um animal, uma pessoa, ou até mesmo um objeto, desde que apresente
características humanas. Além de serem encontrados na literatura, os tipos de
personagens também estão presentes no cinema, teatro, televisão, desenhos etc.
Tipos de
personagens
· PROTAGONISTA - também conhecido
como personagem principal;
(o herói, por exemplo)
·
ANTAGONISTA - personagem contrário ao
protagonista; (o vilão)
· PERSONAGENS SECUNDÁRIOS - conhecidos como coadjuvantes, aqueles que não fazem parte da trama principal.
Hoje
vamos tratar um personagem que não faz parte fisicamente da história, mas que é
capaz de MOVIMENTAR as ações dos personagens: PERSONAGEM OCULTO. Quando empregado, ele é muito importante para o
desenrolar da trama. Não, necessariamente, é revelado fisicamente, isto é, ele
pode não aparecer nas cenas, mas ele é o responsável pelas tomadas de atitudes
dos personagens. Sua presença é marcada através da fala dos outros personagens,
ou sombras que surgem aleatoriamente. Há situações em que os outros personagens
até criam pequenas características para ele. É alguém de quem se fala. Exemplo
o Sr. Brown em O inimigo Secreto:
O INIMIGO
SECRETO (Agatha Christie): Cansados da rotina, dois jovens decidem fundar uma
empresa nada convencional, especializada em investigações, a Jovens
Aventureiros Ltda. O primeiro caso era um desafio que intrigava a Scotland
Yard: uma jovem americana desaparecera, levando com ela documentos secretos que
poderiam comprometer o governo inglês. Mas Thomas Beresford e Prudence Cowley —
ou simplesmente Tommy e Tuppence — não são os únicos interessados em descobrir
o paradeiro desses papéis. A mesma busca é empreendida por um homem misterioso
e perigoso, conhecido como Sr. Brown, um mestre na arte do disfarce, que pode
aparecer do nada e desaparecer em seguida sem deixar qualquer rastro.
Criação número 1: CRIAR UM CONTO ONDE UM PERSONAGEM OCULTO É
RESPONSÁVEL PELAS TOMADAS DE DECISÕES DOS PERSONAGENS DA HISTÓRIA.
Criação número 2: DESENVOLVER UM CONTO CUJO PERSONAGEM OCULTO SEJA UM PATRÃO SEVERO QUE NUNCA APARECE, MAS QUE DTERMINA MUDANÇAS FÍSICAS NO DEPARTAMENTO, E COMPORTAMENTAL NAS PESSOAS.
Para este conto devem-se inserir ferramentas literárias: Fluxo de pensamento, Metáforas e Antíteses.
Cruz Preta
Adelaide
Dittmers
Padre
Francisco gostava de se postar à janela da torre da igreja ao cair da
tarde. As pequenas casas, que debruavam
as estreitas ruelas ficavam douradas pelo sol poente, o que escondia o desgaste
das paredes mal pintadas daquelas construções, cujos moradores tinham que se
conformar com a simplicidade de viver com o parco dinheiro, que lhes vinha de
um trabalho duro e extenuante.
Gostava
do observar as pessoas arcadas pelo cansaço, que voltavam para seus lares e
suas carências.
O
seu olhar alcançava e se detinha na velha Rua da Cruz Preta, assim chamada por
causa de uma grande e famosa cruz de ferro, que estava presa à fachada de uma
casa assobradada, que era a maior e mais bem conservada do lugar, moradia de um
endinheirado comerciante.
A
monotonia da ruela era quebrada pela algazarra dos estudantes, que por ali
passavam, espalhando suas juventudes e irreverências pelo lugar. Detinham-se à frente da casa da cruz preta
para admirar e atirar galanteios a uma jovem, que todos os dias debruçava sua
beleza em uma das janelas, derramando
sobre eles um olhar triste, mas ao mesmo tempo cobiçoso, prisioneira que se
sentia das normas rígidas daqueles tempos. Muitas vezes ela se escondia atrás
da grossa cortina da janela e o padre de seu posto de observação matutava se
era por timidez ou um jogo de sedução.
Padre
Francisco conhecia a família de longa data e observava esse movimento à frente
daquela janela com muito interesse.
Afinal era o pastor daquelas almas.
No
meio do grupo barulhento, um rapaz se destacava pela constância da presença e
por ficar ali parado, olhando para a janela, mesmo depois do grupo seguir seu
caminho. Abria os braços e depois colocava as mãos sobre o coração para
demonstrar à jovem seu interesse por ela. Algumas vezes entoava uma canção e se
despedia se curvando em um gesto de respeito e admiração.
Certo dia, o padre viu uma flor ser jogada e
alcançar a janela. A moça a pegou e a
prendeu nos longos cabelos negros. Com o
passar do tempo notou que a mucama, que criara a jovem desde pequena, saia à
porta com pedaços de papel, que eram trocados por outros, que o rapaz entregava. Cada vez mais Padre Francisco ficou
interessado em controlar o que acontecia naquela casa.
Em
um frio e chuvoso crepúsculo, em que a garoa toldava sua visão, o sacerdote
alcoviteiro arregalou os olhos ao ver o estudante escalar a enorme cruz
escorregadia pela água fina que caia.
Como
um tufão desceu as estreitas escadas da torre.
Aquilo não podia acontecer.
Era contra as leis da igreja. Ele tinha que defender a moral de seu
rebanho. Nunca permitiu o desvio para o
pecado de seus membros. Sempre lutou
pelo bom comportamento de seu povo.
Saiu
da igreja indiferente à garoa, tropeçando nos desníveis das ruas de terra
molhadas e lamacentas. A grande barriga
sacudia-se com a corrida e a boca abria-se a cada respiração para recuperar o
fôlego.
Chegou
à casa e bateu palmas com as forças que lhe restavam. A mucama o atendeu e
espantou-se com a presença molhada, esbaforida e inesperada do padre.
Ele
entrou e sem cerimônia jogou-se em uma cadeira exausto. Os donos da casa assustaram-se ao vê-lo, que
com palavras atabalhoadas relatou o que vira.
O pai galopou pelas escadas acima.
O rosto vermelho de raiva. Gritos foram ouvidos. Momentos depois, a moça chorosa foi arrastada
escada abaixo pelo pai furioso. Atrás, o
rapaz seguia-os com a mão no rosto em que se viam marcas de dedos causadas por
um bofetão que levara.
O
casal confessou que se amava e a jovem aos gritos jogou sua revolta por ser
sempre vigiada e sempre ser tratada com
uma rigidez férrea pelos pais, que não queria enxergar que ela não era mais uma
criança. Depois de uma acalorada
discussão, foi determinado que teriam que se casar o mais depressa possível.
Essa decisão foi recebida com uma alegria disfarçada pelos dois amantes.
Terminada
sua missão, padre Francisco despediu-se da família, depois de dar um sermão aos
jovens.
No
caminho de volta, a garoa ainda caia e espalhava-se pela ação do vento
frio. O padre caminhava meio encurvado
para evitar as gotas, que teimavam em molhar seu rosto e obscurecer sua visão. Era
atropelado pelos pensamentos, que surgiam fortes e que ele queria expulsar, mas
não conseguia. Queria que a chuva
lavasse sua alma do que estava sentindo.
Sempre
fora austero ao julgar as fraquezas humanas e por que agora ao ver o casal tão
feliz ao conquistar a aceitação de seu
amor, sentia uma grande e incompreensível inveja, que lhe corroia o
coração. O que lhe estava acontecendo. Pensou nas tardes, em que da janela,
observava a vida que passava lá embaixo, modorrenta, mas viva. Descobriu em um
lampejo que sempre almejara aquela liberdade.
Chegou
à casa paroquial angustiado. Subiu para o quarto e depois de se trocar e se
secar, ajoelhou-se em frente a uma cruz pendurada na parede fria e pediu a Deus
que o perdoasse pelos pensamentos pecadores. Permaneceu em oração por um longo
tempo.
Cansado,
deitou-se na cama e adormeceu.
E
sonhou que estava escalando a enorme cruz preta...
ERA UM SEGREDO
Hirtis
Lazarin
Estou no meu quarto trancado, revirando meu
pensamento sobre o que papai me confidenciou ontem. Um segredo que ele guardou
a sete chaves, durante quarenta e nove anos. Incumbiu-me de uma missão que
deverei cumprir assim que ele se for. Espero que isso demore a acontecer. Não
estou preparado pra viver sem a sua presença.
Hoje
ele tem sessenta e cinco, mas aparenta idade bem mais avançada. A pele clara
está mais enrugada do que deveria. Os olhos perderam o brilho e, por trás das
lentes grossas dos óculos, esconde a falta de vontade de viver.
Li
um poema, não guardei o nome do autor. Ele esclarece, com muita sabedoria, a
diferença entre ser idoso e ser velho. Papai está velho, não tem sonhos, dorme muito
e não tem vontade de aprender mais nada. Entregou-se.
Mas,
só agora, depois de ouvir a sua história, entendo a amargura que sempre tentou
esconder. Sei que tudo poderia ser
diferente, se tivesse confiado em alguém, aberto seu coração e contado sua verdade.
Mamãe é bem mais nova que ele, uma ótima
esposa e mãe. Mesmo com a casa sempre impregnada da poeira que vem da rua
esburacada e sem calçamento, e com o avental sujo de ovo, trabalha cantando e com o rádio ligado. Canta todas as músicas de
cor. Traz jovialidade à nossa casa.
Ela
casou-se por amor e não abandonou o barco, mesmo quando parecia estar se
afundando. As mulheres NÃO podem
abandonar o marido. Não conheço nenhum caso de mulher separada. O casamento é pra sempre.
Todos
os dias, durante o seu trabalho doméstico que nunca acaba, prende,
religiosamente, os cabelos longos (papai não deixa cortar) com fita de cetim no
alto da cabeça. O pescoço alongado deixa à mostra um crucifixo, preso a uma
gargantilha de ouro. Desde que a conheço, nunca deixou de usá-la. Disse que foi
uma promessa a Nossa Senhora, por graça alcançada. Minha família é mais
religiosa do que o necessário.
Sinto
que ela é feliz. Acho que não é como queria que fosse, mas tem uma casa
confortável e a aposentadoria do papai dá pra fazer uma viagem a Santos todos
os anos.
Acho
que vocês estão curiosos para que eu conte que segredo é esse e qual é minha
missão.
Bem,
vamos lá. Pra situá-los, estamos, hoje, no ano de 1864.
Tudo
começou por volta do ano 1819, quando papai tinha apenas 16 anos de idade.
Meus
avós mais quatro filhos moravam na Rua da Cruz Preta. Todos ali se conheciam.
As crianças e os adolescentes brincavam e se reuniam à frente de casa até o dia
escurecer. Não havia iluminação elétrica e mesmo se fosse lua cheia era chegada
a hora do banho e do jantar. E todos obedeciam.
Em
frente ao sobrado da esquina, havia uma cruz pintada de preto e ninguém sabia
ao certo como ela foi parar ali.
Numa
manhã, como outra qualquer, os moradores acordaram com ela plantada ali. Nenhum
barulho, nenhum movimento estranho durante a noite. Um mistério assustador para
aquele povo humilde e cheio de crendices.
Muitos
comentários, muita fofoca, surgiram e muito medo também. Como nenhuma teoria foi
confirmada, os moradores consultaram um padre e decidiram que o melhor era considerá-la
sagrada e fazer ali um ponto de oração.
O
padre Piero, que dirigia a igrejinha do final da rua, benzeu a cruz com muita
água benta para espantar qualquer influência negativa e mal olhado.
E
todos ficaram em paz...
Pra não
me alongar, vou resumir um pouco.
Meu
pai e a menina do sobrado da esquina, Maria Luíza, começaram a se ver às escondidas.
Na rua vizinha, havia um galpão abandonado que já fora o armazém do Seu
Zé. E era lá que os dois se encontravam.
Tudo tão bem planejado e controlado que ninguém nunca suspeitou.
Mas
o romance foi por água abaixo quando estudantes da Academia descobriram a tal
da Cruz Preta e começaram a frequentar o lugar.
Um
deles, talvez o mais ousado e encantador, na calada da noite, escalava o
madeiro só pra ver a mocinha toda faceira que o esperava debruçada na janela do
quarto. Ele conquistou e roubou o grande amor do meu pai.
Isso
durou até a mãe da menina acordar na madrugada pra tomar água. Quando voltava, e ainda no corredor da casa,
ouviu sussurros e gemidos vindos do quarto da filha. Achou que ela estava
sonhando e entrou pra agasalhá-la. A madrugada estava bem fria.
Pegou-os
em flagrante.
Não
demorou dois meses e já estavam casados. E o mais alarmante foi que o bebê
chegou antes da gestação completar oito meses.
E a
vida do meu pai mudou pra sempre quando ele conheceu a menina e pegou-a no
colo.
Discretamente,
abriu um dos botões do casaquinho e confirmou: a criança tinha, perto do
umbigo, uma mancha de nascença. Uma estrela igualzinha à que ele tinha também.
A filha era sua.
Este
é o segredo que guardou até ontem.
E a
minha missão é encontrar minha meia-irmã.
Agora,
contarei a vocês o meu segredo: já vou começar a procurar a filha do meu pai.
Eles precisam se conhecer.
Já
fiz as contas: ela tem hoje quarenta e cinco anos de idade.
RUA QUINTINO BOCAIÚVA
Henrique Schnaider
Houve um tempo em que as ruas de São Paulo eram
conhecidas pelo nome dos seus moradores e a Rua Quintino Bocaiúva que
inicialmente era conhecida pelo nome de rua do Padre Tomé, pois o Cônego Tomé Pinto
Guedes residiu nela por volta de 1765, e que só se tornou com o nome de
Quintino Bocaiúva em 1916.
Com o tempo também ficou conhecida como rua da Cruz
Preta, pois na esquina com a antiga Rua da Freira, agora conhecida como Senador
Feijó, ergueu-se uma grande cruz de madeira pintada de preto.
As famílias tinham o costume de fazerem verdadeiros
terços em frente a Cruz Preta e dezenas de famílias faziam suas orações e
veneravam e acreditavam que ela tinha poderes e até realizava milagres.
— Eu sou uma casa que foi construída aqui nesta Rua
há muito tempo. O meu pai construtor foi Dom Agnelo. Ele me construiu com muito
capricho, confortável, grande, tanto que eu acomodava uma família de umas vinte
pessoas. E com o passar do tempo, presenciei muitas histórias nesta Rua
Quintino Bocaiuva.
Lá pelos anos de 1.900 a rua era de terra batida e
só eu sei que quando aconteciam aqueles temporais ou chuvas prolongadas, o
lamaçal que virava a minha querida Rua, era de chorar de ver. Os cavalos vinham
puxando suas carroças com um esforço enorme, arrastando e atolando uma pata
depois da outra, mas apesar da irritação, não deixavam de me cumprimentar com
um bom dia ou boa tarde.
Certa ocasião, um grupo de estudantes que gostavam
de fazer traquinagens, pegaram a Cruz Preta de madrugada levaram e a jogaram no
Rio Anhangabaú, e só por milagre a mesma não foi arrastada pela correnteza, mas
ficou ali fincada enfrentando aqueles moleques travessos. Don Agnelo montou uma
equipe de busca e acabou achando a Cruz Preta no rio e a levaram de volta ao
seu devido lugar.
— Na minha rua havia de tudo. A casa pensão onde as
pessoas iam comer era gorda uma verdadeira bola.
A casa do comércio onde havia de tudo e se achava a
tal de tão metida que era, a dona da rua. A casa onde vendiam as roupas de
mulheres chiques. Esta casa era fina e tinha até nome francês e eu diria que
ela era até meio esnobe.
Tinha a casa boteco onde os moradores depois da
lida do dia paravam antes de se recolher ao lar e tomavam sua cachaça de boa
precedência. Esta era uma casa que vivia devido à quantidade de bebida, meio de
cabeça cheia.
— Tinha a casa das mulheres de vida fácil, cheia de
dondocas, esperando seus clientes, os quais vinham as dezenas. Esta casa de
nome Renata, tinha uma reputação muito baixa e eu como uma casa decente não
trocava uma palavra com ela.
A Cruz Preta voltou ao seu devido lugar, aumentou a
fama devido ao fato acontecido e vivia cheia de devotos fazendo suas orações.
O meu pai construtor me cuidou muito bem e até o
seu falecimento, e a cada 10 anos me reformava por completo. Seus netos
continuaram com esta missão, de sempre me deixar em perfeita ordem, muito
bonita.
— Bom eu já contei muita coisa envolvendo a Rua
Quintino Bocaiúva e agora vou aproveitar antes que escureça e o silêncio
aconteça, vou puxar uma prosa com as minhas vizinhas que me aguardam ansiosas.
— Até logo e até qualquer outro dia, sempre estarei
aqui à disposição.
A CRUZ
E OS DESEJOS
Helio Fernando Salema
Esta história é baseada em um dos muitos fatos registrados
sobre uma rua que durante cerca de 200 anos passou por vários nomes, hoje Rua Quintino
Bocaiúva.
Imaculada era uma jovem belíssima, a pele clara e suave como um lírio, emoldurada pelos cabelos louros ondulados e olhos azuis brilhantes, lembrando o sol de primavera ao raiar anunciando o amanhecer. Morava próxima a CASA DA CRUZ PRETA. Seus pais, severíssimos em todos os sentidos não deixaram que ela continuasse os estudos, pois como era muito bonita, era, logicamente, muito cobiçada por jovens estudantes que não trabalhavam. Para eles nenhum estudante tinha um bom futuro para sua filha.
A CASA DA CRUZ PRETA era uma residência sobradada que possuía uma grande cruz pintada de preto fixada na parte da frente. Ninguém sabia a origem nem a razão daquele símbolo. Ali residia uma outra jovem, também muito bonita e admirada pelos seus dotes sensuais. Principalmente quando debruçava na janela exibindo seu farto e belo colo para os estudantes que ali passavam e, não se extenuavam em admirar aquela morena de olhos castanhos, longos cabelos pretos e vermelhos lábios jorrando desejos.
Todos os dias no início da noite, Imaculada olhava para a CRUZ PRETA e rezava implorando por um namorado. Certa noite, demorou para fazer os pedidos e, ao olhar para a CASA DA CRUZ PRETA viu um rapaz que a escalava e, em poucos segundos, conseguiu penetrar pela janela com auxílio da cruz. Ela sabia que era o quarto daquela jovem morena que ficava na janela todas as noites, chamando a atenção dos que por ali transitavam, alguns por necessidade e outros para maravilhar-se com aquela imagem de prazeres.
Imaculada percebeu que o rapaz escalava aquela casa algumas noites toda semana, mexendo com os seus pensamentos e sonhos reprimidos de desejos. Olhando atentamente para aquela janela, solicitava a todos os anjos que colocassem uma cruz perto de sua janela. Talvez assim, pudesse realizar o que ela imaginava, que naquele outro quarto estaria acontecendo. Fecha a janela e, deita sentindo como seria se fosse com ela.
Sem nenhuma explicação comprovada, porém muito comentada, surge a notícia de que a CRUZ PRETA sumiu…. Ou foi levada? Este “babado” provocou muitas conversas. Na rua e dentro das casas. Vários problemas do cotidiano deixaram de existir naqueles fervidos dias, por conta do tal desaparecimento.
Temendo por outros extravios, várias pessoas sugeriram contratar um vigia. Um senhor conhecido como Sebastião Mulato, aceitou a incumbência. A partir de então, a jovem da CASA DA CRUZ PRETA ficava toda noite à espera do seu amor, mas com a presença do vigia… A exemplo da CRUZ PRETA…. Desapareceu.
Imaculada continuava a olhar para o local onde ficava a cruz que se foi e, insistia, fervorosamente, nas orações para todos os santos inclusive Santo Antônio. Sua devoção não se abalou com a ausência da cruz.
Sebastião Mulato, numa noite muito fria, pediu ao seu filho Ricardo para fazer a vigília em seu lugar. O rapaz muito moreno, alto, forte, bem aparentado e obediente não recusou o pedido do pai.
No início da noite, Ricardo ao aproximar-se da casa da Imaculada, logo percebeu a presença da jovem ardente, que de sua janela o seguia com um olhar fixo. Sentiu um arrepio, mas não era de frio e, vindo daquela direção. Passou olhando atentamente e, cumprimentou… Parou… E continuou emitindo seu olhar em busca daquela exaltada vibração que vinha daquela bela jovem.
Ricardo caminhou até o final da rua muito pensativo, voltou pisando suavemente sobre os cascalhos que cobriam o chão de terra, para não fazer nenhum barulho que pudesse acordar e aborrecer qualquer morador, especialmente, daquela casa da moça loira cativante.
Próximo da casa, percebeu que ela o acompanhava com um
belo olhar, ao aproximar-se sentiu que era ainda mais sedutor. Em frente à casa
parou… E com a mão direita aberta sobre o peito:
— Meu coração lhe ofereço!
Com um sorriso sedento de desejos:
— Obrigada. Eu aceito.
Ele pede para que ela desça… Mas ela explica que não pode sair, pois a porta está trancada. Passados alguns segundos ela explica que seu pai dorme. Ricardo pensa… Medita… E diz que vai subir até a janela. Ela se espanta… E com um sorriso longo demonstra ser favorável à ideia. Ele percebe que não vai conseguir. Avisa que vai buscar uma corda e pergunta se ela tem onde amarrar. Ela olha para dentro do quarto e, ao virar-se, confirmar que sim.
Poucos minutos depois Ricardo chega com a corda e encontra a janela fechada. Sem saber o que fazer, suspira fundo… olha para os lados... Ouve um barulho… Assustado percebe a janela se abrindo e, para sua surpresa… Imaculada aparece vestida com uma linda e branca camisola.
Ele arremessa a corda, ela não consegue pegar… Insiste algumas vezes… Finalmente cai nas mãos dela, que segura firme, abaixa-se e consegue amarrar no pé da cama, que ela encostou na parede para dar mais firmeza. Devolve para ele a ponta da corda. Percebendo que parecia estar bem firme, começa a escalar com todo o cuidado para não fazer barulho.
A janela é fechada. O silêncio domina aquela rua. Naquele quarto finalmente, dois corpos comungam-se. Desejos libertados e consumados.
Antes do dia clarear, Ricardo chega a sua casa. Os pais ainda dormem e, satisfeito pelo dever cumprido, deixa-se jogar na cama, acompanhado pelas lembranças da outra cama, que acalentam seu sono e lhe proporcionam agradáveis sonhos.
Mais tarde, ao acordar, seu pai lhe pergunta como foi o trabalho durante a noite. Um pouco sem jeito e pensativo, diz que correu tudo bem. Porém, o velho percebeu que alguma coisa, certamente, muito estranha aconteceu. Olha bem nos olhos do filho e insiste na pergunta. Ricardo, gaguejando, começa a relatar a tranquilidade da rua durante toda a noite, mas diante do olhar do pai, que demostrava esperar por alguma surpresa, então resolve falar da moça que ficava na janela. Aos poucos e com muita emoção conta-lhe tudo.
Após o término do relato, seu Sebastião pede para que o
filho arrume suas coisas enquanto ele prepara o cavalo… E complementa:
— Ela é filha do Capitão Pedro. Ele ao saber não vai perdoar você. É bom que você esteja bem longe para viver sua vida.
No início da noite, seu Sebastião saiu para fazer a vigília. Não nota diferença alguma das outras em que ele trabalhou. As moças continuam nas suas janelas no início da noite, ele as cumprimenta, elas respondem. Mais tarde todas as janelas se fecham.
Depois de algumas semanas, seu Sebastião notou que à noite todas as janelas estavam fechadas e assim permaneceram. Tudo parecia transcorrer normalmente naquelas redondezas, como se o relógio do tempo estivesse parado ou nunca houvesse existido.
Na casa do Capitão Pedro, no entanto, algo muito estranho agitava aquela família. A filha única, Imaculada, queixava-se de incômodos na barriga, tonturas e um pouco de enjoo. Sua mãe logo desconfiou, mas não acreditou. Sua filha nunca saiu sozinha e nem ficava a sós em casa. Nenhum homem frequentou a casa nos últimos meses, nem mesmo os parentes que moravam distante.
Aproveitando que o marido saiu para uma viagem e tinha avisado que só chegaria tarde da noite, falou para a criada que iria comprar algumas coisas. Pediu para que esta trancasse a porta, não abrisse para ninguém e não acordasse a Imaculada.
Andando um pouco apressada, chegou rapidamente à casa de D. Odete, parteira da região. Ao ser recebida pediu para conversarem à sós. Foram para um cômodo onde puderam conversar tranquilamente. Explicou o que se passava com a filha e que gostaria que ela fosse até lá para ver o que se passava com a Imaculada. Pediu que fosse somente ao final da tarde quando só ela e a filha estariam na casa.
Depois de examinar a moça, D. Odete com a sua costumeira espontaneidade, afirmou que em breve nasceria uma criança. Não houve espanto, como se mãe e filha só precisassem de uma confirmação. Quando Capitão Pedro chegou, todos já dormiam.
Na manhã seguinte levantou bem cedo e avisou que tomaria
café rapidamente, pois teria que sair. Assim que se sentou à mesa, sua esposa o
surpreendeu ao sentar-se à sua frente e olhar atentamente em seus olhos. Percebendo
que aquela atitude era novidade, logo pensou em notícias ruins e foi dizendo:
— Fala logo, que tenho pressa.
— Tenha calma…. Você precisa de muita calma, pois é uma
notícia desagradável.
— Então diz logo! Respondeu, como sempre, rispidamente.
— Imaculada vai ter um filho!
Punhos fechados, rosto vermelho e olhos esbugalhados:
— Como aconteceu? Quem foi o desgramado?
Calmamente a esposa explica que não adianta nada ele fazer o que já fez inúmeras vezes. Mandou muitos para o cemitério, mas as almas ficaram para atormentar a vida e o sono dele. Lembrou-lhe que Imaculada é a única filha e, quem vai nascer, talvez seja o único neto ou neta e, certamente, não irá perdoá-lo pelo que ele vier a fazer com o pai. O Capitão pensa…. Suspira…. Levanta pensativo e silenciosamente sai.
Alguns meses depois, seu Sebastião saiu de casa para fazer a vigília e, ao passar perto do rio vê várias pessoas aglomeradas à margem. Ao aproximar-se fica sabendo que a CRUZ PRETA foi encontrada. Um pescador viu parte da cruz na lama resultante da seca que assolava a região há muitos meses. Alguns queriam levar a cruz em procissão até a Igreja, acreditando que assim poderiam ser abençoados com boas chuvas.
A noite foi escurecendo, seu Sebastião fazendo seu
trabalho e, na casa do Capitão a D. Odete atenta às reações da Imaculada.
Quando uma multidão, cantando hinos de louvor passavam em frente à casa,
carregando a CRUZ PRETA, D. Odete ergue nos braços uma linda menina, muito
moreninha e chorosa… Olha para Imaculada:
— Que nome você dará a esta encantadora menina?
— MARIA DA CRUZ!
ERA DUAS VEZES O BARÃO LAMBERTO
GIANNI RODARI
Quando chega o
Inverno, os velhos ossos do Barão têm por hábito ir apanhar o sol do Egito. É
lá que se dá o encontro com o curandeiro árabe que lhes fornece a cura para
todos os males do velho. “O homem cujo nome é pronunciado permanece vivo”.
Então, um belo dia,
chegaram a sua mansão mais seis empregados, contratados por um alto salário
para ficar dia e noite repetindo o nome do barão. O trabalho era simples, mas
muito, muito estranho! O segredo guarda-se no sótão, onde passam a viver umas
quantas criaturas contratadas exclusivamente para invocar, dia e noite, o santo
nome: - Lambeeeerto, Lam-ber-to, Lambertooooo...
Pelo meio, há um
desfile de personagens: É o caso de Otávio, o sobrinho protótipo do escroque
que anseia a morte do tio para herdar a grande fortuna, ou dos 24 bandidos, todos de nome Lamberto,
que exigem 24 milhões da fortuna do velho barão.
Pois bem, este livro
conta a história do barão Lamberto que era um homem muito velho, muito rico e
muito doente, graças a um remédio egípcio muito antigo, vê a sua saúde melhorar
consideravelmente, entre outros efeitos surpreendentes.
O jornalista e
escritor Gianni Rodari (1920-1980), ganhador do prêmio Hans
Christian Andersen, foi considerado um dos melhores escritores de literatura
infantil, Neste livro aprendemos que as palavras são, afinal, brinquedos. É com
estes brinquedos que podemos exercitar o maravilhoso poder de inventar.
Vamos fazer uma releitura do tema abordado pelo Professor Gianni Rodari?
Escolha uma das duas alternativas abaixo:
1. Escrever um conto do Barão Lamberto. Ele tem uma doença bem estranha, que será umas das 24 listadas pelo mordomo. Que o seu
texto tenha um teor cômico.
2. Escrever um conto sobre um possível
interesseiro na fortuna do Barão, um dos 24 já interessados. Que a história tenha um teor de suspense.
O julgamento
Adelaide
Dittmers
Sentado
em um banco de madeira, olhos castanhos e tristes, que vagavam pelo ambiente
sem nada enxergar, cabelos grisalhos bem tratados e impecavelmente penteados, o
homem tamborilava com dedos nervosos uma pasta em seu colo, tentando
descarregar com esse gesto a agitação que lhe movia a alma. De vez em quando, contraía as pálpebras e
balançava a cabeça de um lado para outro, como se quisesse negar o que lhe
estava acontecendo.
Tudo
parecia um pesadelo do qual não conseguia despertar. A acusação de lavagem de dinheiro de que era
alvo e que o enredara totalmente e a espera por seu julgamento, que aconteceria
daqui a uns instantes tomava os seus sentidos.
Tentava entender como tudo tinha chegado a
esse ponto. Fora sempre um empresário honesto, cumpridor das leis. Tinham descoberto uma loja em seu nome, que
servia para tornar lícito dinheiro vindo de negócios ilícitos. Nunca possuíra
tal loja nem sabia de sua existência.
Nos documentos constava sua assinatura como proprietário, mas ele não
tinha assinado aqueles papéis. Quem o teria metido nesse imbróglio? Tinha um
grande amigo, que era deputado federal, mas o considerava uma pessoa idônea e
ele fora o primeiro a apoiá-lo, quando veio a intimação para ele depor.
Um
homem alto e elegante aproximou-se dele.
Era Ricardo, seu advogado e amigo de muitos anos. Bateu em suas costas para lhe transmitir coragem
e apenas com um meneio de cabeça, avisou-o de que o julgamento ia começar.
Entraram
no tribunal. Estava lotado. Flashes espocaram pela sala. Procurando desviar o olhar das luzes, tentava
encontrar a família no meio das pessoas.
Finalmente os achou: dois filhos, um rapaz e uma moça, o irmão e a
esposa estavam sentados um ao lado do outro. Percebeu no rosto de sua mulher
ansiedade e angústia. Aquela companheira
de tantos anos estava sofrendo tanto ou mais do que ele. Lançou-lhe um olhar terno para consolá-la e
transmitir que estavam juntos.
O
julgamento começou. O promotor em seu
discurso inflamado trouxe várias provas e a assinatura que o comprometiam como
proprietário da loja.
Pedro
olhou para o advogado desesperançado, que levantou a mão, pedindo-lhe calma.
Tudo estava contra ele.
Como
para se proteger, de repente, ele se desligou do que estava à sua volta e mergulhou
em seus pensamentos: a luta pelo progresso financeiro, que lhe custou anos de
intenso trabalho e dedicação. A
conquista alcançada com o suor de seu rosto.
A compreensão e apoio de sua mulher, que muitas e muitas vezes ficara
sozinha na direção da casa e educação dos filhos, para que ele pudesse alcançar
seus objetivos. Será que foi certo deixá-la só, quando envolvido em reuniões
até tarde da noite ou quando em viagens freqüentes pelo mundo afora. Marta sempre
foi uma mãe dedicada e amorosa. Muitas
vezes substitui-o em seu papel de pai.
A
voz forte do advogado o acordou de suas divagações. Com perspicácia ele refutava todas as
acusações que lhe eram atribuídas.
Porém, Pedro não acreditava na sua absolvição. Tudo apontava para ele.
O
advogado chamou uma testemunha. Ele se
espantou. Era o jardineiro de sua
casa. O que ele poderia saber?
O
homem simples sentou-se no banco das testemunhas. Visivelmente nervoso olhou para o patrão e
para a audiência. Ricardo pediu-lhe para
descrever o que acontecera em uma manhã, em que trabalhava no jardim. Com voz trêmula, ele disse que João Oliveira,
deputado e amigo do patrão esteve na casa, ficando lá por longo tempo e que, em
certo momento, vozes alteradas foram ouvidas. Uma empregada veio juntar-se a
ele, assustada com a discussão que se passava na sala. Não conseguiram ouvir o
que diziam, mas perceberam que acusações estavam sendo trocadas.
— O
senhor se lembra de quando foi isso? Inquiriu
o advogado.
—
Acho que mais ou menos uma semana antes da gente saber que o doutor estava
sendo acusado.
Pedro
olhou espantado para o advogado. Não
sabia do que se tratava.
Mas
quem estava discutindo? Indagou o advogado.
O
jardineiro baixou a cabeça constrangido.
—
Dona Marta e o deputado.
O
acusado encarou a mulher. Nunca soube
dessa discussão e o porquê.
Marta
desviou o olhar. Uma careta de surpresa
deformou os bonitos traços do seu rosto.
Ricardo
então continuou. A voz acalorada e
firme ecoava pelo tribunal. Investigara
o deputado e descobrira que era conhecido no meio político pelo seu
envolvimento em muitas falcatruas e que nos últimos tempos se encontrara muitas
vezes com Marta.
Um
vozerio sacudiu a sala do tribunal. O
juiz pediu silêncio.
Marta
foi então chamada para depor. A palidez do rosto e um leve tremor nas mãos
denunciavam medo e ansiedade, que procurava disfarçar, mantendo a cabeça ereta.
— A
senhora confirma que teve uma discussão com o Sr. João Oliveira, conforme o
testemunho do Sr. Severino da Silva?
A
mulher ficou em silêncio por uns segundos e dirigindo um olhar angustiado para
o marido, respondeu:
—
Sim, João e eu discutimos. Ele queria envolver Pedro nos seus negócios escusos,
por meu intermédio, mas eu não queria isso de maneira alguma e tentei
dissuadí-lo, com todas as minhas forças...
Interrompendo o depoimento da mulher, a voz de
Pedro ressoou na sala como um trovão, que explode em uma tempestade.
—
Marta não tem nada a ver com isso. João
me pediu para assinar documentos para livrá-lo de uma enrascada em que tinha se
metido. Não sabia ao certo do que se
tratava. Ele me afirmou que não era nada
que poderia me comprometer. Acreditei
nele. Conhecia-o desde criança e nunca me passaria pela cabeça que iria me
envolver em um negócio sujo.
O
caos se instalou no lugar. Todos falavam ao mesmo tempo. O olhar de espanto do
advogado caiu sobre ele.
—
Chega! Estou pronto para pagar por meu erro.
Disparou, olhando para seu defensor e fiel amigo.
Antes
de sair do tribunal, lançou um olhar para os filhos, que se abraçavam chorando.
Abaixou a cabeça para esconder uma lágrima que teimosa descia pelo seu rosto.
Dias
depois, na cela, Pedro lia um livro e de vez em quando, levantava os olhos,
que perdidos vagavam pelas paredes
amareladas do pequeno cubículo. Uma
batida nas grades o acordou de seus devaneios.
Um guarda estava abrindo a cela e o avisou que uma pessoa o esperava na
sala, onde podiam receber visitas.
A
surpresa estampou-se em seu rosto quando viu sua esposa. Sentou-se à sua frente. O olhar firme encarando Marta. Ela baixou os olhos e com uma voz fraca,
perguntou-lhe como estava.
—
Como um homem que perdeu a liberdade! Respondeu secamente.
— Mas
por que você admitiu sua culpa?
—
Pelos meus filhos! E com voz pausada,
desafogou tudo o que tinha no íntimo.
De
repente, quando ela fez o seu testemunho, uma luz atingiu sua compreensão. A freqüência de João em sua casa. Os jantares enquanto ele viajava. A proximidade dele com ela. Tudo foi se encaixando e foi fácil de deduzir
que os dois estavam juntos e que ela estava envolvida no esquema.
— Me
perdoa, por favor! Eu estava sempre
sozinha. Ele me apoiou muitas vezes e
devagar fomos nos aproximando cada vez mais.
— Me
poupe dos detalhes. Já disse que me acusei pelos meus filhos, porque, apesar de
tudo você sempre foi uma boa mãe e sei que eles a amam e a admiram muito. Mas perdoar você, não! Falsificaram minha
assinatura, usando-me para lavagem de dinheiro.
—
Mas eu não queria envolvê-lo, lutei contra isso.
—
Mas, envolveu!
Marta
encolheu-se na cadeira. Era como se a
culpa que carregava tivesse diminuído seu corpo e dilacerado sua alma,
Pedro
a fitou com um misto de pena e raiva.
Também se sentia culpado por tê-la deixado de lado e colocado o trabalho
e ambição em primeiro lugar.
Levantou-se
lentamente. Ela segurou o braço dele, tentando detê-lo.
—
Por favor, me deixe agora. Ricardo vai
me tirar dessa embrulhada. Poupei você,
mas o João vai pagar pelo que me fez. Trovejou ele.
— E
não me procure mais!
Voltou-se,
acenando para o policial, para transmitir-lhe que podia levá-lo de volta à
cela.
Encontro misterioso Alberto Landi A nave da Catedral de Chartres era ampla e alta; colunas robustas sustentavam os arcos que pareciam subi...