A GRANDE JORNADA - CONTO COLETIVO 2023
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quarta-feira, 11 de outubro de 2017
terça-feira, 3 de outubro de 2017
Charme e Imponência da Rua Barão de Itapetininga - Ilka Andrade

Viaduto do Chá - bonde sendo puxado por semoventes.
Charme e Imponência da Rua Barão de Itapetininga
Ilka Andrade
Joaquim José dos Santos Silva,
fazendeiro de sucesso, capitalista, deputado de Sao Paulo em 1842 recebeu o
titulo de Barão de Itapetininga por direito imperial de D.Pedro ll.
Sua propriedade mais celebre era Mate
no "Morro do Chá" delineado pelo Vale do Anhangabau e República.
Foi desapropriado em 1875. Barão morreu com 77 anos em
1876. Sua casa na Libero Badaro foi demolida para o início do
Viaduto do Chá.
Mais tarde, mais ou menos 1920 a Rua Barão de Itapetininga
estava no auge da sociedade, era o charme da imponência e das paqueras.
Guardo na memória a casa onde havia cursos de
culinária ministrado pela professora Gioconda de nascionalidade italiana
formada em Cot’Dazur. Ela ensinava pratos inusitados até hoje elogiados, usava galhos de alecrim, flores de
lavanda, azeites espessos aromaticos,
muito tomates e vinho, dando um aroma provençal ao alimento. O curso era
chamado conforto na cozinha
Lá aprendi
varios pratos: Bife Bourgnon, molhos e sorvetes de lavanda com xarope de
mel. Sucesso!
As aulas eram ministradas
todas as quintas-feiras das 18 hs as 20:30hs. Para complemento das
quintas-feiras íamos tomar um café, acompanhado de música ao vivo de violino na
Confeitaria Vienense, situada no primeiro andar do Edifício da Paz na Barão
de Itapetininga 262, onde foi construido em 1913 um elevador com portas
pantográficas que pouco funcionava. Em estilo Art'deco a Vienense era
famosa pelas reuniões intelectuais. Frequentadores da alta sociedade. O edifício
abrigou o escritório de Guilherme de Almeida “0 principe dos poetas”,
frequentado por intelectuais da época.
A Rua Barão de Itapetininga
enriqueceu São Paulo foi ícone da elite paulistana!
Saudades...
A vida é igual a roda gigante - Ilka Andrade

A vida é igual a roda
gigante
Ilka
Andrade
A
estudante Olga, garota não gorda nem feia, ao ir a escola diariamente passa em
frente a um parque de diversões “Parque Shangai” no centro da cidade. No portão
de entrada tem uma boneca de pano, não pequena e nem magra, do tamanho gigante,
rindo alto e se sacudindo sem parar: “Sou Olinda Tremebunda Shangai, convido a
todos para conhecer nosso parque.”.
Olga
pediu aos pais que a levassem ao parque, eles prometeram se ela melhorasse as
notas, ela concordou. E, no mês seguinte compriram o prometido.
Ao chegar pertinho de Olinda, a menina ficou
assustada, estagnada, paralisada à porta com os olhos arregalados. Olinda
disse: Boa tarde Shangai , seu pai a
chamou.
— Vamos,
Olga, escolha um brinquedo.
Ela
escolheu o mais próximo, o espelho mágico. Ao se olhar ria muito porque sua
boca estava na testa, seu nariz no lugar da boca e seus olhos no lugar de nariz,
estava completamente diferente ficou inusitavél.
Ao sair sua mãe comentou: Como Deus fez o Homem tão perfeito!
O
segundo brinquedo foi o bicho da seda. Sentou-se no carrilhão que circulava
fechava e abria a capota, emocionante.
Ja
anoitecendo foram para roda gigante, fascinada pelas luzes coloridas, pela
altura com uma vista panorâmica de tirar o fôlego, tinha um frio na barriga.
Ela estava mais próxima ao céu, via as estrelas como gotas de cristal e outras
com formato de diamantes, Olga sentiu-se muito feliz.
Na
volta para casa seu pai proferiu: A vida é igual a roda gigante, cheia de altos
e baixos de quedas e subidas medos e esperanças, lágrimas e sorrisos, angústias
e encantamento. A vida não é diferente para todos, o que fica são os momentos
felizes e estarmos vivos!
Permitem
a Banda dos anos 80 Biquini Cavadão:
“Só queria amor de grande
paixão ser como criança no parque de diversão, aquele amor que em menos de um
instante faz a vida girar numa roda gigante...”.
domingo, 1 de outubro de 2017
DESTINOS MARCADOS - Henrique Schnaider

DESTINOS
MARCADOS
Henrique
Schnaider
A alameda estava toda
arborizada, as copas robustas ostentavam folhagens verdes e tenras, algumas
flores se mostravam no topo do Ipê amarelo, o Manacá, adiantado, já floriu
tingindo de lilás e branco aquele trecho da via. Joana caminhava justamente por
ali sentindo o perfume do manacá, quando repentinamente deparou-se com Álvaro.
Há quantos anos não o vejo! – Pensou surpresa. Ele também demonstrou alegria em
encontrá-la. Caminharam lado a lado conversando por alguns quarteirões. Falavam
do passado, relembravam os velhos tempos quando se conheceram na faculdade, ela
cursando Direito, e ele, Psicanálise.
Depois o tempo se incumbiu
de separá-los, cada um seguiu o seu caminho e nunca mais se viram. As coisas
acontecem de maneira inexplicável. Joana sentia uma grande solidão, e o colega
dos tempos de Faculdade, sem saber colocou-se no seu caminho para naquele
momento ouvir seu desabafo.
Álvaro era psicanalista e
passaram dali para frente a se encontrar constantemente. Batiam longos papos.
Até que Joana descobriu que na solidão é que existia o seu eu verdadeiro, e
pôs-se a pintar, passou a criar obras impressionistas. Incentivada por Álvaro, ela foi se entregando
à arte, e assim, foram ficando cada vez mais próximos. De repente, Joana já não
sentia aquela solidão que tanto a atormentava.
A paixão foi inevitável.
Sentiam-se incentivados
nas suas carreiras. Ele abriu um consultório em rua movimentada de grande
prestígio. Ela largou a Advocacia para se dedicar de corpo e alma a pintura.
As telas seguindo a linha
impressionista de Van Gogh já eram procuradas. Com apoio de Álvaro a exposição
estava sendo preparada para ser o maior sucesso.
Para delírio de Joana a
exposição foi muito bem-sucedida, os quadros tinham uma procura enorme. O nome
dela já era apontado como artista de renome.
Tudo estava como num sonho
encantado, quando Álvaro pediu para Joana que gostaria de casar-se com ela e
viver um sonho dourado junto.
Joana depois do pedido de
casamento sentiu-se em conflito, pois temia que com o casamento viessem as
atribuições que normalmente vêm com o matrimônio: família, filhos,
responsabilidades. Todos estes fatores, fatalmente complicariam a sua arte,
pois não conseguiria dedicar-se plenamente a sua arte.
A decisão foi difícil, mas
Joana disse não ao pedido de Álvaro. Sentia uma necessidade muito grande de
continuar sua carreira, E ali terminou o
lindo namoro de Joana e Álvaro, cada um seguindo o seu caminho.
Os anos passaram
rapidamente e Joana tornou-se uma brilhante artista, famosa e rica.
Álvaro seguiu na carreira
de Psicanalista com seu consultório e estava também muito bem financeiramente.
Apesar de todo o sucesso
Joana estava inquieta, sentindo novamente a solidão que angustiou um dia, alguma
coisa estava errada, apesar de ser uma mulher realizada.
Voltou a caminhar, o que
lhe fazia muito bem. Passava, costumeiramente naquela Alameda onde encontrou Álvaro
perto do Manacazeiro. E assim o fez naquela manhã cinzenta e fria de inverno.
Eis que, de repente, avista Álvaro. Ambos se abraçam longamente, e um beijo
longo e terno se fez necessário. Estavam apaixonados ainda.
Compreenderam naquele
instante que tinham sido feitos um para o outro.
Sim, Joana continuaria sua
carreira, mas enfrentaria os desafios do casamento. E, Álvaro realizaria o
sonho de há muito acalentado que era casar com Joana.
UM DIA DE HORROR - HENRIQUE SCHNAIDER
UM
DIA DE HORROR
Henrique Schnaider
Camila não estava muito
bem naquela manhã, andava angustiada para lá e para cá, tinha mau
pressentimento dentro dela.
Ela aguardava, angustiadamente,
por um telefonema de seu pai que prometera vir as dez horas e já passava das
onze.
O sol estava escaldante e
não havia como se refrescar naquele jardim sem sombra.
A arandela redonda desligada àquela hora do dia, fazia-a lembrar-se de pai,
estiveram ali na noite anterior admirando a luz intensa que ela emanava.
Apesar da intensidade do
sol, a jovem vê um suspeito há tempos parado ao portão. Vem-lhe o medo, o
pavor, não era a primeira vez que ela o via rondando a casa. Camila se apressa
e, apavorada, pega o carro acelerando em disparada.
Em trânsito ela telefone
para o pai e conta sobre o suspeito. Talvez ele queira roubar a casa, ela
disse.
Ela deu a volta no
quarteirão e não viu mais o homem ao portão, mas a porta da frente estava
entreaberta. De novo o medo tomou conta dela. Mas, precisa ter certeza de que o
tal homem entrou mesmo em sua casa. Tira uma tesoura da bolsa e, trêmula,
resolve enfrenta-lo.
Conhece aquela casa como
ninguém. Está lá desde que nasceu, sabe onde as tábuas rangem, quais portas
gemem. Nervosa, sobre as escadas cautelosamente, e fica surpresa ao ver o sótão
aberto. Sente tontura, mas reage.
Ouve motores de automóveis
à frente da casa. Deve ser a polícia, papai deve ter chamado, pensa ela. Os olhos não saem do sótão. Tudo está escuro
por lá, mas a porta, quem a abriu? Ela adianta mais alguns passos, decide
entrar no cômodo. A polícia deve estar entrando na casa agora, pensa.
Avança porta adentro e
imediatamente, tropeça num corpo. Num sobressalto recua aos solavancos. Logo
reconhece Maria sua empregada que jazia ali, ao seu lado uma faca. Camila
percebe mais alguém perto dela. Ela então o vê. Ele está com um olhar
enlouquecido, reconheceu-o, era o namorado de Maria, que acabara de cometer
aquele crime hediondo.
Para seu alivio a polícia logo
iluminou o ambiente, tranquilizando Camila e retirando-a chorando, inconformada
com a cena que acabara de ver.
A polícia prendeu Roberto,
que confessou o crime que cometera por motivo passional.
Diante de todo este quadro
de horror, Camila sentiu-se angustiada, pois naquela manhã, tivera um
pressentimento de que algo ruim iria acontecer.
O pai de Camila chegou
nervoso sem entender ainda o que havia acontecido. Abraça carinhosamente a
filha e leva-a para o jardim, precisava ouvi-la contar a história de
horror que ela acabara de passar.
quinta-feira, 21 de setembro de 2017
UMA RUA DO DESTINO - Henrique Schnaider
UMA
RUA DO DESTINO
Henrique Schnaider
José era uma pessoa
humilde que passava o dia andando pelas ruas limpando placas, mas nunca prestou
atenção aos nomes já que os conhecia instintiva e inconscientemente.
Para ele eram apenas nomes
de ruas que não tinham o menor significado, pois nunca parou para pensar que
estes nomes tinham toda uma História por trás deles, e justamente por isso eram
nomes de ruas por serem de algum herói
da Pátria, alguém importante para a medicina, ou da politica ou talvez algum
escritor famoso.
José em um dia quente e abafado,
ouviu um casal comentando sobre o nome daquela rua em que estavam e que se
chamava General Ataliba Leonel, um nome pomposo, e o homem simples sentiu-se
surpreso, pois nunca, apesar de tantas vezes estar naquela rua, parou para
pensar que aquele nome era de um militar importante e José ficou pensando o que
teria feito aquela pessoa para ter virado nome de rua, que atos heroicos teria
ele praticado para merecer vira um nome de rua.
A partir deste dia ele,
apesar de sua pouca cultura e conhecimento, passou a pesquisar quem seriam os
personagens com seus nomes colocados nas placas que ele limpava.
Tometência (tomou
ciência), de nomes ilustres como Olavo Bilac, nosso poeta caboclo e leu um
livro dele.
Conseguiu um exemplar para
ler a História do Prefeito Prestes Maia, cujo nome está em uma Avenida,
engenheiro que tirou São Paulo daquele ar provinciano para dar as primeiras
estruturas do que viria a ser a megalópole que é hoje. Jose ficou encantado com
a História do Brigadeiro Faria Lima que hoje leva o nome de uma das mais
importantes Avenidas da cidade de São Paulo.
Faria Lima mudou a nossa
cidade, fazendo José ficar embasmirado. (embasbacado e admirado).
Ele pensou e triste tomou
consciência, como nos dias de hoje não existem mais pessoas públicas tão dinâmicas
e criadoras.
José não percebeu, mas com
o tempo, foi adquirindo muita cultura e conhecimento que começou a pegar gosto
na coisa, começou a estudar e acabou se
formando e hoje é um respeitado professor de História.
AS COINCIDÊNCIAS DA VIDA -Henrique Schnaider
AS
COINCIDÊNCIAS DA VIDA
Henrique Schnaider
Hum dia destes, normais da
vida de um alto executivo, me dirigi ao Hotel Ville na Rua Dna. Veridiana, para
um encontro de negócios com uma representante comercial de uma grande empresa situada
na cidade na cidade de Sertãozinho, interior de São Paulo.
Encontrei-me com Alzira,
mulher atraente e me chamou muito a atenção, tanto que, depois da reunião
convidei-a para jantar na pizzaria Dona. Veridiana, a esta altura já olhando
com outros olhos, já que a bela representante demonstrava claramente por mim um
interesse além dos negócios.
Iniciou-se ali uma relação
muito bonita. Ambos com o decorrer do tempo, fizemos questão de conhecer as
respectivas famílias.
Quando da minha visita à
família de Alzira, descobri que a avó dela tinha o sobrenome Silva Prado e a
família tinha feito uma pesquisa sobre os antecedentes familiares da avó
Rosalva descobrindo que havia parentesco com a mulher que levava o nome da rua
onde nos conhecemos. Sua avó era filha de uma bisneta de Dona Veridiana da
Silva Prado.
Foi nesta ocasião que
tomei conhecimento da história maravilhosa e surpreendente desta que foi uma
das primeiras feministas da sociedade paulistana.
Esta rua passou a ter uma
importância especial para nós, pois foi lá que eu e Alzira nos conhecemos e com
o decorrer doas anos nos casamos e formamos uma bela família, vivendo felizes e
nos orgulhamos muito de saber que nossos filhos levam no sangue a origem de uma
mulher tão importante.
Sempre que podemos vamos à
rua onde tudo começou para comer uma gostosa pizza e reverenciar esta mulher
admirável que foi Dona Veridiana Valéria da Silva Prado.
DONA VERIADIANA - Henrique Schnaider
DONA
VERIADIANA
Henrique Schnaider
Dona Veridiana Valéria da
Silva Prado – Foi uma mulher a frente do seu tempo, lutando contra o
Conservadorismo.
Foi uma mulher que se
tornou uma das figuras mais importantes da História de São Paulo, por sua pela
sua forma de ser e agir, filha de Antônio Prado, mãe de um filho que levava o
nome de seu pai, e que anos depois veio a ser Prefeito da Cidade de São Paulo.
Nascida entre duas ruas
famosas, Rua Direita e Rua São Bento, Veridiana vivia num belo casarão com
muitos beirais, que para a época era sinal de riqueza. Sua casa hospedou D.
Pedro que na mesma época da proclamação da Independência, e seu pai, grande
Empresário, acabou se tornando o Barão de Iguape.
Veridiana casou-se cedo
aos treze anos, pelos costumes da época que obrigavam a isso com seu tio
Martinho Prado quatorze anos mais velho que ela. Aos vinte e dois anos já tinha
dado a luz a cinco filhos e com trinta e cinco mais três filhos.
O filho mais velho Antônio
foi Prefeito da cidade de São Paulo, o segundo Martinho apelidado de
“Martinico”, se tornou, assim como o pai, um eminente líder Republicano. Os
outros dois Caio e Eduardo foram intelectuais de grande influência na politica.
Frise-se que todos estes personagens de nossa História, viraram nomes de rua.
Ela inovou para os padrões
da época, incluindo todas as mulheres da família em seu testamento. Separou-se
do seu marido. Chocou a sociedade comprando um terreno e colocando em seu nome.
Abria sua mansão para
reuniões com intelectuais como Cesário Motta Junior, Diogo de Faria, Capistrano
de Abreu, Graça Aranha, Joaquim Nabuco, todos viraram nomes de rua. E Loefgreen,
hoje nome de um parque da cidade.
Toda esta forma de viver e
agir tornou Dna. Veridiana uma das primeiras feministas da História paulistana.
quarta-feira, 20 de setembro de 2017
UM PRESENTE DO CÉU - Henrique Schnaider

UM
PRESENTE DO CÉU
Henrique Schnaider
Eu nunca vou me
esquecer daquela tarde chuvosa e cinza, um filme triste em preto e branco.
Devido ao
clima nada amistoso, o meu humor não estava dos melhores. Tinha vontade de
estar em casa próximo à lareira, naquele aroma agradável da lenha queimando,
crepitando, aquecendo meu coração.
De repente
vejo escondida num canto da rua, praticamente ao relento uma criaturinha
ensopada como um sapo na lagoa. Ela tremia. Senti o meu coração despedaçado,
uma angústia muito grande tomou conta de mim.
Aproximei-me
dela:
— O que faz
aqui menina? Está chovendo, deste jeito você vai cair doente, se não procurar
um abrigo.
A menina me
olhou com aqueles olhinhos pequenos como grãos de feijão, de um brilho especial,
dois pequeninos sóis dando uma beleza impar ao seu rostinho.
— Qual é o seu
nome mocinha?
— Me chamo Natália, senhor!
— Natália, por
que você não está em casa? Onde estão seus pais?
— Sou órfã
senhor! Não tenho ninguém! Vivo andando por aí feito um cachorro magro com fome
e frio.
De repente meu
coração iluminou-se, senti uma alegria na verdade nem sabia o porquê, mas senti
que esta menina Natália mudaria minha vida para sempre.
Venha Natália,
vou lhe dar abrigo. Levarei você para minha casa, lá está quentinho. Depois decido o que fazer!
A menina
levantou-se, aumentando o brilho dos seus olhos sem disfarçar a alegria. E, me acompanhou como um cachorrinho que acaba de
encontrar seu dono, estava feliz.
Depois de
muita burocracia, depois de tantas idas e vindas, finalmente acabei adotando Natália,
um presente de Deus que mudou completamente a minha vida. Hoje a minha doce
Natália é uma pianista famosa, tornou-se minha razão de viver, minha alegria.
AS FÉRIAS QUE MUDARAM A VIDA DE ANDRÉ - Amora
AS FÉRIAS QUE MUDARAM A
VIDA DE ANDRÉ
Amora
Sempre foi trabalhador, calmo, eficiente. Não se aborrecia
com pessoas que o procuravam,
constantemente.
De repente, mudou, resolvendo transformar a vida, cansado de
tudo. Tirou férias e planejou uma viagem longa, afastando-se de seus problemas.
Fugindo de todos.
Não pensou direito, levou-os consigo. Escolheu uma praia
longínqua, desconhecida, que o fizesse esquecer até quem era.
Nem bem chega, não desgosta do lugar, sentindo-se atraído
pela limpidez do mar. Aquela mansidão,
ausência de barulho, iria acalmar seus nervos e torná-lo o que era, novamente. Nem
sabe se queria!
Ocupa uma pousada quase vazia, podendo ficar solitário e
fazer o que bem entendesse.
Doce ilusão! Na hora do café da manhã, quem encontra! Sua
secretária Denise que, sempre atraída por ele, descobre para onde iria e vai
também. Não se sente bem, sufocado, voltando-lhe à lembrança, todo o cansaço
que sentira.
Repara nela pela primeira vez fora do trabalho. Até que não
era feia. Procura tratá-la com educação.
Evita sua companhia o mais que pode, mas, ela sempre dava um
jeito de encontrá-lo. Na praia, entrando naquela água não tão fria, agradável
de sentir, um sol abrasador que fazia a pele
avermelhar e arder, logo oferece-se para lhe passar um bronzeador.
Aceita, sem querer ofendê-la, meio sem jeito, mas sentindo certo alívio. Até
que não foi má ideia! Era prestativa. Lembrou-se novamente do escritório, nada
saudoso, quando ela o atendia prontamente em tudo.
Enfim, passam-se alguns dias e, não tendo como disfarçar seu
aborrecimento, fugindo dela, acostuma-se com, aceitando-a como companheira.
Percebe, a contragosto, que era apaixonada por ele e, acaba
gostando da ideia de ter um relacionamento nas férias. Não era sem atrativos nem antipática, não era burra nem mal
educada, poderia trazer-lhe alguma distração.
Final da história, as férias terminam, voltam juntos, ele
também envolvido e querendo sua presença, pensando sério em noivado e
casamento. Foi o que aconteceu! Até que formaram um par interessante, nem feios
nem deselegantes, nem desagradáveis ou arrogantes! Não é que deu certo!
Combinaram.
segunda-feira, 11 de setembro de 2017
E, lá vamos nós! - Hirtis Lazarin

lá vamos nós!
Hirtis
Lazarin
Atenção senhores passageiros e
passageiras
Benvindos ao novo trem paulistano
Tenham todos uma boa viagem!
Eu era o trem das novidades.
Nada igual a todos os outros.
Colorido e animado de verdade.
Jamais esquecerei a minha primeira viagem.
Eu e o maquinista Joaquim
O maquinista Joaquim e eu
Eu e o maquinista Joaquim
O maquinista Joaquim e eu.
Cheirava a tinta fresca.
Meu brilho era tanto que tirava fotos do
lugar.
Corria macio sobre os trilhos
nenhum defeito pra comentar.
Lá ia eu destino certo: terra, serra até o
mar.
Já
deixamos a primeira estação tão longe,
tamanha
era a vontade de chegar.
Um entra e sai de passageiros, cada um com
coisas pra contar.
Já aconteceu de tudo nesse tempo que eu
nem vi passar.
Levei a mocinha vestida de noiva pro rapaz
que queria se casar. Entreguei o filho
que de casa fugiu e, agora arrependido,
voltava pra ficar. Vi a mulher miúda,
abatida esperando o marido que nunca quis voltar.
Muita coisa engraçada gosto de lembrar. A vaca holandesa deitada nos trilhos tirava
um cochilo e nada de acordar.
Era um puxa de cá
puxa de lá
puxa de lá
puxa de cá.
E a malvada, por birra, fingia que nem
estava lá.
Quanto mais o pessoal puxava, mais a vaca
se esparramava.
Era gente zangando com hora pra
desembarcar.
Era criança torcendo pra vaca continuar
lá.
Foi só o seu Toninho esfregar o seu
focinho,
que
a vaca, num pulo só, liberou nosso caminho.
Não havia tempo a perder.
Lá
ia eu apitando...apitando...e o bando de cotovias , coitado, levantava voo e se
perdia lá pro meio do cerrado.
Havia noites de agonia. Nuvens pretas e pesadas. E já o dia escurecia.
— Meu Deus do céu! Punham-se todos a rezar.
—Bem
que o pastor avisou que o mundo podia acabar.
O vento assobiava arrastando tudo pra todo
lugar.
Eram
galhos, pedras, cascalhos.
Gente nos bancos subia, gente sob os
bancos se escondia. Que agonia!
Mães apavoradas acolhiam os filhos sob
asas improvisadas.
Já se foram tantos anos...Tá difícil pra
contar.
Hoje
eu e o maquinista Joaquim, velhos e
cansados, vamos nos aposentar.
Ele volta pra família, vai curtir um
punhado de netinhas.
E eu, com certeza, serei desmontado num
punhado de pecinhas.
Antes dos dezoito... - Henrique Schnaider
Antes dos dezoito...
Henrique
Schnaider
Do
que me lembro, o riso vinha fácil, nem precisava haver piada, tudo parecia tão
engraçado tão alegre, as futilidades eram uma alegria, as seriedades, um
prazer. E nem tinha dezoito ainda...
Lembro
como se fosse hoje e ainda saboreio estas doces lembranças de quando meu pai de
volta de uma viagem aos Estados Unidos onde foi visitar seus três irmãos que
não via há mais de trinta anos, fomos ao porto de Santos para recebê-lo. Quanta
emoção! Aquele navio ancorado, e lá estava meu pai na murada acenando para nós,
me senti tão pequenininho feito uma formiga perto daquela embarcação gigantesca.
As lágrimas rolaram, e nem tinha dezoito anos ainda...
Chegados
de Santos em nossa casa, quanta alegria, eu me derretia todo olhando para o meu
querido pai, ansioso para ver todas as coisas que trouxe de sua longa viagem.
Tinha presentes de todos os tipos para mim e para meus irmãos, roupas,
brinquedos que nem sonhava existir, carrinhos de dar corda, jogos, uma radio-vitrola
de móvel acoplada com TV. Comidas as mais variadas possíveis, muitos enlatados
completamente desconhecidos para mim. E nem tinha dezoito anos ainda...
Para
minha mãe veio uma geladeira de duas portas, coisa de cinema, estávamos todos
embasbacados. O ambiente era de pura emoção. Meus amigos todos curiosos queriam
ver as coisas que meu pai trouxe e me pediam para entrar e poder contemplar
todas aquelas coisas que lhes causavam curiosidade, eu todo orgulhoso, e nem
tinha dezoito anos ainda...
Naquela
época, meu pai vendeu muitas coisas que trouxera para fazer negócios, e
arrecadou um bom dinheiro com o qual abriu, juntamente com meu tio, sua primeira loja de móveis. Nossa vida subiu
de nível, e emocionado como um pássaro que dá o seu primeiro voo eu ganhei
minha primeira bicicleta. Foi delicioso sair para a rua e dar a minha primeira
volta no quarteirão, e eu nem tinha
dezoito anos ainda...
Depois
de um tempo, meu pai abriu uma segunda loja para ser dirigida por meus irmãos,
enquanto isso eu deitava e rolava com a minha querida bicicleta, rodando por
todo o bairro onde morávamos, e eu nem
tinha dezoito anos ainda...
Como
não há bem que sempre dure e nem mal que nunca acabe, terminou minha alegria,
já que meus irmãos me convocaram para ajuda-los
na nova loja, e lá fui. Era uma
vida nova, dura, pois tinha que ajudar a carregar os móveis pesadíssimos, de
madeira maciça. E, eu não tinha nem dezoito anos
ainda...
Tinha
o outro lado moeda, foi quando meus irmãos me ensinaram a dirigir. Para mim foi mais gostoso do que pedalar. Eu dava um salto maior na minha vida, largando
a minha querida bicicleta e passando a dirigir uma caminhonete, sentindo-me todo orgulhoso. Eu nem tinha
dezoito anos ainda...
No
fim das contas, passei a dirigir a loja, já que os meus irmãos seguiram novos
caminhos. Um deles foi embora para um novo país começar uma nova vida, o outro
foi abrir uma nova loja. E eu lá fiquei
tendo que tornar-me maduro, precocemente. E eu nem tinha dezoito anos ainda...
RECORDAÇÕES DA INFÂNCIA - Do Carmo

RECORDAÇÕES
DA INFÂNCIA
Do Carmo
Da minha infância, eu me lembro dos amigos, tal e qual irmãos, cúmplices
em brincadeiras e estripulias estrelares.
Ternamente sinto o cheiro quente do bolo de fubá da vovó Rosa, que com
seu apito brilhante, sempre em ação, nos chamava para o lanche da tarde.
Da minha infância, eu me lembro do som chorado do bandolim tocado por
meu pai, que o acompanhava com sua voz desafinada e adocicada, muito amada.
Da minha infância, eu me lembro com saudade das histórias, inventadas
por minha mãe, amorosamente, quando queria transmitir-me princípios, valores e
preceitos religiosos ou morais.
Da minha infância, eu sinto doce saudade das frutinhas de marsipã, que
minha saudosa e amada irmã comprava, especialmente para mim.
Meu coração sorri de felicidade, quando meus pensamentos alegres me
fazem voar, levando-me de volta à minha principesca infância.
A HISTÓRIA DE MINHA VIDA - Henrique Schnaider
A HISTÓRIA DE MINHA VIDA
Henrique
Schnaider
Ah,
quanta saudade quando me lembro de como aos dez anos de idade, estava no quarto
ano primário, foi quando fiquei doente contraindo uma doença que época era
muito perigosa, a escarlatina...
Ah,
quanta saudade me dá quando me lembro da vinda em minha casa da Professora
Julieta que veio fazer uma visita, trazendo para minha enorme satisfação o
Diploma do Curso Primário apesar de não ter terminado os estudos devido a minha
doença.
Ah,
quanta saudade tenho do tempo que junto com meus amigos aprontávamos o que era
considerado na época coisa de moleque sapeca, como apertar a campainha das
casas de todo quarteirão e saíamos correndo para se esconder.
Ah,
quanta saudade das brincadeiras como mana mula, balança caixão, mãe da rua e
muitas outras como futebol, taco, bolinha de gude... Não parávamos um minuto,
só entravamos depois de alguns berros de nossas mães.
Ah,
quanta saudade dos primeiros bailinhos tocando os Platers e com muita timidez,
tirava as meninas para dançar e era uma alegria quando elas aceitavam. Ah,
quanta saudade.
Que
emoção dirigir o primeiro carro e sair para mostrar-se para as meninas, vestindo as primeiras calças jeans e camisa banlon. O sucesso era grande, causava
inveja. As primeiras paqueras, os primeiros namoros, as primeiras rusgas,
ciúmes e a reconciliação. Ah, quanta saudade.
Namorei
mais sério e foi quando encontrei minha futura mulher no curso Clássico. Quanta
novidade com a vida de casado. Ah, quanta saudade.
Tivemos
três filhos maravilhosos. Ah, quanta saudade da infância deles e de tudo que
vivemos juntos.
Hoje
aos setenta e dois anos, estou cheio de lembranças de uma vida maravilhosa de
tantas coisas porque passei.
Ah,
quantas saudades...
O SAUDOSO TREM DO TIO SEVERINO - Michel Milhão
O SAUDOSO
TREM DO TIO SEVERINO
Michel
Milhão
1967 - O trem saindo de
Presidente Prudente com destino a São Paulo passa por Rancharia uma das
maiores, que considero minha terra natal, pois vim de Alagoas-Maceió com apenas
um, ano mais ou menos,
Lá onde cresci, cidade muito bonita e próspera, meu tio Severino era o
maquinista, hoje condutor, que por acaso só tinha um braço, mas com maestria e imponência,
todo feliz e orgulhoso, trabalhava há muitos anos naquela região.
Esperava os passageiros descerem outros subirem e prosseguia. E eu feliz
da vida ia várias vezes às cidades próximas.
Futuramente comecei a fazer shows de mágicas, após ter sido diplomado em
uma escola de São Paulo.
A minha primeira aparição na TV foi em 69 no programa Silvio Santos, Cidade
contra Cidade, Rancharia contra Casa Branca. Logo após, outros shows em cidades
próximas.
O trem tinha de tudo, só faltava o Salão de Festas, mas o Restaurante
era luxuoso e eu muitas vezes acompanhado do meu pai que sempre me apoiava,
quando não eu levava a autorização por ser menor de idade, quando não era
excursão.
Certa ocasião ao entrarmos no trem, como era de praxe, com a passagem,
logo vinha o fiscal, pedia o bilhete picotava e íamos até o destino.
Percebemos que um sujeito estava sem o bilhete. Naquela ocasião quem não
tivesse o bilhete, com um pescoção era jogado para fora na próxima estação. E assim foi feito com ele. Mas, ele teimoso,
fora das vistas do fiscal subiu
novamente e continuou viagem, só que na outra foi jogado com outro
pescoção pelo picotador de bilhete, como era chamado o fiscal. Porém, assim que
ele se afastou, lá subiu ele de novo e sentou-se em minha frente. Com pena dele
perguntei:
— Pra onde o senhor vai?
Ele respondeu
— Pretendo ir até São Paulo, se o pescoço agüentar.
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