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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

UM PRESENTE DO CÉU - Henrique Schnaider


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UM PRESENTE DO CÉU
Henrique Schnaider


Eu nunca vou me esquecer daquela tarde chuvosa e cinza, um filme triste em preto e branco.

Devido ao clima nada amistoso, o meu humor não estava dos melhores. Tinha vontade de estar em casa próximo à lareira, naquele aroma agradável da lenha queimando, crepitando, aquecendo meu coração.

De repente vejo escondida num canto da rua, praticamente ao relento uma criaturinha ensopada como um sapo na lagoa. Ela tremia. Senti o meu coração despedaçado, uma angústia muito grande tomou conta de mim.

Aproximei-me dela:

— O que faz aqui menina? Está chovendo, deste jeito você vai cair doente, se não procurar um abrigo.

A menina me olhou com aqueles olhinhos pequenos como grãos de feijão, de um brilho especial, dois pequeninos sóis dando uma beleza impar ao seu  rostinho.
— Qual é o seu nome mocinha?

— Me  chamo Natália, senhor!

— Natália, por que você não está em casa? Onde estão seus pais?

— Sou órfã senhor! Não tenho ninguém! Vivo andando por aí feito um cachorro magro com fome e frio.

De repente meu coração iluminou-se, senti uma alegria na verdade nem sabia o porquê, mas senti que esta menina Natália mudaria minha vida para sempre.

Venha Natália, vou lhe dar abrigo. Levarei você para minha casa, lá está quentinho.  Depois decido o que fazer!

A menina levantou-se, aumentando o brilho dos seus olhos sem disfarçar a alegria. E,  me acompanhou como um cachorrinho que acaba de encontrar seu dono, estava feliz.

Depois de muita burocracia, depois de tantas idas e vindas, finalmente acabei adotando Natália, um presente de Deus que mudou completamente a minha vida. Hoje a minha doce Natália é uma pianista famosa, tornou-se  minha razão de viver,  minha alegria.

  

AS FÉRIAS QUE MUDARAM A VIDA DE ANDRÉ - Amora

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AS FÉRIAS QUE MUDARAM A VIDA DE ANDRÉ
Amora


Sempre foi trabalhador, calmo, eficiente. Não se aborrecia com  pessoas que o procuravam, constantemente.

De repente, mudou, resolvendo transformar a vida, cansado de tudo. Tirou férias e planejou uma viagem longa, afastando-se de seus problemas. Fugindo de todos.
Não pensou direito, levou-os consigo. Escolheu uma praia longínqua, desconhecida, que o fizesse esquecer até quem era.

Nem bem chega, não desgosta do lugar, sentindo-se atraído pela limpidez do mar.  Aquela mansidão, ausência de barulho, iria acalmar seus nervos e torná-lo o que era, novamente. Nem sabe se queria!

Ocupa uma pousada quase vazia, podendo ficar solitário e fazer o que bem entendesse.
Doce ilusão! Na hora do café da manhã, quem encontra! Sua secretária Denise que, sempre atraída por ele, descobre para onde iria e vai também. Não se sente bem, sufocado, voltando-lhe à lembrança, todo o cansaço que sentira.

Repara nela pela primeira vez fora do trabalho. Até que não era feia. Procura tratá-la com educação.

Evita sua companhia o mais que pode, mas, ela sempre dava um jeito de encontrá-lo. Na praia, entrando naquela água não tão fria, agradável de sentir, um sol abrasador que fazia a pele  avermelhar e arder, logo oferece-se para lhe passar um bronzeador. Aceita, sem querer ofendê-la, meio sem jeito, mas sentindo certo alívio. Até que não foi má ideia! Era prestativa. Lembrou-se novamente do escritório, nada saudoso, quando ela o atendia prontamente em tudo.

Enfim, passam-se alguns dias e, não tendo como disfarçar seu aborrecimento, fugindo dela, acostuma-se com, aceitando-a como companheira.

Percebe, a contragosto, que era apaixonada por ele e, acaba gostando da ideia de ter um relacionamento nas  férias. Não era sem atrativos  nem antipática, não era burra nem mal educada, poderia trazer-lhe alguma distração.


Final da história, as férias terminam, voltam juntos, ele também envolvido e querendo sua presença, pensando sério em noivado e casamento. Foi o que aconteceu! Até que formaram um par interessante, nem feios nem deselegantes, nem desagradáveis ou arrogantes! Não é que deu certo! Combinaram.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

E, lá vamos nós! - Hirtis Lazarin


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lá vamos nós!
Hirtis Lazarin
  
          Atenção senhores passageiros e passageiras
          Benvindos ao novo trem paulistano
          Tenham todos uma boa viagem!

     Eu era o trem das novidades.
     Nada igual a todos os outros.
     Colorido e animado de verdade.

     Jamais esquecerei a minha primeira viagem.

                    Eu e o maquinista Joaquim
                    O maquinista Joaquim e eu
                    Eu e o maquinista Joaquim
                    O maquinista Joaquim e eu.
     Cheirava a tinta fresca.
     Meu brilho era tanto que tirava fotos do lugar.
     Corria macio sobre os trilhos
     nenhum defeito pra comentar.
     Lá ia eu destino certo: terra, serra até o mar. 
Já deixamos a primeira estação tão longe,
tamanha era a vontade de chegar.

     Um entra e sai de passageiros, cada um com coisas pra contar.
      Já aconteceu de tudo nesse tempo que eu nem vi passar.
     Levei a mocinha vestida de noiva pro rapaz que queria se casar.  Entreguei o filho que de casa fugiu e,  agora arrependido, voltava pra ficar.  Vi a mulher miúda, abatida esperando o marido que nunca quis voltar.
     Muita coisa engraçada gosto de lembrar.  A vaca holandesa deitada nos trilhos tirava um cochilo e nada de acordar.

               Era um puxa de cá
                             puxa de lá
                             puxa de lá
                             puxa de cá.
     E a malvada, por birra, fingia que nem estava lá.
     Quanto mais o pessoal puxava, mais a vaca se esparramava.
     Era gente zangando com hora pra desembarcar.
      Era criança torcendo pra vaca continuar lá.  
     Foi só o seu Toninho esfregar o seu focinho,
que a vaca, num pulo só, liberou nosso caminho.

     Não havia tempo a perder. 
Lá ia eu apitando...apitando...e o bando de cotovias , coitado, levantava voo e se perdia lá pro meio do cerrado.

     Havia noites de agonia.   Nuvens pretas e pesadas.  E já o dia escurecia.
     — Meu Deus do céu!  Punham-se todos a rezar. 
—Bem que o pastor avisou que o mundo podia acabar.
     O vento assobiava arrastando tudo pra todo lugar. 
Eram galhos, pedras, cascalhos.
     Gente nos bancos subia, gente sob os bancos se escondia. Que agonia! 
      Mães apavoradas acolhiam os filhos sob asas improvisadas. 
     Já se foram tantos anos...Tá difícil pra contar. 

Hoje eu e o maquinista Joaquim,  velhos e cansados, vamos nos aposentar.
     Ele volta pra família, vai curtir um punhado de netinhas.

     E eu, com certeza, serei desmontado num punhado de pecinhas.

Antes dos dezoito... - Henrique Schnaider

   
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Antes dos dezoito...
Henrique Schnaider

Do que me lembro, o riso vinha fácil, nem precisava haver piada, tudo parecia tão engraçado tão alegre, as futilidades eram uma alegria, as seriedades, um prazer. E nem tinha dezoito ainda...

Lembro como se fosse hoje e ainda saboreio estas doces lembranças de quando meu pai de volta de uma viagem aos Estados Unidos onde foi visitar seus três irmãos que não via há mais de trinta anos, fomos ao porto de Santos para recebê-lo. Quanta emoção! Aquele navio ancorado, e lá estava meu pai na murada acenando para nós, me senti tão pequenininho feito uma formiga perto daquela embarcação gigantesca. As lágrimas rolaram, e nem tinha dezoito anos ainda...

Chegados de Santos em nossa casa, quanta alegria, eu me derretia todo olhando para o meu querido pai, ansioso para ver todas as coisas que trouxe de sua longa viagem. Tinha presentes de todos os tipos para mim e para meus irmãos, roupas, brinquedos que nem sonhava existir, carrinhos de dar corda, jogos, uma radio-vitrola de móvel acoplada com TV. Comidas as mais variadas possíveis, muitos enlatados completamente desconhecidos para mim. E nem tinha dezoito anos ainda...

Para minha mãe veio uma geladeira de duas portas, coisa de cinema, estávamos todos embasbacados. O ambiente era de pura emoção. Meus amigos todos curiosos queriam ver as coisas que meu pai trouxe e me pediam para entrar e poder contemplar todas aquelas coisas que lhes causavam curiosidade, eu todo orgulhoso, e nem tinha dezoito anos ainda...

Naquela época, meu pai vendeu muitas coisas que trouxera para fazer negócios, e arrecadou um bom dinheiro com o qual abriu, juntamente com meu tio,  sua primeira loja de móveis. Nossa vida subiu de nível, e emocionado como um pássaro que dá o seu primeiro voo eu ganhei minha primeira bicicleta. Foi delicioso sair para a rua e dar a minha primeira volta no quarteirão,  e eu nem tinha dezoito anos ainda...

Depois de um tempo, meu pai abriu uma segunda loja para ser dirigida por meus irmãos, enquanto isso eu deitava e rolava com a minha querida bicicleta, rodando por todo o bairro onde morávamos,  e eu nem tinha dezoito anos ainda...

Como não há bem que sempre dure e nem mal que nunca acabe, terminou minha alegria, já que meus irmãos me convocaram para ajuda-los  na nova loja,  e lá fui. Era uma vida nova, dura, pois tinha que ajudar a carregar os móveis pesadíssimos, de madeira maciça. E, eu não tinha nem dezoito anos ainda...

Tinha o outro lado moeda, foi quando meus irmãos me ensinaram a dirigir.  Para mim foi mais gostoso do que pedalar.  Eu dava um salto maior na minha vida, largando a minha querida bicicleta e passando a dirigir uma caminhonete,  sentindo-me todo orgulhoso. Eu nem tinha dezoito anos ainda...


No fim das contas, passei a dirigir a loja, já que os meus irmãos seguiram novos caminhos. Um deles foi embora para um novo país começar uma nova vida,   o outro foi abrir uma nova loja. E eu  lá fiquei tendo que tornar-me maduro,  precocemente.  E eu nem tinha dezoito anos ainda...    

RECORDAÇÕES DA INFÂNCIA - Do Carmo


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RECORDAÇÕES DA INFÂNCIA
Do Carmo


Da minha infância, eu me lembro dos amigos, tal e qual irmãos, cúmplices em brincadeiras e estripulias estrelares.

Ternamente sinto o cheiro quente do bolo de fubá da vovó Rosa, que com seu apito brilhante, sempre em ação, nos chamava para o lanche da tarde.

Da minha infância, eu me lembro do som chorado do bandolim tocado por meu pai, que o acompanhava com sua voz desafinada e adocicada, muito amada.

Da minha infância, eu me lembro com saudade das histórias, inventadas por minha mãe, amorosamente, quando queria transmitir-me princípios, valores e preceitos religiosos ou morais.

Da minha infância, eu sinto doce saudade das frutinhas de marsipã, que minha saudosa e amada irmã comprava, especialmente para mim.


Meu coração sorri de felicidade, quando meus pensamentos alegres me fazem voar, levando-me de volta à minha principesca infância.

A HISTÓRIA DE MINHA VIDA - Henrique Schnaider


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A HISTÓRIA DE MINHA VIDA
Henrique Schnaider

Ah, quanta saudade quando me lembro de como aos dez anos de idade, estava no quarto ano primário, foi quando fiquei doente contraindo uma doença que época era muito perigosa, a escarlatina...

Ah, quanta saudade me dá quando me lembro da vinda em minha casa da Professora Julieta que veio fazer uma visita, trazendo para minha enorme satisfação o Diploma do Curso Primário apesar de não ter terminado os estudos devido a minha doença.

Ah, quanta saudade tenho do tempo que junto com meus amigos aprontávamos o que era considerado na época coisa de moleque sapeca, como apertar a campainha das casas de todo quarteirão e saíamos correndo para se esconder.

Ah, quanta saudade das brincadeiras como mana mula, balança caixão, mãe da rua e muitas outras como futebol, taco, bolinha de gude... Não parávamos um minuto, só entravamos depois de alguns berros de nossas mães.

Ah, quanta saudade dos primeiros bailinhos tocando os Platers e com muita timidez, tirava as meninas para dançar e era uma alegria quando elas aceitavam. Ah, quanta saudade.

Que emoção dirigir o primeiro carro e sair para mostrar-se para as meninas,  vestindo as primeiras calças jeans e camisa banlon. O sucesso era grande, causava inveja. As primeiras paqueras, os primeiros namoros, as primeiras rusgas, ciúmes e a reconciliação. Ah, quanta saudade.

Namorei mais sério e foi quando encontrei minha futura mulher no curso Clássico. Quanta novidade com a vida de casado. Ah, quanta saudade.

Tivemos três filhos maravilhosos. Ah, quanta saudade da infância deles e de tudo que vivemos juntos.

Hoje aos setenta e dois anos, estou cheio de lembranças de uma vida maravilhosa de tantas coisas porque passei.

Ah, quantas saudades...

O SAUDOSO TREM DO TIO SEVERINO - Michel Milhão


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O SAUDOSO TREM DO TIO SEVERINO
Michel Milhão


1967 -  O trem saindo de Presidente Prudente com destino a São Paulo passa por Rancharia uma das maiores, que considero minha terra natal, pois vim de Alagoas-Maceió com apenas um, ano mais ou menos,

Lá onde cresci, cidade muito bonita e próspera, meu tio Severino era o maquinista, hoje condutor, que por acaso só tinha um braço, mas com maestria e imponência, todo feliz e orgulhoso, trabalhava há muitos anos naquela região.

Esperava os passageiros descerem outros subirem e prosseguia. E eu feliz da vida ia várias vezes às cidades próximas.

Futuramente comecei a fazer shows de mágicas, após ter sido diplomado em uma escola de São Paulo.

A minha primeira aparição na TV foi em 69 no programa Silvio Santos, Cidade contra Cidade, Rancharia contra Casa Branca. Logo após, outros shows em cidades próximas.

O trem tinha de tudo, só faltava o Salão de Festas, mas o Restaurante era luxuoso e eu muitas vezes acompanhado do meu pai que sempre me apoiava, quando não eu levava a autorização por ser menor de idade, quando não era excursão.

Certa ocasião ao entrarmos no trem, como era de praxe, com a passagem, logo vinha o fiscal, pedia o bilhete picotava e íamos até o destino.

Percebemos que um sujeito estava sem o bilhete. Naquela ocasião quem não tivesse o bilhete, com um pescoção era  jogado para fora na próxima estação.  E assim foi feito com ele. Mas, ele teimoso, fora das vistas do fiscal subiu  novamente e continuou viagem, só que na outra foi jogado com outro pescoção pelo picotador de bilhete, como era chamado o fiscal. Porém, assim que ele se afastou, lá subiu ele de novo e sentou-se em minha frente. Com pena dele perguntei:

— Pra onde o senhor vai?

Ele respondeu

— Pretendo ir até São Paulo, se o pescoço agüentar.



IDADE DOURADA - Do Carmo


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IDADE DOURADA
Do Carmo


Depois de um encontro feliz com uma amiga, muito querida, que há anos - ufa, põe anos nisso! - não via, senti uma necessidade visceral de voltar e analisar minha vida passada, depois dos sessenta anos, ou seja “Idade Dourada”.

É, minha querida Do Carmo, você já passa há muito dos setenta.

E daí? Que bom, eu não sinto. Ah! sou feliz, só um pouco vagarosa para andar. Mas, e daí? Não tenho pressa!

De toda nossa conversa, que foi muito agradável e bem humorada, algumas frases ficaram em néon no painel de minha mente.

Ela comentou que os amigos da nossa juventude estavam dispersos, os convites eram frios e aguados, hoje a vida não se assemelham em nada àquela exuberante euforia dos dezoito anos.  Onde está o vigor da juventude? Chisp! Puf! Voop? Desvaneceu-se no tempo.

Olhei-me bem fundo no emaranhado dos meus sentidos e - Uau! - o que vi deixou-me num remanso celestial! Vivo tal qual uma rainha no Éden.

Notei com espanto que era ousada! Uhn! Ahn!  Não sinto tédio em minha vida, pois não deixo que os anos vividos pesem em meu humor.

 Sinto-me alegre e feliz, mesmo com alguns amigos ausentes, uma vez que tenho inúmeros outros novos e todos afins dos meus desejos, que desde sempre foram: Literatura, Escrita, Música e História.

Sou tão orgulhosa das minhas façanhas, que já me sinto ESCRITORA, a modéstia sempre me acompanha.

É natural, ponderei com ela, hoje temos um grande baú de conhecimentos e experiências, arrecadados pelos caminhos percorridos, nem sempre rosados.

Temos uma família bem estruturada, com filhos e netos que são “A Sobremesa da Vida”, como ouvi de um poeta, que não lembro o nome. Falhas etárias são aceitáveis no meu contexto, já com alguns neurônicos cansados.
          
Não pensava mais na minha introspecção quando, do labirinto colorido do passado, surge saltitante a sonora lembrança de uma ultima fala sobre o assunto:

“Sinto que, aquela de dezoito, ainda mora dentro de mim, e espera ser convocada para outra grande aventura, a velhice”.

Aiaiai! Que nostalgia! A velhice é muito saborosa, pois temos o direito de ser como somos, realmente: alegres, falantes, podemos criticar, sempre com parcimônia, realizar sonhos postergados e quase esquecidos, desfrutar com total amor o crescimento e as vitórias dos netos. Finalmente, poderosas, respeitadas e infinitamente amadas, e o que é melhor, não somos cobradas de nada, tudo é alegria e amor.
Falo de minha vida e pelo que conheço da minha amiga, não será em nada diferente. Ela transmite segurança, felicidade e plena realização.


Viva a IDADE DOURADA.!!!  

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O trem saudoso! - Amora

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O trem saudoso!
Amora

Estou velho, usado, gasto! Parado aqui neste parque, sirvo apenas para exibição! Coisa antiga usada para locomoção e atraindo curiosos!
Alguns entram, sentam-se, exclamam” deveria ser gostoso viajar assim! Que época boa! ”

Era mesmo! Muito bons aqueles tempos, quando minha obrigação era sair logo cedo da estação e levar gente ocupada ao seu destino, trabalho ou passeio, ansiosos, alegres, felizes para chegar.

Levava meu trabalho a sério, obedecendo rigorosamente os horários. Assim que ouvia o apito do motorista, disparava em direção a Santos, ou, na volta, para São Paulo. Meu roteiro era esse. Ligar Santos a São Paulo e vice-versa, através dos trilhos.

Acho que hoje nem existem mais trilhos! Era tão gostoso ouvir aquele barulho diário, equilibrando-me para não sair deles. E as paradas, então, era um baque súbito que, levemente, eu freava, para ninguém cair.

Gostava muito dos meus passageiros. Muitos, andavam diariamente comigo. Ficávamos amigos. Assim que eu apontava na estação, corriam para mim como se fosse um abraço apertado dado num amigo. Eu ficava satisfeito!

Outros, desconhecidos, de cara emburrada, meio preocupados, logo mudavam suas fisionomias, ao começar a viagem. Sentavam tranquilos, olhando a bela paisagem, ainda mata cerrada. Sorriam e observavam pela janela o tempo todo.  Quando próximo ao mar, então, dia claro, ensolarado, a admiração era grande. Só ouvia exclamações de prazer.

Saudade daqueles tempos.  Havia vida, movimento. Não era apenas um objeto.  Lembrança de uma época passada.  Demonstração.

Nunca tive nenhum acidente nem acontecimento triste. Ah! Lembro-me agora, sofremos uma perda, certa ocasião. Quem nunca as teve.

Todos os dias levávamos a Santos um senhor muito distinto, elegante, com sua bengala de cabo de prata e cartola alta. Nunca soube se era passeio ou trabalho. Sr. Honório.

Acompanhava-o uma bela moça morena, de cabelos cacheados puxados num coque alto, bem trajada, sempre sorrindo. Parecia filha, afilhada, nada perguntamos.  Cada passageiro era livre, desde que tivesse sua passagem.
Acostumamo-nos com eles.  Gostávamos de vê-los sempre bonitos, bem vestidos, felizes.

Numa manhã meio escura, com neblina pelo caminho, paramos numa pequena estação para recolher um cavalheiro meio agitado, fazendo muitos sinais. Logo que subiu, não sentou, mas começou a percorrer os vagões como se estivesse procurando alguém. Parou bem à frente do sr. Honório e sua acompanhante. Olhou-os feio e, sacando de um revólver, atirou neles, bem no coração. Foi um escândalo. Gritaria por todo o lado. O bilheteiro, o maquinista, todos correram ao local, mas não deu tempo para salvá-los. Morreram os dois ali mesmo, ambos abraçados, enquanto o outro pulava minha janela. Tivemos que voltar, teve polícia, ambulância, declarações.

Meu coração ficou apertado! Mal conseguia dirigir.  Dó, susto, medo, não sei que sentimento me abateu. Fiquei pasmo por muitos dias!  Justo comigo, tão calmo, uma tragédia dessas!

Soube depois que a moça linda era casada, mal casada, pelo jeito, sendo sr. Honório seu amante. Iam a santos para namorar.

O assassino, descoberto, foi preso, julgado e, logo solto, achando os jurados que todo homem traído tinha que lavar a honra com sangue. Leis antigas do nosso passado, abolidas com o tempo, felizmente. Temos algumas mudanças, atualmente, que vieram para o bem.

Sem esse acontecimento, posso dizer que minha vida de trabalho foi muito boa, deixando saudade.  Gostei de ser um trem de passageiros, de percorrer aqueles trilhos, ver paisagens pitorescas, conhecer gente amável e alegre, que sabia vivenciar uma viagem, sem pressa de chegar


Fico aqui neste parque, enferrujando minhas peças, atraindo olhares, tentando gostar. Não é mais a mesma coisa!

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

FIGURAS DE LINGUAGEM - TABELA DE CONSULTA RÁPIDA

Tabelinha de consulta rápida: FIGURAS DE LINGUAGEM

FIGURAS DE PALAVRAS
FIGURAS DE PENSAMENTOS
FIGURAS DE CONSTRUÇÃO
Comparação:
Elementos ligados por conectivos comparativos explícitos. Ex.: Correu como um guepardo assustado.
Antítese:
Dois termos que contrastam entre si. Ex.: Ela guarda um coração grande em alma pequena.
Anáfora:
Repetição de uma mesma palavra no início de versos ou frases. Ex.: Ontem foi o último dia que a vi. Ontem jamais esquecerei.
Metáfora:
Comparação implícita entre dois elementos. Ex.: Seu olhar é um céu a me espreitar.
Ironia:
Dizer o contrário do que se pretende para ironiza-lo. Ex.:  A boazinha Dona Maria era  especialista em judiar dos pequenos.
Pleonasmo:
Redundância cuja finalidade é reforçar a mensagem. Ex.: Subi a subida um picar de olhos!
Metonímia:
Uma analogia por sentidos próximos, relativos. A parte pelo todo. Ex.: Os cabelos brancos chegaram cedo = (a velhice).
Apostrofe:
Chamamento enfático a alguém (ou alguma coisa personificada).  Ex.: Senhor, não me abandone!
Elipse:
Omissão de um termo da frase que não foi enunciado anteriormente. Ex.: Na casa, nenhum sinal de vida. (Omissão do verbo haver)
Catacrese:
Quando por falta de um termo específico para designar um conceito, torna-se outro por empréstimo.  Ex.: Quebrei o braço do sofá!
Eufemismo:
União de ideias contraditórias. Ex.: Quanto mais trabalha, mais pobre fica.
Zeugma:
Variedade de elipse; omissão de termo anteriormente expresso. Ex.: O inocente foi preso, o culpado solto.
 Sinestesia:
Mesclar, numa expressão, sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido. Ex.:  Era muito áspero o doce de seus olhos.
Hipérbole:
Exagerar uma ideia com finalidade enfática. Ex.:  Estou morrendo de medo!
Assindeto:
Falta de conjunção entre elementos coordenados. Ex.: Estava pálido, gelado, atrapalhado.
 Onomatopeia:
Imitar um som com um fonema ou palavra: Ruídos, gritos etc. Ex.: Ratatatá disparou  a metralhadora fria.
Prosopopeia:
Atribuir a seres inanimados predicativos que são próprios de seres animados. Ex.: O jardim dorme há anos.
Anacoluto:
Deixar um termo solto na frase. Ex.: O mundo, as leis precisam ser mais rígidas.

Por: Ana Maria Maruggi

A VIDA POR UM FIO - Henrique Schnaider


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A VIDA POR UM FIO
Henrique Schnaider

João nasceu de uma família abastada,  teve uma infância muito feliz, sempre cercado pelo carinho de seus familiares.

Seu pai Artur, era um senhor de figura austera, raramente era carinhoso ou brincava, chegando a causar no menino certo receio, tanto que o garoto evitava muito contato.

Mas, João tinha a proteção de um ente misterioso que ele não sabia quem era, de quem o menino tornou-se muito próximo, que  lhe sussurrava coisas quando ia dormir. O garoto não sabia se isso era apenas parte de seus sonhos.  Com o correr dos anos, por inúmeras vezes sentiu a presença daquele espirito, principalmente quando estava passando por alguma situação de perigo ou medo.  

A vida de João transcorreu sempre lutando com muitas dificuldades junto com a família de classe média baixa, até conseguir formar-se em Engenharia, o que melhorou seu padrão de vida. Casou-se com Cristina, com quem formou uma bela família, com dois filhos.

Trabalhava muito para manter o padrão de vida das crianças. As obras eram sempre em cidades periféricas e a rodovia passou a ser sua grande companheira de trabalho.  Até que uma tarde, voltando para casa, João sofreu um terrível desastre. Seu automóvel capotou e ele foi lançado distante. Imediatamente, foi socorrido,  levado para o hospital, onde se submeteu a  uma cirurgia de emergência.

Naquele estado de dormência anestésica, enquanto era operado, não lhe parecia que o fim estivesse ali, algo o mantinha atado à vida. Percebeu a presença de um homem dando-lhe a mão, carinhosamente. De onde estava visualizava os médicos em franco trabalho de salvar-lhe. Sentiu um misto de assombro e curiosidade, estava fora de seu corpo.   

Olhou para aquele senhor de cara bondosa que sorrindo lhe disse: “Lembra-se daquela vez que você quase se afogou, eu estava lá. E quando você quebrou a perna jogando futebol tive que ajuda-lo de novo. Sou seu anjo da guarda e estou aqui mais uma vez para socorrê-lo, já que ainda não é sua hora de partir, portanto volte ao seu corpo que logo mais irá acordar são e salvo”.

João acordou com previu seu anjo da guarda e logo se lembrou da conversa que tivera com ele, sentindo-se tranquilo e confiante, pois sabia que sobreviveria. 

A partir daí o rapaz, sentia-se ainda mais confiante, sabendo que seu anjo, que o acompanhou por toda a vida, sempre estaria ao seu lado.



UM TREM COM ALMA - Henrique Schnaider


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UM TREM COM ALMA
Henrique Schnaider

Foguinho era um trem que possuía alma e falava,  sempre lembrando das histórias que seus passageiros contavam.

Sorriu lembrando-se do dia em que percebeu que Laura estava olhando fixamente pela janela, notou-lhe o semblante de desespero,  logo deduziu o pior, ela estava a ponto de um suicídio Isso já havia acontecido antes e Foguinho sabia bem como era. Diminuiu a velocidade ao extremo, rastejava pelos trilhos dando à Laura tempo de arrepender-se. E foi que aconteceu. Laura voltou para a cabine  arrependida da intenção tresloucada. Foguinho ria orgulhoso do que fizera salvando-lhe vida.

Foguinho estava entrando na estação, cautelosamente, até que finalmente parou certinho na plataforma de embarque dos passageiros. Ele era bom demais nestas manobras ao parar nas estações. Resfolegando todo e observando com curiosidade as pessoas que embarcavam.

Lá vinha um casal muito simpático, acompanhado dos três filho, na maior alegria já que iriam passar férias na fazenda que pertencia à família por mais de dois séculos, propriedade que lhes proporcionava muitas alegrias, muito lazer e muitas comidas gostosas.

Foguinho ouvia deliciado o filho do casal que queria andar a cavalo, pescar e comer as deliciosas comidas e os maravilhosos doces caseiros que a  Antônia fazia para eles com enorme prazer. Ah, pensava Foguinho, quem me dera tirar umas férias também, ir para oficina e entrar numa reforma completa.

De repente o trem surpreso, observou dois policiais trazendo um preso algemado. Ouviu quando um dos policiais disse ao preso que soubesse se comportar, enquanto estivessem viajando no trem, pois se fizesse algo errado sua pena de detenção aumentaria. Foguinho pensou e disse a si mesmo “acho que hoje teremos confusão”.

La vinha um grupo de escoteiros alegres, porém muito disciplinados. Ia para as montanhas acampar em treinamento de sobrevivência e Foguinho pensou como seria bom se ele pudesse acompanhá-los e se divertir junto com a garotada.

O trem deu um apito agudo e com todos a bordo, partiu vagarosamente levando todas aquelas histórias para o seu destino e sentiu-se muito orgulhoso, já que seria ele quem os levaria aos seus destinos.

Depois de alguns dias enquanto Foguinho já trazia de volta aquela família que foi para a fazenda,  ouvia encantado as conversas sobre todas as aventuras que aconteceram por lá.

Foguinho olhou na segunda cabine e lá estavam os dois guardas que levaram dias antes o preso algemado,  e pela conversa dos dois as coisas ocorreram na mais absoluta tranquilidade.

O trem ficou na maior alegria quando viu o grupo de escoteiros retornando das montanhas, chefiados pelo senhor Alberto, pelas conversas muito animadas, Foguinho entendeu que as aventuras foram muitas.


O velho trem pensou o quanto era feliz carregando seus passageiros e ouvindo tantas histórias de vida.

Encontro misterioso - Alberto Landi

  Encontro misterioso Alberto Landi A nave da Catedral de Chartres era ampla e alta; colunas robustas sustentavam os arcos que pareciam subi...