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terça-feira, 10 de novembro de 2020

O VIGÁRIO E O VIGARISTA - Leon Vagliengo

 




O VIGÁRIO E O VIGARISTA

Leon Vagliengo

 

O Padre Anselmo era o vigário da única igreja existente na encantadora e plácida cidade de Lindo Vale, situada numa região privilegiada pela Natureza, com topografia generosa para a existência daquela vegetação verdejante, viçosa e variada, alimentada pelas águas de um riacho que corria por entre belos e poéticos cenários, tudo compondo o quadro que justificava o nome da cidade.

Essas virtudes naturais haviam contribuído em muito para atrair uma significativa população de pessoas de muito boa condição financeira, que convivia com a comunidade formada pelos primeiros habitantes, geralmente bem menos favorecidos nesse aspecto.

Homem tranquilo e bonachão, de cabelos já grisalhos, sempre ostentando um sorriso amigo no rosto redondo, o Padre Anselmo Calamari tinha fé inabalável em suas convicções religiosas e assim conquistara, ao longo do tempo, a total confiança dos fiéis de sua igreja, que aprendiam com os seus sábios sermões boas regras para a vida e os caminhos para o Céu.

De hábitos rotineiros, após cumprir todas as suas obrigações diárias, à tardinha sentava-se na praça ao lado da igreja para ler as orações do breviário e deixar-se um pouco ao descanso antes do jantar.

Foi numa tarde de segunda-feira, quando já havia guardado o breviário após as orações do dia, que aquele moço se aproximou para conversar. Foi recebido com um largo sorriso de satisfação pelo Padre Anselmo, que de pronto o reconheceu.

Como vai, Belmiro? Há quanto tempo não o vejo! Por onde você anda?

A bênção, Padre Anselmo, respondeu Belmiro, também muito feliz em rever o amigo.

Eu consegui um bom emprego na Capital. Nestas férias voltei para ver os meus pais e a minha terrinha, depois de quase seis anos. Estava com muitas saudades daqui e de todos.

Enquanto conversavam, Padre Anselmo recordava-se do menino Belmiro, sempre muito comunicativo e muito esperto, que fora coroinha em sua paróquia, ajudando-o na celebração das missas. Agora ali estava ao seu lado um homem feito, embora ainda muito jovem aos seus vinte e poucos anos, que continuava bem falante a lhe contar, com entusiasmo, das boas experiências que vivenciara na Capital.

E assim foi aquele encontro, que se repetiu nas tardes seguintes, em que Belmiro contou ao Padre Anselmo que trabalhava no setor de compras de uma pequena indústria, e era responsável pelo suprimento dos materiais utilizados pelo setor de produção da empresa.

O que Belmiro não revelou ao seu amigo Padre Anselmo é que, aproveitando-se de sua função de comprador, já se acostumara a beneficiar-se de comissões irregulares que exigia dos fornecedores para realizar as compras. Evidentemente, essas comissões eram geradas por uma desonesta aceitação de acréscimo nos preços dos fornecedores, onerando os custos de seu empregador, o que não caberia nas conversas com uma pessoa tão correta como o Padre Anselmo. Se lhe contasse seria como uma confissão em que a própria decepção do amigo seria certamente uma insuportável penitência.

Por sua vez, nessas animadas conversas o Padre Anselmo foi contando a Belmiro, entre as historietas da vida da cidade nos últimos tempos, também as novidades da Paróquia, mostrando especialmente o seu entusiasmo com a campanha de arrecadação de recursos para as obras de caridade, que estava tendo bastante sucesso, especialmente em razão da colaboração generosa dos fiéis mais abastados.

Esses comentários do Padre Anselmo sobre a Campanha e alguns detalhes sobre a sua gestão, discretamente obtidos no transcorrer da conversa por Belmiro, acostumado a arquitetar artimanhas para conseguir dinheiro fácil, despertaram nele uma grande tentação, que já nasceu prejudicada pela barreira moral muito forte a transpor, representada pela figura bondosa e correta do Padre Anselmo, seu amigo.

Mas esse bloqueio não parou por aí.

O dilema que se instalou em sua cabeça fez desencadear a lembrança de tudo o que Belmiro aprendera com seus pais, que sempre o orientaram sobre o que era certo e errado.

Todas aquelas recomendações vinham agora à sua mente, provocando um grande conflito de consciência, especialmente quando voltava para casa e se defrontava com eles.

O carinho e a austeridade de seus pais, gente simples, mas muito correta, se transformavam em verdadeira admiração que demonstravam por sua realização profissional. Isso contribuía para martelar a sua consciência, fazendo com que se lembrasse de sua conduta irregular no desempenho de seu trabalho.

As conversas na praça como o padre Anselmo, no entanto, continuavam, e na quinta-feira já estavam bem animadas quando aquela belíssima moça dirigiu-se com seu melhor sorriso ao padre Anselmo, beijando-lhe a mão:

- A bênção, tio Anselmo.

- Deus a abençoe, querida.

Apresentada pelo padre Anselmo, aquela moça mestiça de olhos amendoados e cabelos negros era Ana Maria Calamari Yasuda, filha da única irmã do padre, que era casada com um japonês.

Nada além do nome dela foi registrado por Belmiro naquele momento, quase imobilizado pelo encantamento que sentiu ao ver Ana Maria, pela beleza de seu rosto moreno e de seu corpo delicado, envolto num vestido jovial, recatado, e pela graciosidade dos modos daquela moça. Ela também não ficou indiferente ao ver aquele jovem e atlético rapaz, de rosto másculo e lindos olhos que pareciam paralisados sobre ela.

Ao perceber o que não declaradamente acontecia, o padre Anselmo ficou muito feliz em seu íntimo, pois sempre tivera especial carinho pelos dois. Mas nada disse, deixou à vontade divina do Criador, embora não sem torcer pelo bom desfecho.

Em pouco tempo aquele primeiro encontro entre Belmiro e Ana Maria transformou-se em namoro apaixonado, que permaneceria intenso mesmo após o enlace matrimonial.

Esta nova situação, ainda naqueles primeiros dias do namoro, foi decisiva para Belmiro. Apaixonado pela moça e novamente entre pessoas honestas, a quem não queria decepcionar, sentiu-se muito forte para resistir às ocasiões que faziam dele um vigarista. Procurou um novo emprego e nunca mais pensou em praticar desonestidades.

UNIVERSO - Alberto Landi Jr.

 




UNIVERSO

Alberto Landi Jr.


Olhe como são belas, e com milhares de estrelas.!

Rodeadas de planetas como o nosso, habitados provavelmente.

Dizem os cientistas que há milhões, talvez bilhões de planetas, só nas galáxias bem próximas.

Será que a vida existe como aqui?

Acho difícil visualizar planetas habitados com seres iguais a nós e vivendo também como nós.

Por que iguais e vivendo como nós?

É muita pretensão injustificável deduzir que só nós do planeta Terra tenhamos desenvolvido inteligência.

E os objetos de forma arredondada vistos em nossa órbita?

Muita gente os vê a olho nu,

Lí num artigo, que essas aparições são fenômenos naturais pouco estudados, ou maquinas voadoras, em experiências secretas.

Talvez em parte. Mas existem boas documentações e sinceramente não vejo motivo de espanto em supor que outros planetas do nosso sistema sejam habitados.

Mas os seres que comandam ou pilotam essas naves espaciais, por que não pousam e entram em contato?

Mas por que pensar que habitantes de outros planetas estejam interessados em dialogar conosco:

Esses engenhos talvez possam ser até minúsculos, comandados a distância.

Será que estão apenas nos observando e nos estudando?

Ou eles são tão diferentes de nós que não haja uma possibilidade de entendimento imediato.

Falariam línguas impossíveis de se aprender?

Quem sabe emitem ruídos, ou se comuniquem por gestos?

Nossos cientistas com certeza acabariam desvendando esse mistério.

Há muitas histórias sobre um ou outro planeta. Costumam inventar que seus habitantes possam ser monstros destruidores, interessados em dominar a galáxia.

Será que têm antenas na cabeça, quatro braços?

Gente normal como nós poderia se entender com seres assim?

Acho que nossa aparência é que os assustam tanto e os mantém em alerta.

Talvez a nossa maneira de viver seja  perigosa demais.

É provável que tudo isso seja ficção.

Bem, não pensemos mais nesse assunto, e cuidado com as antenas e 4 braços, podem fazer muito estrago! 



APENAS EXISTO - Leon Vagliengo

 





APENAS EXISTO

Leon Vagliengo

 

Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”. Oscar Wilde

 

Numa monotonia sem fim,

Vejo o tempo passando por mim

E a vida sem graça a continuar

Sempre igual, no mesmo lugar,

Sem que nada me renove a esperança

De realizar os meus sonhos de criança,

Quando me via entre personagens heroicos

Sendo capaz de feitos fantásticos

Para conquistar toda a admiração

Daquela que me daria o seu coração,

Que ficaria para sempre ao meu lado

E me tornaria um feliz apaixonado.

Mas no dia em que finalmente a encontrei

Não consegui conquistá-la, fracassei.

Nada do que sonhei foi possível realizar,

E agora só me resta continuar a sonhar.

Enquanto isto,

Apenas existo.

 

OSCAR WILDE:

Oscar Wilde (1854-1900) foi um escritor irlandês, autor da obra “O Retrato de Dorian Gray”, seu único romance, considerado uma das mais importantes obras da literatura inglesa, em que retrata a hipocrisia da sociedade inglesa vitoriana. Escreveu novelas, poesias, contos infantis e dramas.

Os anos mais produtivos de Oscar Wilde foram entre 1887 e 1895, quando publicou poemas, contos, novelas e dramaturgia. Em 1888 publicou o livro de contos, “O Príncipe Feliz”, que teve boa acolhida.

Como autor de teatro, Oscar Wilde renovou a dramaturgia vitoriana com as obras: “Salomé” (1891), escrita em francês, “A Importância de Ser Sério” (1895), considerada sua obra-prima no gênero e muito encenada, cujo título original encerra um jogo de palavras entre earnest (sério) e Ernest (Ernesto). Foi mestre em criar frases irônicas e sarcásticas.

Frases de Oscar Wilde:

·         A vida é muito importante para ser levada a sério.

·         Pouca sinceridade é uma coisa perigosa, e muita sinceridade é absolutamente fatal.

·         Quando eu era jovem, pensava que o dinheiro era a coisa mais importante do mundo. Hoje tenho certeza.

·         Um homem pode viver feliz com qualquer mulher desde que não a ame.

·         A arte nunca exprime nada que não seja ela própria.

 

 

 

Se eu cair sete vezes, 8 vezes eu me levanto. - Alberto Landi Jr.

 






Se eu cair sete vezes, 8 vezes eu me levanto.

Alberto Landi Jr.

 

Esse provérbio define bem o caráter do povo japonês devido a exemplos de superação, que já demonstraram possuir desde tempos primórdios.

Somente quando há crise é que se pode conhecer o verdadeiro caráter do povo, e o Japão demonstrou isso várias vezes.

Em um país sem crises é muito fácil dizer que o povo é paciente, compreensivo ou cooperativo.

Mas é só em épocas de crise ou tragédia que podemos conhecer a dimensão das palavras como solidariedade, compaixão.

Quando houve terremotos e tsunamis, este país mostrou a sua força de superação, além de um comportamento notável diante de uma calamidade gigantesca.

O mundo ficou surpreso com a superação, sem reclamações nem revoltas.

É um povo civilizado que pensa no coletivo diante de todas essas tragédias. (Catástrofes).

Lamentações, se houveram, não foram percebidas.

Grande exemplo para a humanidade.

Nem saques e nem pânico.

Esse país nos ensina a cooperação entre pessoas, generosidade e comportamento civilizado, tão ausentes em nosso Brasil.

O Japão sempre consegue se recuperar e ficar ainda mais forte.

A cada tropeço se levanta e se torna gigante.

Acredito que esse provérbio se encaixa perfeitamente num país tão laborioso.

O SONHO DE LUCI UMA TEIMOSIA PACIFICA - Maria Do Carmo Giordano

 




O SONHO DE LUCI

UMA TEIMOSIA PACIFICA

 

Hoje Luci acordou resolvida, com muita disposição em iniciar a realização de seu sonho, há muito sepultado.

Já com dezoito anos, afligiu-se ponderando que o caminho para atingir seu objetivo era deveras espinhoso, faz-se urgente pôr em prática sua meta, pois longo será o caminho.

Pesquisou muito, mas encontrou Escolas de Ensino Fundamental próximas de sus casa, pois poderia ir a pé, mesmo tendo que andar bastante, mas não gastando nada. Entusiasmada, vestiu-se com cuidado, mas com simplicidade, roupa bem sóbria e tênis.

Queria trabalhar em uma escola, conviver com professores e com as crianças. Sonhava em cursar uma Faculdade de Filosofia, mas para isso precisaria de dinheiro, coisa inviável em sua família, sabia muito bem que eram modestos.

Mesmo que seu salário fosse pequeno, guardaria integralmente, almoçaria com marmitinha e se fosse vespertino, levaria um lanche, não usaria condução pública. 

Para não preocupar sua mãe, Luci contou o seu plano. Iria trabalhar em uma escola e guardar integralmente seu salário para ter como começar a cursar a tão sonhada Faculdade de Pedagogia.

Dois longos e angustiantes anos tinham se passado, sem nenhuma resposta positiva. Quantos “nãos” ouviu e sorria em lágrimas, mas nunca pensou em desistir. Estava determinada a vencer.

À noite no jantar, a família sempre se reunia e comentava como o dia tinha decorrido. Qual a surpresa de todos quando Luci, com olhos de âmbar, brilhantes, e docemente emocionada, participou que estava empregada em uma Escola de Ensino Fundamental do Bairro e iria começar a trabalhar na próxima segunda feira.  

Trabalharia no período da manhã. Deixou as tardes para as Aulas Particulares de Ajuda a alunos com algumas matérias pendentes, que conseguiu, através de pesquisas pelas vizinhanças. As noites eram de estudos com uns amigos que frequentavam aulas em Cursinhos. Todo o dinheiro que recebera nesse período estava muito bem guardado em um Banco e iria começar a ser usado no próximo ano, pois tinha total confiança e certeza de que seria aprovada no Vestibular.

Cinco anos depois, Luci, de beca e capelo, empunha seu duplo troféu tão sonhado: Pedagogia e Licenciatura em Literatura.

 

 

 “AS COISAS QUE QUEREMOS E PARECEM IMPOSSÍVEIS SÓ PODEM SER CONSEGUIDAS COM UMA TEIMOSIA PACÍFICA”

MAHATAMA GANDHI.

UM AMOR TERRÍVEL! - Dinah Ribeiro de Amorim




UM AMOR TERRÍVEL!

Dinah Ribeiro de Amorim

 

Rosa, cheia de sonhos, uma flor em botão, aos vinte e dois anos, apaixona-se por David, colega de faculdade. Ambos cursam Medicina.

Passam correrias entre provas e livros, mas encontram-se diariamente, em momentos amorosos.

A paixão, a atração que sentem é tão forte que não conseguem se separar.

Rosa não resiste ao pedido de David para morarem juntos.

Contraria os pais, que planejam um lindo casamento para a única filha e sai de casa com poucos pertences. Segue David, o amor de sua vida, na ilusão da juventude.

O rapaz comovido, agrada-a sempre, feliz com a ideia de ter a companheira dos sonhos. É fiel e participa da vida a dois, como se fosse marido.

Recebe a mesada do pai para término do curso e Rosa, o auxílio da mãe compreensiva.

Chega o término da faculdade e, os amantes, felizes, optam pela residência: Rosa em Pediatria, sempre jeitosa com crianças e David, médico anestesista.

Entre turnos diferentes, mal se encontram e Rosa não percebe modificações em David, mas elas acontecem.

O rapaz vicia-se em anestésicos, leves no início e mais fortes, no final.

Começa a dormir demais, permanece horas em casa, perde trabalho e aulas.

Rosa, em dúvida, pensa que é doença, mas descobre a verdade no banheiro, acha seringas e remédios de anestesia.

Tenta dominá-lo com palavras, fazer desistir do vício, não consegue. É agredida sempre.

Procura auxílio médico, conversa com seus pais, a vida a dois é comprometida, os sonhos de amor escorrem pelos dedos e, assustada, não consegue segurá-los. Desconhece o David de agora. Não é aquele que se apaixonou.

Fatos tristes modificam a vida.

Após forte agressão, arruma suas coisas e volta para a casa dos pais.

David, em momentos de lucidez, tenta buscar ajuda, sente saudade de Rosa, mas o vício é forte aliado, sabe Deus até quando...

Esse amor intenso é terrivelmente destruído por picadas de injeções.

Rosa, ao lado dos pais, dedica-se com afinco às crianças e ainda o espera com a juventude que murcha aos poucos.

 


A PRINCESA GUERREIRA - ALBERTO LANDI JR

 




A PRINCESA GUERREIRA

ALBERTO LANDI JR

 

A história se passa aproximadamente no ano 400 d.C. quando o exército dos hunos invade a China imperial, movido pela indignação em relação à construção da Grande Muralha.

 

Ao saber da invasão e para se defender, o imperador ordena que um homem de cada família seja convocado para servir o exército e ajudar na expulsão dos invasores.

A jovem princesa Lihua até então com 21 anos de idade, sabendo que seu pai um bravo ex-guerreiro, que hoje está com idade avançada e doente, não resistiria combater nesta guerra.

Lihua é dotada de coragem, inteligência e determinação.

Tem um porte físico de uma atleta, esbelta e linda, cabelos loiros comprido.

Usa vários vestidos de estilo chinês, mas tem sido vista, usando armaduras.

Ela é única filha, de um ex herói de guerra e atual imperador.

Então ela decide assumir o lugar do pai, se disfarçando de homem, e se apresenta no exército com a armadura e espada de seu pai.

Antes de se apresentar ela corta bem curto os cabelos, a fim de passar por um homem e se integrar no exército.

Se isso for descoberto pelos seus ancestrais, ela será punida e condenada, como é o costume imperial.

Seu pai sabendo disso, decide convocar Genghis, um bravo guerreiro, impetuoso, corajoso, leal ao imperador e com uma empatia muito grande na corte imperial.

O objetivo é ajudar e trazer de volta Lihua, com vida e vitoriosa nessa batalha, e assim conseguir se tornar uma guardiã da família imperial, tendo em vista a idade avançada de seu pai.

Observamos que Lihua se encontra em um conflito de identidade. Sua tradição familiar e social lhe ordena que se case e que seja uma boa esposa submissa ao marido.

Porém, ela é uma jovem valente determinada, um pouco arrogante, difícil de aceitar os costumes tradicionais.

Ela ainda não se encaixa com as expectativas da família que é ser uma boa esposa.

Enfim, ela ainda não tem aptidao para isso.

Ela não possui a vaidade das outras mulheres, mas ela se esforça para agradar seu pai e família.

Nesse tempo a mulher tinha um papel secundário, mesmo sendo princesa.

É comum que em determinada idade, geralmente na pré-adolescência, a pessoa questione as crenças e os valores passados pelos pais e pela sociedade em que vive.

E para que a personalidade de Lihua pudesse se manifestar foi necessário que ela vivesse como homem guerreiro, durante a guerra contra o invasor.

Ela é auxiliada pelo bravo guerreiro Genghis, que tem uma forte ligação com a China.

Genghis representa a força e a gloria do imperador.

Ele é considerado um líder e herói, na China.

Vitoriosos no final da batalha, Lihua abandona a sua natureza de guerreira e apaixona-se por Genghis.

A partir desse momento começa uma linda história de amor.

A história mostra que o feminino se fez presente na jovem princesa.

 

terça-feira, 27 de outubro de 2020

ANTOLOGIA MEMORISTA - ATÉ 20 NOVEMBRO 2020

  


ANTOLOGIA


MEMÓRIAS DE NÓS


PARTICIPE!

ESCREVA! 

DIVIRTA-SE!


Contar histórias vividas, segredos guardados, lembranças, amigos, risos...faz  parte da vida de cada um.

Venha para nossa antologia MEMÓRIAS DE NÓS.

Participe com até 2 textos: conto, crônica ou poesia.

Até 20 de Novembro de 2020.

Veja mais detalhes no site da Editora Literatum: 

www.literatum.com.br






Foi só um descuido - Hirtis Lazarin

 



Foi só um descuido

Hirtis Lazarin     

 

A primavera bateu mansamente na porta da mansão como faz todos os dias.  Desta vez não conseguiu entrar.

Na cozinha, o casal toma café.  Hoje está diferente.  Cada um senta numa ponta da mesa comprida.  Não se olham nem se falam.   Abatida e olheiras profundas mostram que Christina passou a noite acordada.  Roberto, vez ou outra, disfarçadamente, lança lhe um olhar enfurecido e cheio de azedume.  Sai apressado e bate a porta com raiva.

Estão casados há quase trinta anos.  Dois filhos: Lucas, engenheiro e casado, mora no exterior; Vitor estuda Direito.

Um casal esforçado e bem-sucedido.  Ele, administrador de multinacional; ela psicóloga e orientadora vocacional.

Colecionam amigos e não lhe faltam motivos para comemorar a vida.  A casa espaçosa está sempre movimentada e aberta a todos.

 Naquele dia, Fernando voltou do trabalho bem mais tarde que o habitual.  Estacionou na garagem por volta das vinte e duas horas.  A casa estava no escuro.  Era quinta-feira e toda quinta era dia de um jantarzinho especial.   A comida era repartida na panela; os problemas, divididos, as soluções, somadas e o carinho multiplicado.

Roberto percorreu o corredor comprido e estreito, paralelo à construção, até alcançar a cozinha.  Porta aberta.  Acendeu as luzes.  Sobre a mesa da cozinha, o caderno de receitas especiais, aberto às páginas quarenta e cinco, comia farinha de um saco rasgado; no chão, ovos quebrados viraram lama amarela e escorregadia.

Na sala de jantar, ao pé da escada de mármore em caracol e que dá acesso ao piso superior, Christina está caída, rosto voltado para cima.  Um fio grosso de sangue escorreu da cabeça e o fluxo interrompeu-se no canto esquerdo dos lábios volumosos.  

Roberto desespera-se.  Agacha e tenta reanimá-la.  Infelizmente, não há sinal vital.  O corpo gélido diz que não há mais nada a fazer.

Um mal súbito e Christina despencou escada abaixo?  Desequilibrou-se no sapato de salto altíssimo?

O laudo expedido pelo IML indica morte causada por forte golpe na cabeça com traumatismo craniano.

MISTÉRIO!  Não havia sinais de arrombamento, nada fora levado.  

Ela fora morta na cozinha e arrastada.  O luminol indicava rastro de sangue até as escadas. 

Enquanto pessoas eram convocadas a depor, a casa foi liberada.  O viúvo demorou semanas para enfrentar a nova realidade.

A governanta Amália, inconformada com tamanha brutalidade, foi autorizada a encaixotar os pertences de Christina para doação.  Foi muito estressante sentir o perfume impregnado nas roupas finas da patroa, desfazer os armários rigorosamente organizados, tantos sapatos novos de salto alto...  Sua presença, seus conselhos acompanhados de reprimendas suaves fariam muita falta.  Trabalhava ali desde que os meninos eram pequenos.

Abrir aquele punhado de bolsas...  Numa pequena e antiga, encontrou a agenda do ano. Sem pensar abriu.   Havia anotações até a véspera do assassinato, dezenove de setembro.  A página estava toda preenchida. Muitos rabiscos e borrões de lágrimas.  Leu de cabo a rabo diversas vezes.  Chorou ajoelhada e rezou inconsolável.

"O relógio marca duas horas da manhã.  Reuni força e coragem.  Contei tudo ao Fernando.  Guardo esse segredo há mais de vinte anos.  Dezembro estava chegando e a formatura do Vítor também.  Eles tinham o direito de saber a verdade.  A mentira queimava-me.  Não suportei mais o peso desse fardo.  Olhei firme nos seus olhos, contei-lhe tudo.  Contei-lhe que o menino é filho de Afonso, meu primeiro namorado.  Encontramo-nos por acaso numa loja masculina.   Roberto viajava a trabalho e ficaria ausente quase um mês.

 Encontros amorosos, ardentes e rápidos, foram suficientes para eu engravidar.

A boca de Fernando espumava de raiva.  Ouvi uma ladainha de palavrões e ofensas.  Eu merecia...

Ergueu os braços, cerrou os punhos para me agredir, mas desistiu no caminho.  Gritou que não valia a pena.  Mas se vingaria.

Trancou-se no quarto de visitas e deu muitos murros nos móveis".

Uma oportunidade conduz diretamente à outra; assim como o risco leva a outro risco; a vida, à vida; a morte, à morte.

Amália sabia exatamente o que tinha que fazer...

O SEGREDO QUE GUARDAMOS... - Dinah Ribeiro de Amorim

 




O SEGREDO QUE GUARDAMOS...

Dinah Ribeiro de Amorim

 

Guardamos segredos? Sim, muitos... Sou aquela pessoa amiga que, não sei o porquê, toda pessoa se abre e confia...Fiquei a pensar nisso quando ouvi pela primeira vez de uma amiga:" Posso contar a você! Sei que para aí!"

Entre as inúmeras coisas que ouvimos, boas, más, comuns, uma coisa me vem sempre à memória. Ainda bem jovem, acostumada a puxar conversa com todos, procurei ser simpática e iniciei um bate papo com uma senhora de aparência moça, ainda bonita, elegante, numa fila de ônibus. Iniciamos com algum comentário sobre condução, demora, ou outra coisa qualquer. Não lembro bem. Ela deve ter simpatizado comigo porque confessou que esperava um senhor amigo para levá-la em casa. O ponto de ônibus era o lugar do encontro.

Muito amável, perguntou em que direção eu ia, poderiam levar-me também. Felizmente, era uma época e um local em que existiam essas amabilidades, nem imaginávamos algum perigo ou má intenção. Eu aceitei e agradeci, contente pela nova amiga.

Logo após, estaciona uma perua que hoje seria considerada antiga ou, já nem existe mais, ela abre a porta, entra e me convida a entrar, dizendo ao amigo que me levariam também.

Espanto, surpresa, o senhor me olha e emudece e eu também. Ele não sabe se dá a partida, e eu não sei se continuo ou desço. Era o pai de uma grande amiga, um marido conhecido como exemplar, e eu frequentadora de sua casa.

Fingi não o conhecer e abaixei a cabeça, e ele, muito sem graça, levou-me ao meu destino. Quem não percebeu nada foi a senhora que pensei ter feito uma amiga. Agradeci a carona e desci rápido. Num lugar pequeno, onde todos se conhecem, imagino os apuros que esse homem passou. Se é que se importou muito com isso.

Muitos anos passaram, nem sei quem ainda existe, mas, chamada a escrever sobre guardar segredos..., esse fato me vem à lembrança e conto pela primeira vez. Não sei porque, não estou satisfeita. Devo ser amiga fiel, mesmo...


quinta-feira, 22 de outubro de 2020

A galope - Hirtis Lazarin

 

 


A galope

Hirtis Lazarin



Ela nasceu numa família pobre e desestruturada.  Pai alcoólatra e mãe que aceitou a cruz como se não houvesse nada mais além.

Helena cansou-se de ouvir: "É o destino, filha".

Os domingos eram torturantes.  O pai não saía de casa, bebia e comia sem parar.  A mãe dividia o tempo entre o fogão e a pia.

Na chegada da noite, já bêbado, inundava a casa de palavrões e louças espatifadas pelo chão.  Desmaiava no sofá da sala para acordar, mal-humorado, só na segunda-feira, já gritando pelo café fresco.

Incontáveis vezes, Helena e a mãe, trancadas no quarto, imploravam proteção à Virgem Maria.  Quantas velas foram acesas e queimadas.

Helena nunca teve a chance de trazer amigos para casa, ouvir música sossegada ou escolher seu programa de t.v.

E, à medida que crescia, falava menos e revoltava-se mais.  Sentia-se muito só e com vergonha da família.

Não suportava a ignorância do pai, nem a passividade da mãe.  Abandonou os estudos a contragosto da dona Esmeralda que sabia muito bem a falta que  faz.  Sem estudo, tornamo-nos escravos de nós mesmos.  E a mocinha fingia não entender...

Nem tinha dezoito anos quando abandonou a todos e fugiu com o namorado.   A mãe quase morreu de tristeza.  Que experiência poderia Helena ter?  Qualquer coisa seria melhor que viver insegura e amargurada naquela casa dos horrores.

Mas, Helena teve sorte.  Samuel era um rapaz bom e trabalhador.  Fazia de tudo para ajudá-la na superação dos traumas, pagou psiquiatra, psicólogo e até se perdeu com tantos boletos de prestação na compra de um cavalo, quando ficou sabendo que a equitação ajudava na recuperação traumática.

Mas nada adiantava.   Helena continuava amarga e de palavras frias.

Tentou engravidar.  Quem sabe o riso e o choro de uma criança pudessem ajudá-la?   O trabalho ininterrupto preencheria o vazio existencial?

Após idas e vindas às clínicas e muitas tentativas, a gravidez não vingou.

Na casa escura, não havia mais música, nem sol.  As janelas sempre fechadas impregnavam às paredes de um cheiro embolorado, úmido e cinzento.

Até os muros que rodeavam a construção, gritavam melancolia.  Cuspiam cal e cimento.  E os buracos só aumentavam.

Samuel chegava cada dia mais tarde.  Passava sempre no boteco da esquina para um trago com os amigos e lá esquecia-se do tempo.    E, quando encontrou, em casa, garrafas vazias de bebida alcoólica escondidas debaixo de um móvel, não teve dúvidas.  Chegara a hora de deixar tudo pra trás.   Não houve discussão nem briga.  Helena sabia que acabara de cavar um buraco profundo pra enterrar de vez sua vida.

Era a primeira noite que ela dormia sozinha.  Sentiu falta do corpo masculino roçando o seu.  Sentiu falta do cheiro e até do ronco de Samuel.

Chorou tanto que ela e o travesseiro dormiram molhados.

Era de madrugada quando acordou sobressaltada.  No escuro e sem energia, aproximou o relógio dos olhos e os ponteiros marcavam quatro horas.

Espiou pela fresta da janela e o vento uivante derrubava coisas e arrastava-as numa cantoria infernal.

Apavorada e só, Helena desceu as escadas.  As janelas e a porta escancaradas.  As cortinas de tecido fino mais pareciam velas desgarradas em alto mar, entrelaçadas em nós.  O chão brilhava encharcado de chuva.  A louça do último jantar eram cacos espalhados sobre a mesa e pelo chão.

O cavalo que vivia solto no quintal relinchou como nunca antes e só se aquietou quando a moça apareceu à porta.

Num ímpeto, Helena soltou os cabelos que viviam escondidos, despiu-se e correu para a chuva.   Montou no cavalo branco e, galopando freneticamente, desapareceu em meio à escuridão da tempestade.



Encontro misterioso - Alberto Landi

  Encontro misterioso Alberto Landi A nave da Catedral de Chartres era ampla e alta; colunas robustas sustentavam os arcos que pareciam subi...