PARA BOM ENTENDEDOR, MEIA PALAVRA BASTA
Henrique Schnaider
João era o tipo de sujeito teimoso, não cedia em nada, tanto nas discussões com os seus familiares quanto em qualquer outro tipo de situação.
Sua fama já corria longe e ele acabava sempre se dando mal pela sua forma de ser. Tinha dificuldade para ter amigos, já que ninguém aguentava sua teimosia.
Certo dia, lá ia o João até a esquina da sua rua, onde se reuniam algumas pessoas que ficavam ali conversando. Foi chegando, se acercando das pessoas que estavam conversando, e, devido à sua fama de sujeito teimoso e sempre dono da razão, olharam para ele com desconfiança, mas continuaram a conversa.
Estavam discutindo sobre a educação dos filhos e havia um consenso de que os pais deveriam ser rígidos com os filhos, já que achavam que é de pequeno que se torce o pepino.
João, enxerido, se meteu na conversa e só para ser do contra, já que em casa era bem durão com seus dois filhos, começou a dizer para as pessoas que na educação deles, os pais deveriam ser bonzinhos e permitir tudo a eles.
As pessoas que ali estavam começaram, irritadas com o João, a discutir com ele. Logo viram que ele deu aquela opinião só para ser do contra. E, o pior é que nesse momento chega, na esquina, o filho mais velho de João, de nome Ronaldo, pedindo ao pai algum dinheiro para comprar um sorvete. João ficou vermelho de tão nervoso e gritou para o filho que fosse embora, antes de dar uns tapas, como era de costume.
Gargalhadas do grupo, pois naquele instante, João agiu exatamente ao contrário do que havia falado para as pessoas. E assim, completamente desmoralizado, se afastou dali com a cara no chão.
PAM PAM ESTOROU A BOMBA NA CASA DELA, ELA FALAVA DA VIDA DOS OUTROS, ACABAVA FALANDO DA VIDA DELA
Margarida era uma mulher que não media esforços para falar mal dos outros e, assim, com essa fama, ficou conhecida das pessoas.
Ela morava numa casa simples de uma cidade pequena do interior e, justamente por isso, era mal falada pela maioria das pessoas do lugar.
Margarida morava com sua mãe e avó, que eram farinha do mesmo saco, então, quando juntavam as três, era um Deus nos acuda.
E assim ela foi levando a vida e, à medida que os anos passavam, ela ficava com a língua cada vez mais afiada.
Quem mexe com fogo, um dia pode sair queimado, e assim aconteceu com Margarida, a mãe e a avó.
Certo dia, sempre tem um dia, Margarida foi falar mal da mãe e da avó para uma vizinha delas de nome Salete, que ficou ouvindo calada todo veneno que a Margarida despejou sobre elas.
Salete não perdeu tempo, pois era da mesma laia que Margarida, e foi à casa dela e contou tudo o que Margarida havia falado de mal da mãe e da avó. Ambas ficaram furiosas e chamaram a Margarida para tirar satisfação, e ali na casa, o circo pegou fogo, foi uma tremenda briga, onde panelas e outros objetos voaram para tudo que foi lado.
As três tiveram que ir ao pronto-socorro por saírem machucadas daquela briga. Mas nenhuma delas aprendeu a lição, pois na semana seguinte, lá estavam elas falando mal da vida dos outros e ninguém pode garantir que também voltariam a falar mal umas das outras.
QUEM NÃO TEM CÃO CAÇA COMO GATO
Ernestino era um sujeito que passou muita necessidade desde pequeno, e ainda continuava pobre, lutando para melhorar de vida.
Ele era casado com Maria e tinha dois filhos, Arlindo e Josemar. A luta era difícil para trazer o pão nosso de cada dia, e assim Ernestino, que era catador de coisas que as pessoas jogavam fora e depois ia no ferro-velho ver o que conseguia amealhar, recebia muito pouco do que recebia em troca.
Maria, sua esposa, ajudava no sustento da família, fazendo faxina em algumas casas. Os filhos, ainda pequenos, estavam estudando o curso primário e assim não podiam ajudar a família.
Ernestino ficava sempre pensando numa maneira de melhorar de vida e pelo menos que não faltasse comida na sua casa.
Dessa maneira, nosso herói achou uma maneira de sobrar mais dinheiro e melhorar de vida.
Ali perto de sua casa tinha um parque que não tinha nenhuma fiscalização e ele percebeu que lá tinham muitas pombas e pensou em caçá-las. Não perdeu tempo, armou uma arapuca e conseguiu dessa maneira pegar dezenas de pombas. Levou-as para casa, sacrificou as aves e limpou e preparou um belo almoço de pombas assadas para muitos dias, e ele, a esposa e os filhos comeram por vários dias até se fartar. Era só ir lá caçar de novo.
Como Ernestino achou uma forma de sustento, comida não faltou mais na sua casa e o dinheiro que ganhavam dava para melhorar um pouco de vida.
E assim ele provou que, usando a sua inteligência e astúcia, encontrou um meio de melhorar a sua vida e a de seus familiares. Assim, ele provou que sempre tem uma maneira de resolver os problemas, pois quem não tem cão caça como gato.
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