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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
Um dia na fazenda - Ana Catarina SantAnna Maues - e outros contos
conto 1 - Um dia na fazenda
Ana Catarina SantAnna Maues
Binômio fantástico: Grama/porta
Havia já algum tempo que
planejávamos um final de semana no campo. Tínhamos sido convidados por um casal
amigo para visitarmos sua fazenda de produção de leite.
O dia não podia estar mais
lindo! Sol! Céu de brigadeiro. Mas, apesar de tudo o clima estava fresco.
Chegamos à fazenda após algumas horas de viagem.
Estavam nos esperando- para o almoço. Hum! Delicia! Tudo perfeitamente
saboroso!
Mesmo com sono, resolvi
aproveitar a tarde ao invés de tirar a sesta.
Saí em busca de aventura.
Caminhei entre árvores, pisando na grama bem cuidada. Aproximei-me do cercado
onde estavam as vacas. Um empregado
estava tirando leite de uma delas. Ofereceu-me. Experimentei. Estava quentinho!
Quentinho!
Caminhando mais adiante
avistei alguns cavalos usados no trabalho de tocar o rebanho. Não perdi a
oportunidade de montar um pouco. Que sensação maravilhosa! Animal majestoso!
Porte altivo! Cavalguei como uma amazona, nem parecia minha primeira vez.
Voltei pra casa após colher
algumas frutas no pomar.
Todos estavam a minha espera. O
aroma do café se esticava pela porta indo se esparramar lá de fora.
Noite na fazenda! Já podemos
imaginar a quantidade de estrelas no céu. O silêncio só era quebrado pela
cantoria dos empregados ao longe.
Hora de dormir! Ansiosa pelo
domingo que logo chegaria, trazendo com certeza novas emoções, fechei a porta
do quarto.

Conto 2 - Um barco só de Fabricia!
Barco/tesoura
— Fabrícia ! Fabrícia! Procurava a
menina pela casa enquanto gritava seu nome. — Onde está? Responde
menina!
Não é possível, onde se meteu esta
menina! Precisa tomar banho de sua mãe chegar.
— Daqui a pouco sua mãe vai chega!-
ameaça.
A menina escondida, debaixo da
mesa na grande sala que servia de escritório, desenhava um barco no papel. Ali
entretida não escutava a voz de sua bá. Desenhava, desenhava e caprichava sem
esquecer nenhum detalhe. Quando terminou resolveu recortar e cadê a tesoura?
— Bá! Quero uma tesoura!
— Ora, ora aqui está você!
Vamos logo para o banho, já esquentei a água.
— Só depois que recortar meu barquinho. Dá
uma tesoura!
— Está aqui a tesoura! Mas não
demora.
Fabricia recortou o desenho com
todo cuidado. Não largou o barquinho. Levou-o para a banheira e lá brincou, brincou até que
o papel desmanchou.
Bá então disse:
— Ora, ora tanto trabalho para
acabar assim!
— Não tem problema, amanhã faço
outro.
Cavalo/tiara
Adriela desde pequena pedia ao pai um
cavalinho.
Queria muito aprender a cavalgar. Seu
pai sempre respondia:
— Sim querida, vou providenciar!
O tempo passava, a menina crescia sem
esquecer do presente que até então não havia chegado.
Passaram-se natais, aniversários e
nada.
Mas, eis que no dia dos seus quinze
anos qual a surpresa! O pai finalmente cumpriu a promessa. Chamou Adriela até o
portão da casa grande, vendou seus olhos e disse:
— Depois do portão está seu presente filhinha!
Mas tem que adivinhar o que é.
Mesmo falando o nome de vários
objetos ela não conseguiu descobrir o que era.
Seu pai enfim tirou-lhe a venda. A
menina não conteve o choro
— Um cavalo! Entre lágrimas
abraçou o pai e correu ao encontro de seu presente.
Foi amor a primeira vista entre ela e
o animal.
Depois que beijou e acariciou
bastante o presente disse:
— Vou buscar a tiara que preparei em
segredo desde criança para este momento.
Foi uma surpresa geral quando
apareceu segurando uma linda tiara com rosas em tecido colorido e várias fitas
penduradas. Ela mesma havia confeccionado.
— Estou guardando este presente para meu cavalo há muito tempo.
Colocou a tiara colorida no animal e
saiu cavalgando pelo campo como uma perfeita amazona.
Um amor muito forte
Lanterna/parafuso
Dona Lanterna era bem vaidosa.
Não passava um único dia sem recarregar as baterias, e lustrar seu visor. Tinha
muitos planos para o futuro. Dizia que não se casaria...
Aliás, que só casaria com alguém bem
importante, pois ela toda faceira não poderia se engraçar por alguém que
falasse e fizesse besteiras. Dona lanterna sonhava com um parceiro de muito
brilho, muito poderoso e forte. Tinha que possuir um visor enorme e uma luz tão
forte que ofuscasse todas as outras.
Mas, nem tudo sai como esperamos. E
seu coração lhe pregou uma peça, achou de se apaixonar pelo seu Parafuso,
aquele de cabeça grande e bem chata.
No começo ela evitava ser vista com
ele. Tinha vergonha de ser ela tão elegante e exigente, e ter se
apaixonado por um parafuso que quase não
tinha função.
Mas, ele era cavalheiro, romântico e
a amava muito. Tudo a embalava de tal maneira que ela já não se importava mais
pelo fato ser ele um pequeno parafuso. Pelo contrário! Ela pensava que se não
fosse ele, nenhuma lanterna poderia ter luz. Então, ele era mais importante que
qualquer lanterna.
Pois não é que deu certo a paixão!
Tiveram vários filhinhos: os
lanterninhos e as parafusinhas.
Todos muito unidos e felizes
viveram por longos e longos anos.
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
29º CAMPEONATO DE ESCRITA CRIATIVA ON LINE: INSCRIÇÕES ABERTAS
29º CAMPEONATO DE ESCRITA CRIATIVA ON LINE:
INSCRIÇÕES ABERTAS
É A 3 DE DEZEMBRO que se inicia o 29º CAMPEONATO DE ESCRITA CRIATIVA, uma prova semanal, com dez jornadas e em regime 100%
online, de produção de texto em prosa.
PREMIAÇÃO: O prêmio para o vencedor é a publicação, sem quaisquer
custos, de uma obra da sua autoria - por parte da Chiado Editora (em Portugal).
O júri é composto por Sara Câmara
Leme, tradutora, Rui Miguel Mendonça, jornalista e escritor, e Pedro Chagas
Freitas, escritor.
INSCRIÇÕES: Para formalizar a inscrição, bastará enviar um e-mail com os
dados pessoais para o endereço eletrônico
ao qual se responderá com brevidade
para a inscrição ficar totalmente efetivada. E enviará mais informações.

CUSTO: O custo de
inscrição é de 35 euros – para todo o Campeonato. Você receberá instrução de como formalizar esse pagamento.

REGULAMENTO
Com a criação deste Campeonato de Escrita Criativa,
procura-se fomentar o gosto pela escrita e pelo evoluir linguístico e artístico
de todos aqueles que assim o desejarem.
Ao ter uma periodicidade semanal, cria também hábitos e rotinas de escrita que podem ser enraizados e ainda mais desenvolvidos com o correr do tempo.
Ao ter uma periodicidade semanal, cria também hábitos e rotinas de escrita que podem ser enraizados e ainda mais desenvolvidos com o correr do tempo.
Regulamento
1.
Norma:
1.1.
Instalação e finalidade
1.1.1. Pedro Chagas Freitas, como mais um meio para estimular o gosto pela escrita, resolveu criar e lançar o Campeonato de Escrita Criativa.
1.1.2. O Campeonato de Escrita Criativa será disputado em dez (10) jornadas, ao longo de cerca de três (3) meses de prova.
1.1.3. Será disputada uma jornada por semana.
1.1.1. Pedro Chagas Freitas, como mais um meio para estimular o gosto pela escrita, resolveu criar e lançar o Campeonato de Escrita Criativa.
1.1.2. O Campeonato de Escrita Criativa será disputado em dez (10) jornadas, ao longo de cerca de três (3) meses de prova.
1.1.3. Será disputada uma jornada por semana.
1.2.
Modo de funcionamento
1.2.1. Todas as semanas (em dia a definir) será enviado, para todos os inscritos, o desafio escrito da jornada. Este desafio não pode ser partilhado publicamente sob qualquer forma.
1.2.2. Os inscritos terão sete dias para escreverem o texto que lhes é pedido e para o enviarem para o endereço de e-mail campeonato.escrita.criativa@gmail.com;
1.2.3. O júri pontuará cada um dos textos de zero (0) a vinte (20) valores, de acordo com critérios de qualidade (literária e linguística) e originalidade.
1.2.4. As pontuações serão, semanalmente, enviadas, via e-mail, para os concorrentes.
1.2.5. O vencedor do Campeonato de Escrita Criativa será aquele indivíduo (ou equipa) que somar, no final da décima jornada, mais pontos.
1.2.1. Todas as semanas (em dia a definir) será enviado, para todos os inscritos, o desafio escrito da jornada. Este desafio não pode ser partilhado publicamente sob qualquer forma.
1.2.2. Os inscritos terão sete dias para escreverem o texto que lhes é pedido e para o enviarem para o endereço de e-mail campeonato.escrita.criativa@gmail.com;
1.2.3. O júri pontuará cada um dos textos de zero (0) a vinte (20) valores, de acordo com critérios de qualidade (literária e linguística) e originalidade.
1.2.4. As pontuações serão, semanalmente, enviadas, via e-mail, para os concorrentes.
1.2.5. O vencedor do Campeonato de Escrita Criativa será aquele indivíduo (ou equipa) que somar, no final da décima jornada, mais pontos.
1.3.
Inscrição
1.3.1. Podem participar no Campeonato de Escrita Criativa todos aqueles que possuem a capacidade de escrever em língua portuguesa, independentemente da sua nacionalidade ou do país onde se encontrem.
1.3.2. As inscrições podem ser individuais ou por equipas.
1.3.3. O custo de inscrição é de 35 euros – para todo o Campeonato.
1.3.4. Para formalizar a inscrição, bastará enviar um e-mail com os dados pessoais para o endereço electrónico campeonato.escrita.criativa@gmail.com – ao qual se responderá com brevidade para a inscrição ficar totalmente efectivada.
1.3.1. Podem participar no Campeonato de Escrita Criativa todos aqueles que possuem a capacidade de escrever em língua portuguesa, independentemente da sua nacionalidade ou do país onde se encontrem.
1.3.2. As inscrições podem ser individuais ou por equipas.
1.3.3. O custo de inscrição é de 35 euros – para todo o Campeonato.
1.3.4. Para formalizar a inscrição, bastará enviar um e-mail com os dados pessoais para o endereço electrónico campeonato.escrita.criativa@gmail.com – ao qual se responderá com brevidade para a inscrição ficar totalmente efectivada.
1.4.
Natureza dos prémios
1.4.1. O Prémio consiste na publicação, SEM QUAISQUER CUSTOS PARA O AUTOR, de uma obra da sua autoria por parte da Chiado Editora (Portugal).
1.4.1. O Prémio consiste na publicação, SEM QUAISQUER CUSTOS PARA O AUTOR, de uma obra da sua autoria por parte da Chiado Editora (Portugal).
1.5.
Constituição do Júri
1.5.1. O júri será composto por Pedro Chagas Freitas, escritor, Sara Câmara Leme, tradutora, e Rui Miguel Mendonça, jornalista (Sport TV).
1.5.1. O júri será composto por Pedro Chagas Freitas, escritor, Sara Câmara Leme, tradutora, e Rui Miguel Mendonça, jornalista (Sport TV).
1.6.
Casos omissos e dúvidas de interpretação
1.6.1. Os casos omissos e as dúvidas de interpretação serão resolvidos por maioria pelos elementos designados pela entidade competente.Parte superior do formulário
1.6.1. Os casos omissos e as dúvidas de interpretação serão resolvidos por maioria pelos elementos designados pela entidade competente.Parte superior do formulário
Parte inferior do formulário
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
O potro manco que virou rei - Dinah R. Amorim
O
potro manco que virou rei
Dinah R. Amorim
Mamãe Estrela era rainha
do curral, com tiara e tudo! Respeitada
até pelos mais selvagens, precisava deixar um cavalo herdeiro, o que era sua grande
preocupação. Necessitava de um vencedor de corridas e saltos, para manter a
linhagem, como fora com seu pai e avô.
Após muitas tentativas,
nasce-lhe um macho, de pelo preto e luzidio, mas manco de uma perna. Cresce
forte e charmoso, com única dificuldade para ser futuro rei: capenga.
Se não puder ser coroado, Mamãe Estrela continuará
sem ter para quem transmitir o título, e terá que passar a coroa para um
estranho que vença os desafios.
No entanto havia na região
um sábio muito velho que diziam portar uma varinha mágica. Ele era um ancião
respeitado, era calado e observador, e com seus poderes já tinha resolvido
muitos problemas insolúveis naquela parte do país.
Eis que o ancião decide
ajudar.
Quem sabe quando adulto
poderá correr, saltar, pular. Iniciou-se então, a difícil tarefa de aprendizagem.
Apesar de Estrela duvidar dos resultados, ela
colaborava no necessário para ter um vencedor na família. Seu filhote talvez continuasse
o reinado.
Os dias passavam rapidamente,
e o pequeno cavalinho corria manquitolando pelas campinas, saltava com
dificuldade pequenos obstáculos. E assim, auxiliado pela varinha que portava o
velho homem, tentava salvar o reinado. Ganhar, finalmente, a coroa no torneio do reino.
Dias árduos e incessantes
de muito treino se seguiram.
Até que chegou o tão temido dia da
competição. Alguns cavalos de fora, de outros distantes currais, desejavam também
aqueles prados verdejantes. Todos alazões de grande porte e muito bem
treinados. Seria muito fácil ganhar daquele potrinho manco, cor do Ébano, como
o chamavam. Já era tempo de Estrela passar a coroa.
O mago ancião, persistente,
acostumado a acreditar e ver
acontecerem milagres, apostava em Ébano, e na tradição de Estrela.
Alinhados na chiringa, Ébano analisava os
outros competidores, e não os temia. Dada a largada, todos saíram em disparada.
Galopavam e saltavam, até o a linha final.
Surpreendentemente, Ébano já acostumado a pular com a melhor
perna, nos treinos sucessivos com o ancião, saltava com muita facilidade, o que
não acontecia com os outros. Perdia um pouco no galope, mas ganhava na altitude
e agilidade. Seu treino eficiente lhe valia pela deficiência. Atingiu logo o
ponto de chegada, antes de todos os
outros.
Muito aplaudido, recebeu com honra a tiara da
mãe emocionada. O mago, com leve sorriso, sorrateiramente, se retirou para sua
caverna!
O COLAR DE ESMERALDAS E O SORVETE! - Dinah Ribeiro de Amorim
O COLAR DE ESMERALDAS E O
SORVETE!
Dinah Ribeiro de Amorim
Era um atraente colar de
esmeraldas! De um verde tão faiscante que ofuscava qualquer outra joia exposta
na vitrine. Chamava atenção de todos os clientes.
Tanta beleza despertava ciúme e cobiça nas
outras peças de valor existentes. Era mesmo
grande atração.
Sentia-se, no entanto, bastante infeliz.
Gostaria de ser livre, voar pelos ares, sentir o vento e a chuva molhar suas valiosas
pedras, frequentar outros lugares, abandonar aquela prisão entre vidros onde
vivia apoiado sobre quente veludo azul,
sufocado de calor e olhares humanos desejosos.
Às vezes, um menino curioso, chupando sorvete,
com a alegria estampada no rosto, parou para observá-lo. “Ah! Como gostaria de
trocar de lugar!”
Ele desejava muito isso, e
pensou com tanta força, mas com tanta força que... Numa tarde, uma senhora
elegante e rica, entrou na loja e fascinada pela joia que exuberava na
vitrine, tratou de comprá-la imediatamente
antes que outro o fizesse. “Para mostrar
às amigas”, exclama. “Morrerão de inveja”.
O colar ficou tão contente que até vibrava!
No pescoço dela sentia liberdade. Mudança de vida. Não poderia voar, mas andaria através dele. Viajou muito, foi a
muitos eventos, mas esperava mesmo por um sorvete onde pudesse mergulhar todas
as suas pedras.
Chegou o grande dia. A senhora em renda
verde, ostentava o lindo colar de esmeraldas. Enquanto fazia a entrada
triunfal, os presentes admiravam seu
pescoço. Nunca viram joia tão magnífica!
Foi oferecido um especial sorvete de creme em
taças de prata, após lauto jantar. A senhora inclinou-se para servir-se, mas o
fecho do colar se abriu e as pedras rolaram, suavemente, num pequeno voo para
dentro da sobremesa.
Diante da confusão formada o colar foi
sumindo, mergulhando prazerosamente naquela
doçura gelada.
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
ROBERTÃO - ANA CATARINA SANTANNA MAUES
NOVA ALUNA NA OFICINA DO ICAL - ANA CATARINA SEJA BEM VINDA!
Robertão
Ana Catarina SantAnna
Maues
Manhã de sábado. Dia
preguiçoso. A única programação é nada pra fazer, delícia! Saí para comprar meu
pãozinho, passei na banca apanhei jornal,
mexi com alguns cachorros que
passeavam com seus proprietários.
Ah! Que dia lindo!
Porém quando dobrei
esquina quem ví? Robertão! Não, não, tudo
menos isso! Ele acabaria com meu sábado, Não é a toa que seu nome era Robertão,
fala muito, é chato demais.
Já era! Viu-me.
—
Feliciano, quanto tempo!
—
E aí Robertão?
—
Maravilha te encontrar. Rapaz, sabe que ....
Quarenta minutos depois. Meu Deus! Ele não dá espaço pra eu ensaiar a despedida. Como pode alguém
conseguir falar tanto.
Ao longe reconheci Alfredinho.
Será a salvação da pátria. Mas Alfredinho ao ver-nos desviou. Foi-se a esperança. Mais de uma hora depois,
avistei Claudio. Rezei ara que Claudio caminhasse até nós. Minhas preces foram
ouvidas.
—
Cláudio! Amigo que bom te ver! Este aqui é o Robertão.
- disse segurando Claudio pelo braço.
—
Olá prazer! - Saudei o desavisado Claudio – Robertão,
por que Robertão?
— Tenho que ir! Vou
deixar vocês conversando.
No
caminho pensei sorrindo “logo logo saberá orque ele se chama Robertão”.
AMBIGUIDADE! - Dinah Ribeiro de Amorim
AMBIGUIDADE!
Dinah Ribeiro de Amorim
Maria era casada com
João, um homem apaixonado, mas muito ciumento.
Para distrai-la de
seus problemas, constantes interrogatórios, a mãe, aflita, resolveu presenteá-la com cachorrinha, da raça poodle.
João mal repara no
presente, achando bom que a mulher se divirta dentro de casa. Nem pergunta se é
macho ou fêmea!
Maria, agradecida,
dedicava-se totalmente ao animal, levando-o constantemente a banhos, vacinas,
etc... Substituiu com isso, o filho que
não tiveram e os ciúmes do marido. É a alegria da casa.
Um dia, Pituca, amanheceu
meio quieta, enjoada, sem a atividade costumeira.
Assim que o marido
saiu para o trabalho, sem dizer nada, Maria levou-a ao veterinário da esquina. Após um
breve exame, pede-lhe para deixar Pituca o dia todo. Queria melhor diagnóstico.
Avisaria o momento de buscá-la.
Maria deixou o
telefone e o endereço de casa, para qualquer emergência. Ficou, realmente,
preocupada.
Dr. Paulo, observando
bem, viu que seu problema era indigestão. Deu-lhe um remedinho que resolveu a
questão. Telefonou para Maria, mas justamente naquele dia, o telefone não
funcionou. Escreveu, então, um bilhete, mandando-o à sua casa, com os dizeres:
“Dª. Maria, sua cadela, já resolvi o problema! Pode vir às três
horas. Dei-lhe bom trato e garanto sua melhora por muito tempo”!
João, que havia
chegado do trabalho mais cedo, recebe o bilhete do veterinário. Trêmulo e
pálido, tem um desmaio!
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
CONTOS INACABADOS -JORGE PAIXÃO
O
vizinho inoportuno
Jorge Paixão
A rua onde moro sempre foi
muito tranquila, muita paz e união entre
os moradores. Mas certo dia
mudou-se para lá uma pessoa que
veio ser meu vizinho. Ele é
um senhor careca, banguela e gosta muito
de sorrir, seu nome
Herculano Caçapava.
Ele só chega em casa tarde
da noite com o farol do carro bem alto e o som naquelas alturas. Senta-se numa
mezinha de plástico vermelha e fica enchendo a cara de cerveja acompanhado de
outros amigos que aparecem por lá. Não
respeita a lei do silêncio e se alguém reclamar ele aumenta o volume e
diz que é para ninar os vizinhos .
Minha vida virou um inferno
com esse elemento ao meu lado, para dormir agora tenho que tapar os ouvidos com
rochas de cortiça...
Zequinha
do Dr. Tadeu
Jorge Paixão
Zequinha filho do Dr. Tadeu,
não gosta muito de estudar. É perito em jogar Game na internet. Por conta disso
só tira notas baixas na escola.
Outro dia quando chegou em
casa, sua mãe dona Epifania, lhe colocou de castigo trancado no quarto para estudar sozinho. Mas, em vez de
estudar ele ficou na janela olhando e
contando as andorinhas que pousavam no fio de telefone da frente da casa.
Anotava num caderno e mostrou a sua mãe,
dizendo serem problemas de matemática que ele tinha resolvido. Ela então
sorriu feliz e disse a ele que quando seu pai chegasse iria mostrar a resolução
de matemática para ele ver que tem um filho aplicado nos estudos.
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
FIGURAS DE LINGUAGEM - planilha demonstrativa (algumas)
Figuras
de Linguagem
Figuras de construção
|
Elipse
|
Omissão de termos
que podem ser subentendidos facilmente.
|
|
Exemplo
|
Quanta perversidade no mundo! (Subentende-se o “há”.)
|
|
Zeugma
|
Variedade de
elipse; omissão de termo anteriormente expresso.
|
|
Exemplo
|
O inocente foi, preso; o culpado, solto. (Subentende-se o segundo
“foi”.)
|
|
Assíndeto
|
Falta de
conjunção entre elementos coordenados.
|
|
Exemplo
|
Estava mudo, pálido, trêmulo, assustado. (Repare que poderia haver um
“e” entre os dos últimos termos da frase.)
|
|
Pleonasmo
|
Repetição de
ideias (com as mesmas palavras ou não) para realçá-las ou enfatizá-las.
|
|
Exemplo
|
Vi com meus próprios olhos. (Está claro que ninguém pode ver com os
olhos alheios.)
|
|
Polissíndeto
|
Repetição do
conectivo entre elementos coordenados.
|
|
Exemplo
|
Foi e voltou e correu e pulou e brincou. (A repetição do “e” enfatiza
a quantidade de ações enunciadas.)
|
|
Hipálage
|
É atribuir-se a
uma palavra o que pertence a outra na mesma frase.
|
|
Exemplo
|
“Em cada olho um grito castanho de ódio”. (Note que, pela lógica,
“castanho” se refere a “olho”. A frase é do escritor Dalton Trevisan.)
|
|
Hipérbato
|
É a inversão da
ordem natural das palavras numa oração ou das orações num período.
|
|
Exemplo
|
“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas...” (A ordem natural ou
direta seria: “As margens plácidas do Ipiranga ouviram...”)
|
|
Anáfora
|
Repetição da(s)
mesma(s) palavra(s) no começo de cada um dos termos da oração.
|
|
Exemplo
|
“Este amor que tudo nos toma, este amor que tudo nos dá, este amor que
Deus nos inspira, e que um dia nos há de salvar...”
|
|
Silepse
|
Também chamada de
concordância ideológica. Faz-se a concordância com a ideia subentendida e não
com a palavra expressa. Pode referir-se ao gênero, número ou pessoa.
|
|
Exemplos:
|
Deixei a agitada São Paulo.
(Silepse de gênero, a rigor São Paulo é masculino.)
Grande parte dos eleitores estavam longe de aprovar os descaminhos da CPMI. (Silepse de número: a ideia é de plural, embora, a rigor, o sujeito – “Grande parte” – esteja no singular.) Os que conseguimos pular fora, pulamos. (Silepse de pessoa: a frase deveria ser “Os que conseguiram pular fora, pularam”, mas quem a enuncia se inclui entre os que praticaram as ações expressas pelo verbo). |
|
Ambiguidade
|
Vício de
linguagem onde as palavras da frase que causam duplo sentido de
interpretação.
|
|
Exemplos
|
O cachorro do seu irmão não me deixou entrar. (refere-se ao cão, ou
está xingando o irmão de cachorro?)
Marina discutiu com o namorado e estragou seu dia. (o dia de Marina ou
do namorado?)
|
Figuras de pensamento
|
Antítese
|
É o uso de
palavras opostas numa mesma construção.
|
|
Exemplo
|
Às vezes, fazemos o mal, quando queremos fazer o bem.
|
|
Paradoxo
|
Raciocínio
aparentemente contraditório, um aparente contra-senso. Todo paradoxo contém,
em última análise, uma antítese.
|
|
Exemplo
|
Há muitos ricos que são muito pobres. (No caso, a contradição se daria
entre a riqueza material e a pobreza espiritual.)
|
|
Ironia
|
Consiste em se
afirmar o posto do que se pretende dizer, com intenção de crítica ou
escárnio.
|
|
Exemplo
|
Os políticos brasileiros são tão honestos! (Sem comentários...)
|
|
Eufemismo
|
É a suavização de
uma ideia desagradável ou agressiva.
|
|
Exemplo
|
O senhor está faltando com a verdade (ou seja, com todas as letras,
está mentindo).
|
|
Alusão
|
Referência a um
fato, um trecho, ou personagem conhecido.
|
|
Exemplo
|
“Andei sobre as águas, como São Pedro” (verso de Paulo Vanzolini).
|
|
Preterição
|
Fingir não
afirmar aquilo que se está afirmando.
|
|
Exemplo
|
Nem vou mencionar o excessivo esforço que me causa ouvir a sua
argumentação. (Ora, o excessivo esforço foi literalmente mencionado.)
|
|
Gradação
|
Expressão
progressiva do pensamento, numa ordem que parte da menor para a maior
intensidade.
|
|
Exemplo
|
Caminhou apressado, correu,
disparou pela rua.
|
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