Que o pior e mais cruel fracasso foi
apenas uma mudança de rumo para um caminho muito melhor do que aquele que não
conseguiu.
Em 1963 comecei a me preparar para concursos. No ano
seguinte surgiu a oportunidade. Era um concurso que não exigia escolaridade.
Apenas três provas, matemática, português e datilografia. Eu sempre fui ótimo em
matemática, razoável em datilografia e fraco em português.
A primeira prova era a de matemática, ao receber às questões
não tive dúvidas, acertaria todas. Com nota 10 em matemática, só precisaria de 4
em cada uma das outras. Assim, com excessiva confiança iniciei.
Ao término me senti aprovado. Era só evitar erros nas
demais. Porém, ao conferir com os colegas
percebi que havia errado em duas questões. Desabei, fui ao fundo do poço, era
tudo o que eu não imaginava. O desespero não permitiu que eu pensasse na
possibilidade de recuperar os pontos perdidos nas outras provas. Aprendi
que o excesso de confiança não garante absolutamente nada. Que o fundo poço não
é o fim do mundo nem o fim da vida.
Na prova de português, logo em seguida, fui completamente
desaminado pelo meu imperdoável fracasso. Não consegui me concentrar.
Certamente não fiz uma boa prova.
Na última, também o peso do fracasso não deixou que eu
tentasse, pelo menos, fazer uma boa prova.
Quando saiu o resultado, somente um candidato foi
aprovado, no lugar em que eu me inscrevi. Ele pouco depois tomou posse numa
pequeníssima cidade do Nordeste.
Um dia você aprende que a vida continua e a
luta também.
No ano seguinte eu fiz um concurso muito mais difícil e
consegui aprovação. Aquele que passou no outro concurso fez inscrição para o
mesmo que passei, mas o ônibus em que ele viajava para pegar o avião na
capital quebrou, assim ele não fez a prova que, certamente, passaria também.
Só alguns anos depois foi que percebi o porquê eu não passei
no primeiro, não era aquele o melhor para mim. Então eu percebi que as oportunidades
são infinitas.
Que o pior e mais cruel fracasso foi apenas uma mudança
de rumo para um caminho muito melhor do que aquele que não conseguiu.
Em 1963 comecei a me preparar para concursos. No ano
seguinte surgiu a oportunidade. Era um concurso que não exigia escolaridade.
Apenas três provas, matemática, português e datilografia. Eu sempre fui ótimo em
matemática, razoável em datilografia e fraco em português.
A primeira prova era a de matemática, ao receber às
questões não tive dúvidas, acertaria todas. Com nota 10 em matemática, só
precisaria de 4 em cada uma das outras.
Ao término me senti aprovado. Era só evitar erros nas
demais. Porém, ao conferir com os colegas
percebi que havia errado em duas questões. Desabei, fui ao fundo do poço, era
tudo o que eu não imaginava. O desespero não permitiu que eu pensasse na
possibilidade de recuperar os pontos perdidos nas outras provas.
Na prova de português, logo em seguida, fui completamente
desaminado pelo meu imperdoável fracasso. Não consegui me concentrar.
Certamente não fiz uma boa prova.
Na última, também o peso do fracasso não deixou que eu
tentasse, pelo menos, fazer uma boa prova.
Quando saiu o resultado, somente um candidato foi
aprovado, no lugar em que eu me inscrevi. Ele pouco depois tomou posse numa
pequeníssima cidade do Nordeste.
No ano seguinte eu fiz um concurso muito mais difícil e
consegui aprovação. Aquele que passou no outro concurso fez inscrição para o
mesmo que passei, mas o ônibus em que ele viajava para pegar o avião na
capital quebrou, assim ele não fez a prova que, certamente, passaria também.
Só alguns anos depois foi que percebi o porquê eu não passei
no primeiro, não era aquele o melhor para mim.
Um exercício de “Começar como terminou
e terminar como começou”
Leon Alfonsin Vagliengo
O Homem
Mascarado que abriu a porta e adentrou à sala, demonstrava que ninguém o
impediria de realizar seu intento, e sabia muito bem o que iria fazer.
Sabia
muito bem o que iria fazer, confiava nos comparsas que escalou para auxiliá-lo
na realização daquela missão, que já estavam naquela sala, todos também
mascarados.
Todos
também mascarados, inclusive aquela senhora morena, que não era sua comparsa e passivamente
estava sendo o alvo das ações do grupo.
Alvo
das ações do grupo, sim, mas ela não demonstrava pavor nem medo; ao contrário,
ainda que no íntimo estivesse com algum receio, embora indefesa e obrigada à
obediência naquela circunstância, isso evidentemente não lhe toldava a coragem.
A
coragem, naquele momento de expectativa, era notoriamente a sua marca
registrada. Qualquer um perceberia que ela não era alguém de curvar-se a
qualquer ameaça. E a expressão dessa coragem estava estampada em seu rosto, que,
apesar de tudo o que acontecia a sua volta, demonstrava absoluta autoconfiança.
Autoconfiança,
porém, que claramente também não faltava ao Homem Mascarado, em vista da determinação
e segurança de suas atitudes, assim como também sobejava a seus comparsas, que
sabiam muito bem o que deveriam fazer.
Sabiam
muito bem o que deveriam fazer, e prepararam cuidadosamente aquela senhora, que
se manteve inabalável em todo o processo, mesmo antevendo que iria passar por
momentos cruciais.
Momentos
cruciais que certamente estariam sob o comando daquele primeiro Homem Mascarado;
e ele, ao perceber que tudo já estava como fora planejado, logo atacou um olho da
corajosa senhora até conseguir extrair-lhe, em pedaços, todo o cristalino.
O
cristalino se foi, mas o Homem Mascarado ainda não estava satisfeito. Então,
para completar aquela ação violenta, cuidadosamente colocou e ajustou uma lente
artificial no mesmo lugar em que estava o material humano original que ele
havia retirado.
O
material humano original que ele havia retirado do olho da corajosa senhora
morena, foi, portanto, impiedosamente substituído pelo Homem Mascarado por uma
lente artificial.
Uma
lente artificial que proporcionaria melhor visão, uma visão mais clara para
ela, que é professora; e ele lhe disse uma coisa que ela poderia constatar
quando olhasse para uma parede branca com um olho só, fechando o outro:
primeiro, só com o olho da lente, veria a parede bem branca; depois, só com o
outro, enquanto ainda estivesse com catarata, veria, a mesma parede, com uma
cor meio amarelada.
Cor
meio amarelada, naquele instante, talvez numa fuga psicológica, fez lembrar à
professora, sem qualquer conexão com a realidade por que passava, algumas
escritas de seus alunos quando se acovardam ao desenvolver o texto e
medrosamente justificam cada argumento extravagante sobre peripécias das
personagens, simplesmente como se fosse um sonho.
Como se fosse um sonho, também,
aquela corajosa e autoconfiante senhora morena, professora muito querida por
seus alunos de escrita literária, voltou a enxergar com aquele olho operado com
a mesma clareza e nitidez de antigamente e, em vista desse ótimo resultado,
agora, já pensava em programar o ataque ao cristalino do outro olho; e o
responsável por essa ação maravilhosa teria que ser, novamente, O Homem
Mascarado.
Petrolândia
era um município brasileiro do estado de Pernambuco, localizado às margens do
Rio São Francisco, à distância aproximada de 430 km da capital Recife.
No
dia 6 de março de 1988, a sede administrativa de Petrolândia foi oficialmente
transferida para uma nova cidade, às margens da BR-316. O centro da antiga
cidade e vários povoados situados em áreas próximas ao rio foram alagados para
a construção da Usina Hidrelétrica de Itaparica. A população foi reassentada em
bairros da Nova Petrolândia, em agrovilas e projetos de irrigação.
A
partir do enchimento do Lago de Itaparica, além das atividades pecuárias e
agriculturas tradicionais, novas atividades foram implantadas ou cresceram em
importância no município, como a piscicultura em tanques redes e a fruticultura
irrigada.
Muita gente se mostrou insatisfeita pela obrigatoriedade de mudar de
lugar a cidade de Petrolândia. Não era só a mudança de lugar, mas a alteração
do meio de sobrevivência que precisaria ser adaptado. Havia também a questão
financeira para a nova moradia, o comércio que mudaria de apelo, o profissional
liberal que antes trabalhava a piscicultura e agora trabalharia a agricultura
ou coisa parecida.
Em suma, a Nova Petrolândia não tinha as mesmas características que a
antiga cidade.
TAREFA: O seu
personagem é homem de Petrolândia, rico que domina o serviço de transporte
aquático. Ele é irritadiço, inconformado com todas as medidas que vão
literalmente afundar seu negócio de transportar moradores de um lado para o
outro do rui. Inconformado porque ele também lutou muito para construir seu
meio de vida, suas barcaças, sua casa, e de repente tem que abandoná-la, e
vê-la mergulhar nas águas do São Francisco.