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quarta-feira, 19 de outubro de 2022

DICA DE ESCRITA - TRAÇOS DE CARÁTER DE PERSONAGENS

 


Traços de caráter de personagens

Essas sugestões podem ser adotadas para o protagonista, ou para seu vilão: 


 

AFETUOSO

AGRESSIVO

ALEGRE

AMÁVEL

AMBICIOSO

AMIGÁVEL

AMOROSO

ANSIOSO

AUDIENTE

APLICADO

APOLOGÉTICO

APRESENTÁVEL

ARROGANTE

ARTICULADO

ASTUTO

ATENCIOSO

AUTÊNTICO

AVENTUREIRO

 

BANAL

BANDIDO

BÁRBARO

BÁSICO

BATALHADOR

BENÉVOLO

BENFEITOR

BENQUISTO

BITOLADO

BOÇAL

BOM

BRILHANTE

BRINCALHÃO

BRAVO

BRONCO

 

CALMO

CARISMÁTICO

CAUTELOSO

CIUMENTO

COMPASSIVO

COMPLACENTE

CONFIANTE

CONFIÁVEL

CONSCIENCIOSO

CORAJOSO

COVARDE

CRÍTICO

CRUEL

CUIDADOSO

CURIOSO

 

DECISIVO

DEPRESSIVO

DESAGRADÁVEL

DESAJEITADO

DESARRUMADO

DESCONFIADO

DESCUIDADO

DESONESTO

DESPREOCUPADO

DESRESPEITOSO

DESTEMIDO

DETERMINADO

DISSIMULADO

DITATORIAL

DIVERTIDO

DOMINADOR

DURO

 

EDUCADO

EFICIENTE

EGOÍSTA

ENCANTADOR

ENÉRGICO

ENGRAÇADO

ESPIRITUOSO

ESTÁVEL

ESTRITO

EXIGENTE

EXIGENTE

FELIZ

FIEL

 

GAIATO

GALANTE

GANANCIOSO

GARANHÃO

GAUDÉRIO

GÉLIDO

GENEROSO

GÊNIO

GENTIL

GENTLEMAN

GOLPISTA

GRACIOSO

GROSSEIRO

GROTESCO

GUERREIRO

 

HÁBIL

HABILIDOSO

HABITUAL

HEDIONDO

HESITANTE

HERMÉTICO

HERÓI

HÍBRIDO

HIPÓCRITA

HISTÉRICO

HONESTO

HONRADO

HOSPITALEIRO

HUMANITÁRIO

HUMILDE

HUMORÍSTICO

 

IDEALISTA

IMAGINATIVO

IMPACIENTE

IMPENSADO

IMPRUDENTE

INDELICADO

INDELICADO

INDELICADO

INDEPENDENTE

INGÊNUO

INOCENTE

INQUIETO

INSTÁVEL

INTELIGENTE

INTERESSEIRO

INTROMETIDO

IRÕNICO

 

JACTANCIOSO

JOVEM

JOCOSO

JUBILOSO

JULGADOR

JUVENIL

JUSTICEIRO

 

LABORAL

LAMURIENTO

LASCIVO

LEAL

LEVIANO

LÍDER

LIGEIRO

LIMITADO

LISO

LISONGEIRO

LIVRE

LOQUAZ

LÚCIDO

LÚGUBRE

 

MAÇANTE

MADURO

MAL-EDUCADO

MALANDRO

MALVADO

MANDÃO

MANIPULADOR

MATERIALISTA

MELANCÓLICO

MESQUINHO

MISERÁVEL

MISTERIOSO

 

NABABESCO

NAMORADOR

NÃO AMIGÁVEL

NEBULENTO

NERVOSO

NÍVEO

NOBRE

NORMAL

NOTÁVEL

NOTÍVAGO

 

OBEDIENTE

ODIOSO

OPINATIVO

ORGULHOSO

OTIMISTA

OUSADO

 

PACIENTE

PARASITA

PASSIVO

PENSATIVO

PERIGOSO

PERVERSO

PETULANTE

PIONEIRO

POSSESSIVO

PREGUIÇOSO

PRESUNÇOSO

 

RACINAL

RADIANTE

RADICAL

RÁPIDO

REALSTA

REALIZADO

REBELDE

RECATADO

RECEPTIVO

REDENTOR

REFINADO

REFLEXIVO

RELIGIOSO

RENOMADO

RESERVADO

RESILIENTE

RESOLUTO

RESPONSÁVEL

RESPEITADOR

RIDÍCULO

RICO

RÍGIDO

RIJO

RISONHO

ROMÂNTICO

 

SÁBIO

SÁDICO

SARCÁSTICO

SECRETO

SEGURO

SEDUTOR

SELVAGEM

SENSÍVEL

SENSUAL

SENTIMENTAL

SÉRIO

SERENO

SEXY

SILENCIOSO

SIMPÁTICO

SINCERO

SINISTRO

SISUDO

SOBERBO

SOCIÁVEL

SONHADOR

SOLÍCITO

SOLITÁRIO

SUBMISSO

 

TALENTOSO

TÁTICO

TEATRAL

TEIMOSO

TEMEROSO

TEMPERAMENTAL

TENSO

TENTADOR

TERAPÊUTICO

TERNO

TÍMIDO

TOLERANTE

TOLO

TRABALHADOR

TRADICIONAL

TRANSIGENTE

TRANSPARENTE

TRAQUEJADO

TRANQÜILO

TROPICAL

TURBINADO

 

UNIFICADOR

URBANO

ULTRAJANTE

ULTRAPASSADO

ÚNICO

USURPADOR

ÚTIL

URGENTE

 

VAIDOSO

VADIO

VAGABUNDO

VALENTE

VALIOSO

VAZIO

VELHACO

VIVAZ

 

ZANGADO

ZELOSO

ZEN

ZOMBADOR



A investigação - Adelaide Dittmers

 


A investigação

Adelaide Dittmers

 

O churrasco corre animado no dia quente de verão.  Vários brindes são feitos entre piadas e gargalhadas. As duas famílias reunidas são vizinhas há um ano, quando Thomas, o anfitrião, mudou-se para ali e a amizade entre eles brotou espontaneamente.  Thomas sempre muito simpático aproximou-se dos vizinhos.  Reuniam-se em alegres almoços, faziam programas juntos e até fizeram uma viagem a uma praia paradisíaca da Flórida.

De repente, as conversas foram interrompidas pelo som estridente do telefone dentro da casa. Thomas entra para atender a ligação.  Um copo cai, espalhando vários cacos pelo chão.  Peter oferece-se para limpar o estrago e entra na casa para pegar uma vassoura e pá.

O amigo está ao telefone.  Uma expressão séria contrai seu rosto e, ao passar por ele, Peter surpreende-se com o que ouve.  Não é um diálogo normal: códigos são usados na conversa.  Na área de serviço, pega os objetos para a limpeza, mas para um momento para tentar ouvir o que estava sendo falado, mas a conversa continuava em códigos incompreensíveis.  Ele sai para o jardim completamente confuso.

Momentos depois, o vizinho volta para junto deles, com um ar contrariado, reclamando que tem que ir imediatamente para Washington, pois surgiu um grave problema na empresa de construções em que trabalha.

Peter disfarça a desconfiança de que foi tomado.  O que significaria aquela estranha ligação? Que trabalho era aquele em que ligações telefônicas eram feitas em código.  Thomas era engenheiro e o trabalho dele não exigia nenhum sigilo.

Na cabeça de Peter havia uma explosão de perguntas sem respostas.  Com certa hesitação, exclamou:

— Hoje é domingo! Não podem esperar até amanhã?

— Nos negócios de construções é preciso agir com rapidez quando surge um problema, que pode invalidar o projeto e causar um imenso prejuízo monetário.  Responde sem explicar que grande problema era esse.    

Peter balança a cabeça e responde pensativo:

— Ainda bem que ser professor tem algumas vantagens.

— Mas, por favor, continuem o almoço.  Não estraguem essa gostosa reunião porque vou me ausentar.   Vou fazer uma pequena mala e tentar pegar o primeiro voo.  E entrou com muita pressa em casa.

A esposa de Thomas reclamou:

— Não consigo me acostumar com essas viagens repentinas.  Acho isso um absurdo, que atrapalha nossa vida, mas o que fazer, já sabia disso ao casar com ele.

As duas mulheres recomeçaram a conversar e Peter tentava esconder o que lhe ia no íntimo, com pequenas intervenções nos assuntos.

A tarde foi esmaecendo, dando lugar a um crepúsculo de belas cores e o casal visitante resolveu ir para casa, mas não sem antes ajudar a dona da casa a por tudo em ordem.

Naquela noite, Peter não conseguiu dormir.  Nos dias seguintes começou a observar a casa vizinha e seguir os movimentos do amigo, mas não achou nada de anormal:  as corridas rotineiras da manhã, a saída para o trabalho.  Tudo transcorria como sempre.

No fim de uma tarde, em que o vizinho chegava do trabalho, Peter, que estava no jardim, perguntou-lhe sobre o ocorrido na obra, que o obrigara a viajar tão repentinamente.  A resposta foi lacônica e rápida.  Um grave erro em um contrato, que poderia gerar um enorme prejuízo.

Cada vez mais a dúvida do que o amigo fazia o intrigava e o fez até pensar se ele próprio não estava criando fantasias em sua cabeça.

Nos dias que se seguiram, notou que o vizinho começou a demorar mais para voltar de suas corridas.  Certa manhã, em que varria as folhas das árvores esparramadas pelo chão, Thomas passou e ele quis detê-lo para conversar.  No entanto, o vizinho, sempre amável, respondeu que estava atrasado e que não podia parar.  Desculpou-se com um sorriso forçado e seguiu seu caminho.

Peter ficou ainda mais desconfiado.  O que Thomas estava escondendo? Andava esquisito. Não era a primeira vez que ultimamente esquivava de conversar com ele.   Inúmeras suposições surgiram em sua cabeça.  Resolveu que na manhã seguinte o seguiria.

O dia amanhece chuvoso.  Nuvens cinzas espalhavam-se pelo céu, mas como sempre o vizinho passou em sua corrida diária.  Peter esperou uns minutos e saiu atrás dele com o coração disparado.  O que iria encontrar, ou talvez não encontraria nada.

Quando chegou perto de um grande parque, que ficava a cerca de um quilômetro de onde moravam, estacou de repente.  Na entrada arborizada do lugar, Thomas estava conversando com três homens vestidos de terno e gravata.  As expressões dos quatro eram extremamente sérias e suspeitas.  Um deles entregou um envelope para o vizinho, que se voltou para ir para casa.  Peter escondeu-se atrás de um arbusto para não ser visto.

Foi para casa e logo que chegou, ligou para um conhecido de longa data.  Marcou um encontro com ele em um café próximo às três da tarde daquele mesmo dia, porque sentia que tinha que contar tudo o que estava acontecendo.  Não aguentava mais lidar com as sérias desconfianças que o assaltavam. 

Chegou pontualmente e o homem já o esperava sentado em uma das mesinhas.  Cumprimentaram-se e pediram um café.  O clima entre os dois era tenso.  Falavam em voz baixa.  O outro absorvia as palavras com um olhar nervoso e assustado.

Nesse momento, quatro homens se aproximaram deles.  Entre eles estava Thomas.

Os dois ficaram petrificados quando os viram.  O que aconteceria agora?

Thomas chegou bem perto da mesa e falou com uma voz dura:

— FBI! Vocês estão presos por espionagem e colocar em perigo a segurança dos Estados Unidos da América.

Eles se levantaram aturdidos e os homens os cercaram.

— Então Peter ou Igor!  Pensou que ia nos enganar com seu jeitinho pacífico e discreto.  Há muito tempo estamos no seu encalço e no de seu comparsa John ou Anton.

No rosto pálido de Igor, os grandes olhos azuis faiscaram de ódio.  Toda aquela amizade fora uma farsa.  O medo e a desconfiança que tomaram conta dele desde aquele churrasco tinham razão de ser.  Deveria ter agido rapidamente, pensou com muita raiva de si mesmo.

Thomas escondeu um sentimento de piedade, que ele não podia sentir diante de um espião russo, mas naquele ano em que conviveram, conheceu o outro lado do homem.  Qual seria o verdadeiro Peter ou Igor? O homem afável e amigo ou o espião frio que servia seu país?

Estendeu as algemas e o prendeu.

 

O nome dela é Eduarda - Hirtis Lazarin

 



O nome dela é Eduarda

Hirtis Lazarin


               Um pingo de gente

               De gente feliz

               Corre, pula, brinca

               Não pensa no que diz.

 

                                    Será que sabe onde põe o nariz?

 

                                                        Menina moleca

                                                        Sobe na bicicleta

                                                        Atropela o irmão

                                                        E ganha um safanão.

                                                                                                                 

                    Esconde a chuteira

                     Na enorme chaleira

                     A chaleira geme

                     Geme como bode

                     Os olhos piscam

                     A coitada explode.

 

É um mundo de sonhos

De sorriso

De improviso.

 

                                                    Cansada de tanta estripulia

                                                     Veste o pijama

                                                      Desmaia na cama.

 

                   Um anjo adormece

                   Apenas uma prece

                                                       AMÉM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                             

Parece, mas não é - Hirtis Lazarin

 


Parece, mas não é

Hirtis Lazarin

 

Ele tinha mais de oitenta anos. Fumou sempre e agora os pulmões cobravam um preço bem caro por terem sido tão prejudicados. Os acessos de tosse não eram tão frequentes, mas quando vinham, os balões de oxigênio eram acionados. Seu Jerônimo não reclamava, pois sabia que era o único culpado pela falta de saúde. Os conselhos da esposa que o amava tanto, nunca foram levados a sério. “Pratico esportes”, era sua desculpa de sempre. Esses momentos de reflexão sobre a vida eram difíceis e arrancavam-lhe um punhado de lágrimas escondidas.

 Quando decidia sair do quarto, eram os chinelos fofos que arrastavam suas pernas doloridas.  O cantinho preferido da casa era a varanda, projetada por ele. Sua familiaridade e seu amor pelas plantas criaram um espaço colorido e cheio de vida. Um contraste para quem sabia que não lhe restava muito tempo pela frente. Os pássaros vinham e as pessoas que circulavam pela calçada também, atraídas pela beleza e pelo perfume que cantarolava suavemente. Era o momento em que Seu Jerônimo comunicava-se com o mundo exterior e sentia-se feliz.

Eu o conheci quando me mudei para o bairro e fazia uma caminhada. As casas eram afastadas uma das outras e pouco movimento nas ruas. Na verdade, a única pessoa que encontrei, disponível pra bater um papo, foi esse senhor sentado na varanda.  

Um cumprimento de boa tarde e mais meia dúzia de palavras foram suficientes para começar uma grande amizade. A gente combinava e, toda semana, lá estava eu com meu amigo. E para completar a empatia, tínhamos a mesma profissão, engenheiro civil.

Ele era uma pessoa inteligente e de raciocínio rápido. Tinha uma linda história de vida. Ensinou-me que: “Ser homem não é ser pura natureza; ser homem é saber que o mundo não nos foi dado de presente, mas que precisamos criá-lo”. Eu, bem mais jovem, aproveitava cada segundo em sua companhia.

Mas Seu Jerônimo tinha também um lado bem engraçado e sabia contar suas peripécias, nos mínimos detalhes. Ouvi muitas e rimos juntos pra valer. Selecionei uma das histórias, a mais “sui generis” e vou contar a vocês.

Recém-formado, ele foi morar em KISSIMMEE, na Flórida. Uma cidade pequena, com expansão na área de construção. Foi uma ótima escolha:   muitas opções de trabalho e continuação dos estudos.

A casa, ao lado da sua, foi ocupada por novos moradores. Um casal jovem e duas crianças. Comunicativo como a maioria dos brasileiros, Seu Jerônimo procurou os vizinhos para um relacionamento cordial. E, prontamente, foi correspondido. Nos finais de semana, ensinou-os a apreciar um bom churrasco e até aprendeu a fazer a famosa “apple pie”. Foram quase dois anos nessa convivência harmoniosa.

De um momento para o outro, e por conta de um desentendimento, aparentemente, bobo, o casal afastou-se dele.  Nos finais de semana, viajavam e, quando se encontravam na rua, abaixavam a cabeça e, arredios, entravam rapidamente no carro ou abriam o portão de casa, ignorando-o.

Seu Jerônimo ligou várias vezes, mas o número do telefone já não era mais o mesmo. Tentou interceptá-los na frente de casa e não teve sucesso. Era melhor fingir que aceitava aquela situação.

Mas não se conformava. Uma amizade verdadeira não termina assim. Não aceitava aquele afastamento sem uma conversa esclarecedora. A raiva tomou conta.  Nasceu, então, naquele momento, um detetive. Um novo Sherlock Holmes foi empossado e a investigação começou.

Uma vez por semana, geralmente às segundas-feiras, chegava um carro sem placa.  Homens vestidos de negro permaneciam na casa ao lado, durante mais ou menos, duas horas. Os demais dias da semana corriam normalmente até o final de semana, quando a família desaparecia. Os muros foram erguidos e câmeras instaladas ao redor da casa. As janelas permaneciam quase sempre fechadas.  A família estava fugindo? Que segredos guardavam?

A década era de 80, período em que os jornais e a televisão noticiavam, incessantemente, os perigos da guerra fria. Um conflito político-ideológico travado entre os Estados Unidos e a Rússia, um alinhado ao capitalismo e o outro aliado ao comunismo. Cada um tentava provar sua superioridade bélica, espacial e econômica.

A população mundial passou a entender o que significava o adjetivo “fria”. Um conjunto de práticas no campo da espionagem, das disputas diplomáticas e ameaças. A palavra “espião” começou a fazer parte do vocabulário dos americanos.

E Jerônimo colocou na cabeça que morava ao lado de um espião, a serviço da KGB russa.

Apesar de trabalhar menos e espionar mais, não conseguia apurar nada. Se conseguisse provas e denunciasse o casal, com certeza, levaria o título de herói. E a palavra “herói” vibrava!

Postou cartas anônimas ao vizinho e nenhuma reação. Ofereceu dinheiro à moça que trabalhava na casa e ela sempre afirmou que lá não havia nada suspeito. Dobrou a quantia e nada. A única coisa diferente é que os vizinhos ouviam música com muito mais frequência e num volume mais alto que o amigável. “Com certeza é para esconder sons estranhos. Talvez bombas...”

Remexendo na caixa de correspondências do casal, Jerônimo encontrou uma carta cujo remetente era a KGB. Num primeiro momento, acreditou que o cerco se fechara. Encontrou a prova que precisava. Depois, pensando melhor: “um descuido da espionagem oficial russa? Improvável”.

 Mas a empolgação era tão grande, que ele não conseguiu suportar que estava enganado. Procurou a polícia americana, fez a denúncia e entregou a prova. Missão cumprida. Agora era só controlar a ansiedade.

Semanas se passaram até que Jerônimo recebeu um grupo de policiais e uma notícia arrasadora: “A senhora e o senhor Smith são inocentes. Não há nada que desaprove o comportamento deles. São americanos cumpridores dos seus deveres”.

— E a carta da KGB”?

— Não existe carta nenhuma da KGB. Você não sabe ler. A carta é sobre o lançamento, aqui nos Estados Unidos, de uma banda brasileira, a “KLB”, “KLB”, ouviu?  Seus vizinhos são empresários e, há algum tempo têm sido vigiados por você. Temos aqui vários boletins registrados por eles.

Jerônimo desmaiou. O fingimento foi tão bem fingido que convenceu os policiais e ele só voltou a si quando a ambulância chegou ao hospital.

Recebeu alta e no dia seguinte, juntou roupas, objetos pessoais, passou na empresa em que trabalhava e se demitiu.  Desapareceu do mapa, antes que a notícia se espalhasse pela cidade pequena, onde a maioria das pessoas se conhecia. Ele não suportaria ver seu nome, em letras garrafais preenchendo manchetes nos jornais ou então aparecer na T.V.  e virar chacota na boca dos jornalistas.

Eu e o Seu Jerônimo caímos numa risada bem debochada e histérica.

Encontro misterioso - Alberto Landi

  Encontro misterioso Alberto Landi A nave da Catedral de Chartres era ampla e alta; colunas robustas sustentavam os arcos que pareciam subi...