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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Nem sempre o que parece é - Ana Catarina Sant’Anna Maués

 

 




Nem sempre o que parece é

Ana Catarina Sant’Anna Maués

 

   O tempo avançava sem dar trégua e Aurora naquela situação delicada. Não podia deixar vir a público a situação financeira que vinha atravessando, pois sempre ocupou lugar de destaque nos palcos e no cinema com papeis de sucesso. Em jornais e revistas seu status era visto por décadas como vip. Era figura conceituada sem dúvida, mas não conseguia um bom papel há meses, estava caindo, caindo, como estrela cadente e ultimamente nem comerciais fazia, nem recebia acenos para participar de programas de entrevistas. O fato de estar sendo esquecida no meio artístico a deixava sem chão. Foi então que teve a ideia de pegar os últimos tostões e aventurar-se numa viagem que divulgou, sendo para produzir um filme de própria autoria. Esta atitude desembaçaria sua imagem, dando a impressão de que ela agora queria ocupar outro posto, o de produtora de filmes. O tiro foi certeiro, a notícia rendeu-lhe algumas notas na mídia e lustrou provisoriamente o ego dela, mas nenhum convite aconteceu. Iniciou então o plano, chamando um velho e conhecido amigo para atuar como cinegrafista e, portanto, registrar as cenas da aventura onde ela havia apostado todas as fichas.  

   Aurora alugou um automóvel e providenciou um motorista, bem vistoso, alto, musculoso, sorriso perfeito, bem galante era Otávio, pois mataria dois coelhos com uma cajadada, ele dirigiria o carro e faria par romântico com ela, caso precisasse. Sua equipe tinha que ser reduzida devidos aos custos. Tudo pronto para a viagem, dias antes, na porta do edifício, uma admiradora dela. Vinha procurá-la com a proposta de seguir nesta viagem e no caminho ir registrando os feitos da consagrada atriz nesta nova empreitada, o que renderia no final, um documentário da sua vida. Aurora não teria gastos com a escritora. É claro que ela ficou lisonjeada e não resistindo, permitiu que Paulete a acompanhasse.  

   Tudo pronto lá foram os quatro rumo ao desconhecido. Na verdade Aurora não tinha um plano, não tinha um roteiro. Ela necessitava figurar nas notícias para conseguir um bom papel quem sabe numa novela, e seguiria com isto até alcançar. Pensava já, numa desculpa caso algum convite ocorresse, e ter que adiar seu projeto auspicioso de produzir um filme.

   Pelo caminho dizia ao cinegrafista que registrasse a paisagem, o pôr do sol, a revoada de pássaros, pois tudo seria usado no filme mais tarde. Paulete seguia com a série de perguntas para o documentário, as quais eram respondidas com delicadeza por Aurora, que amava falar dela própria.

   Eles haviam tomado o rumo do interior, querendo alcançar outro estado, mas a noite os surpreendeu e o cansaço bateu forte, resolveram pernoitar na primeira cidadezinha que avistaram, e hospedar-se no único hotel que a cidade possuía.

   Logo na recepção Aurora foi reconhecida e como que tapetes vermelhos lhe foram estendidos. Ela muito esperta e devido o tratamento recebido, pediu o melhor quarto, mesmo querendo economizar, precisava ostentar, pois calculou que com aquela recepção nem lhe fosse cobrado o pernoite. Dito e feito, o proprietário ficou tão embevecido com a presença da atriz que foi logo dizendo da honra de tê-la ali, e que seria cortesia a estada dela. Ponto para Aurora que só pagaria a hospedagem do motorista e do cinegrafista. Paulete registrava tudo em seu livrinho de notas.

   Os primeiros raios do sol banharam o corpo alvo da Aurora, acarinharam os longos cabelos claros dela, e fizeram-na espreguiçar-se já plenamente recuperada da viagem do dia anterior. A cabeça, porém, fumaçava de preocupações. Contava com sua perspicácia para sair de tudo que se metia.

   No café oferecido, ela foi rodeada pelos outros hospedes, e entre um autógrafo e outro, falava do motivo de estar ali. Seguia procurando um local para produzir seu primeiro filme onde atuaria também como diretora. Nesta hora um garçom gritou lá no fundo:

— Fique aqui grande dama, teremos a honra de tê-la em nosso hotel.

   A cabeça de Aurora acendeu “sabe que não é má ideia eu aqui sou reconhecida as portas abriram-se não tenho mesmo um projeto estou toda enrolada dívidas chegando aqui tenho hospedagem gratuita faço qualquer “misancene”, e viro notícia e logo, logo estarei de volta à capital com um bom papel. E sem ficar com a face rubra respondeu:

— Quanta gentileza, mas será que o jovem proprietário ainda me quer por aqui?

  Ouvindo-a, quase que de boca aberta, embasbacado que estava pela beleza dela, o proprietário derreteu-se e confirmou a súplica do garçom.

   Foi nesta hora que Paulete saiu, a um canto da sala, para atender o celular.

Misteriosa, falando baixo e com monossílabos. A verdade é que Paulete trabalhava para um programa de tv, de fofocas. Ela desconfiava que a atriz estivesse alquebrada e planejou se passar como escritora de um documentário para viver mais de perto com Aurora, e em confirmando sua suspeita, estampar como escândalo a notícia, mas até o momento não tinha descoberto nada.

   Ela já estava há uma semana na cidadezinha, e nada. Passava bastante tempo no quarto e quando saia dizia que esteve escrevendo, repassando algumas cenas que filmaria.

  Numa manhã ela acordou animada e disse ao cinegrafista e ao motorista, que iriam fazer algumas cenas ao ar livre.

    Ela contava com a experiência do cinegrafista que tomaria as cenas do suposto romance, mas isso ainda estava bastante nublado em sua mente, precisava de tempo e contava com a sorte de ser logo contratada e parar de vez com aquele projeto emblemático.

   Era bem cedo, a cidade ainda dormia, quando os quatro saíram, cada um na sua função. Aurora parecia que havia feito um pacto de encantamento com o dia, pois vestia um floral esvoaçante onde a cor rosa saltava aos olhos e a deixava especialmente mais doce. Ela precisava montar uma cena e seguir com seu falso projeto. Sugeriu uma tomada onde caminharia pelo calçamento e vez por outra colheria violetinhas que espalhadas coloriam o verde da grama, e iria colhê-las até que formasse um buquê. Quando isto acontecesse Otávio entraria na filmagem, e enquanto ela caminhasse distraída, ele se aproximaria dando um encontrão nela, fazendo-a desequilibrar, mas a segurando imediatamente, impedindo- a de cair. Tudo isto captado pela lente do experiente cinegrafista. Como espectadora, apenas Paulete, fingindo anotar tudo em seu caderninho.

   Foi dada largada, o cinegrafista disse “ação”. Acontece que o encontrão combinado aconteceu bem em frente ao casarão do único advogado da cidade, e, diga-se de passagem, advogado sem causas, por isto totalmente falido. Que se aproximou muito irritado de ver que a jovem estava colhendo as violetinhas, fruto de grande e árduo trabalho que teve para plantá-las.

   Chegou esbravejando, porém de pronto reconheceu Aurora e logo se desculpou. E após muitas desculpas para cá, desculpas para lá, pois ela também se desculpou por colher, todos entraram na mansão de Douglas.

   Ele gentilmente ofereceu uma xícara de chá, mas ruídos desconcertantes vinham do segundo andar e ele tratou logo de fazer todos irem embora.

   Após saírem, Douglas muito revoltado, chamou as três filhas fantasmas para uma conversinha.   

 — Será possível que não posso trazer ninguém aqui em casa que vocês tratam logo de fazer bagunça?

— Ora, papai, disse uma delas, que teria dez anos se estivesse viva. Não queremos que você namore ninguém, o senhor é viúvo e vai continuar sendo.

   Mas esta moça é uma atriz famosa, não olharia para mim, só quis ser gentil.

  Mas é assim que começa, tudo começa com um chá, mamãe disse isto para mim um dia, interpelou a outra que contava oito anos de idade.

— Margarida, disse Douglas, você é a mais velha minha filha, controle suas irmãs por favor.

 — Papai, o senhor sabe que eu te amo, mas elas são mais fortes que eu, unem-se contra mim. Eu peço, peço e não me escutam. Eu só estou aqui papai por que tenho algo a contar e quando contar vou embora. É que ...

— Margarida não se atreva, disseram as duas quase a uma só voz.

   E assim sumiram as três.

   Douglas ficou encantado com a beleza suave de Aurora e à noite a lembrança do dia, povoaram seu coração e mente e pela primeira vez, depois de anos, adormeceu com um sorriso nos lábios.

   No outro dia sentiu grande ímpeto de procurar Aurora e abrir seu coração do porquê de praticamente tê-la expulsado da casa.

   Tomou coragem e foi.

   No hotel, Paulete não conseguia avançar em suas investigações. Queria ter uma oportunidade de entrar no quarto da atriz e mexer em armário, bolsa, documentos, precisava apresentar algo que fosse um grande furo de fofoca, o mais cedo possível, pois já estava aborrecida de fingir ser escritora. Resolveu então, aproximar-se do cinegrafista, envolvê-lo, prometendo soma em dinheiro, caso soubesse de algo, ou descobrisse algum passo maldado de Aurora. Por enquanto, o cinegrafista disse, suspeitar de problemas financeiros, mas não podia afirmar nada, pois ela o pagava semanalmente de forma correta, mas prometeu ficar atento. Otávio chegou mansinho e escutou a conversa entre os dois e disse saber sim de algo bombástico, mas queria também uma pontinha no acerto entre eles. Os três então fizeram um pacto. Otávio contou que antes de partirem nesta viagem, trabalhando como motorista dela, levou a atriz até um banco de penhor, certamente para penhorar joias, e perguntou se isto serviria como fofoca para a mídia. Paulete argumentou que ela poderia ter apenas guardado as joias e não penhorado. Daí precisava da cautela do penhor, o documento que provasse a ação. Isto sim seria uma prova boa para mostrar a falência de Aurora em todos os sentidos, pois até desconfiava que o fato dela estar dizendo que reproduzia um filme, era puro blefe.          

     Enquanto isto, Douglas chegou na recepção do hotel procurando por Aurora.

    O recepcionista a chamou e ela desceu para encontrar o recém amigo. Os dois saíram a caminhar até uma praça próxima e ali permaneceram. Douglas abriu o coração e disse ser viúvo, que sozinho vivia, não tinha filhos. Perdeu a família num desastre aéreo e as filhas assombravam a casa, pois não aceitavam que ele se aproximasse de qualquer moça, sentiam ciúmes, e explicou que o barulho no andar de cima, no dia de ontem, foram as meninas querendo assustar a todos. Ele estava muito cansado de toda esta situação.

Aurora apiedou-se dele e dali surgiu algo envolvente.

   No hotel os três tramavam entrar no quarto e revirar as coisas de Aurora.

Dentre eles o mais ousado era o cinegrafista e para ele coube a façanha. Paulete foi até a praça atrasar à volta de Aurora ao hotel. Otávio ficou no corredor observando a circulação dos funcionários, dando cobertura ao cinegrafista. Já dentro do quarto a busca foi frenética, até que numa sacola com zíper, o cinegrafista encontrou a cautela, prova de que as joias de Aurora foram mesmo penhoradas.

   Ele fotografou com o celular e colocou o documento no mesmo lugar.

   Na praça Paulete recebeu recado de Otávio para dar uma chegadinha até a recepção. Ela deixou Aurora e Douglas conversando animadamente.

   Quando a atriz retornou, não encontrou mais nenhum dos três. Apenas o aviso de que tinham ido embora. Aurora ficou surpresa e intrigada. Chegou no quarto achou tudo em ordem, até pensou que a tivessem furtado em algo, mas não percebeu nada de anormal.

   No outro dia quando desceu para o café, encontrou um jornal sensacionalista sobre a mesa, com a manchete “ARTISTA AURORA PENHORA ÚLTIMAS JOIAS E FOGE PARA O OSTRACISMO “.

   Foi como um soco no estômago. Império ruído. Desmascarada no seco, sem dó nem piedade. Fama e glória para debaixo do tapete como poeira. Não houve como não chorar copiosamente. Funcionários e proprietário do hotel ficaram penalizados com a visão.

   Aurora foi para a rua atordoada, caminhava sem rumo, cabisbaixa, envergonhada, humilhada e chorosa. Quem veio encontrá-la foi Douglas, que já tinha lido o jornaleco, e quando a viu a abraçou e a levou para sua casa.

   Chegando, não foi bem recebida pelas fantasminhas, que iniciaram uma série de ruídos, arremessavam utensílios, arrastavam móveis, mas para surpresa delas, Aurora não ligava, não se impressionava, tinha os olhos inchados de tanto chorar.                

   Douglas a consolava e a encorajava. Resolveu contar a ela seu infortúnio.

— Sei bem o que você está sentindo, pois já tive fama, já fui aclamado por muitos quando era advogado famoso, com dinheiro e poder. Recebia inúmeros convites para festas, entrevistas, tive até um programa onde as pessoas buscavam esclarecer dúvidas jurídicas. Fui alvo de uma trama por pura inveja de alguns amigos da mesma profissão. Que não interessa relembrar agora. Cidade pequena, já viu né, fui para o esgoto, sem notoriedade alguma. Até minha esposa inventou uma viagem com minhas filhas e disse que quando retornasse não me queria mais aqui na nossa casa.

   As fantasminhas escutaram esta revelação e ficaram com peso na consciência pelo muito que perseguiram o pai tantos anos, por pensarem que ele era que queria se separar da mãe delas. Resolveram então deixá-lo finalmente, mas não sem antes devolver o cofre com muitas notas de dinheiro e papéis de muito valor.

  — Papai, disse uma delas, queremos pedir seu perdão. Mamãe nos disse que você queria nos deixar e por isso antes de viajarmos, escondemos o cofre para você não ir embora, mas agora escutamos a verdade, o cofre está enterrado no quintal, próximo ao mamoeiro. Vamos deixá-lo papai, queremos que seja feliz e você também Sra. Aurora.

   Um silêncio se fez ouvir na sala onde estavam Douglas e Aurora.

   Dez anos já se passaram. Aurora e Douglas casaram e vivem na casa antes assombrada. Ela conseguiu um papel de destaque num filme, mas a carreira perdeu o encanto, agora não pensa mais em ser famosa, apenas em ser feliz com Douglas.  

 

RUBENS: CULPADO OU INOCENTE? - Henrique Schnaider

 





RUBENS: CULPADO OU INOCENTE?

Henrique Schnaider

 

Rubens era uma pessoa que teve uma infância difícil, lado escuro da vida, nunca comeu a cereja vermelhinha do bolo, quando muito um pão velho duro, verde de tão embolorado. O pai, sujeito bruto, um cavalo, só faltava relinchar, alcoólatra inveterado, vivia alterado, trabalhava em serviço duro.

Quando chegava em casa, o cenário se transformava no inferno de chamas azuis de Dante, a esposa já aguardava pelas agressões, depois, várias salmouras, para curar os vergões roxos por motivos não faltavam para o marido, a comida que não estava do seu gosto, o fato dela ter engravidado, que não a perdoaria, se o nenê chorasse, total falta de paciência. E, as agressões aconteciam.

A mãe, um doce de pessoa, aguentava tudo calada, não reagia, apanhava e chorava, era dependente do marido, que nunca admitiu que ela trabalhasse. Ela não queria relatar à família, o drama de cores trágicas, desesperado que vivia. A alegria que aquecia sua alma gélida de tanto sofrimento, era o pequenino Rubens.

Assim o menino cresceu, apanhando calado por qualquer motivo, recebendo do pai, desprezo e violência, o único prêmio, era a fada mãe, que tinha a varinha de condão, que lhe dava amor profundo e carinho.

O tempo passou, Rubens se tornou um adulto, com uma mistura de sentimentos, de amor e de ódio, se encheu de revolta, com o coração aos pedaços, pelos recalques que dominaram o rapaz. Era difícil para ele trabalhar com seus sentimentos.

Nos estudos, era bom aluno, não teve dificuldade de chegar à Faculdade, resolveu que seguiria a carreira de Advogado, assim, formou-se numa instituição famosa, onde todos almejavam estudar. Começou como estagiário, numa banca de Advogados.

Na época da Faculdade conheceu Aurea, por quem se apaixonou, finalmente conheceu a felicidade. O sofrido coração se aqueceu com o fogo da paixão, e foi correspondido. Formaram-se juntos, faziam planos para casar-se, juntaram forças, Aurea não notava nada de errado, na conduta de Rubens, conseguiram dar entrada, na compra de um pequeno apto.

Mobiliaram o lar com muita cor, combinando com as paredes em tom bege claro, um ninho do amor. No começo eram tudo flores, mas os espinhos não demoraram a chegar.

Depois de dois anos de completa harmonia e felicidade, Aurea começou a notar uma mudança de atitude da parte de Rubens, já não era mais aquele homem amoroso, do qual recebia tanto carinho e mimo, sua casa vivia, cheia de rosas, vermelhas, amarelas etc. um caleidoscópio de cores.

Começou a chegar bem depois dela, já que ambos trabalhavam, não dava nem um mísero oi, entrava mudo, mal a tocava, o amor se esvaeceu, escorreu como a chuva, no fim da primavera. Ela começou a notar, que Rubens chegava com hálito de bebida, se tornando cada vez mais agressivo.

Parecia que o espírito brutal do pai tomou conta do pobre rapaz. Aurea tentou dialogar com ele, chamá-lo à razão, tudo em vão. Daí para as agressões foi um pulo. Só que a esposa, não era como a mãe de Rubens, deu queixa na delegacia da mulher, a Delegada determinou que ele não poderia chegar a cem metros dela.

Rubens entrou em desespero, mil promessas de mudança e pedidos de reconciliação, Aurea irredutível, não aceitava a volta do marido, vivia com medo, de que, em algum momento, Rubens pudesse invadir o apto e praticar uma desgraça. O lar já não tinha mais alegria, as cores perderam a graça, se desmancharam.

Um dia quando Aurea menos esperava, sem dar chance a ela de avisar a polícia, Rubens invadiu o apto. Tinha o rosto desfigurado, a pele seca e amarelada, um tremor visível nos membros inferiores, e um revólver empunhado na mão: “se você não quer mais ser minha, não será de mais ninguém! ”. Os disparos puderam ser ouvidos de longe, mas ele não se incomodou com o que viria.  Foram cinco tiros no peito da indigitada mulher. Uma tragédia anunciada e cumprida à sangue frio. Rubens entregou-se a polícia, sem ter mais nenhum motivo para viver, condenado de forma justa a vinte anos de reclusão.

A pergunta que fica no ar é esta: Rubens foi vítima de seu pai? Inocente que era, de tantos maus-tratos, se tornou um assassino, e culpado por tirar a vida da pessoa que mais amava.

SONHO COLORIDO... - Dinah Ribeiro de Amorim

 



SONHO COLORIDO...

Dinah Ribeiro de Amorim

 

Impressionante a influência das cores em nosso estado de espírito ou o contrário: não as sentimos conforme estamos.  Alegrias, tristezas, otimismo, desânimo, as cores refletem os sentimentos. Recebem denominação especial, variam entre os povos conforme os costumes, a educação, mas, geralmente, apresentam semelhanças entre os seres humanos.

Assim aconteceu com Denise, uma jovem em flor, vinte anos. Entusiasmou-se por um colega de escola, Pedro, que se desinteressou dela e apaixonou-se pela amiga. Denise, frustrada, voltou aborrecida para casa, escolheu seu pijama escuro, o mais usado e feio, enfiou-se na cama, cobriu-se com a manta marrom desbotada e tentou adormecer.

Como não conseguiu dormir, fechou com força as cortinas claras, escureceu o quarto e apagou a luz do abajur. Demorou a pegar no sono.

Acordou cedo e olhou o céu amanhecer. Escuro, cinzento, de nuvens carregadas que anunciam pesada chuva. Alguns relâmpagos luminosos precedem barulhentas trovoadas. Um vento rápido e sonoro bate no verde das folhas do jardim e estremece o vidro da janela. Denise pensa: "Que dia feio! Sem luz, sem vida, triste como eu, parece saber o que estou sentindo..." Volta para a cama, enrola-se na manta pesada e fecha os olhos. Nem responde quando sua mãe a chama. Finge dormir.

Resolve, nesse dia, não levantar. O desânimo a abate, sente-se feia e triste. Adormece e sonha.

Caminha por uma estrada estreita e curta, cheia de luz brilhante de azul. Sente paz e silêncio!  Caminha com segurança, embora tudo seja estranho. Onde estaria? Alguma chácara ou fazenda de amigos? Tenta olhar ao redor. Pássaros coloridos voam e cantam em várias direções. Amarelos, azuis, vermelhos, verdes, formam uma revoada de cores. Plantas brotam pelo caminho, numa variação de verde, conforme o banho da luz. Flores enfeitam aquela estrada tão colorida. São ardósias, bromélias, alguns antúrios e orquídeas que se enrolam nos troncos das árvores. As cores mais variadas possíveis e lindas. Chamam sua atenção o roxo e o lilás das mais brilhantes. Os girassóis alaranjados a atraem e apontam o caminho a seguir. Para onde a levam? Que lugar é esse? Tão estranho e bonito. Será que o conhecia e não reparou?  Estranha felicidade a invade.

Olha a roupa que veste, um pijama azul marinho, amassado e velho, sente-se mal. No mesmo instante, olha-se novamente e está vestida de renda rosa, bordada, semelhante a que preparou para o baile da escola. Linda e feliz. Caminha mais adiante e pensa: "Aonde irei?"

Sentado, à beira da estrada, encontra um velho, de cabeça baixa, barba comprida e branca, olhar escuro e penetrante, quando se dirige a ele e pergunta: "Que lugar é este? Onde estamos?"

"No meio do caminho," responde ele. "Eu, logo chegarei à cidade, mas você deverá voltar! "

"Por que voltar, se estou tão bem aqui?" Responde Denise. "Também gostarei de conhecer essa cidade."

"É uma cidade velha, para os que participaram de muitas coisas e precisam descansar! Você é jovem, tem obrigações a cumprir e muitas cores ainda enfeitarão sua vida! Oferecerá cores também! Algumas alegres, outras tristes, mas em geral, todas fazem parte da vida. Volte!"

Denise acorda e assusta com batidas fortes no quarto. É a mãe. Levanta-se e, entontecida, abre a porta. Espanta-se com a elegância da mãe, vestida para o trabalho. Elogia-a e pergunta as horas.

"É tarde filha, você perdeu o colégio, já são dez horas!" "Tem alguém no portão que pergunta por você."

"Por mim, o que será?" Responde Denise. Repara que parou de chover, abre as cortinas amarelas e vislumbra um belo dia de sol.

Veste rápido uma camiseta vermelha, uma calça branca e um tênis azul, o seu preferido. Passa um pente no cabelo comprido e desce ao jardim. Estremece um pouco quando avista Pedro à sua espera.

Este, pede-lhe desculpas, afirma que cometeu um erro e convida-a para o baile da escola.

Denise, contente, usará o vestido de renda rosa, lindamente bordado, em companhia de Pedro, seu par constante, com quem dançará a primeira valsa. Sorri e descobre tudo colorido ao seu redor!

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

O aroma do amor - Alberto Landi

 




O aroma do amor

Alberto Landi

 

Todas as manhãs através do terraço do pequeno apartamento, ele era atraído por um aroma de café vindo do apartamento em frente ao seu e que era preparado por uma jovem.

Diariamente acompanhava esse ritual, pois além do aroma, existia uma bela jovem, que balançava já seu coração quando tinha oportunidade de vê-la.

A vida dele começou a ter outro sentido.

Agora havia motivos suficientes para longas caminhadas e quem sabe poder encontrá-la.

Começou a se tornar uma pessoa diferente.

Em um certo dia, no lugar certo e no momento oportuno, os dois se encontraram a caminho do parque.

Os dois, sem se conhecerem, sentiram algo de bom nos primeiros olhares, porém, cada um seguiu seu caminho sem trocarem palavras.

Os dias foram passando e o ritual do café continuava.

Acredito que o Universo conspirou um pouco para que os dois continuassem a trocar olhares., através do terraço do apartamento.

Mais tarde, seguiram os sorrisos.

Respiração acelerada e corações batendo no mesmo ritmo, até que surgiu o primeiro encontro.

A felicidade estava estampada na face de ambos e nada os separava agora.

A distância entre as moradias era cada vez menor, e a vontade de estarem juntos aumentava dia a dia.

Assim, as duas almas puderam se encontrar.

Veja o que o aroma de um café pode fazer. A união de dois corações que perdurou por muitos e muitos anos.



quarta-feira, 16 de setembro de 2020

AMIZADE MODERNA EM TEMPOS DIFÍCEIS - Dinah Ribeiro de Amorim

 








AMIZADE MODERNA EM TEMPOS DIFÍCEIS

Dinah Ribeiro de Amorim

 

Que faria eu sem amigos, nos momentos de solidão? São suas palavras que confortam através dos meios de comunicação.

Computadores, emails, whatsaap, Instagran, You Tube, Linkedin, Face, transmitem coragem, otimismo, amizade, unem corações.

Não critico quem os utiliza, como distração, são momentos de risadas ou de grande emoção.

Revelam notícias através das entrevistas e sabemos de novidades ainda não percebidas.

Claro que o mal também se introduz, desvirtua a verdade através dos fake news.

Mas numa análise geral, em tempos de pandemia, agradeço à tecnologia, principalmente os celulares, essa grande invenção, que permite comunicação com o mundo, com a vida, a arte, com outras formas de criação.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

A VIDA TEM SURPRESAS - Henrique Schnaider

Embriagado, homem chega nervoso em casa e agride o pai - JD1 Notícias

 


A VIDA TEM SURPRESAS

Henrique Schnaider


João era uma pessoa do tipo durão, não conseguia sequer ter  convivência agradável com a mulher e os dois filhos, que nunca recebiam um pingo de amor. Apesar de terem sido criados com muita rigidez, tiveram boa educação, se tornando responsáveis profissionais, médico e dentista.

 

Quando ainda os filhos eram crianças, João não tinha quase nenhuma atividade social, dos amigos mantinha distância, não dava nem sequer para considerá-los como tal, eram pessoas que estudaram com ele. Apesar de sempre receber convites dos colegas para encontros animados, o homem tinha um coração duro, não amolecia nunca.

 

Quanto a esposa, a pobre era uma santa, aguentava calada todas as grosserias do marido, mas o coração estava com uma ferida crônica, ela mal se recuperava de uma estupidez de João e lá vinha outra, os meninos tinham pavor do pai, quando chegava em casa, eles eram ratos fugindo do gato, senão sobrava para eles.

 

Quanto aos parentes, João tinha dois irmãos, mas mal via, mantinha-os longe da sua casa, já tinham brigado, pois o danado quis passar a perna neles, numa questão de herança mostrando daí seu mau caráter, os dois cunhados, irmãos da esposa, nem podiam ouvir falar o nome dele.

 

Os anos passaram, João envelheceu, a esposa acabou morrendo, seu coração não aguentou tantos maus tratos, a morte para ela foi uma benção. Os filhos casaram e trataram de sumir, largando João na mão. Em todos aqueles anos, ele não plantou o amor, e as plantinhas do amor dos filhos não foram regadas, feneceram.

 

O homem com mais de oitenta anos ficou sozinho, não recebia nunca uma visita, vivia cabisbaixo, andando de um lado para o outro, um sonâmbulo, ninguém aparecia nem os filhos nem os parentes, nem os amigos.

 

Os amigos de escola souberam da triste situação de João, acharam que não deveriam levar em conta o passado, e combinaram de visitá-lo e dar assim a ele o calor saboroso da amizade que ele sempre rejeitou.

 

A primeira visita do grupo, foi uma agradável surpresa para João, ele sabia que não merecia a gentileza. Os amigos encheram-no de agrados, e ele chorou de emoção. Aquele coração de pedra se desmanchou, pedia perdão por não ter dado o devido valor aos velhos amigos, finalmente descobriu o que é a felicidade, ficaram várias horas com ele, preenchendo o vazio do seu tempo.

 

Quando saíram prometeram que voltariam outras vezes, deixando João feliz da vida, descobrindo o valor da amizade, começou até em pensar de pedir perdão aos filhos e quem sabe no final de sua vida, ainda aproveitar do valor do amor.

MUITO MAIS QUE AMOR - Hirtis Lazarin



O que significa sonhar com olhos? - Sonhar com - Significado dos Sonhos

MUITO MAIS QUE AMOR

Hirtis Lazarin

                                                                

Foi num baile de formatura que conheci Lily.  Destacou-se de pronto no salão de danças.  Dançava sozinha num ritmo cheio de graça, sorrindo e cantarolando a letra da canção.  Ao erguer os braços, mostrava os joelhos, balançava os quadris de tal jeito que seu corpo bem modelado distribuía malícia.  Sabia que estava provocando e sentia prazer com isso.  Seus olhos contavam.

 

Aproximei-me num momento em que ela chegou ao bar e devorava uma taça de bebida.  Derreti-me só em ouvir sua voz.  O sorriso amplo parecia sair não só da boca e dos olhos, mas também do nariz, da testa e das orelhas.  Eu não sabia se era de verdade ou de zombaria.

 

Encontramo-nos outras tantas vezes, uma conquista que me deu trabalho.  Estar perto dela era tudo o que eu mais queria.  Dominou-me inteirinho.

 

Eu, de família culta; ela, filha de pescadores.  Não escondia o fascínio que sentia pelo dinheiro, pelo poder.  Dizia sem restrições que o dinheiro dá segurança, permite aproveitar a vida e que o futuro está garantido.

 

Mesmo assim despertava-me desejo e ternura.  Encantou-me feito cobra feiticeira e paciência não me faltava.

 

Aceitou meu pedido de casamento quando meu tio Astolfo ofereceu-me trabalho num pequeno escritório de advocacia nos arredores de Paris.  Status e cifrão escreveram-se naqueles olhos que de tão claros pareciam líquidos.

 

Tão logo sentimo-nos bem instalados num pequeno apartamento, matriculei-a num curso de francês.  Era inteligente e comunicativa.  Familiarizou-se mais rápido do que eu supunha com a cidade, os hábitos e o idioma.  Em poucos meses, já entendia o interlocutor e se fazia entender.  Perdeu o medo e sozinha tomava o ônibus e fazia um tour pela cidade.

 

Mas Lily estava sempre insatisfeita e ansiosa.  Sem me consultar, matriculou-se numa escola de artes.  Contou-me que sempre gostara de desenhar, mas a dificuldade financeira da família nunca permitiu que estudasse.  Fingi que acreditei.  Nunca vi um desenho feito por ela. Em semanas, o quarto de visitas entulhou-se de tintas, cavaletes, telas e até livros de arte.  E eu trabalhava mais e mais pra dar conta dos gastos.

 

Várias vezes ela alterou o horário das aulas e começou a voltar pra casa cada vez mais tarde.  Desculpas e explicações não a embaraçavam.  Era muito criativa.

 

Discussões, cenas de ciúmes tornaram-se frequentes.  A minha confiança escapava  pelos vãos dos dedos e eu não segurava mais tanta decepção e tristeza.  Palavrões já faziam parte do meu vocabulário.  E ela, neutra e impassível.

 

Naquela tarde de inverno rigoroso, eu estava esquisito e muito ansioso.  De repente,  o escritório, as mesas, as pessoas começaram a girar.  Não enxerguei mais nada.  Quando acordei estava deitado num sofá improvisado e rodeado pelo médico,  enfermeira e colegas de trabalho.  Minha pressão arterial andava descontrolada.  Um certo tempo depois, um táxi me deixou em casa. 

 

Eram quinze horas.  A casa,  solitária, desarrumada e triste.  Ultimamente Lily saía e não me dava satisfação. Esperei inutilmente por ela e nada...   Acabei adormecendo...   Acordei assustado horas depois  e tudo continuava no silêncio e na escuridão.  Amaldiçoei a correria dos ponteiros do relógio.

 

Depois de muitas taças de bebida, apertei tanto a última que estilhaçou entre meus dedos.  Eram cacos de vidro por toda parte.  Um corte profundo na palma da mão esquerda sangrou...  Levantei-a tão bruscamente que pingos de sangue mancharam minha roupa e o tapete.  "Como pude enganar a mim mesmo por tanto tempo?"  A verdade, eu impedia-me de ver."

 

Dez horas da noite e eu cansado de tudo...

 

A preocupação que tinha virado ansiedade que virou raiva.  Um calorão sufocante e irado obrigou-me a arrancar a roupa. e atirá-la bem longe.  Parei em frente ao espelho.  Não me reconheci.  Na imagem refletida havia um rosto de expressão selvagem,  de ódio, os cabelos desgrenhados, as pupilas dilatadas, a boca seca e irônica.

 

Leônidas está na UTI e respira através de aparelhos.

 


quinta-feira, 23 de julho de 2020

QUANDO O FINAL NÃO É FELIZ - Henrique Schnaider



Dinheiro Na Mão - Publicações | Facebook


QUANDO O FINAL NÃO É FELIZ
Henrique Schnaider


Brian era um magnata das comunicações, dominava tudo, era o dono da noite, onde chegava, as portas se abriam, era admirado, influente na política brasileira, numa época difícil, onde havia homens como Getúlio Vargas, elegia para os mais altos cargos, políticos medíocres bajuladores, perto dele sempre havia uma bomba prestes a explodir, quando fazia uso das manchetes do seu jornal diário.

Certa feita, Brian, corajoso indomável, mexeu com o velho ditador, escreveu um artigo venenoso intitulado “A anistia”, deu um lugar de destaque em seu diário, pagou um preço caro pela ousadia, foi preso, só liberto três dias depois, avisado que tomasse o devido cuidado, com o que escrevesse, senão seria preso novamente.

Era admirável, a solidão da luta que mantinha contra a ditadura, guerreava com destemor, era Don quixote lutando com os dragões da maldade sem o fiel escudeiro Sancho Pança.

Tinha uma visão incomum, tanto para criar celebridades como arruinar reputações, teve inúmeros affaires com mulheres, apesar de ser casado com Eulália Dantas, a quem foi infiel por décadas, atrizes que faziam de Brian, a escada da glória, amantes ambiciosas, deu fama à inúmeras delas, mas, naquele Outono, o sol caia com uma luz pálida e macia, ele sentia o peso da solidão.

Sonhava por um amor que o envolvesse por inteiro, conheceu Tereza, mulher suave, uma joia preciosa, Brian frequentou com ela, as altas rodas,  por um tempo, iludido, pensava que havia encontrado finalmente, um grande amor, mas seu coração permaneceu intocado, o jornalista, na mesa de trabalho, sentia-se infeliz, precisava um toque feminino, para deixar a vida alegre.

Certo dia, ao entrar no elevador, na sede do Império de notícias, ficou paralisado, entreolharam-se, aquela garota jovem, que era levada pela mão, por outra mulher mais velha, que parecia ser a mãe ou a avó, não deveria, ter mais de quinze anos, ficou deslumbrado, deu um sorriso doce na direção dela, perguntou o seu nome, ouviu o sotaque argentino, o nome era, Cora Acuña.

A jovem, com olhares ambiciosos, deu um sorriso tímido, queria corresponder, sentiu que poderia mudar a vida, pois percebeu que Brian deveria ser um homem influente, Brian despediu-se cheio de mesuras, entrou no escritório alvoroçado para obter informações, da jovem, que despertou nele tamanho interesse.

Com brilho intenso, iluminando aqueles olhos cansados, aguardava ansioso, as informações que não demoraram a chegar, ele enviou uma corbelha de orquídeas, para aquela pensão humilde, com um convite para jantar, num restaurante luxuoso onde, ele era habitue.

De repente para na porta da pensão, um luxuoso Roll Royce, com chofer de uniforme, provocando um alvoroço naquela gente simples, levando as encantadas, Cora e a avó, provocando o olhar invejoso das pessoas.

Durante o jantar, conversaram à vontade, Brian era só elogios para avó, agradando-a com intuito de conquistar Corita, prometeu à avó Claudia Martinez, que ela iria cantar no teatro Municipal, a Zarzuela, (gênero lírico dramático), para um público elitizado.

CAPÍTULO II

Cora queria tornar-se uma Diva do cinema, correspondeu a todo charme que, o jornalista dirigia à ela, com a anuência da ambiciosa avó.

Não demorou muito, os planos de Brian, surtiram o efeito desejado, convenceu a avó, foram morar os três num palacete, em uma rua fina, num bairro de grã-finos. A jovem, virou celebridade, nem todo o escândalo provocado, por alguém com aquela idade, vivendo com um homem maduro, atrapalhou a carreira de Corita, o poder do Jornalista, superou tudo, menos um ciúme patológico.

O fruto desta relação, depois de alguns anos, foi a linda menina, Rosângela, após o nascimento da bebe, tudo eram flores, a felicidade preenchia a vida deles, não o suficiente para manter Corita com Brian, caiu de amores, estava apaixonada, por um jovem ator de cinema, com quem havia contracenado, amor ardente de cinema, Cora abandona o Jornalista, foge com Carlos Ridel.

Brian sentiu o golpe, mas lutava sem tréguas por Cora, não se deu por vencido, era cruel com aqueles que o traiam, iria lutar pela mulher, que o conquistou, iniciou uma guerra sem tréguas, iria até o fim para tê-la de volta.

Não perdia de vista a amada Corita, acompanhando tudo que acontecia na vida dela, tinha certeza de que aquela aventura não iria longe, com toda a influência que possuía, fez o Presidente, mudar uma lei para favorecê-lo, lutou pela guarda de Rosangela, ponto fraco de Corita,  as portas se fecharam para o jovem casal. Não conseguiam mais trabalho no mercado artístico, começaram as dificuldades e desentendimentos.

Aquele amor imaturo, entrou em crise, as brigas tornaram-se frequentes, e Brian lutando na justiça, ganhou a guarda da filha, Corita não resistiu, o jovem casal rompeu o romance, o amor da jovem atriz, pela pequena Rosangela, levou de volta Corita para os braços de Brian.

Ela voltou, mas fez da vida do Jornalista um inferno, já não era a mesma, fria, perdera aquele encanto que conquistou Brian, coração magoado, não perdoava o jogo sujo, que ele fez para tê-la de volta.

A vida deles tornou-se insuportável, Brian ganhou, mas perdeu o coração da jovem argentina, que ficou ao lado dele, apenas para poder conviver com a pequena Rosangela, para qual deu todo o amor que tinha, não sobrando nada para o grande magnata.  



Encontro misterioso - Alberto Landi

  Encontro misterioso Alberto Landi A nave da Catedral de Chartres era ampla e alta; colunas robustas sustentavam os arcos que pareciam subi...