ACHADO NO BRECHÓ
Henrique Schnaider
Rui era uma pessoa tranquila
e, por isso, levava uma vida típica de uma família de classe média. Tinha a
companhia da esposa, Natalia, e ambos aproveitavam essa tranquilidade: saíam
sempre para desfrutar de todas as oportunidades que a cidade de São Paulo
oferecia.
Enquanto Natalia ia
diariamente ao clube social do qual eram sócios, para aulas com professores de
educação física, Rui, já aposentado, tinha todo o tempo disponível e, como
tinha certa preguiça de acompanhar a esposa ao clube, saía logo cedo para uma
longa caminhada, aproveitando para, no caminho, procurar novidades.
Durante o percurso, ia
parando nas lojas, principalmente naquelas do tipo brechó, pois Rui gostava de
colecionar documentos antigos. Assim, parava nas lojas que tinham esse tipo de
coisa, que ele apreciava, apesar das queixas da esposa sobre a “bagunça” que
acabava deixando em casa, já que sua coleção parecia não ter fim.
O dono do brechó já conhecia
esse hábito de Rui e sempre telefonava para ele, pedindo que viesse à loja para
ver as novidades que poderia adquirir.
Rui começou a olhar
detalhadamente tudo o que havia na loja, coisas novas que ainda não tinha
visto. O nosso herói se deliciava com tudo o que estava diante dele. Havia
inúmeros documentos antigos, verdadeiros tesouros à espera de serem explorados.
De repente, arregalou os
olhos ao ver uma caixa toda trabalhada, com detalhes dourados, pela qual se
encantou imediatamente. O senhor Viriato, porém, olhou sorridente para Rui e
lhe disse, marotamente, que ele só poderia ver o que aquela caixa escondia se
lhe pagasse antecipadamente a quantia de dois mil reais.
Rui ficou numa dúvida atroz:
pagar aquela quantia, sem saber o que havia dentro, parecia um risco enorme. E
se não houvesse nada de especial e ele gastasse seu dinheiro à toa, como num
jogo de cassino?
Mas a curiosidade de Rui era
tão grande que chegava a lhe dar comichão. Ele não resistiu e fez sua proposta:
— Pago mil e quinhentos
reais.
E aguardou, ansioso, a
resposta do proprietário da loja.
O senhor Viriato fez cara de
quem pensava seriamente na proposta e passou uns cinco minutos criando um
suspense enorme. Finalmente, disse ao cliente ansioso que fechariam o negócio
por mil e oitocentos reais.
Rui não resistiu e aceitou a
compra da caixa. Entregou o cartão de crédito ao senhor Viriato, pagou pela
peça e, explodindo de emoção, apoderou-se do tesouro conquistado, como se fosse
o maior achado de sua vida.
Não perdeu tempo. Abriu a
desejada caixa, curioso para ver o que havia dentro e se tinha valido a pena
gastar tanto dinheiro para satisfazer seu desejo.
Dentro havia, já embolorado
pelo tempo, um documento escrito à mão, que devia ter muitos anos. Rui,
emocionado, começou a ler o que estava escrito naquele documento histórico.
Entrou em estado de choque
ao perceber que o documento dava detalhes de um verdadeiro tesouro enterrado.
Descrevia uma grande fortuna: dinheiro antigo, joias e barras de ouro.
Qual não foi a surpresa de
Rui ao ver que o documento estava assinado por seu avô. Nele, o avô explicava
onde o tesouro estava enterrado e, para espanto ainda maior, o local era o
quintal da casa onde Rui morava, imóvel que havia herdado justamente dele.
Rui voltou para casa e, como
o avô havia descrito com precisão o lugar onde enterrara a caixa com toda
aquela fortuna, não foi difícil encontrá-la.
Com certeza, depois desse
acontecimento, a vida do nosso herói mudou completamente. Rui aproveitou toda
aquela fortuna para viver, ao lado da esposa, uma vida repleta de alegrias.
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