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quarta-feira, 13 de maio de 2026

GIZA, a investigadora - Alberto Landi





GIZA, a investigadora
Alberto Landi

Giza, mulher idosa, mal vestida, mochila nas costas, olhar acurado. Atravessa a cidade como uma sombra, com roupas gastas e passos firmes.
A mochila nas costas guarda mais segredos do que pertences. Ninguém repara nela, é apenas uma presença apagada na paisagem urbana. Mas seus olhos trabalham, seguem passos, recolhem gestos. 
Seu olhar, ainda preciso, lê pessoas como quem folheia arquivos antigos.
Ninguém suspeita daquela mulher idosa que pede informação nas esquinas. Já foi bela, e essa beleza agora apagada, virou seu melhor disfarce. Ela é investigadora, não das que exibem distintivos, mas das que sobrevivem na sombra.
Ela segue rastros invisíveis, daqueles que só o tempo ensina a ver. Está sempre atrás de alguém.
Criminosos passam por ela sem notar que estão sendo caçados. Cada gesto seu é calculado, cada silêncio, uma armadilha.
E quando decide agir, ninguém percebe que já é tarde demais.
Naquela noite ela atravessa o subúrbio silencioso até encontrar um velho prédio de corredores estreitos, onde uma porta descascada chama imediatamente sua atenção. O homem lá dentro ri alto, seguro de sua impunidade. Ela não bate, apenas espera como sempre fez.
O passado dele começa a bater antes que ela precise tocar. Quando a porta enfim se abre o sorriso desaparece. Ele a reconhece, não pelo rosto, mas pelo medo. Ela entra devagar como quem volta para casa. Giza não precisa usar força, a presença dela já desperta o peso do que ele fez.
Nenhuma arma, nenhum grito, somente a verdade acumulada. E ao sair, deixa tudo em silêncio, exceto a justiça feita.
Na rua volta a ser invisível, ate o próximo nome da lista guardada na velha mochila.
E enquanto a cidade dorme, ela segue silenciosamente em direção ao próximo infrator!

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