ARNALDO,
O DONO DO BRECHÓ
Henrique
Schnaider
Arnaldo
era uma pessoa um tanto quanto curiosa, e devido a esta característica de sua
personalidade, frequentava lugares onde podia matar sua vontade de conhecer
coisas desconhecidas e misteriosas.
Por
causa disso, possuía em sua casa, como colecionador, quadros com pinturas as
mais estranhas, objetos os quais ninguém dava o menor valor.
A
esposa tolerava essas manias do marido, tinha uma paciência de Jó e procurava
organizar as coisas em casa. Haja paciência||||
E
assim a vida ia do jeito que Arnaldo queria, já estava aposentado e resolveu
abrir um brechó, e assim em vez dele ir atrás das coisas, elas que vinham ao
seu encontro, bastava esperar que aparecesse alguém na sua loja, vendendo uma
velha relíquia e Arnaldo regateava, pagava baratinho.
Um
dia, apareceu uma pessoa vendendo um móvel muito antigo, um guarda-roupa, uma
cristaleira, cadeiras tipo Luiz XV, colchões de molas do tempo antigo, e a loja
foi pegando fama e cada vez mais aparecendo gente vendendo suas velharias.
A
esposa do Arnaldo resolveu ajudar o marido e assim passava uma boa parte do
tempo, com o marido, na loja.
De
vez em quando, Arnaldo saía da loja para participar de leilões. Certa vez, ele
soube que haveria um leilão da Lusitana e a empresa de mudanças ia guardando,
alugando espaço para guardar toda uma mudança de uma casa e a pessoa deixava de
pagar o aluguel e automaticamente perdia todos aqueles móveis para a Lusitana.
Lá
foi o Arnaldo participar do leilão lá no Bairro de Santana, e não havia muitas
pessoas, e assim Arnaldo achou que seria fácil arrematar muita coisa por um
valor irrisório, e a sua loja era grande o suficiente para guardar tudo o que
ele comprasse no leilão.
Tem
início o leilão, o leiloeiro a oferecer os lotes e Arnaldo atento, de olho
vivo, para ver o que havia de coisas interessantes para ele dar um lance, e
assim o leiloeiro ia quase gritando “quem dá mais?” Aquele senhor ofereceu 200
reais e esse lote vale muito mais por ter coisas muito interessantes.
E
com essas e mais outras, Arnaldo já havia arrematado quatro lotes e ficou
imaginando que ia encher a sua loja de antiguidades. O leiloeiro gritou em
altos brados que o próximo lote era o mais importante de todos até aquele
momento, pois tinha móveis finos, quadros, uma mobília inteira.
Arnaldo
pensou: “Este lote não vou deixar escapar” e de cara ofereceu um lance
imbatível de mil reais, e pensou que não ia ter concorrente, mas não é que um
senhor ao seu lado ofereceu mil e duzentos reais. O leiloeiro vibrou e disse
que este senhor está com a mão no lote. “Quem dá mais?”
Arnaldo
não titubeou e ofereceu mil e quinhentos reais. O leiloeiro foi às nuvens e
disse: “O lote voltou para o Senhor Arnaldo.”
O
leiloeiro, emocionado, gritou: “Quem dá mais, quem dá mais?”
Ele
aguardou e gritou novamente: “Quem dá mais?
Dou-lhe
uma, dou-lhe duas, dou-lhe três. “O melhor lote acabou de ser arrematado pelo
Senhor Arnaldo.” Tinha de tudo nesse lote e ele não cabia em si de felicidade.
O
dono do brechó encheu a loja de 50 metros de todo tipo de móveis e outras
coisas. Com certeza, iria ganhar umas cem vezes mais do que o valor que pagou.
E
assim Arnaldo, o dono do Brechó, foi levando a vida, com sua esposa, feliz e
realizado com aquilo que fazia e do objetivo que decidiu fazer na sua vida.
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