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quarta-feira, 6 de março de 2024

O Sequestro - Um dia de grande tensão - Alberto Landi

 



O Sequestro

Um dia de grande tensão

Alberto Landi

 

Flavia, uma estudante de 17 anos, residente em São Paulo, estava no segundo colegial.  Muito esforçada, independente e inteligente. Vitório Cunha e Manuela estavam orgulhosos pelo empenho da filha. Herdeira das empresas, Vitório acreditava em seu potencial de liderança administrativa.  Afinal, eram bem-sucedidos, de situação financeiramente estável, e reconhecidos como sendo detentores de uma das maiores empresas do ramo têxtil.

A família Cunha faz curtas viagens nos finais de semana, passam dias na fazenda de gado leiteiro no oeste paulista, ou na casa de praia em Ubatuba no litoral norte, onde residem numa pequena ilha. É comum vê-los chegar ou sair de helicóptero do prédio onde estão localizados os escritórios de comando das empresas, ou embarcando para o exterior e voltarem repletos de compras.

Tanta ostentação atraiu olhares...

Manuela, certa manhã, estava no escritório quando recebe um telefonema desconhecido:

— Estamos em poder de sua filha, se quiser vê-la com vida, siga as instruções. Ponha 50 mil dólares numa valise preta, e deixem-na no altar da igreja Boa Morte, coluna da esquerda, às 16 horas de hoje.

Manuela sentiu uma vertigem passar pela espinha dorsal e paralisar seus movimentos, as mãos trêmulas não obedeciam aos gestos, a vista turva inibia caminhos. Alguém a sacudiu querendo saber se estava bem.  Aquela voz ainda estava turbinando seus ouvidos:

— Liguem para Vitório, é urgentíssimo! – Gritou com a voz titubeante. E depois contou ao assistente o que estava acontecendo. “Hoje é um dia que ela ficaria na escola até o final da tarde”.

Prontamente, ele telefonou para a escola de Flávia, afinal, poderia ser um trote. Mas, a direção da escola confirmou que a jovem não compareceu à aula. Seguidas vezes ligou para o celular da moça, e não obteve resposta.

“Então não é trote! Meu Deus!”

Rapidamente contataram Lobato, um amigo da família, padrinho da Flávia, um policial aposentado que atualmente trabalha com investigações, que logo se prontificou em ajudar rastreando a origem do telefonema, acionando reforços para capturar o sequestrador, e a família foi orientada para que fizesse exatamente o que o sequestrador exigiu.

Manuela estava prostrada no sofá, o médico já a examinava, a mulher se apresentava em estado de choque. Ela gemia aflita, e Vitório tentava acudi-la, mas como urgia que as providências fossem tomadas e tudo acabasse bem, ele voltava-se para o grupo policial.

Planejam qual seria a estratégia dali por diante. O tempo corria e não poderiam perder a oportunidade de resgatar Flávia e, ao mesmo tempo, prender os sequestradores.

A maleta preta, contendo os 50 mil dólares exigidos, já estava sobre a mesa. Além do dinheiro, um GPS instalado na alça mostraria o destino do objeto. Um grande time de policiais à paisana foi orientado a não perder a maleta de vista.

A família estava desesperada, desequilibrada em suas ações e pensamentos. Contra eles, o medo, o pavor, e o tempo… havia pouco tempo para a quantia ser levada à Igreja da Boa Morte, na Luz.

Vitório estava preparado para sair, tinha escutas por dentro da camisa, e micro câmera na armação dos óculos. Na igreja, já estavam a postos alguns “fieis” espalhados entre os assentos, e um mendigo à entrada estendia a mão suja para alguns visitantes.

Vitório, temia por Flávia. Seguiu determinado quando saiu do automóvel. À sua frente a imponente construção amarela onde, possivelmente, devolveriam sua filha. Ao entrar, lembrou de fazer uma ligeira oração. Na mão direita, a maleta. Seus olhos correram o espaço dourado do interior da igreja. Deveria seguir pelo corredor lateral esquerdo, entrar no hall do altar e lá deixar a maleta. Os passos cautelosos ecoavam no assoalho amadeirado. Procurava pelos cantos alguém que fosse suspeito, procurava por Flávia. Teve vontade de gritar seu nome. Nesse momento ouviu Lobato falar no ponto do ouvido: “siga em frente, Vitório. Não titubeia, estamos a postos”. Acelerou e subiu os poucos degraus que o levariam ao altar. Arriscou olhar em volta, e nada lhe chamava a atenção. Viu o amigo no primeiro banco, ajoelhado como se rezasse fervorosamente. Quem sabe rezava mesmo, ele era padrinho de Flávia.

Depositou a maleta ao lado da coluna dourada, como exigido, o coração apertado gritava para que ele não cometesse erros. Voltou ao átrio. Tentou relaxar os músculos, postou-se ao lado da última capela, observando o silêncio que o ambiente guardava. Os outros policiais estavam atentos, disfarçados de fiéis, confundiam até Vitório.

 

Enquanto isso, na casa, Manuela recebe uma ligação. Era do celular da Flávia. A mãe congelou. Certamente seriam os sequestradores. Nervosamente atendeu. Não era. Era a própria Flávia:

“Vim fazer um trabalho na casa da Sofia, e acabei faltando à aula. Na pressa de terminar o trabalho, esqueci de avisar você, mamãe. Então, não vá me pegar na escola, vou para casa mais tarde, vou de táxi”.

Manuela teve uma injeção de dinamismo no mesmo instante. Sua menina estava bem.

— Ela está bem, não foi sequestrada! – Gritou para o assistente.

Precisava avisar o marido. Mandou uma mensagem, sabendo que as mensagens dela sinalizavam diferentemente no celular dele. Imediatamente ele leu, abriu um sorriso enorme, mas conteve-se. O coração aos pulos, mas agora mais controlado, transmitiu para Lobato, através do ponto do ouvido, todo o texto de Manuela.

E as ordens mudaram agora:

“Troque imediatamente aquela valise pela valise vazia que trouxemos, e vá embora, Vitório. Vá acudir Manuela. Deixe o resto conosco. Os bandidos não sabem que a Flavinha está bem e que já sabemos disso. Vamos pegar esses vagabundos! ”.

Não deu tempo de fazer a troca, uma mulher bem-vestida entrou no corredor central da igreja, foi direto para o altar. Às vezes olhava para os lados, mas percebia-se que seus olhos fixaram a valise. Apanhou-a de modo repentino e urgente.

Os policiais a cercaram e a levaram algemada para a delegacia.

Mais tarde, Lobato voltou a se encontrar com a família. Flávia riu dos fatos, mas depois percebeu que era uma boa armadilha, essa dos sequestradores.

 

— Esse é um golpe que está em vigor, infelizmente, diante do medo de perder o ente familiar, muitas famílias pagam o resgate para o falso sequestro - disse Lobato.

No entanto, como Flávia era jovem e esperta, levantou uma dúvida:

— Mas, como eles podiam saber que eu não iria à aula?

— Não sabiam, querida. Só tinham certeza de que, se desse certo, embolsaram 50 mil.

 

segunda-feira, 4 de março de 2024

MATERIAIS DE TODAS AS AULAS


MATERIAIS DE TODAS AS AULAS











 IN MEDIA RES - 21 DE FEVEREIRO DE 2024


IN MEDIAS RES: In medias res é uma frase latina que significa “no meio das coisas”. Na escrita, usamos esse termo para descrever uma história que começa no meio da ação, sem o preâmbulo de uma introdução. O impacto imediato no público provoca a emoção que o fará seguir adiante. O narrador colocando o leitor no centro da ação, ele emprega uma sensação de urgência, tornando a narrativa mais imersiva. É uma estratégia poderosa para cativar o público. Muito diferente das histórias que seguem uma sequência linear de cronologia.

Ilíada de Homero, já começa no meio da Guerra de gregos e troianos. Odisseia, o poema começa 10 anos após a Guerra de Troia, com o protagonista, Odisseu, sendo mantido em cativeiro pela deusa Calipso. O resto da história é contada em flashbacks, que exploram os acontecimentos que levaram à cena de abertura.

 

1. Comece pelo meio. Escolha um momento culminante, conflito, discussão, briga, revelação – qualquer coisa que indique que alguma cadeia de eventos ocorreu neste mundo antes do momento crucial.

2. Injete sua história de fundo. Se você começar sua história no meio, o público eventualmente precisará saber quem são esses personagens e o que está acontecendo. Informações relevantes podem ser fornecidas por meio de flashbacks, fluxos de pensamento, alteração da voz do narrador, ou por meio de diálogo - mas há um equilíbrio que todo escritor deve encontrar ao fornecer informações suficientes ao leitor para que ele entenda a situação atual sem despejar um tesouro de conhecimento sobre ele.

3. Torne isso urgente. A cena que você escolher para iniciar deve ser um momento crucial e de alto risco para os personagens principais de sua história e deve fazer parte integrante do enredo. Provoque o leitor, deixe-o ansioso imaginando como e por que aconteceu, e ansioso também para saber se tudo vai dar certo para os protagonistas.

 

TAREFA 1: Uma herança bilionária leva uma família inteira ao desiquilíbrio, à ganância, e ao crime.  

TAREFA 2: Uma pessoa está desaparecida, ela foi sequestrada, e isso gera tumulto familiar e empresarial.






QUE NUNCA FALTE EMOÇÃO NA ESCRITA 
28 DE FEVEREIRO DE 2024

Quando os autores não se preocupam em empenhar emoção na história, é muito provável que a história não faça a necessária conexão com o leitor. Pois é através da emoção contida na trama que o leitor sentirá empatia com o enredo. Se não houver essa conexão, é porque não houve emoção suficiente no texto.

Não tenham medo da pieguice, não fujam daquilo que é importante para segurar seu leitor: emoção textual. O texto é sua mercadoria, ofereça a melhor, a mais atraente, a mais empolgante.

Além do já costumeiro conselho “mostre, em vez de contar”, vocês, escritores, precisam ir mais fundo, se apoderando dos pensamentos dos personagens, das expressões faciais, dos sinais através dos olhares, dos movimentos corporais. Não devem ter receio de levar o personagem às lágrimas, ou às últimas consequências. Façam isso e explorem os sentimentos deles para contagiar o leitor. Invoquem o passado do personagem para provocá-lo, tragam à tona um amor esquecido que vem agora torturá-lo, um crime escondido, um segredo que ele jamais imaginou as consequências se fosse revelado. Provoquem seus personagens! Trabalhem arduamente na emoção do personagem, na emoção textual.

Descrevam dores e sofrimentos, mostrem seus corações batendo forte, o suor escorrendo pelas costas ou suas mãos ficando dormentes por cerrar os punhos. Podem ir além, dizendo ao leitor que ele teme pela sua vida. Sim, numa conversa do narrador com o leitor, ou do personagem com o leitor, mostrem a insegurança, o medo do personagem. Explorem tudo através das figuras de linguagem, escolham um título chamativo, façam valer as ferramentas literárias que moram nos confins de tantas escritas.


Criar dois contos tendo o cuidado de empenhar emoção nos personagens, e no enredo.


TAREFA 1: “Uma jovem de 15 anos faz inquietas descobertas por meio de linhas telefônicas cruzadas”

 

TAREFA 2Uma milionária, importante empresária do ramo de minérios, sofre um mal súbito e perde a memória.









AS EMOÇÕES HUMANAS TRANSFERIDAS 
PARA OS PERSONAGENS
07 DE FEVEREIRO DE 2024

As emoções humanas nos ajudam a lidar com a vida cotidiana, permitindo-nos comunicar ou demonstrar o que sentimos em relação a certas situações, pessoas, fatos, pensamentos, sentidos, sonhos e memórias.

Muitos psicólogos acreditam que existem seis tipos principais de emoções, também chamadas de emoções básicas. Eles são: felicidade, raiva, medo, tristeza, desgosto e surpresa. A felicidade é a nossa reação ao positivo, assim como o desgosto é o revoltante e a surpresa é o inesperado. Da mesma forma, reagimos à aversão por meio da raiva, ao perigo por meio do medo e à dificuldade ou perda por meio da tristeza.

Todas as outras emoções são variedades de emoções básicas. Depressão e luto, por exemplo, são variedades de tristeza. O prazer é uma variedade de felicidade, e o horror é uma variedade de medo. De acordo com psicólogos, as emoções secundárias se formam combinando graus variados de emoções básicas. Assim, surpresa e tristeza produzem decepção, enquanto nojo e raiva produzem desprezo. Múltiplas emoções também podem produzir uma única emoção. Por exemplo, raiva, amor e medo produzem ciúme.

Cada emoção é caracterizada por qualidades fisiológicas e comportamentais, incluindo as de movimento, postura, voz, expressão facial e flutuação da taxa de pulso. O medo é caracterizado por tremores e aperto dos músculos. A tristeza aperta a garganta e relaxa os membros. A surpresa é uma emoção particularmente interessante, caracterizada por olhos arregalados e queixo caído, que dura apenas um momento e é sempre seguido por outro tipo de emoção.

Com os personagens literários, não é diferente. Eles têm reações reais aos conflitos, e essas reações são gatilhos emocionais que promovem a sequência da história. 

Aqui apontamos algumas delas para ajudar o escritor no desenvolvimento emocional do personagem:

Apatia / Ansiedade / Tédio / Compaixão / Desprezo / Êxtase / Empatia / Inveja / Medo / Constrangimento / Euforia / Perdão / Frustração / Gratidão / Mágoa / Culpa / Ódio / Esperança / Horror / Saudades / Histeria / Amor / Paranoia / Piedade / Prazer / Orgulho / Raiva / Arrependimento / Remorso / Simpatia...


 Hoje falaremos do MEDO, emoção que atribuiremos ao nosso protagonista na história que será criada em na aula on-line:

 

O medo é a reação emocional a uma fonte real e específica de perigo. Um mecanismo de sobrevivência, o medo está geralmente relacionado a uma apreensão em relação à dor. O medo severo é uma reação ao perigo terrível que se aproxima, e o medo trivial ocorre como resultado de um confronto que não representa uma ameaça significativa. Os graus de medo variam de uma leve cautela à paranoia. O medo pode afetar a mente inconsciente por meio de pesadelos.

O medo é muitas vezes confundido com a ansiedade, que é uma emoção muitas vezes exagerada e vivenciada mesmo quando a fonte do perigo não está presente ou tangível. Embora o medo esteja ligado à ansiedade e a outras condições emocionais, como paranoia e pânico, é uma emoção separada por si só.

Os psicólogos descobriram que o medo pode ser ensinado. Por exemplo, as crianças podem ser condicionadas a temer certas coisas. Além disso, acidentes acendem medos. Uma criança que cai em uma piscina e luta para nadar pode desenvolver um medo de piscinas, natação ou água.


 SEGUNDO CONTO: nova história será criada, e o protagonista reagirá com RAIVA: (pesquisar mais)

 

A raiva é a emoção que expressa aversão ou oposição a uma pessoa, ou coisa que é considerada a causa da aversão. Os psicólogos consideram a raiva uma emoção natural necessária para a sobrevivência. A raiva pode trazer melhorias comportamentais; no entanto, a raiva descontrolada pode causar problemas sociais e pessoais.

Os psicólogos dividem a raiva em três categorias. Um tipo de raiva é uma reação instintiva a ser preso ou ferido. Outro tipo é uma reação à percepção de ser intencionalmente prejudicado ou maltratado por outros. O terceiro tipo de raiva, que inclui a irritabilidade, reflete os traços de caráter pessoal de um indivíduo.

A raiva às vezes é exibida por meio de atos agressivos repentinos e evidentes. Um indivíduo incontrolavelmente zangado é suscetível a perder a capacidade de fazer julgamentos sensatos e agir com responsabilidade. A raiva extrema é obviamente autodestrutiva, assim como a raiva que não é expressa externamente e mantida internamente. A raiva é muitas vezes mal utilizada por indivíduos que agem com raiva como um meio de manipular os outros.




CONTO DE MISTÉRIO E SUSPENSE

06 de dezembro de 2023

 

A narrativa que envolve mistério e suspense é particularmente interessante por seus detalhes. O enredo deste gênero pode tratar de um crime, de uma traição… ou de terror.


O formato da linguagem é fundamental para criar suspense. Há expressões apropriadas para este gênero literário. Como exemplo, os advérbios fazendo parte da narrativa para emprestar um ar de “rotina quebrada” chamando o leitor para a história:


Subitamente

Inesperadamente

Repentinamente

Sorrateiramente

Bruscamente

Assustadoramente

Imprevisto


Perceba que, em sua maioria, são os advérbios de modo que ilustram a quebra do cotidiano das histórias de suspense.

 

O Conto de Mistério e Suspense obedece algumas “regras” para ter cheiro, sabor, formato e impacto de suspense:

 

- Quase não há diálogo nesse gênero. E quando há, é porque está sendo usado como dispositivo para criar implicações, mistérios e inferências. Muitas vezes as palavras ou frases são enigmáticas, o que favorece esse gênero literário, e ajudam a tornar o diálogo misterioso. No entanto, não se deve exagerar, tornando cada frase tão obscura que o leitor fique totalmente perdido.

 

- Quando se deseja que o texto tenha aspecto de relato pessoal em tom de confissão, cumplicidade, usa-se a primeira pessoa “Eu”. Esse método, utilizado por grandes escritores como Edgar Alan Poe, promove um ar de credibilidade ao que se conta, como se o narrador tivesse feito parte dos fatos. Há também a narrativa em terceira pessoa (observador ou onisciente: que tudo viu, tudo sabe e expõe pensamentos e sentimentos das personagens).

 

- Destacam-se adjetivos e os verbos de ações inusitadas.  Todo o texto bem combinado com boas metáforas.


- O suspense é criado pela interrupção da narrativa num momento culminante.

 

- Este gênero é guiado pelas vozes aflitas (terror), sussurros, gritos, segredos, códigos, chaves, murmúrios...

 

- Bom que haja diversas pistas: umas falsas e outras verdadeiras.

 

- Atentar para que a estrutura do texto responda a todas essas questões:

 

O QUÊ? – O (s) fato (s) que determina (m) a história;

QUEM? - O personagem ou personagens;

COMO? - O enredo, o modo como se costuram os fatos;

ONDE? - O lugar ou lugares da ocorrência

QUANDO? - O momento ou momentos em que se passam os fatos;

POR QUÊ? - A causa do acontecimento.


- O ambiente pode ser inicialmente claro e limpo, mas de repente fica desconfortável. Ouvem-se ruídos estranhos. Os 5 sentidos são aguçados, e precisam ser empregados no texto: ouvir gotejamentos, sussurros, passos, um objeto que cai, o vento zunindo que desloca um papel. Há de se ter desconfiança e curiosidade. Em suma, o suspense tem que estar presente no texto.


- Use palavras, vocabulário específico para criar suspense: adjetivos expressivos, exagerados; advérbios de modo, de lugar, de tempo que acrescentem circunstâncias especiais às ações.


- Crie um desfecho inusitado, surpreendente.

 

Criar os textos:

- História de suspense/investigativo.

 

Cenário de suspense ESTAÇÃO DE METRÔ. Um passageiro presencia um crime, um assassinato. Ele aproveita o celular que já estava sendo usado, e faz o vídeo do crime. O criminoso percebe isso, e...

 

APÓS A ESCRITA DO CONSIDERADO RASCUNHO: Com mais tempo, melhore sua história, dê a ela frases mais apropriadas, avalie se o texto entrega o que promete – suspense – segredo – medo – desconfiança – perseguição. Use a sinestesia, os 5 sentidos, as metáforas... RELEIA O TEXTO - Envie seu conto (não se preocupe com o tamanho dele, pois não será possível criar um texto curto com esse apelo). Trabalhe o enredo para culminar em um desfecho que surpreenda.


PRAZO: fevereiro 2024.

Não se preocupe com o tamanho do texto.




quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Foi em Berlim? - Hirtis Lazarin

 



Foi em Berlim?

Hirtis Lazarin


As câmeras do aeroporto de Berlim registram Pedro apanhando a mala na esteira. Achei grande demais para os poucos dias que pretendia permanecer no exterior. Caminha rápido ao lado de outras pessoas e, agora, isolado, encosta numa coluna. Consulta o relógio, olha ao redor como se procurasse alguém e decide entrar no coffeeshop quase vazio.  Olha o cardápio e, antes de fazer o pedido, tira do bolso do blazer um bloquinho e procura anotações. O telefone toca e, ao atender todo esbaforido, deixa o aparelho cair. A força é tanta que o vidro frontal não resiste.  Mas antes que a ligação caísse, consegue atender. O tom de sua voz vai se alterando gradativamente e chega aos gritos. Os olhares voltam-se pra ele, um comportamento inadequado àquele ambiente.   Com a mão esquerda, irrequieta, alisa os cabelos repetidas vezes. Transpira e do rosto escorre suor.  Sua expressão facial vai se transformando e revela outro Pedro. Um homem muito assustado que em nada combinava com o empresário seguro e experiente.

Lá em São Paulo, Helena está no seu consultório e atende suas pacientes-crianças. Hoje, a turminha agitada cismou em atrasar as consultas com suas manhas cheias de querer. De manhã, ela não teve tempo de se despedir do marido com a viagem de negócios à Alemanha.  

Acordou bem atrasada, vestiu a mesma roupa do dia anterior, um casaco de lã pesado sobre o terninho azul-grafite. Passou pela cozinha e, de cara feia, cuspiu um gole de café gelado. A garrafa estava isenta de culpa, alguém descuidado não soube fechá-la do jeito certo. 

Já eram quinze horas quando a secretária avisou que as duas próximas consultas tinham sido canceladas. Ficou aliviada, nem teve tempo de almoçar.

Tirou o jaleco que não era mais de um branco impecável e esparramou-se na poltrona macia, amiga acolhedora de mulheres exaustas.  Depois de quase esvaziar a jarra de água gelada, respirou profundamente, o necessário para sentir-se refeita. Lembrou-se do marido.

Pegou o celular guardado na gaveta e fez cálculos sobre a diferença de quatro horas entre o Brasil e a Alemanha. Provavelmente, ele já estaria no hotel. Fez a ligação, aguardou uma dezena de toques e não foi atendida. Não se preocupou porque conhecia bem as distrações do marido e, se ele caísse na cama, nenhum toque de celular o acordaria. 

Ainda no coffeeshop, Pedro está bem agitado e descontrolado. Espera alguém que há uma hora deveria ter chegado. Vai até o balcão, toma um café e mais outro. Compra um maço de cigarros, não é viciado, mas precisa se acalmar. Senta-se numa mesa pequena no espaço reservado aos fumantes. O cheiro da fumaça é forte, não está acostumado e sente náuseas. Joga o maço no lixo, ainda não perdeu o juízo.  Ele não queria acreditar que poderia ter caído num golpe. O preço pago foi alto.

Após falar ao telefone, Pedro não tirou mais os olhos da entrada da loja. A demora o angustiava. Só sossegou quando apareceu por lá não quem ele esperava, mas uma jovem elegante. Aproximou-se dele e conversavam como se já se conhecessem. Ela percebe o nervosismo do homem e, com voz mansa e gestos afetuosos, faz de tudo para acalmá-lo. A conversa foi longa, mas deu bom resultado. Saíram dali juntos e ele não foi mais visto. Desapareceu do nada.

Helena entrou na delegacia aos gritos e gesticulando. Ninguém entendia o que falava. Tentou contato com o marido a noite inteira, ligou à recepção do hotel e ele ainda não tinha aparecido por lá. Foi a gota d’água... Chamou um táxi, não tinha condições de dirigir. Segundo ela, Pedro se encontraria com um intérprete espanhol para acompanhá-lo nas negociações. 

Já se passaram quatro dias. A polícia federal estava trabalhando com a Interpol e, num primeiro momento, supunha-se que o negócio empresarial agendado poderia ter sido uma isca para atraí-lo a um golpe.  Por questão de sigilo, nada seria divulgado. E a imprensa já estava de olho no caso.

Helena queria contribuir com as investigações e começou a vasculhar a papelada no escritório do marido. Era um tal de abrir e fechar gavetas.  Muitas pastas, muitos papéis avulsos. Contratos que pra ela não significavam nada. Precisava encontrar alguma pista. Um cartão com lista de peças de roupas estava preso no pequeno mural. Helena leu várias vezes tentando entender. Estranhou porque essa anotação não combinava com os recados rotineiros. 

Puxando na memória, lembrou-se de que, na véspera da viagem, Pedro estava bem feliz, brincalhão, um pouco diferente de outras vezes em que viajou sozinho.  Até cantarolou durante o banho e enquanto arrumava a mala e era sempre ele quem separava as roupas.  

Um insight… Helena correu ao quarto e escancarou o armário do marido. Conhecia de cor e salteado todas as peças de roupa. Ela sempre fez questão de cuidar.  Foi tirando uma por uma e logo descobriu o que não queria descobrir.  Faltavam peças esportivas e as mais coloridas: bermudas, camisetas, tênis. Que reuniões empresariais seriam essas? Os ternos continuavam ali intocáveis.

Nem preciso descrever. Todos sabemos como reage uma mulher que se sente traída e ainda com todas as provas à sua frente. 

Essas informações foram importantíssimas às forças policiais que mudaram totalmente o rumo das investigações. 

E foi bem mais fácil localizar o suposto sequestrado, depois de seis horas de andança e cruzar nove quilômetros de trilha difícil. 

Pedro estava hospedado num hotel à beira-mar na ilha Torrent de Pareis, Espanha. Praia perdida e selvagem, areia dourada, fina e águas cristalinas azul-turquesa, ideal para escapadas românticas. Sol quente e esportes aquáticos.  Noites calmas de lua cheia ao som do balanço do mar.

Eram nove horas da manhã. Pedro e Lucy, avermelhados na pele branca, conversam e tomam café da manhã. 

Era muito mais do que a imprensa esperava.

 

 

MATERIAL DA AULA DE 28 DE FEVEREIRO DE 2024 - QUE NUNCA FALTE EMOÇÃO NA ESCRITA

 





Quando os autores não se preocupam em empenhar emoção na história, é muito provável que a história não faça a necessária conexão com o leitor. Pois é através da emoção contida na trama que o leitor sentirá empatia com o enredo. Se não houver essa conexão, é porque não houve emoção suficiente no texto.

Não tenham medo da pieguice, não fujam daquilo que é importante para segurar seu leitor: emoção textual. O texto é sua mercadoria, ofereça a melhor, a mais atraente, a mais empolgante.

Além do já costumeiro conselho “mostre, em vez de contar”, vocês, escritores, precisam ir mais fundo, se apoderando dos pensamentos dos personagens, das expressões faciais, dos sinais através dos olhares, dos movimentos corporais. Não devem ter receio de levar o personagem às lágrimas, ou às últimas consequências. Façam isso e explorem os sentimentos deles para contagiar o leitor. Invoquem o passado do personagem para provocá-lo, tragam à tona um amor esquecido que vem agora torturá-lo, um crime escondido, um segredo que ele jamais imaginou as consequências se fosse revelado. Provoquem seus personagens! Trabalhem arduamente na emoção do personagem, na emoção textual.

Descrevam dores e sofrimentos, mostrem seus corações batendo forte, o suor escorrendo pelas costas ou suas mãos ficando dormentes por cerrar os punhos. Podem ir além, dizendo ao leitor que ele teme pela sua vida. Sim, numa conversa do narrador com o leitor, ou do personagem com o leitor, mostrem a insegurança, o medo do personagem. Explorem tudo através das figuras de linguagem, escolham um título chamativo, façam valer as ferramentas literárias que moram nos confins de tantas escritas.


Criar dois contos tendo o cuidado de empenhar emoção nos personagens, e no enredo.


TAREFA 1: “Uma jovem de 15 anos faz inquietas descobertas por meio de linhas telefônicas cruzadas”

 

TAREFA 2: Uma milionária, importante empresária do ramo de minérios, sofre um mal súbito e perde a memória.



Coordenadora: Ana Maruggi

E-Mail: contosdoical@gmail.com

BLOG CONTOS DO ICAL: http://contosdoical.blogspot.com

 

 

A HERANÇA - Dinah Ribeiro de Amorim.

 

 


A HERANÇA

Dinah Ribeiro de Amorim.

 

Alfonso, imigrante italiano, chegou ao Brasil em 1940, pobre, com mulher e seis filhos.

Dirigiu-se ao interior do Estado da Bahia, com intenções de trabalhar na terra. Era agricultor.

Após muito esforço e auxílio dos filhos mais velhos, consegue uma região fértil e planta cacau. Progrediu, tornando-se um dos fazendeiros mais bem-sucedidos e conhecidos da região. Um homem rico, com filhos e netos estudando e até vivendo fora do país.

O tempo passa, a idade pesada chega, e Alfonso sabe que o esforço rendeu frutos. Deverá colocá-los em mãos habilidosas, com amor à terra e à plantação, também.

Dos seus filhos, reconhece que só o mais velho, Joel, continuou morando com ele e participa dos problemas da fazenda.

O advogado da família, Dr. Arthur, alerta-o para o preparo de um testamento. Estabelecer uma herança, assim, evitará muitos problemas futuros.

Com a saúde já bastante debilitada, pensa em comunicar aos filhos e netos distantes, errantes pelo mundo em viagens e lazeres, a necessidade de uma divisão de bens. Gostaria de fazer justiça a Joel, o mais velho, o mais amante e habilidoso de todos. O filho que dedicou e compreendeu as necessidades do pai.

Começam a chegar avisos e cartões de saudades e preocupações com o velho. Ao falar em partilha dos bens, os interesses se voltam para ele e suas terras na Bahia.

Uma certa tristeza bate no coração de Alfonso, ser lembrado somente quando a morte anda próxima. Sabia de comentários de amigos, na mesma situação, mas nunca achou que aconteceria com ele. Deixava-os aproveitar a vida, satisfeito.

A natureza humana, infelizmente, é quase igual para todos. Principalmente, quando o assunto é dinheiro.

Aos poucos, seus herdeiros avisam a volta para breve, cheios de saudade e afeto pelas terras e sua situação.

O velho pai, cansado, chama Dr. Arthur e, na presença de Joel, prepara um testamento que considera justo, deixando para ele a fazenda mais lucrativa, seu maior bem!

Joel, temeroso da reação dos irmãos, não quer aceitar essa divisão, mas o pai insiste com o advogado para ser obedecido.

Alfonso tem um ataque cardíaco que o leva ao hospital, sempre acompanhado pelo filho Joel. Permanece lá uns três dias e falece.

Os filhos distantes, sabedores de sua enfermidade, viajam para o Brasil, mas não chegam a tempo de vê-lo com vida.

Permanecem hospedados na fazenda e demonstram ao advogado e irmão mais velho imensa tristeza e arrependimento por isso. Muitas dificuldades em trânsito.

Após uns dias reservados ao luto, Dr. Arthur avisa-os de que existe um testamento assinado pelo pai e marca dia e hora para uma reunião.

Ansiosos para ouvi-lo, todos permanecem em silêncio e aguardam para saber a sua parte.

O testamento é aberto. O pai declara seu amor a todos e o desejo que permaneçam unidos e felizes.

Para Martha e Cristina, deixa um apartamento bem montado em Copacabana, estado do Rio de Janeiro. Sabe que só vêm ao Brasil para curtirem férias no Rio, lugar de preferência delas e de suas famílias.

Pedro e Rubens recebem uma boa quantia em dinheiro, auxílio para seus filhos cursarem uma boa Universidade fora do país, grande desejo deles.

Maurício, seu caçula, meio descabeçado, amante de música e viagens aos países longínquos, deixa um roteiro ao redor do mundo, com direito às melhores acomodações, terminando com um pequeno apartamento em Paris, desejo antigo de Alfonso, que não foi realizado.

Enfim, todos se entreolham, um pouco espantados, e perguntam: “E a fazenda, a principal fonte de renda, com todo o cacau? ”

Arthur sorri, acostumado com testamentos e dúvidas sobre heranças, quando há muito dinheiro em jogo. “A fazenda, responde ele, deixa para Joel, seu único morador aqui presente, que a conhece e é capaz de dirigi-la. ”

Diante dos olhares furiosos dos irmãos, Joel se desculpa, afirma que não foi essa sua intenção, mas exigência absoluta do pai.

Dr. Arthur percebe que haverá contendas e pedidos de anulação. Será advogado de defesa de Joel, com certeza.

O Alfonso foi bom pai para todos e soube fazer justiça!

 

O Padre Gigio - Alberto Landi

  O Padre Gigio Alberto Landi O padre Gigio estava no seu limite. O assédio das beatas nos momentos íntimos do confessionário tinha se torna...