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quarta-feira, 25 de março de 2026

O JOVEM ALTAIR - HENRIQUE SCHNAIDER

 



O JOVEM ALTAIR

HENRIQUE SCHNAIDER

 

O jovem Altair sempre foi diferente dos seus colegas, geralmente não brincava aquelas brincadeiras infantis que toda criança adora, seus interesses eram outros, era tremendamente curioso e ia atrás de coisas diferentes e misteriosas.

Ao que tudo indica, puxou a personalidade de seu pai, que também era dado a investigações de mistério. Tal pai, tal filho, o fruto nunca cai longe do pé.

O quarto de Altair era cheio de coisas que impressionavam: bonecos com aparência um tanto estranha e, na verdade, só o menino entendia o significado daqueles bonecos um tanto quanto sombrios e assustadores. Havia também certos bichos que Altair caçava e mumificava. Os bichinhos pareciam ter vida.

A mãe dele reclamava muito da bagunça que sempre estava naquele quarto. Mal podia ela entrar naquele circo de horrores, e às vezes ralhava com ele para ver se as coisas melhoravam, mas em vão, não conseguia sucesso na tentativa de mudar as coisas no quarto do filho.

Todo santo e sagrado dia, lá ia Altair fazer uma caça às bruxas com a finalidade de levar algo novo para seu circo de horrores.

Determinado dia, sedento de novidades, entrou mata adentro que existia ao lado de sua casa. A mata era bem cerrada, mas o menino era corajoso e ia em frente com o coração batendo aos pulos, não por medo, mas sim na emoção do que iria achar para seu zoológico uma ou duas ou mais coisas interessantes para pegar e levar.

Em determinado ponto da procura, Altair, para estático praticamente emocionado, havia avistado um bicho, completamente diferente dos tantos que já pegara. Tinha um corpo estranho, um olho só, tinha o tamanho de um coelho pequeno, andava só com três patinhas e era muito peludo. A sua aparência assustava um pouco, mas o menino não desistiu e, com um puçá, pegou o bicho que não se debateu muito.

Altair se deu por satisfeito com seu achado e resolveu voltar para casa, já que, com sua descoberta, ficou satisfeito por esse dia.

Voltou para casa e, como todo menino sapeca, tentou esconder da mãe o que estava trazendo. Arrumou uma gaiolinha e colocou o bicho dentro, que estava imóvel, parecendo sem vida. Altair ficou ali a observar a criatura por muito tempo.

Depois saiu para a cozinha da casa atraído pelo aroma muito gostoso da comida que sua mãe estava fazendo. Ele adorava tudo o que a mãe fazia, já que ela era excelente cozinheira de doces e salgados.

Almoçou e, no final, “lambeu os beiços” e saiu para o quintal da casa de seus pais, que era muito grande, cheio de árvores com frutas e lindas flores. Assim o dia passou para Altair, alegre e satisfeito.

A noite se recolheu cedo para o seu quarto, para observar os seres estranhos que lá existiam. E mais curioso ainda com a novidade que era o bichinho que pegou naquele dia, quando de repente parou estático e se arrepiou todo, pois a gaiolinha estava com a porta aberta e o bicho saiu e o menino ficou todo arrepiado. O que aconteceu?  Onde ele está? Começou a procurar, amedrontado, tentando achar o danadinho do bichinho.

Com o corpo trêmulo, começou a procurar onde estava o fujão. De repente, sai debaixo da cama o procurado. Todo se balançando, inclusive o pequeno rabinho, chegou próximo de Altair, lambendo suas pernas num gesto de carinho.

Altair se emocionou com a atitude do animalzinho, que o pegou no colo e o acarinhou, logo lhe deu o nome de Peludo. Essa amizade cresceu e onde Altair estava, lá estava o Peludo ao dele pedindo colo. Os pais, a princípio, ficaram incomodados com aquela situação, mas com o tempo aceitaram e até passaram a gostar do Peludo, que se tornou um membro da família.

E assim viveram felizes por muito tempo Altair, Peludo e seus pais.

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