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quarta-feira, 25 de março de 2026

Medo de quê? - Elidamares Bianchi Rosa

 

 



Medo de quê?

Elidamares Bianchi Rosa

 

Felipe era um garoto destemido, adorava ler histórias de mistério e desvendar charadas. Gostava de conhecer lugares e coisas novas. Sempre com a curiosidade aguçada, perguntava muito e investigava tudo. Dizia sempre que queria ser detetive ou policial investigador.

Certa vez, pelo seu aniversário, os pais resolveram alugar uma casa num sítio, onde passariam o fim de semana com a família e amigos.

Logo que chegaram, no entardecer da sexta-feira, Felipe correu a levar a mochila para o quarto em que dormiria com seus primos. Saíram  no mesmo instante para conhecer o mato ao redor. Tudo era novidade: o latido dos cães, os cantos dos pássaros, os sons, o silêncio, as cores do anoitecer. Tudo lindo e misterioso, mas ele ainda não sabia que o mistério maior iria acontecer no seu quarto.

Depois dos lanches e das conversas da noite, todos se prepararam para o merecido descanso. Luzes apagadas, a casa mergulhou no silêncio da noite no campo.

O quarto dos meninos tinha duas beliches e Felipe logo escolheu dormir no alto. Os gêmeos ficaram com a outra beliche. Empolgado, Felipe não conseguiu dormir logo e, acordado, começou a ouvir o ressonar dos primos que já tinham adormecido… De olhos abertos, olhava para a escuridão.

De repente,  uma luz brilhante aparece pertinho da sua cama. O  seu coração disparou. O que seria aquilo? Há pouco tempo, havia lido sobre fogo-fátuo. Seria ali um local de decomposição de ossos? Esfregou os olhos, fechou e abriu novamente, a luz havia desaparecido. Virou para o lado para dormir e avistou a luz em outro lugar. Ficou olhando fixamente, a luz sumiu, para em seguida surgir perto da janela. Assim foi se sucedendo. Cada instante a luz estava em um lugar e agora eram mais de uma, que agiam como pisca-pisca.

O garoto estava confuso, não sentia medo, mas  se  perguntava: por que não trouxera a sua lanterna, para desvendar o mistério? Não queria acordar  os primos, nem chamar os pais, afinal já estava  completando doze anos, precisava ser corajoso e profissional. E assim ficou: ora fechava os olhos, ora abria, ora cobria a cabeça com o lençol, ora descobria e procurava a luz, que se alternava no brilho e nos lugares, até que o sono o venceu.

Na manhã seguinte, começou a investigar no quarto o que poderia ser o mistério da noite. A mãe curiosa perguntou o que ele estava procurando e riu ao saber. Ajudou-o a procurar e, em um canto do quarto, acharam um vaga-lume   caído, os outros deviam ter conseguido sair. O mistério  estava desvendado e vieram boas risadas.

Felipe, enfim, juntou aos seus conhecimentos de investigador uma nova luz. 

 

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