ENCONTROS
E DESENCONTROS
Henrique Schnaider
Rubens era casado com Mirna há dez anos, se
conheceram nos tempos da faculdade. Estudavam na mesma classe do curso de
medicina, era um sonho para ambos aquela carreira, estavam no último ano para conseguir
aquilo que consideravam a missão sagrada de ajudar as pessoas doentes a enfrentarem
seus males e se curarem.
Ainda calouros no curso, ambos trocavam olhares
interessados, depois de algum tempo, Rubens querendo namorar, tomou a
iniciativa de convidá-la para sair. O tempo se fez de cupido, quando viram
estavam completamente apaixonados, a lascívia os dominou, loucura, explosão da
paixão.
Antes mesmo de se formar foram morar juntos, o
carinho e a dedicação eram grandes, tudo se transformava em encantamento no pequeno
apartamento, eram horas de luxúria e amor incandescente.
O tempo passou, não tiveram filhos e a devoção e
dedicação à profissão, esfriou a relação dos dois na mesma proporção que antes crescera,
e agora mal se olhavam, sequer se tocavam eram dois estranhos vivendo no mesmo
teto.
Enquanto isso Roberta médica recém-formada, um
coração doce, carinhosa com seus pacientes, fazia estágio no hospital da cidade
com vida dura e dedicação em tempo integral. Não tinha olhos para mais nada,
daí seu casamento naufragou. Mal via seu marido não tiveram filhos e quando
chegava em casa desmaiava de cansaço e o seu companheiro mergulhado na TV,
ignorava a sua presença.
Rubens e Roberta se conheceram no hospital,
trabalhavam na sessão de queimados, trabalho difícil doloroso e, juntos
procuravam amenizar a dureza daquela vida diária tratando casos de queimaduras
de primeiro, segundo e terceiro graus, o local era dominado pelos gritos
lancinantes de dor, o cheiro ruim de assado era de carne humana.
Ambos estavam com os corações machucados pelo
fracasso no casamento, medo de amar novamente, mas levavam seu relacionamento
profissional de forma muito carinhosa, ficavam confusos com este sentimento novo
que nutriam um pelo outro, ambos não queriam acelerar a relação e assim foi
acontecendo devagar, mas não conseguiram segurar estavam apaixonados.
Rubens achava desculpas para estar perto dela toda
hora. Ela gostando muito. Entraram de cabeça na relação que virou uma mistura
de amor e culpa com sentimento pesado. Mas não resistiram a atração mesmo no
meio de tanto drama de pessoas machucadas, gemidos doloridos, doendo até na
alma.
Tinham que resolver aquela situação e Rubens queria
assumir a relação, abandonar Mirna, pressionava Roberta que titubeava entre ser
feliz se entregar ao amor, jogando tudo para o alto, ou continuar aquela vida
insonsa do seu casamento.
A situação de ambos se tornou uma tortura, até que
Rubens premido pela situação deu um ultimato a Roberta, que amoleceu inteira. Teriam
que largar tudo sem olhar para trás. Ele esperaria no dia marcado, na estação
de trem, partiriam para bem longe e recomeçariam a vida juntos.
Chegado o dia marcado Rubens deu uma desculpa
esfarrapada à Mirna, dizendo que iria viajar para um Simpósio médico por alguns
dias. Ela deu de ombros não dando a menor importância àquilo que ele iria
fazer.
Rubens chegou cedo à estação Central, coração
desatinado nervoso olhando para o relógio a todo instante, a hora passando e
nada de Roberta. A angústia do fracasso atormentado daquele amor doía na mente e
no coração dele.
O suor da aflição descia vagarosamente pelas costas
em um filete, quinze minutos para a partida, e nada. Dez minutos desespero a
flor da pele. Cinco minutos, Rubens tremia inteiro, pois no fim do longo
corredor avistava uma figura, não tinha certeza se era ela, mas pôr fim, a
confirmação, era sua amada que chegava.
Um abraço forte e carinhoso selou a união. Partiram
para uma nova vida, felizes por estarem juntos e prontos a iniciar um futuro sem
remorsos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
DEIXE AQUI UMA MENSAGEM PARA O AUTOR DESTE TEXTO - NÃO ESQUEÇA DE ASSINAR SEU COMENTÁRIO. O AUTOR AGRADECE.