domingo, 1 de outubro de 2017

UM DIA DE HORROR - HENRIQUE SCHNAIDER

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UM DIA DE HORROR
Henrique Schnaider

Camila não estava muito bem naquela manhã, andava angustiada para lá e para cá, tinha mau pressentimento dentro dela.    

Ela aguardava, angustiadamente, por um telefonema de seu pai que prometera vir as dez horas e já passava das onze.

O sol estava escaldante e não havia como se refrescar naquele jardim sem sombra. A arandela redonda desligada àquela hora do dia, fazia-a lembrar-se de pai, estiveram ali na noite anterior admirando a luz intensa que ela emanava.
Apesar da intensidade do sol, a jovem vê um suspeito há tempos parado ao portão. Vem-lhe o medo, o pavor, não era a primeira vez que ela o via rondando a casa. Camila se apressa e, apavorada, pega o carro acelerando em disparada.

Em trânsito ela telefone para o pai e conta sobre o suspeito. Talvez ele queira roubar a casa, ela disse.

Ela deu a volta no quarteirão e não viu mais o homem ao portão, mas a porta da frente estava entreaberta. De novo o medo tomou conta dela. Mas, precisa ter certeza de que o tal homem entrou mesmo em sua casa. Tira uma tesoura da bolsa e, trêmula, resolve enfrenta-lo.

Conhece aquela casa como ninguém. Está lá desde que nasceu, sabe onde as tábuas rangem, quais portas gemem. Nervosa, sobre as escadas cautelosamente, e fica surpresa ao ver o sótão aberto. Sente tontura, mas reage.

Ouve motores de automóveis à frente da casa. Deve ser a polícia, papai deve ter chamado, pensa ela.  Os olhos não saem do sótão. Tudo está escuro por lá, mas a porta, quem a abriu? Ela adianta mais alguns passos, decide entrar no cômodo. A polícia deve estar entrando na casa agora, pensa.

Avança porta adentro e imediatamente, tropeça num corpo. Num sobressalto recua aos solavancos. Logo reconhece Maria sua empregada que jazia ali, ao seu lado uma faca. Camila percebe mais alguém perto dela. Ela então o vê. Ele está com um olhar enlouquecido, reconheceu-o, era o namorado de Maria, que acabara de cometer aquele crime hediondo.

Para seu alivio a polícia logo iluminou o ambiente, tranquilizando Camila e retirando-a chorando, inconformada com a cena que acabara de ver.

A polícia prendeu Roberto, que confessou o crime que cometera por motivo passional.

Diante de todo este quadro de horror, Camila sentiu-se angustiada, pois naquela manhã, tivera um pressentimento de que algo ruim iria acontecer.

O pai de Camila chegou nervoso sem entender ainda o que havia acontecido. Abraça carinhosamente a filha e leva-a para o jardim, precisava ouvi-la contar a história de horror que ela acabara de passar. 


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