quinta-feira, 18 de maio de 2017

Perdão e Pesar - Ana Catarina SantAnna Maues

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Perdão e Pesar
Ana Catarina SantAnna Maues

                   Levando uma vida comum, assim estavam Nelson e Dalita. Ele era eletricista e ela ajudante de padeiro. Ambos com personalidade tranquila, eram bem discretos. A relação entre eles era marcada pelo respeito e afeto. Exibiam na mão direita o único bem valioso, a aliança em ouro adquirida com sacrifício. Sem ajuda dos parentes preparavam-se para casar. Tudo caminhava harmoniosamente entre eles até que a padaria foi vendida para um jovem bonito e solteiro. Esse fato mexeu bastante com o humor de Nelson, que passou a buscar Dalita no trabalho. Numa tarde ele ficou espreitando e viu quando o jovem proprietário acariciou o rosto dela. Mais do que depressa ele atravessou a avenida e entrou na padaria querendo confirmar o que vira. Indagando sobre o que ocorrera, Dalita explicou que havia machucado o dedo, e que o proprietário ao vê-la chorar ofereceu-lhe um lenço, mas sem tocar no seu rosto.  Isto não ficou bem esclarecido na cabeça de Nelson que passou a desconfiar da fidelidade da noiva. Quando indagava sobre seu dia no trabalho era com sarcasmo e  Dalita reagia indignada iniciando assim mais uma discussão.   As brigas passaram a ser frequentes pelos motivos mais fúteis, e cada vez mais violentas, com Nelson dando apertões, beliscões e vez por outra até tapas no rosto de Dalita. Ela vivia deprimida, amargurada, insegura com o temperamento oscilante do noivo, mas com muita esperança de que tudo passasse.  Lutava com a arma da paciência e do perdão, não queria desmanchar o compromisso, pois o amava de todo coração.  
                      No final de uma tarde, chovia bastante, e Dalita recebera o aviso de que Nelson não viria buscá-la. Ao sair, dirigiu-se ao ponto de ônibus, e lá estando viu chegar de carro novo, Cláudio, seu irmão mais velho. Ele a viu na parada e ofereceu carona, que ela aceitou muito feliz. Chegando em casa qual a surpresa, Nelson a estava esperando, e a viu sair do carro. Cego de ciúmes não reconheceu o futuro cunhado ao volante.  Imediatamente ali na rua mesmo, a briga começou. Ela já entrou chorando e gritava que queria acabar com o noivado. A discussão ficou maior e maior, caminhavam por o espaço da casa, até que chegaram na cozinha e Nelson enlouquecido lançou mão de uma faca sobre a mesa e transpassou o corpo dela que caiu imóvel.
                  Atônito, saiu dali, correndo e chorando sob a forte chuva. Foi em direção a única ponte da cidade, conhecido palco de suicídios. Dalita meu amor o que fiz meu Deus perdão éramos tão felizes como tudo chegou a ficar assim burro burro ciumento egoísta meu amor perdão a vida sem você não tem nenhum valor meu Deus por favor faz com que tudo isso seja um pesadelo que acordarei logo mereço o inferno matei o amor da minha vida Dalita te amo te amo nunca mais te verei meu amor pois você vai pro céu e eu para o inferno merecido
            Nelson chorava muito equilibrando-se na parte mais alta da ponte, pronto pra saltar a qualquer momento. Gritava o nome de Dalita forte e bem alto, estava fora de si. Já ia saltar quando escutou a voz da noiva chamar por ele. Olhou pro lado e a viu caminhando com dificuldade em sua direção toda ensanguentada. Pensou em milagre e desceu de onde estava, vindo encontrá-la. Entre beijos e caricias ambos choravam, ele ajoelhou-se e prometeu diante de muitos que acorreram ali, acompanhando toda aquela situação, e prometeu jamais repetir aquele ato, pedia perdão soluçando. 
             O tempo provou que o perdão de Dalita e o arrependimento de Nelson foram verdadeiros, e como num conto de fadas vivem felizes até hoje.   


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