quinta-feira, 30 de abril de 2015

A Sabedoria contra a Esperteza! - Dinah Ribeiro de Amorim




A  SABEDORIA CONTRA A ESPERTEZA!
Dinah Ribeiro de Amorim

O coelho andava todo prosa, sabendo que, dos animais pequenos, era o mais rápido. Ninguém o vencia, nem mesmo as emas e avestruzes,  conseguiam competir  com ele.

Adorava comer cenouras, muitas cenouras, antes de qualquer partida. Eram o seu ponto fraco ou a sua tentação, levando horas mastigando com prazer.

Uma tartaruga muito idosa, mas de grande sabedoria, espalhou a notícia na floresta que conseguiria vencê-lo.

“Como!  Perguntavam todos, dando gargalhadas - Lenta, velha, pesada, ganhar de um coelho rápido e corredor, é muito difícil.“

A tartaruga, conhecendo o percurso a ser feito, espalha cenouras no trajeto, colocando-as em lugares estratégicos, favoráveis a descanso e sonecas.

No dia da partida, dada a largada, os dois animais saem.

O coelho, muito rápido, encontra a primeira cenoura. Mastiga-a saborosamente e tira um cochilo.

A tartaruga, calma, segue lentamente.

Alcança a primeira parada do coelho, acordando-o rápido e  saindo em disparada à sua frente.

Logo encontra uma segunda cenoura, muito gorda e atraente, parando para degustá-la.

A tartaruga lenta encontra-o novamente, desta vez com mais sono e menos vontade de correr.

Ultrapassa-o sem acordá-lo e, ele, logo desperta, disparando outra vez à sua frente, não entendendo como ela conseguira alcançá-lo.

Uma terceira cenoura, mais atraente que as outras, aparece novamente no caminho do coelho que, antecipando a vitória, detém-se para comê-la. Adormece profundamente, sendo ultrapassado pela tartaruga que, sorridente, chega ao final da corrida.

É aplaudida vitoriosamente, deixando uma interrogação no ar. “Como conseguira tal proeza?”

“Quase sempre a esperteza e a vaidade perdem para a sabedoria e inteligência dos mais velhos”, responde tranquila a tartaruga.


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