quinta-feira, 30 de abril de 2015

A Fada e o Acauã - Jany Patricio


A Fada e o Acauã
Jany Patricio

Maria caminhava lenta. Pés descalços, cabelos desalinhados. Na cabeça, lata d’água vazia. Flor, sua filha, a acompanhava a passos mansos. Seus olhos vivos, cor de mel, seguiam curiosos o voo do Acauã.

A mãe procurava o riacho que passava perto da pedra, onde o pássaro pousara. Uma lágrima saiu do canto do olho, escorregou pela maçã do seu rosto e molhou a terra seca.

Acauã levantou voo e sumiu no céu sem revelar seu canto.

Voltaram para o rancho na boca da noite. Maria entrou, enquanto Flor encostou-se no pé da cerca para admirar o espetáculo do céu, carregado de estrelas.

Quando de repente: Sssssss! Sssssss! – Sorrateira, uma cobra se aproximava.

Va-voom! – Surgiu do céu o Acauã. Pegou o réptil e voou para uma aroeira.

Flor observou o pássaro, que satisfeito lançou um olhar para Luzibel, uma fada de asas verdes e vestido azul que caia do céu, meio desengonçada. 

Trash! Trá! Prá! - derrubou as cuias secas sobre a cabeça da menina.

— Desculpe! O que posso fazer para me redimir?

— Precisamos de água. O rio está seco e minha mãe chora.

— Bom... minhas asas não me obedecem. Já sei! Aquele Acauã vai nos levar até o rio. Vamos! Suba!

Voaram alto e chegaram.

— Agora vou usar minha varinha mágica...Huuum...Acho que a perdi. Não faz mal. Que planta é aquela?

— É um mandacaru. – disse a menina.

— Então vá até lá e arranque um espinho. Vai ser minha nova varinha!
Diante da expressão de receio no rosto da garota, por medo de espetar o dedo, a fada disse:

— Bah! Está bem, está bem! Pegue aquele galho seco mesmo! Quem não tem cão caça com gato! – falou Luzibel, enchendo as bochechas e franzindo a testa, com cara de enfezada.

O rio, achando engraçado o jeito da fadinha, começou a rir. Mas riu, riu tanto que passou a chorar de rir. As lágrimas eram tão grande quantidade, que começaram a inundar o leito e subir, subir até as margens. E mais, fizeram brotar as minas lá no rancho da Maria, que agora ria, ria, ria.

Após deixar a Maria e a Flor felizes, a fadinha despediu-se e voltou para as estrelas levada pelo Acauã, que finalmente liberou seu canto!

— Acauã, Acauã, Acauã...


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